PARTICIPAR: enviar mensagem devidamente assinada para pdm@etc.pt. Os textos poderão ser publicados em papel ou PDF a menos que o autor dê indicação contrária ao enviá-los.

De: TAF - "Sim, ainda está alguém do lado de cá..."

Submetido por taf em Segunda, 2014-03-31 04:03

... mas com muita dificuldade nos últimos dias de tratar de tudo o que há para tratar. Recebi vários posts que estão pendentes para publicação, e nem sequer deu tempo para falar do Dia Nacional dos Centros Históricos, ontem, que no meu caso teve de ser passado em casa. Espero durante esta semana colocar o blog em dia.

De: Alexandre Burmester - "Faroeste 2"

Submetido por taf em Quarta, 2014-03-19 11:11

Tenho a certeza absoluta que quem tem a responsabilidade de gerir os fluxos das vias rodoviárias nesta nossa cidade deve ser um estudioso de computador que pouco sai à rua e enfrenta o que desenha. Olhar para a cidade em planta, identificar vias, atribuir-lhe sentidos, desenhar riscas e passadeiras, amontoar poluição visual de sinalética automóvel e pejar tudo com semáforos, só pode ser oriundo do desenho e pouco do conhecimento da realidade.

Coisa diferente é conhecer a cidade, as suas ruas, os seus usos e seus constrangimentos. Perceber que o desenho é quase sempre teoria que a prática trata quase sempre de corrigir... Infelizmente esta situação não se aplica ao trânsito, até porque existe sempre uma farda policial que teima em aplicar a lei, ou até se esconde nas ratoeiras do desenho para apanhar os incautos. Rotundas ovais, elipsoidais, descentradas, disfarçadas e algumas tão diminutas que... enfim, assim como várias ruas que na mesma rua conseguem ter 2 sentidos únicos, são algumas das particularidades do nosso trânsito que deveriam dar lugar a prémios de originalidade e de boçalidade.

A solução se calhar até é simples, bastaria obrigar quem desenha, e quem é responsável por isto, a largar a cadeira e vir para a rua.

De: David Afonso - "ZEP CHP"

Submetido por taf em Terça, 2014-03-18 02:40

Pergunta: a Zona Especial de Protecção (ZEP) do Centro Histórico do Porto está em vigor ou não? Alguém é capaz de me esclarecer? Já ouvi opiniões contraditórias, mas a eficácia do Aviso 15173/2010, que define a ZEP, parece estar suspensa desde 18.03.2013 por este acórdão do Tribunal Administrativo e Fiscal.

Se assim for, quais as consequências a retirar relativamente a todos os actos administrativos e urbanísticos ocorridos após essa data e que tiveram como referência o Aviso 15173/2010 que define a ZEP? Ando intrigado com isto. Alguém pode ajudar?

De: Pedro Figueiredo - "Na minha cidade não acontece nada"

Submetido por taf em Terça, 2014-03-18 02:28

1 - Na cidade de contas limpas, à moda do Porto, esta CMP começou o seu mandato privatizando / vendendo 21 milhões de euros de património público (está tudo bem, normal, tudo normal).

2 - A CMP reservou em 2013 300.000 euros (uau!) para a cultura em 2014, "para marcar a diferença" (os portuenses aceitam tudo).

3 - Há um bairro de habitação social com bonitas vistas de rio, com a sua demolição presa por indemnizações ("ainda maiores") caso não o demulam, enquadrado por contratos que ninguém conhece.

4 - 230 mil habitantes a viver por entre escombros de casas no séc. XXI, 200.000 no início do séc. XX, 350.000 em 1980/81.

5 - Foi por demais evidente que o futuro (2010) para os arquitectos e para a cidade ia ser, só podia ser, não havia como não o ser, "A" reabilitação...

6 - Eis que em 2013, ano 3 da troika, já emigraram dezenas de arquitectos, "onde estão os meus colegas?". ("Hão-de querer e não hão-de ter" ...arquitectos, engenheiros, know-how, "Escola do Porto", etc.)

7 - Não me posso esquecer de deitar fora os catálogos da Valadares (já era). (Na minha cidade não acontece nada. Guiamos turistas por entre os escombros da não-participação e esperamos o favor e a esmola do visitante estrangeiro.)

8 - Tenho que riscar o Sr. Guilherme da lista de empreiteiros (faliu) e o colega Arq.º Jacinto da lista de arquitectos (emigrou). (Onde está a multidão na Praça Carlos Alberto a receber o General Humberto Delgado?)

9 - As instituições da cidade repetem uma e outra vez, à nausea, uma e outra vez, e ainda uma e outra e outra vez ainda, os prémios aos arquitectos Siza e Souto de Moura - Quantos são? Vinte prémios? Estamos em crise? Não. Há toda uma não-política para a reabilitação urbana? Não. Todos os jovens e arquitectos emigraram? Não (sai mais um prémio para a mesa ali do canto). Por costume, tradição? Ou por costumeiro lambe-botismo da sociedade aos mesmos? E mais as conferências poéticas pela Ordem dos Arquitectos (mas não estamos em guerra?) (Titanic, mas já com o navio no fundo, uma e outra vez.)

10 - No ano em que o Bolhão faz 100 anos, 22 de não reabilitação, a CMP reserva zero euros do seu orçamento para o reabilitar. A biblioteca do Marquês permanece entaipada. (Os portuenses concordam, dizem que sim com a cabeça.)

11 - O Cinema Batalha continua fechado, sem-abrigo dormem cá fora, à porta (três), 4 hotéis construídos ou em construção na praça do mesmo nome. (Portuenses: tão mortos, tão "prós e contras", tão ano 3 da troika.)

12 - Viemos ao fundo após um colossal esforço para aumentarmos a dívida de Sócrates (90% do PIB, portanto é preciso chamar os senhores de fora) para a dívida de Passos (130% do PIB, portanto está tudo bem, mais um esforço, "reestruturar"? Para quê? Tão pouquinho para pagar e somos tão ricos, com salários tão altos.)

(Não-estado de graça, mas um estado de ausência nesta cidade, uma falta de sentido cívico geral, silêncio, a necessidade absoluta da revolução.)

De: José Ferraz Alves - "Navios-hotel causam indignação na Ribeira"

Submetido por taf em Quinta, 2014-03-13 14:36

- "Navios-hotel causam indignação na Ribeira", JN

Sendo um admirador do trabalho que Mário Ferreira e a Douro Azul têm feito por si, e daí, decorrentemente, pelo Porto e Douro, não posso concordar com alguns tiques de arrogância que começam a surgir. A propósito dos barcos ancorados na Ribeira e que tapam a vista às esplanadas, a resposta dada foi simplesmente "se acham que ter barcos no rio e no seu cais tem impacto, imagino o que acham do teleférico de Gaia..."

Será que o sucesso faz assim tão mal às pessoas? Não acredito, com um rio tão grande e zonas a necessitar de reabilitação tão perto, que não haja outro sítio para os parar. Os negócios também se podem desenvolver em harmonia com os outros, mais pequenos.

De: Pedro Figueiredo - "Feira do Livro, afinal"

Submetido por taf em Domingo, 2014-03-09 22:59

Critiquei logo logo o suposto fim anunciado da Feira do Livro... Fico contente que afinal se faça. O Palácio é boa escolha. Aberta a todos, não apenas à APEL parece-me muito bem. Aqui este vosso esquerdista acha bem a maneira como a CMP aparentemente está a safar esta feira. Saravá.

De: TAF - "Colaboração exemplar"

Submetido por taf em Terça, 2014-03-04 00:33

Parabéns às Câmaras do Porto e de Gaia. Era assim que sempre devia ter sido.
Porque, lá está, Porto, Gaia e Matosinhos são uma única cidade. ;-)

Carta conjunta sobre o Túnel da Ribeira

De: Jorge Azevedo - "Vale tudo!"

Submetido por taf em Segunda, 2014-03-03 23:17

O nível está a subir… a avaliar por estes cartazes colocados em plena Praça da Liberdade a anunciar um evento no Palácio de Cristal!
Evento com o “alto" patrocínio da Câmara Municipal do Porto!

Cartaz numa árvore

De: Pedro Figueiredo - "A Feira do Livro, ..."

Submetido por taf em Segunda, 2014-03-03 23:05

1 - ... para existir, precisa da contribuição da CMP (normal, desde há 82 anos, mais ou menos) de (agora) 75.000 euros.

2 - Na Praça da Batalha existem actualmente dois antigos cinemas, agora transformados em não-cinemas.

3 - A equipa de Rui Moreira logo na primeira sessão da Assembleia Municipal aprovou a venda/privatização de 21 milhões de euros de património.

4 - Na Praça da Batalha existem actualmente 4 hotéis, um dos quais num desses antigos cinemas.

5 - O presidente da Câmara disse que "não estava previsto" no orçamento a verba para a Feira do Livro. (Talvez para supormos a sua não-culpa, "a culpa não seria de ninguém, mas seria do orçamento em si".)

6 - Na Praça da Batalha está-se a construir um quinto hotel, ao lado de um desses ex-cinemas.

7 - Disse-se e repetiu-se várias e múltiplas vezes que este presidente da CMP iria ter uma nova política para a cultura, tão, mas tão diferente do anterior presidente da CMP.

8 - Na Praça da Batalha a família detentora do Cinema Batalha gastou 1 milhão de euros na sua reabilitação para outras valências não-cinematográficas e o edifício voltou a fechar.

9 - A Biblioteca do Marquês não reabriu ainda, nem reabrirá, se reabrir como biblioteca.

10 - Na Praça da Batalha a família detentora do cinema devia ser expropriada sem indemnização por estar a fechar e a destruir importante património que deveria ser público ou ter uma função pública, e para cinema, se não for incómodo.

11 - Uma coisa que distingue uma aldeola ou uma vilória de uma cidade é a sua capacidade de possuir urbanidade ou a existência efectiva de urbanidade dos seus cidadãos e do espaço em si: livros, cinemas, praças, a civilização em suma.

De: TAF - "Dar tempo para derrocar"

Submetido por taf em Sexta, 2014-02-28 18:41

Perigo de derrocada

Tal como eu, passam por aqui (Rua da Senhora das Verdades) todos os dias inúmeros pais e mães com crianças a caminho da creche. O sinal "PERIGO DE DERROCADA!" tem quase um ano e até já desbotou. É preciso é calma.

De: Alexandre Burmester - "Faroeste"

Submetido por taf em Sexta, 2014-02-28 18:14

O caso que o Pulido Valente aqui traz a propósito do Altis é bem sintomático da Justiça deste País. Vivêssemos num Estado de Direito e tudo seria diferente, mas infelizmente com a Justiça que temos nunca iremos a lado nenhum.

Antigamente havia 3 profissões que juntavam o poder e eram significativas da ordem, o Médico, o Padre e o Juiz. Os médicos, embora já não sendo o que eram, mantêm-se dos 3 aqueles que ainda têm algum prestígio. Os Padres que antes tinham conhecimento e sabedoria são hoje em dia ignorantes e incultos, basta ouvi-los e ver o que fazem ao seu património. Para os Juízes que provinham de uma formatura exemplar e que exerciam com conhecimento empírico e com experiência, são hoje uns quantos advogados, ainda meninos (principalmente meninas que é como a medicina, exercida maioritariamente por mulheres), sem qualquer outro conhecimento que não o de técnicos, cheios de pose, leitores de leis. Na maioria maus leitores.

Vejam-se os exemplos que por aí abundam dos casos que passam pelos tribunais e dos seus resultados práticos que é de ficar arrepiado e de tomar o conselho do Pulido para agarrar a carteira e fugir. Nem vale a pena falar de submarinos, pedófilos, sobreiros ou bancos, bastaria referir o tempo de demora e os procedimentos, para perceber que vivemos numa sociedade onde a Justiça não tem lugar. Naturalmente que a culpa não é só de juízes, é especialmente das Leis e das políticas e principalmente da ignorância reinante.

Mas se tratando de assunto de ordem urbanística, situação que em Portugal em face da dimensão e da complexidade já deveria ter dado lugar a uma especialidade de Direito, o desconhecimento de advogados faz com que imperem as leis das autarquias mal secundadas por técnicos de outras áreas e outros que mesmo da área nada entendem, que culminam com a ignorância superior dos juízes, sejam eles do Supremo ou doutra instância qualquer.

Envergonhados deveríamos ficar todos com estes acontecimentos mas, neste país de gente pobre com leis de ricos, não conheço nenhuma situação onde por incumprimento do que fosse se mandasse demolir o que quer que seja. Posto isto nada mais há a acrescentar do que a conclusão do Pulido: é o faroeste.

Nota: O uso de minúsculas foi opção do Pulido no seu texto, mas infelizmente essas minúsculas são o nosso dia-a-dia.

De: TAF - "E caseiros, não?"

Submetido por taf em Sexta, 2014-02-28 13:41

Casa no Parque de São Roque  Casa no Parque de São Roque

Faz pena e causa indignação ver o estado de degradante abandono a que se deixa chegar património municipal, como este no Parque de São Roque. A solução para casos assim parece-me bem simples, à moda antiga: ter caseiros, pessoas que ocupem o espaço, que habitem lá e o tratem como seu no âmbito de um contrato com a autarquia.

De: Aníbal Remo Cunha - "Feira do Livro"

Submetido por taf em Sexta, 2014-02-28 13:24

Rui Moreira, por quem tenho apreço, cometeu um erro (talvez dois mas, do segundo espero nunca ter oportunidade de comentar), chamar Paulo Cunha Silva para a vereação da cultura.

Os portuenses recordam-se bem da acção, no âmbito do Porto Capital da Cultura, dos dirigentes designados para comandar o evento, entre os quais este senhor. Desses nefastos tempos de teimosia e incompetência ainda não sararam as feridas bem visíveis pela cidade. A cultura, pouca, mas que ainda havia, passou a ser coisa de alta costura. Muitos criadores ou se apagaram, ou mudaram de ares. Agora parece que vamos ficar sem a feira do livro, por a CMP não se entende com a APEL. Será circunstancial ou premonitório?

aníbal-remo da cunha

De: Pulido Valente - "Altis"

Submetido por taf em Sexta, 2014-02-28 12:12

No sábado dia 22 publicou o JN um artigo, bem feito, de Carla Luz sobre a sentença do Supremo Tribunal Administrativo no processo que eu, o Jorge Mesquita e o J. M. Anciães movemos contra o município do Porto e Altis- Sociedade de Empreendimentos Turísticos e Hoteleiros, S.A.

Planta

Como é natural nem os senhores conselheiros nem a jornalista tiveram a oportunidade de ir ao fundo da questão. Eles porque, eventualmente, o processo não terá sido suficientemente esclarecedor; a Sr.ª jornalista por evidente falta de condições e de tempo. Por essa razão venho prestar esclarecimentos adicionais que julgo suficientes para avaliar a monstruosidade dos comportamentos havidos por parte da câmara municipal do Porto.

... Ver o resto do texto e imagens em PDF (ficheiro substituido às 18:37 para corrigir um erro no quarto parágrafo).

De: TAF - "Alguns apontadores"

Submetido por taf em Segunda, 2014-02-24 00:39

- O Porto na 7ª e na 8ª semanas de 2014, selecção de apontadores do Vítor Silva
- "A woman rocks her baby on the edge of the Douro River" (A.W. Cutler, 1922), imagem via Gabriel Silva
- Vídeos do programa "Porto Sentido" ("Prós e Contras" versão "Prós e Prós") na RTP: parte 1 e parte 2

- Cidades com centro histórico Património Mundial vão exigir clarificação da isenção do IMI
- Pensão Monumental foi comprada e vai ser hotel de charme
- A partir de Julho os portuenses vão poder voar para Brest e Brive
- Painel de azulejos de Fernando Lanhas vai dar as boas-vindas a quem entra no Túnel da Ribeira
- Novo terminal de cruzeiros de Leixões pronto até ao final do ano, vídeo da Lusa
- António Francisco dos Santos é o novo Bispo do Porto
- "A Diocese do Porto é mais populosa da Igreja Católica em Portugal"
- "Avenida dos Aliados e Baixa do Porto: Usos e Movimentos", livro em PDF sugestão de Rio Fernandes: "Trata o centro da cidade do Porto e em especial o espaço Praça da Liberdade / Avenida dos Aliados / Praça General Humberto Delgado e a envolvente mais direta. Propõe-se uma leitura das dinâmicas históricas, com especial desenvolvimento na abordagem das últimas décadas." (Publicações da Porto Vivo)

- Ryanair vai ligar Porto a Lisboa - isto é uma revolução!
- Regime excepcional e transitório a aplicar à reabilitação de edifícios ou de fracções, ponto 2 deste comunicado - isto espera-se que seja outra revolução, embora faltem medidas complementares indispensáveis.

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Não compreendo o orgulho que por aí anda a propósito do Porto ter sido eleito o "melhor destino europeu 2014". Que isso tenha acontecido é bom, entenda-se. Mas tratou-se de uma votação assumidamente manipulada, ou seja, não foram os turistas que nos elegeram, fomos nós que conseguimos a claque mais activa a votar via net. Não foi um título conquistado, foi um título "comprado" com os clicks da claque. Mas pronto, ao menos que nos seja útil pela visibilidade que eventualmente proporcione.

Já isto, sim: Financial Times diz que o Porto é uma das melhores cidades para investimento direto estrangeiro

De: José Machado de Castro - "O Porto e o quadro comunitário até 2020"

Submetido por taf em Segunda, 2014-02-24 00:26

A atribuição de fundos comunitários foi discutida, por iniciativa do Bloco de Esquerda, na última sessão da Assembleia Municipal realizada em 17 de Fevereiro. Dada a importância do tema e a sua necessária ligação à regionalização administrativa, segue texto aprovado. A votação, ponto por ponto, foi a seguinte: pontos 1 e 3 tiveram 37 votos a favor e 9 abstenções (do PSD). O ponto 2, defendendo o desbloqueamento do processo da regionalização administrativa, teve 24 votos a favor, 18 abstenções e 4 contra (do CDS, integrado no grupo Rui Moreira).

Cumpts.
José Machado Castro, membro da Assembleia Municipal do Porto

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O Porto e as verbas do Quadro Comunitário 2014/2020

A prevista atribuição de verbas no âmbito do próximo quadro comunitário tem suscitado discussão pública. E com toda a razão. Não apenas pela dimensão dos fundos disponibilizados (aos 21 mil milhões de euros dos programas temáticos e regionais acrescem 3,5 mil milhões para o desenvolvimento rural), mas principalmente porque ao longo dos diversos Quadros Comunitários de Apoio tem ocorrido uma distribuição dos recursos financeiros em prejuízo da região Norte, a 37ª região mais pobre da U.E.

Há demasiado tempo, a região Norte tem vindo a apresentar o mais baixo PIB per capita do país. E entre 1997 e 2007 o PIB regional até baixou, apesar dos mais de 3 mil milhões de euros atribuídos. A centralização na distribuição dos fundos deu mau resultado.

A necessidade de maior equidade na distribuição inter-regional dos fundos estruturais é bem evidente. E no combate contra as assimetrias regionais, a intervenção das regiões e dos municípios quanto aos montantes e às áreas de aplicação dos fundos é essencial.

No âmbito das designadas infraestruturas de elevado valor acrescentado, não é previsto o reforço da infraestrutura aeroportuária ou da rede de ferrovia ligeira (Metro) e pesada para melhorar a mobilidade entre as populações dos concelhos da área metropolitana do Porto. E para a reabilitação urbana e requalificação de equipamentos como o mercado do Bolhão, não há ainda garantias de atribuição de verbas comunitárias.

Na definição das políticas do agora designado Acordo de Parceria (AP 2014-2020) há sinais inquietantes: entidades de âmbito regional como os Conselhos Regionais ou as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento, não estão representadas nos órgãos de gestão central ou nas estruturas de acompanhamento. È uma Comissão Interministerial de Coordenação que tudo dirige e tudo controla.

A passagem da gestão dos fundos europeus para a Presidência do Conselho de Ministros é a insistência no centralismo de tão desastrosas consequências. É o reforço das desigualdades territoriais. E a recente decisão governamental de extinguir a Direção Regional da Economia do Norte ou o discurso dominante contra todo o investimento público, só agravam as assimetrias regionais.

Sem a regionalização administrativa, inscrita na Constituição de 1976, não há equidade territorial nem progresso social. Sem regionalização não há responsabilização pela aplicação das verbas comunitárias. Sem investimento público gerador de emprego e socialmente útil, agravam-se as desigualdades sociais.

A Assembleia Municipal do Porto, reunida em 17 de Fevereiro de 2014, tendo em conta a importância do município do Porto no contexto do noroeste peninsular, na região Norte e no país, defende:

  • 1 – que o município do Porto seja parceiro efetivo (e não virtual) no processo de distribuição e controlo da aplicação de fundos comunitários;
  • 2 – que seja desbloqueado o processo da regionalização administrativa, para alcançar a coesão territorial do país e permitir a responsabilização política na utilização dos financiamentos públicos.
  • 3 – que o investimento público com impacto social seja ativado como gerador de emprego e resposta à situação de depressão económica e social particularmente grave nesta região.

De: Pulido Valente - "Inexemplar, a pouca vergonha deste estado"

Submetido por taf em Segunda, 2014-02-24 00:07

Já tinha esquecido que este processo contra a construção do altis na Rua Diogo Botelho, frente à católica, estava por decidir. O Supremo Tribunal Administrativo deu agora o seu acórdão em desacordo com o parecer do Ministério Público, que, como se sabe, tem de apreciar o processo primeiro.

"Ao Ministério Público compete representar o Estado e defender os interesses que a lei determinar, bem como, nos termos da lei, participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de soberania, exercer a acção penal orientada pelo princípio da legalidade e defender a legalidade democrática".

No processo que propus há oito anos, ou mais, contra a construção dos edifícios altis em frente à universidade católica o supremo tribunal administrativo não nos (a mim e ao Dr. Paulo Duarte) deu razão. Ficou provado que os edifícios foram construídos também em terrenos da câmara municipal do Porto que no PDM tinham como índice construtivo ZERO. Ficou provado que só foi possível aprovar os projectos porque a câmara decidiu que os terrenos que estavam na sua posse passariam a ter o índice igual ao do requerente do licenciamento, o sr. fernando martins, (arq.º joão paciência), e assim o requerente passou a ter mais metros cúbicos de construção e o projecto foi aprovado. Com esta manobra o terreno do particular com cerca de 13 mil metros quadrados passou a ter possibilidades construtivas equivalentes a mais de dezassete mil e oitocentos. Sem custos adicionais. Mais uma oferta de mais de 27% de volume de construção que passou para o particular.

Trocando por miúdos: a cmp resolveu dar a um particular um aumento de área de construção para um total equivalente à soma das áreas dos terrenos do particular e do que, sendo nosso, está a ser gerido pela cmp e tem índice construtivo zero no PDM, lei. Portanto cometeu dois crimes: deu capacidade construtiva à parcela de terreno que não é do requerente da licença e transferiu essa capacidade construtiva para o particular juntar à que já tinha! Contrariando o disposto na lei, PDM.

A infracção ao disposto do PDM foi feita porque sim, porque lhes apeteceu, sem passar pelos procedimentos exigidos por lei para tanto. Claro que não aceitei que tratassem o sr. martins de maneira diferente daquela com que me tratavam, e a quase todos os outros munícipes suponho, e propusemos a acção. O Ministério Público compreendeu os nossos argumentos e deu um parecer que confirma ser a licença ilegal porque a cmp não pode lembrar-se, quando lhe apetece, alterar o PDM e declarar que o requerente é beneficiado com metros cúbicos de construção inventados por um qualquer.

A juíza relatora declarou que havia uma espécie de associação entre a cmp e o requerente, qualquer coisa como uma ppp, e decidiu contra nós. Os outros juízes do supremo tribunal administrativo, todos (incluindo o presidente, para que serve ele?), assinaram de cruz (pois, então!) e nós perdemos. Para que serve o colectivo?

Analisada a situação "política" encontramos o seguinte:

  • 1 - já há o precedente do centro comercial cidade do Porto;
  • 2 - a ser confirmada a opinião do Ministério Público a cmp teria que, ou poderia ter que, dar indemnizações chorudas;
  • 3 - e teria que mandar demolir uma parte do construído;
  • 4 - os juízes do supremo tribunal administrativo estão-se nas tintas para cumprir com a lei como é sua obrigação e decidem a favor das entidades que decidem proteger;
  • 5 - os juízes do supremo tribunal administrativo não são pessoas de bem porque torcem a lei contra os interesses do estado e dos cidadãos e são susceptíveis a pressões partidárias ou de outras máfias (grupos que têm leis diferentes das do país);
  • 6 - a merda é o meio em que este país está submerso;
  • 7 - sempre que ouvirem dizer estado democrático ou democracia deitem a mão à carteira e fujam;
  • 8 - os mais novos se não querem lutar pelo futuro aqui, fujam.

Este país está nas mãos de malfeitores. Tudo o que por aí se faz de trapacices é tido como normal a tal ponto que as entidades se sentem à vontade para usar de livre arbítrio mesmo fora da lei. É o “faroeste”. Se os novos não lutam pelo futuro não serei quem o fará.

JPV

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Nota de TAF: o uso de minúsculas é opção do autor do texto.

De: José Ferraz Alves - "Património da Humanidade"

Submetido por taf em Domingo, 2014-02-23 00:01

Gostava de ver repotas as sinaléticas "Porto, Património da Humanidade" no nosso centro histórico. Na ponte D. Luís, como já esteve. Penso que muitos dos que nos visitam nem o saberão. Traz consciência de valor à sua presença na nossa cidade. E, a nós, mais alegria e orgulho, bem como a responsabilidade de preservar e melhorar a nossa cidade.

De: Maria Augusta Dionísio - "Entrevista Pizarro ao JN - Aleixo"

Submetido por taf em Sábado, 2014-02-22 23:57

Existe, finalmente, uma primeira posição pública do executivo autárquico, através do vereador da Habitação, a respeito da demolição do Aleixo. Em anexo segue um excerto da entrevista de Manuel Pizarro, vereador da Habitação, ao JN, e aproveito para salientar aquilo que sempre me pareceu óbvio, mas que infelizmente não suscitou a preocupação dos portuenses minimamente interessados com os assuntos da governação da cidade - o fundo imobiliário para o Aleixo está em incumprimento há muito e muito tempo!

A certa altura é o próprio vereador, Manuel Pizarro, que o afirma dizendo: "estamos a travar uma negociação muito dura com o fundo imobiliário do Aleixo em torno do cumprimento das suas obrigações." Acho extraordinário que existam negociações em torno de acordos celebrados com o município, aprovados nos seus órgãos e devidamente ratificados pela CMVM e Tribunal de Contas. Os contornos do acordo são muito claros! Ou se cumprem e a demolição avança, ou não cumprem e a CMP tem a coragem de os romper! Espero, contudo, muito sinceramente, que esteja enganada quanto à tentativa desesperada para salvar o fundo, evidenciada na afirmação: "Esta é uma fase em que temos de avaliar de que forma é que o fundo cumpre ou não."

Ficou bem claro para todos que no anterior mandato o Aleixo era uma questão de honra do anterior presidente, assumindo por isso a demolição da 5ª e 4ª torre, com toda a pompa e circunstância, independentemente dos incumprimentos do Fundo, apesar das 150 famílias do Aleixo terem sido realojadas apenas em casas da autarquia, em claro prejuízo para todos os demais habitantes desta cidade, com problemas de habitação e que ficaram privadas de aceder a esse bem (uma habitação municipal).

Falta saber se o atual Executivo vai manter a mesma linha de ação - e pode fazê-lo porque casas da câmara continuam a existir em numero suficiente para os moradores do Aleixo - ou se pelo contrário vai defender os interesses da cidade exigindo ao BES que cumpra o compromisso que assumiu ou, não o cumprindo, que ressarça o Porto pelos prejuízos causados até ao momento.

Por último, caso a posição deste executivo e do socialista Pizarro for a mesma do social-democrata Rui Rio, é caso para perguntar que contrapartidas foram dadas à CMP e todos temos o direito de saber o desfecho das ditas negociações.

O papel e o peso do Norte no novo QREN, tema desta 1ª Conferência da Católica Porto, na 1ª Conferência do Ciclo Olhares Cruzados sobre Portugal, a 29.01.2014 pelas 21h30, com Luís Mira Amaral e Emídio Gomes, moderador José Mendes. Organizado pela Católica do Porto e pelo Público.

Alberto Castro – fez uma rápida e concisa introdução a este 9 º ciclo de Conferências, com 4 sessões, iniciado aqui no Porto, depois com duas sessões em Lisboa – quase uma internacionalização! – e a última novamente cá no Porto. O moderador José Mendes referiu que a temática é muito oportuna para a ocasião que estamos a viver, até pelo apoio comunitário quer iremos brevemente receber, esperando tratar-se de um investimento que harmonize o desenvolvimento do País.

Emídio Gomes disse que a Região Norte tem uma problemática de divergência a nível de desenvolvimento com o resto do País e evidentemente com a U.E., a Região Norte teve um investimento inferior per capita ao longo dos quadros comunitários relativamente às outras Regiões do País. Sendo que a Região Norte a partir de 2008 – início da Crise – gera maior excedente comercial, ou seja, o modelo dos anteriores quadros comunitários não resultou. O enriquecimento de algumas regiões fez-se à custa do endividamento externo e tal não foi o caso da Região Norte.

Luís Mira Amaral referiu que o PIB per capita não pode ser comparável entre o Alentejo e a Região Norte, uma vez que nesta há uma maior população que naquela. O nosso País estava muito dependente de empresas que não aguentariam a globalização. E o Norte ainda mais exposto, com empresas que não tinham evoluído e estavam mal preparadas. Hoje, têxteis e vestuários finalmente se estão a diferenciar, mesmo a Norte, pela qualidade, como já vem há algum tempo a acontecer como calçado. O Norte está a recuperar enquanto a Madeira no turismo e construção civil não vai a lado nenhum. Se a Alemanha abrir muito a importação, não nos irá beneficiar face à grande concorrência que temos de vários lados, nomeadamente de países asiáticos, mas não só. A Alemanha deveria ajudar a desvalorizar o Euro, o que permitiria exportarmos mais para fora do mercado europeu e assim a Região Norte ficaria a beneficiar e o Norte é mais que o Grande Porto, se bem que este precise de um grande apoio do Quadro Comunitário.

Perguntas e Respostas, Emídio Gomes, os onze objectivos temáticos no próximo quadro comunitário não são negociados por Regiões mas pelos 28 Países. Mas na preparação deste trabalho nunca tanta gente de todo o lado foi chamada a pronunciar-se, pela primeira vez vamos ter um apoio adaptado à região, até no desenvolvimento, para investimento e a criação de emprego. Andámos a gastar dinheiro em Obra e não nas Empresas e nos Recursos Humanos, e agora irá mudar.

Luís Mira Amaral falando em energia, disse que a utilização do carvão e gás natural pode não ter causas quanto ao CO2 e ao aquecimento global. Nós emitimos menos de 1% do CO2 da Europa e o nosso ministro do Ambiente não entende isto. Sendo que nos transportes tem de reduzir o consumo do petróleo, que já não utilizamos na produção de energia eléctrica. Temos de mudar de transportes nomeadamente no Norte, passando do rodoviário para o ferroviário e marítimo. Na escala urbana não vai haver automóveis eléctricos dado que estão dependentes de baterias de iões que não resultam e têm ainda muito que evoluir. Haverá que passar a transportes públicos eléctricos de qualidade e a bicicletas e motorizadas.

É de felicitar Alberto Castro pela Católica e Manuel Carvalho pelo Público e respectivas equipas por mais este bem começado Olhares Cruzados, com sala bem acolhida e temas muito interessantes referidos.

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