PARTICIPAR: enviar mensagem devidamente assinada para pdm@etc.pt. Os textos poderão ser publicados em papel ou PDF a menos que o autor dê indicação contrária ao enviá-los.

De: António Alves - "Piruetas"

Submetido por taf em Sábado, 2009-07-04 15:32

Henrique Raposo, cronista do Expresso, no passado dia 20 de Junho escrevia no seu blogue um texto apologista da ligação TGV Lisboa-Madrid e apelidava de “grã-finismo tonto” a ligação Lisboa-Porto. O homem ia mais longe (efeitos com certeza da velocidade estonteante deste tipo de comboios) e falava até de um TGV Lisboa-Lyon. Do seu texto transcrevo as seguintes frases que me parecem resumir o pensamento do citado sobre o assunto.

“Parece-me evidente que Portugal precisa de uma Ligação de TGV à Europa. Lisboa - Madrid é precisa. Já me parece novoriquismo a ligação Lisboa-Porto.”

“Mas a questão continua a ser a mesma: temos dinheiro para o fazer nos próximos anos? A dívida externa passou de 14% do PIB, em 1999, para 100%, em 2008. Saber esperar é uma virtude. E saber as prioridades também. Lisboa/Madrid é necessário. Lisboa/Porto é grã-finismo tonto.”

Numa breve troca de emails fiz-lhe ver que, além do facto dos TGV’s serem competitivos apenas para distâncias de 500 a 700 km e tempos de viagem até 3 horas – Lisboa-Lyon é lirismo -, o traçado proposto era uma aberração que deixava mais de metade de Portugal de fora, pois ninguém de Braga ou do Porto estaria disposto a descer de comboio 350 km para sul, 200 para leste atravessando o Alentejo e, depois, mais 400 km para nordeste em direcção a Madrid. Isto é, uns absurdos 400 km suplementares quando afinal Madrid se situa à latitude de Coimbra (dado desconhecido lá para o sul) e a escassos 500 km desta região que vai do Minho até Coimbra. Provei-lhe também que os próprios estudos da Rave provavam que o corredor Grande Porto e Norte Litoral – Madrid teria mesmo maior procura que o corredor Lisboa - Évora - Badajoz - Madrid tanto em passageiros como em mercadorias. Mais importante ainda: informei-o que o corredor Lisboa-Porto seria mesmo o único que poderia gerar tráfego suficiente para se auto sustentar. A isto respondeu-me que defendia o TGV Lisboa-Madrid não por causa de quem “vai daqui para lá, mas quem vem de lá para cá”. A isto questionei-o se “quem vem de lá para cá” seria suficiente para pagar tal quimera. Até hoje não obtive resposta.

Mas verdadeiramente espantoso foi ler a crónica de Henrique Raposo no Expresso do passado dia 27 de Junho. Passados apenas 7 dias, sem qualquer explicação prévia, o TGV passou a ser “uma mania sem valor acrescentado” e o que era bom era o eterno elefante branco de Sines e o novel aeroporto de Beja - mais um elefante branco em perspectiva que se arrisca a ser inaugurado em Setembro sem qualquer contrato firmado*. Lá pelo meio faz inclusivamente analogias com D. Quixote e Sancho Pança e postula que Sines poderá mesmo competir com as “Roterdões” lá do norte da Europa. Como se alguém da Ásia ou da América com mercadorias destinadas ao centro e norte do velho continente as fosse descarregar em Sines e embarcá-las num comboio para percorrerem 2 a 3 mil km por terra. O comboio é competitivo em terra, mas havendo mar o transporte marítimo é mesmo o mais competitivo dos transportes no que respeita a mercadorias. Quixotismos à parte, é impressionante os mortais triplos à retaguarda que certos plumitivos são capazes de fazer para defenderem o seu provincianismo cego. Provinciano é garantidamente aquele que é incapaz de ver para além das fronteiras da sua província.

* Em relação a este assunto, e pelo discurso que ouvi ao responsável da Ryanair, desconfio que uma das contrapartidas dadas pelos irlandeses será mesmo alguns voos a partir de Beja.

De: Raquel Pinheiro - "Sobre «Mercados»"

Submetido por taf em Sábado, 2009-07-04 15:23

O João Fernandes disse algo semelhante a esses: "a inauguração é um momento festivo mas (supostamente) de trabalho para os galeristas" e "as inaugurações são um carnaval" numa tertúlia que a Elisa Ferreira organizou há umas semanas no Maus Hábitos. Se não estou enganada, antes do Serralves em Festa. As inaugurações são/podem ser um carnaval mas Serralves não se dispensa delas. E João Fernandes sabe que servem para promover o espaço que alberga a exposição (e também a dita). Serralves tem até, no Serralves em Festa, grande festarola de entrada livre, que atrai milhares de pessoas. A diferença é que Serralves é um museu e não vende obras de arte mas tem as lojas e serviços de apoio pagos albergados no seu espaço.

Nas galerias, muitas vezes os grandes compradores/coleccionadores já viram a exposição antes de esta inaugurar ao público, reservando as obras que pretendem adquirir. Alguns, se vão no dia da inauguração vão para ver, ser vistos, socializar, etc. Acontece também, claro, haver reserva de obras no dia de inauguração ou nos restantes dias de exibição. Dos que não adquirem arte muitas pessoas vão pelo todo, pela festa aproveitando para espreitar as galerias.

Quem quer ver uma exposição nas calmas não o faz em dia de inauguração mas qual é o mal de ir “à festa”? A festa das inaugurações de Miguel Bombarda é feita com a participação das galerias e existe essencialmente por causa delas e para as divulgar/promover. E sim, os estabelecimentos ali da zona, em especial restaurantes e cafés fazem mais dinheiro num Sábado de inaugurações simultâneas do que num Sábado normal. Essa zona tem dois tipos de loja, as “alternativas” e as “tradicionais”. Das primeiras quase todas estão sempre abertas aos Sábados de tarde, das segundas algumas estão abertas todos os Sábados de tarde e outras só em dias de inaugurações simultâneas.

Relativamente aos vários mercados de rua apontados, do Artesanato Urbano no Parque não tenho nenhum ponto de referência. O Mercado Porto Belo é demasiado recente para se poder avaliar da sua contribuição para a zona/cidade e mesmo para o negócio daqueles que todos os Sábados ali colocam banca. Em Sábados de Mercadinho dos Clérigos as lojas da Cândido dos Reis têm mais movimento do que nos outros Sábados. O que me parece é que dois ou três mercados de rua, com produtos muito semelhantes, no mesmo dia e a alguns metros de distância uns dos outros correm o risco de se auto-anularem. Mas isso o médio e o longo prazo o dirão. Uma coisa é certa, a zona que vai do Piolho a Passos Manuel tem mais gente numa Sexta ou Sábado à noite do que numa Sexta ou Sábado de tarde.

Se me é permitido responder, és um control-freak, mas as questões levantadas são pertinentes.

Publicou-se ontem e eu não sabia. Não, não é presunção. Eu conhecia a existência do projecto mas desconhecia que seria ontem o dia da estreia. Eu leio diariamente quase todos os jornais, tanto em papel como na Internet, consumo blogues, sites informativos, vejo televisão, ouço Rádio, sou um consumidor compulsivo de informação e não sabia. E mais grave ainda nos tempos que correm: não tem ainda site. Isto é, não existe! Enfim, se precisarem de um director de Marketing e Estratégia eu conheço algumas dezenas de jovens na Universidade do Minho que desempenhariam bem o lugar. Esta incompetência começa a tornar-se recorrente em certas indústrias aqui no Porto. É um desastre. Faço sinceros votos que as coisas, neste caso específico, mudem.

De: Pulido Valente - "Vandalismos"

Submetido por taf em Sábado, 2009-07-04 15:18

É mais que tempo para empurrar a Ordem dos Arquitectos para uma acção que impeça os arquitectos que fazem parte destes gangs de continuar a destruir o património (e para obrigar os jornalistas a identificar os autores dos projectos).

Acho que se deve abrir uma abaixo assinado aqui no blog para confrontar a O.A. com as actividades dos arquitectos que destroem o património obrigando-a a tomar medidas, obrigatórias pelos estatutos e código deontológico, que acabem de vez com este latrocínio. Quem sabe fazer?

JPV

Via Servir o Porto:

Para Carlos Lage, "toda e qualquer estratégia pensada para favorecer a construção de um novo aeroporto em Lisboa é errada para o país e injusta e perdulária para o Norte".

De: Vítor Silva - "Mercados"

Submetido por taf em Sexta, 2009-07-03 15:25

Numa das sessões do Olhares Cruzados deste ano, João Fernandes questionava a festa à volta das inaugurações de Miguel Bombarda e dizia algo do género: "a inauguração é um momento festivo mas (supostamente) de trabalho para os galeristas" e "as inaugurações são um carnaval". No essencial questionava (pareceu-me) se esse evento era realmente produtivo para quem está instalado nessa zona e vive do negócio da arte.

A mesma questão põe-se, na minha opinião, aos novos mercados de rua que têm surgido, nomeadamente as iniciativas Artesanato Urbano no Parque, Mercadinho dos Clérigos e o mais recente Mercado Porto Belo. As ideias parecem interessantes mas eu pessoalmente gostava de saber (também no caso das inaugurações das galerias):

  • - qual o volume de vendas que geram?
  • - como têm evoluído ao longo do tempo?
  • - têm mais ou menos público desde que começaram?
  • - e a lojas existentes nas proximidades desses eventos, têm beneficiado com eles?
  • - em que medida?
  • - ou continuam fechadas ao fim-de-semana?

De notar que isto só tem interesse se alguma vez quisermos argumentar que estas iniciativas têm um retorno (essencialmente económico, mas também social) concreto, ou se quiserem publicitar as iniciativas junto de potenciais investidores institucionais. Ou então se calhar sou eu que sou um control-freak e isto não interessa para nada...

PS: sobre o novo projecto para o Mercado do Bom Sucesso. no Facebook.

--
blog.osmeusapontamentos.com

De: José Lopes - "Base da Ryanair no Porto"

Submetido por taf em Sexta, 2009-07-03 14:37

Boa tarde,

Soube através deste blog da abertura de uma base operacional da Ryanair no Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Na altura, custou-me francamente a acreditar, porque já se falava deste assunto há pelo menos dois anos e enquanto se assistia a abertura de bases em Espanha (mas também cortes significativos, como por exemplo Sevilha e Valência), por cá reinava o silêncio por vezes cortado pela ANA ou pela própria Ryanair ao dizerem que as negociações continuavam em curso.

Lembro que este assunto deu origem a inúmeras declarações públicas de protesto contra a atitude proteccionista da ANA e respectiva falta de flexibilidade na negociação com a Ryanair. Do mesmo modo, a demora na concretização deste negócio levou a uma opinião cada vez mais generalizada a favor da gestão regional do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, a qual continua a fazer sentido. Numa altura em que a contracção do tráfego aéreo é bem evidente (exemplo claro disso é o Aeroporto da Portela, que tem neste momento graves problemas de estacionamento, devido a companhias que aí param os seus aparelhos devido à falta de mercado) e em que a própria Ryanair tinha suprimido rotas a partir do Porto (Dublin, Estocolmo e Valencia) e reduzido operações (Bruxelas - Charleroi), este é um investimento que não só cria emprego, como revitaliza a economia através do aumento de turistas.

Tal como foi bem analisado no Low Cost Portugal, parece claro que a Ryanair jogou pelo seguro em relação às novas rotas apresentadas, optando primordialmente por fazer concorrência com outras companhias. Assim, enquanto a rota Porto-Basileia já é feita pela Easyjet, a mesma companhia que opera Porto-Lyon (havendo agora Porto-Saint-Étienne pela Ryanair, sendo Saint-Étienne muito perto de Lyon), a abertura da ligação com Eindhoven poderá disputar passageiros com a TAP (Amesterdão). De realmente novo, há apenas Tours, no sempre seguro mercado francês, o mesmo que levou à duplicação dos voos Porto-Paris (Beauvais).

Aguarda-se ainda que a abertura de uma base operacional em Faro, havendo uma forte probabilidade de haver pela primeira vez voos low-cost continentais, ligando o Porto a Faro. A ligação Porto-Funchal pela Ryanair também está a ser estudada, o que se saúda.

Este é um investimento que não só cria emprego, como revitaliza a economia através do aumento de turistas. Haja coragem e abertura mental para abrir o espaço aéreo continental a companhias low-cost, pois os portugueses devem ter as mesmas condições de mobilidade que todos os outros cidadãos europeus.

Um abraço.
José Lopes

De: Luís Gomes - "Regata de São João: Admire-se!"

Submetido por taf em Sexta, 2009-07-03 14:32

Regata de S. João

Regata de S. João  Regata de S. João


De: TAF - "Ryanair"

Submetido por taf em Quinta, 2009-07-02 12:22

De: TAF - "Neste preciso momento..."

Submetido por taf em Quinta, 2009-07-02 10:16

... árvores abaixo na Filipa de Vilhena. É o progresso socrático em curso, mesmo sabendo-se que há uma alternativa melhor que evitava tudo isto.

PS: conselho a Elisa Ferreira - Quer ser útil à cidade? Vá ao concreto e force o Governo do partido que a apoia(?) a optar por soluções mais sensatas para situações como esta. Mesmo aqui ainda se vai a tempo de evitar males maiores mas, pelos vistos, cada minuto que passa o caso se torna mais grave.

De: TAF - "Ganhar escala"

Submetido por taf em Quinta, 2009-07-02 01:15

Domingo passado, na Foz

Nos novos molhes do Douro, Domingo passado


Como apoio e complemento das propostas que o José Ferraz Alves tem aqui vindo a fazer, deixo o apontador para a minha crónica de hoje (Quinta) no JN: "Eoepderemndr locsia".

A situação não se altera só com micro-crédito e ferramentas do género. Elas são importantes mas resolvem apenas uma pequena parte dos problemas. É fundamental pensar também em iniciativas da sociedade civil à escala dos problemas estruturais que afectam o Porto e o Norte.

PS: Iniciativa Bairros Críticos - Lagarteiro - Não conhecia este site, ainda não o visitei com atenção, e não tenho seguido o trabalho que está a ser feito no bairro. Mas fiquei preocupado quando vi esta lista enorme de entidades envolvidas e não consegui identificar quem é que afinal manda ali... Assim receio muito pela eficácia do projecto.

De: Cristina Santos - "Moção"

Submetido por taf em Quarta, 2009-07-01 23:38

Só o PS se opôs à moção que exige a correcção do desvio de verbas por considerar que tais desvios estão previstos, e que antes de qualquer reclamação o Norte terá de comprovar para que “necessita” de tais apoios.

O que se comprova desde já é que o Porto necessita que Elisa Ferreira pense e coordene muito bem a sua lista para que, se não conseguir ir mais longe no debate, deixar à cidade uma oposição capaz de entender que também foi eleita, e que nessa condição a sua primeira preocupação deve ser a cidade e a Região, e só depois o cargo da presidência. Até lá, vamos acatando estas tomadas de posição, incentivadas por estatísticas pouco credíveis, que após 4 anos de oposição nula, ainda mantêm o PS-Porto em 2º lugar. 2º lugar?! Será que os inquéritos incluíam todos os partidos?! Bem, é uma questão a comprovar.

Cristina Santos

De: José Ferraz Alves - "Empreendedorismo Social no Porto (conclusão)"

Submetido por taf em Quarta, 2009-07-01 23:14

Outro exemplo de aplicação do empreendedorismo social, já sugerido a propósito da questão da gestão autónoma do aeroporto do Porto, publicado no Semanário Sol em 2009.01.26:

“A Associação de Cidadãos do Porto (ACdP) defendeu hoje que não basta autonomizar a gestão do Aeroporto Sá Carneiro, sendo necessário que as mais-valias obtidas se injectem directamente no tecido económico da região. José Ferraz Alves, economista e membro da ACdP, disse à Lusa que o objectivo é concretizável através de «parceria público-privada auto-regulada», seguindo as teorias de Muhammad Yunus para os negócios sociais. Muhammad Yunus é economista e banqueiro do Bangladesh, fundador do Banco Grameen, impulsionador do micro-crédito e Nobel da Paz em 2006.

De acordo com o modelo proposto, a propriedade e gestão do aeroporto seria privada e das autarquias, mas o seu objecto social não seria a maximização dos seus lucros, antes o desenvolvimento da região, medido por indicadores económicos concretos. Após a recuperação do capital investido pelos accionistas, o aeroporto passaria a ser «a verdadeira fonte de rendimentos para as acções de desenvolvimento da região». José Ferraz Alves disse que o modelo é «perfeitamente exequível» e acrescentou que «o próprio caderno de encargos pode prever que se premeie quem opte por essas soluções inovadoras».

A ACdP entende que estruturas de importância estratégica não podem ser geridas para visar o lucro, mas para injectar as mais-valias obtidas directamente no tecido económico da região. Em gestão autónoma, o aeroporto geraria receitas adicionais na ordem dos 400 milhões de euros, aumentando a competitividade das empresas exportadoras e a criação de 25.000 empregos, segundo estudos de uma empresa de consultoria. «Aplicando os princípios que defendemos, esses valores seriam superiores», acredita a ACdP, para quem o Aeroporto Sá Carneiro deve ser um instrumento estruturante ao serviço do Noroeste Peninsular e de duas das regiões mais deprimidas da Europa». «Não é suposto que seja apenas parte de um negócio lucrativo para quem o explorar a partir de Alcochete», acrescenta.

A Junta Metropolitana do Porto, o Conselho Empresarial do Norte e outros agentes do Norte têm reivindicado a separação do Aeroporto Sá Carneiro da ANA - Aeroportos e Navegação Aérea, que será alvo de privatização, autonomizando o seu destino do futuro aeroporto de Lisboa e permitindo a sua utilização para potenciar o desenvolvimento da região. - Lusa/SOL”
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Enquanto o Empreendedorismo é individual, produz bens e serviços, tem o foco no mercado, a sua medida de desempenho é o lucro e visa satisfazer necessidades dos clientes e ampliar as potencialidades do negócio, o empreendedorismo social é colectivo, produz bens e serviços à comunidade, tem o foco na busca de soluções para os problemas sociais, a sua medida de desempenho é o impacto social e visa respeitar e resgatar as pessoas de situação de risco social e a promovê-las em gerar capital social, inclusão e emancipação social. No médio e longo prazos, esta postura irá influenciar radicalmente a elaboração e execução de projectos sociais, que deverão, cada vez mais, apresentar, como nos negócios empresariais, propostas que demonstrem efectividade, eficiência e eficácia quanto à aplicação dos recursos solicitados, além de apresentar maneiras de aferir os resultados de forma clara e transparente. Que lições se podem extrair?

  • 1. Em primeiro lugar, os empreendedores sociais precisam de criar legitimidade para as suas ideias e abordagens, dado que é preciso uma enorme quantidade de energia para convencer os outros de que as suas propostas transformarão sistemas e práticas injustos e ineficazes.
  • 2. Em segundo lugar, esses empreendedores devem encontrar formas de acesso a líderes políticos, corporativos e filosóficos que abraçarão essas abordagens inovadoras e depois alavancarão os seus contactos de forma a fomentar uma implementação mais ampla.
  • 3. Em terceiro lugar, esses empreendedores também terão de descobrir como atrair capital financeiro, humano e social para apoiar os seus projectos.

Pelo que sugiro a criação a nível autárquico de um Pelouro para o Empreendedorismo Social e de um Fundo de Capital para o Empreendedorismo Social, que junte as fontes de financiamento possíveis (Fundações, Estado, Parcerias Empresariais, Capital de Risco, Business Angels, Doações em dinheiro, em espécie, donativos do IRS e Receitas Próprias dos vários projectos), que responda e seja facilitadora dos projectos isolados e em conjunto que existem e existirão na cidade. Que desenvolva parcerias técnicas com Fundações Internacionais com know-how neste domínio, para fazer o que Bill Drayton e a sua Fundação procuram:

  • - Encontrar os projectos que procuram de forma inovadora resolver problemas sociais e reconhecer o seu mérito.
  • - Em seguida, promover as suas iniciativas, organizando conferências e encontros que juntavam esses empreendedores sociais, ajudando-os a aprender com as experiências mútuas, apoiando-os com pequenas doações, apresentando-os aos doadores, documentando as suas actividades e divulgando os tipos de trabalho desempenhados e respectivas filosofias.
  • - Apoiar a melhor estruturação do seu financiamento e funcionamento sustentável.

Porque não integrar a dimensão social na teoria económica? A generalidade das pessoas preocupa-se com o mundo e com os outros. Os seres humanos têm o desejo instintivo e natural de melhorar a vida dos outros, caso tenham oportunidade. Se pudessem escolher, prefeririam viver num mundo sem pobreza e doença, livre da ignorância e do sofrimento desnecessário. Porque não construir empresas que tenham por objectivo pagar decentemente aos assalariados e melhorar a sua situação social, em vez de fazer com que dirigentes e accionistas se encham de lucros? John Kenneth Galbraith, a propósito da crise de 1928, colocou a desigualdade na distribuição de rendimentos como sendo a sua principal causa. O problema não era o consumo, mas existirem poucos consumidores, o que tornou a economia dependente de um alto nível de investimento ou de um elevado nível de consumo de bens de luxo, ou de uma composição de ambos. O capitalismo moderno tentou resolver o problema através do crédito. Mas, a solução passa necessariamente pela correcção real das desigualdades na distribuição de rendimentos. Numa sociedade onde a riqueza é melhor distribuída, esta circula melhor. Mais vale entregar migalhas a milhões, do que muito a poucos. Para concluir a introdução deste tema, remeto para o texto de Sílvia Mota, no seu Leitura Partilhada e para os comentários aí feitos, do qual transcrevo a seguinte passagem de “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck (1939), Editora Livros do Brasil, tradução de Virgínia Motta:

- Não nos esquecemos de nada? Fizemos, com certeza, tudo o que era possível?
- Aquele tipo lá da cadeia dizia assim: “De qualquer maneira, a gente faz o que pode.” E acrescentava: “A única coisa que nos deve importar é dar sempre um passo em frente, por mais pequeno que ele seja. Se depois, a coisa fizer marcha-atrás, nunca recuará tanto como andou para a frente. É uma coisa que se pode provar, e é por isso que vale a pena agir. Está provado que nada é inútil, mesmo que o pareça.”

De: TAF - "Alguns apontadores"

Submetido por taf em Quarta, 2009-07-01 22:41

De: TAF - "UP"

Submetido por taf em Quarta, 2009-07-01 14:19

Gostaria de deixar aqui um agradecimento ao papel fundamental que José Castro, do BE, tem desempenhado. Seria muito bom que pelo menos alguns dos restantes deputados municipais tivessem a mesma abertura e usassem o seu cargo para servirem de ponte entre a cidade e os órgãos de decisão.

Os partidos muito se preocupam com a abstenção, mas pouco ou nada fazem para a combater. Pois é assim que as pessoas podem ganhar alguma confiança em quem nos representa. O mesmo se aplica aos vereadores, cujo trabalho é largamente desconhecido da população.

Também me espanta o espanto de Elisa Ferreira relativamente às críticas de que tem sido alvo. Essas críticas são a demonstração de que alguma ética vai resistindo. Mal estaríamos se as pessoas aceitassem de bom grado essa duplicidade. Elisa Ferreira "está a fazer tudo para perder", disse João Teixeira Lopes. Não poderia estar mais de acordo. Pior que isso é a mensagem que passa: primeiro, que o Parlamento Europeu não conta, o que é evidentemente um absurdo pois hoje em dia acaba por ser mais importante que o nacional; segundo, que no fundo não acredita muito na sua vitória no Porto, pois precisa de salvaguardar algo mais seguro; e terceiro, como corolário, que a política se faz à medida das conveniências pessoais, o que é muito grave.

E que pensa Elisa Ferreira sobre o que se prepara para o Palácio de Cristal? Que pensa em relação ao atravessamento do Parque da Cidade pelo metro? Ninguém o sabe. O PS já tem cartazes e já fez não sei quantas reuniões, mas opiniões nada. Isto não é política. E neste campo o mesmo se aplica a Rui Sá, pessoa que muito estimo, mas que vejo vezes exageradas com posições pouco claras.

Digo isto não apenas como crítica mas também na esperança de que a cidade veja restabelecido o combate sério por ideias. Chega de política de outdoors e de soundbites. As eleições ganham-se e perdem-se em primeiro lugar pelas ideias que se defendem, e quem não acredita nisso nem devia andar na política.

Abraços
Nuno Quental

PS: esta mensagem não implica nenhum posicionamento pessoal face a um ou outro partido, é apenas uma reflexão.

Caro António, é melhor sentar-se. O PSD vai angariar os votos de protesto das autarquias, PMEs, economia dos bens e serviços não transaccionáveis, Portugal extra-Lisboa e depois, como já se nota no discurso de MFLeite sobre «Alcochete aos módulos» ou a continuação da drenagem para Lisboa de riqueza energética do Plano Nacional de Barragens, vai arranjar outros esquemas para alimentar interesses lisboetas. O adiamento do TGV e afins é apenas um isco.

De: Sérgio Caetano - "Cidade saqueada!"

Submetido por taf em Quarta, 2009-07-01 13:54

Em relação às informações aqui deixadas pelo José Machado de Castro só tenho um comentário a fazer... A nossa cidade está a ser ROUBADA por um autarca que se recusa a gerir a cidade e que insiste em governar para um grupo restrito de empresas que aos poucos se apoderam de todo o património público da cidade. O mais grave é que isso é feito com o nosso dinheiro!

Sérgio Caetano

De: TAF - "Sugestões recebidas"

Submetido por taf em Quarta, 2009-07-01 13:37

- De Célia Quintas: "O papel dos Caminhos-de-Ferro no desenvolvimento da Região do Grande Porto", tertúlia no próximo dia 3 de Julho (sexta-feira), pelas 21h30 horas, no Café Brasileira.

- De Pedro Menezes Simões: Aeroporto Sá Carneiro com queda de 4,3% desde o início do ano. "Ainda assim é o que menos cai em Portugal continental."

- De Plano B: Concurso Festival "se esta rua fosse minha..."

De: António Alves - "Rio e o centralismo"

Submetido por taf em Quarta, 2009-07-01 11:43

aqui tinha dado conta da mudança estratégica de Rui Rio em relação a questões fundamentais para o Grande Porto e Norte. A sondagem agora revelada não me espanta minimamente. O PS-Porto é uma coisa inenarrável e a candidata apresentada, além de vir com 4 anos de atraso, não se revelou muito empenhada na tarefa nem tem sido capaz de se libertar do directório lisboeta que domina completamente a estrutura partidária local. O PS hoje é um partido totalmente conotado com o centralismo e com o roubo perpétuo que certas elites alfacinhas fazem ao país. Assim sendo é mais que justo que os portuenses lhe demonstrem inequivocamente o seu desprezo.

Mas uma coisa é ser regionalista na oposição outra é ser regionalista quando se está no poder. Fico à espera que Rui Rio seja coerente e mantenha a mesma atitude se o PSD chegar ao governo de Lisboa. Mais ainda: pretendo ver Rui Rio dizer que caso o PSD seja governo ele vai fazer tudo que lhe seja possível para acabar com o princípio iníquo dos chamados “spillovers” lisboetas para o resto do país e mesmo pugnando pela devolução às regiões, à custa do orçamento do estado, do dinheiro já indevidamente aplicado. Caso não obtenha sucesso e o PSD se mantenha tão centralista como também tem sido ao longo da sua história, espero que igualmente seja capaz de tirar as devidas ilações e ser coerente. É que de bravatas regionalistas quando os “outros” estão no governo e cobardias centralistas quando os “nossos” sobem ao mando já todos nós estamos fartos.

De qualquer maneira, caso o PSD vença as eleições, não me parece que venha daí algo de bom. Além de se perspectivar uma reedição requentada do cavaquismo – paradigma do regabofe megalómano e ‘expositário’ lisboeta – o governo será dirigido por alguém que pactuou escabrosamente com uma das maiores operações de tráfico de influências e compra de votos jamais vistas em Portugal: a aceitação por parte do estado do pagamento da dívida fiscal do SL Benfica por papel/acções sem qualquer valor de mercado. Espero, pelo menos, que a senhora tenha tapado o nariz. Tudo isto poderá ter sido legalíssimo; mas foi isso mesmo que aconteceu: compra de votos e tráfico de influências. O principal responsável desta traficância deu à sola mal as coisas se complicaram. Convém ter memória.

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