Semana iniciada em ...

De: TAF - "Indústrias Criativas"

Submetido por taf em Quarta, 2008-07-23 20:09

Flores em ferro soldado

Escultura em ferro de Ana Carvalho


Este evento, pelos vistos (ainda bem!) mereceu grande atenção. Os documentos do estudo (em PDF) podem ser obtidos aqui:

- Indústrias criativas: Porto tem tudo para ser internacionalmente competitivo - Tom Fleming
- Indústrias Criativas: Estudo internacional defende criação de Agência para o sector no Porto
- Competitividade: Norte prepara "cluster" de indústrias criativas
- CCDR-N vai lançar concurso para apoiar criação de cluster das indústrias criativas no Norte
- Porto pode sofrer de um "excesso de identidade", diz especialista em indústrias criativas
- Norte: Universidades da região devem apostar na "troca de talentos"
- “Agentes culturais devem saber explicar projectos a investidores”, defende ministro da Cultura
- É ao contrário (opinião de Vasco Campilho)
- Tom Fleming considera que o Porto tem potencial para indústrias criativas - áudio no Rádio Clube
- Área Metropolitana do Porto prepara-se para se tornar num pólo de indústrias criativas - vídeo na RTP

O programa da manhã tinha 3 partes: a apresentação do estudo, a conferência de Charles Landry, e as intervenções dos ministros. Na última, apesar de continuar na sala, eu já não estava com paciência suficiente para ouvir governantes, e por isso entretive-me a ler o estudo. :-) Quanto à conferência sobre "Creative Cities and Regions”, foi interessante mas não me trouxe nada de especialmente novo. Sublinho apenas um pensamento em particular (tradução livre): "devemos trabalhar nos limites das nossas competências, e não no centro delas - a criatividade e inovação estão cada vez mais na interligação entre áreas diferentes do conhecimento".

Quanto ao estudo. Ainda só li um documento de síntese com 40 e tal páginas (infelizmente não disponível online) e dei uma vista de olhos ao Relatório Final (que uso como base para as referências que vou fazer à frente). Pareceu-me bem quanto ao enquadramento, ao levantamento e à sistematização de sugestões de acção. Falhou um pouco, contudo, na "focagem" do plano concreto de acção. Passo a explicar.

A abordagem geral foi sensata. Viram o que se faz por esse mundo fora, falaram com os agentes locais do Porto e do Norte (lista na página 225) para identificarem o que cá já existe e para ouvirem as suas opiniões, perceberam a importância de não centrar a análise exclusivamente no Porto (embora nesse aspecto a apresentação em Serralves tenha sido menos feliz) mas ao mesmo tempo de potenciar a "marca Porto", são contra a atribuição de subsídios, assumiram a realidade urbana no terreno independentemente das divisões artificiais em concelhos demasiado pequenos, estabeleceram comparações para "benchmarking".

Propõem, com todas as cautelas para que não apareça mais uma estrutura parasita, a criação de uma "Agência para o Desenvolvimento Criativo do Norte de Portugal" (página 219) como uma parceria entre a CCRDN, Serralves, Casa da Música, Universidades, principais empresas do Sector Criativo, SRU, etc. (São parceiros a mais. Devia haver uma participação deles todos, mas de modo mais informal.) Seria uma entidade destinada a coordenar e a estimular esforços, promovendo um conjunto de programas de acção que são também apresentados (páginas 147 e seguintes). Teria uma actividade organizada em função desses programas, com início e fim definidos no tempo, em vez funcionar com base em departamentos fixos e permanentes - isso permitirá uma gestão optimizada, com recursos atribuídos em função das necessidades concretas do trabalho que estiver a ser realmente posto em prática.

Onde a coisa não corre tão bem é na quantidade/diversidade de Programas propostos. Não é que eles em geral não façam sentido. Qual é então o problema?

O problema está nos destinatários iniciais deste estudo: basicamente as pessoas/entidades que compareceram à apresentação em Serralves. Ou seja, as mesmas pessoas/entidades que até agora não encontraram soluções para o estado em que a região está e que, vendo um conjunto grande de propostas, vão inevitavelmente privilegiar aquelas que melhor compreendem numa primeira abordagem, aquelas com as quais se sentem mais "confortáveis". Moral da história: aquilo que seria realmente novo, que faria a diferença, que permitiria "dar o salto", vai ser deixado para segundo plano e, por fim, esquecido.

O que é que eu sugiro? Dos 25 programas propostos, escolher apenas 4:

  • - "Rede Criativa" - (página 162)
  • - "Comissariado Criativo" - (página 169)
  • - "Fundo de Investimento Especializado" - (página 189) - seria a referência "14.1" e não "15.1" como por gralha lá está
  • - "Auditoria Criativa" - (página 217)

Quase todos os restantes programas já deviam ser implementados, sem qualquer intervenção da Agência, pelas próprias Indústrias Criativas! É deixar o mercado funcionar. São oportunidades de negócio que podem/devem ser aproveitadas pelos agentes da região. Assim a Agência não exigiria uma estrutura pesada nem tinha o efeito perverso de fazer concorrência desleal às empresas que pretende ajudar a criar e desenvolver (o mal típico, aliás, provocado pelas universidades quando se dedicam a actividades que deviam deixar às empresas).

Em resumo: leia-se o estudo, aproveitem-se as ideias, lance-se a Agência numa versão absolutamente minimalista (com menos parceiros formais e apenas para os tais 4 programas), e vamos trabalhar! :-)

De: Jorge Azevedo - "A propósito de Eventos!"

Submetido por taf em Quarta, 2008-07-23 20:02

Eu começo a estar farto de EVENTOS! E porquê? Porque os ditos eventos ou interferem com a minha circulação, ou interferem com os meus ouvidos, ou interferem com o meu descanso! E porque raio se eu não quero participar nos eventos vêm eles "participar" comigo? Vejamos, a começar pelos mais recentes:

Festival Marés Vivas - Entre a Afurada e o Cabedelo. 3 longas noites e madrugadas, dos dias 17 (5ªfeira!), 18 e 19. Palcos montados, colunas a debitar milhares de decibéis de música, de grupos, segundo li, góticos e metálicos! Estamos a falar de ruído a sério até às 6 horas da manhã! Pareciam que estavam a tocar na sala de minha casa! E não moro nem na Afurada nem no Cabedelo!

Bike Tour - A brincadeira do costume, já bem dissecada aqui pelo Alexandre B. Inicia-se na Ponte da Arrábida, mas claro, vem desaguar à Foz!

Festival da Francesinha - Onde?... Na marginal do Porto... junto à Foz! Com muita música, muita cerveja, muita francesinha, muita gente e claro durante sete (7) dias!

As diversas Maratonas, inteiras, meias e aos quartos!

O mal amado Queimódromo - Todos os anos as cenas repetem-se: cidadãos que não conseguem descansar (quanto mais dormir) nas horas universalmente convencionadas para se descansar (24h-7h), cenas verdadeiramente chocantes e degradantes dos comas alcoólicos com os estudantes(!) a tombarem pelos cantos, cenas de violência gratuita, e música aos berros durante seis (6) dias a fio!

A Festa da Cerveja - Nas Palmeirinhas junto ao Jardim do Passeio Alegre - Com música evidentemente, e cerveja, muita cerveja, e comidas, alguma comida, e gente, muita gente! E isto durante, claro está, sete (7) longos dias!

A Festa do Artesanato - Onde? No Jardim do Passeio Alegre onde é que podia ser! Dez (10) longos dias e noites com muita música ("deixa-me cheirar teu bacalhau, oh Maria!"), muita comida, muita gente, muitos carros, muita Polícia a multar os carros, muita pancada e pouco, muito pouco ARTESANATO!

Já tenho um calendário onde vou assinalando as datas destes eventos e de todos os que forem aparecendo para que no ano seguinte eu, com o devido tempo, saia de casa e vá bater à porta de amigos, que moram longe dos eventos, e onde o IMI é mais baixo devido ao seu coeficiente de localização ser inferior, talvez porque não é considerada "zona de eventos", não sendo assim apanhado «à má fila»!

E estamos em crise! Que seria se não estivéssemos!?

Jorge Azevedo

De: Alexandre Burmester - "Aos ciclistas..."

Submetido por taf em Quarta, 2008-07-23 19:57

Caro Nuno Oliveira

Por uma questão de atenção vou tentar dar-lhe resposta aos seus comentários, mas de forma concisa.

  • - Não disse em lado nenhum que sou contra a bicicleta. Aliás sou a favor de qualquer meio de transporte que seja compatível com a vida das cidades. Nesse particular também defendo o direito a andar a pé, de skate, de quatro, e claro está também do carro e da mota. Isso inclui obviamente a necessidade de poder pará-los em sítios adequados como os “Siloautos”.
  • - Também nada tenho contra os Lisboetas, aliás nem sei onde foi buscar isso. E para mim os “Portuenses” começam lá para os lados de Viana e acabam lá para os lados de Aveiro, sem esquecer o respectivo interior.
  • - A Baixa do Porto circunscreve-se à área central da cidade, mas a sua influência é extensível a esta região, por isso este Blog parece-me ser o local certo para falar naquilo que lhe diz respeito.
  • - Como Arquitecto, defendo a pluralidade do espaço urbano, e isso tanto tem a ver com os diferentes usos, com os meios de transporte, como com os estratos sociais, económicos ou religiosos. Da mesma maneira que em nada me incomoda que habitantes do Aleixo (parte ou todos), mais os de “luxo” queiram ir para a Baixa, também nada me incomoda que levem os carros, as bicicletas, e os papagaios.
  • - Não acho que os transportes públicos sejam bons, e se não ando neles é porque não tenho tempo para longos e variados passeios. Sorte sua. Mas isso é outro assunto.
  • - Se a cidade fosse compatível nas suas cotas com passeios de bicicleta, então diga-me porque será que o passeio começou à cota 70 da Ponte da Arrábida e desceu até ao mar, e não foi ao contrário? Felizmente o Porto nem é Aveiro nem Amesterdão.

Mais uma vez refiro que nada tenho contra a organização de passeios de bicicleta, assim como maratonas ou outras, apenas entendo que não se fazem para incomodar. Estas atitudes, como a sua, são sim resultado de raivas contidas, de preconceitos e de ignorância…

Cumprimentos
Alexandre Burmester

De: Rui Valente - "Sobre o Bairro do Aleixo"

Submetido por taf em Quarta, 2008-07-23 19:53

Meus Senhores,

em nome da urbanidade cívica, é chegado o momento de fazermos todos de conta que não percebemos que o aumento da criminalidade está directamente relacionado com o aumento do desemprego. O excelente negócio urbanístico do Bairro do Aleixo recomenda-o! Assobiemos portanto para o lado, contestemos toda e qualquer argumentação que não repudie a demolição dos edifícios. Os pobres que se cuidem. Afinal, sempre existiram, porque haveriam agora deixar de existir? Então, polícia em força para o Aleixo! Já! A propósito, sugiro que se aproveite a boleia radicalista para pôr a mão a outro tipo de criminosos conhecidos que se movem por certas instituições bancárias (se houver coragem para isso, claro).

É claro que, perante um mesmo quadro se mudássemos de "ares" e de protagonistas, as coisas mudavam logo de figura. Se a Câmara ou alguém ousasse desalojar algum ricalhaço de uma moradia de Marechal Gomes da Costa, o assunto - a ser assunto - seria tratado com pinças, já que quem se atrevesse a levar a cabo tal afronta corria o risco de pagar com prisão a brincadeira, tal era o balúrdio que o "infractor" seria obrigado a pagar de indemnização. Só que há "infractores" e infractores. Quando o "infractor" se chama Câmara Municipal do Porto, dá-se corpo à famosa expressão de George Orwell que dizia: "todos os animais são iguais, mas há uns que são mais iguais do que outros!"

Estará o Bairro do Aleixo a ser palco de uma nova versão do Big Brother?

Humanizem-se senhores! Deixem-se de argumentações economicistas sem benefícios óbvios para os cidadãos (para todos os cidadãos). Aprendam a deixar de ver os problemas à distância do v/ umbigo ou do gabinete de projectos. Sejam solidários. Se querem tirar de lá aquela gente à força, então tenham a nobreza de lhes oferecer guarida nas v/ próprias casas. Ou, como alternativa, exijam primeiro a promoção de um debate que privilegie o consenso, tendo em conta as contrapartidas a oferecer a quem criou raízes naquele local e que, provavelmente, esperaria por lá acabar os últimos dias das suas vidas miseráveis.

Não lhes roubem também a dignidade. É tudo o que lhes resta. Sim, porque por lá, nem todos são traficantes de droga.

De: Daniel Rodrigues - "Cluster de indústrias criativas"

Submetido por taf em Quarta, 2008-07-23 16:40

Seria de facto original, e o Porto tem massa crítica para o liderar. Mas querendo envolver outras cidades, é necessário infraestruturas que não existem para lá do Metro:

1. É necessário um lobby permanente e persistente sobre a CP e a REFER para uma oferta indicada em médio e longo curso: os clientes da indústria criativa não serão apenas da AMP, mas sim pessoas com grande mobilidade se ela estiver ao dispor.
1 b). É necessário ligar o aeroporto a Braga/Guimarães, e estas cidades entre elas.

2. A indústria criativa, para ajustar ao público alvo, precisa de:
2 a) vias cicláveis de trabalho (o público alvo não se importa com os altos e baixos resultantes da orologia própria da cidade)
2 b) Mais jardins e parques: há que ter a coragem de pôr um ponto final em novas construções, e mesmo demolir alguns edifícios devolutos para dar lugar a árvores: a desimpermeabilização do solo não é impossível!

3. Reforço da segurança: a AMP podia tentar usar fundos próprios resultantes do dinamismo criado para
3 a) aumentar as forças de segurança (PSP/GNR) com prémios, de forma a cativar os melhores a pedir colocação na área
3 b) suprimir as lacunas de equipamento com investimento suplementar

4. Agilizar a criação de outras indústrias. Nem toda a gente é criativa, e este cluster apenas resultará com uma indústria produtiva, nos sectores primário e secundário, dinâmica e activa.
4 a) Identificar as áreas estratégicas (têxteis? madeira? moldes? energia? distribuição?)
4 b) incentivos nas áreas estratégicas: redução de impostos, e um lobby político competente inequivocamente ao lado dos empresários nortenhos, e sempre integrado com a sociedade civil. (Não tem de ser política pura e dura, pode ser em Associações Industriais / Comerciais, Fundações, etc, mas onde se marque posição e estejam activas as 'elites' do Norte... podemos ter de vir a exigir que alguns passem temporadas em Lisboa, para reunir, protestar, indagar nos corredores do poder e decisão...)

5. Cultura de mérito escolar (prémios e envolvimento da população estudantil universitária e mesmo mais jovem em estágios nas empresas) *

* Por falar de prémios a minha proposta ainda espera interessados!

De: Carlos Manta Oliveira - "Ao Carlos Ruben"

Submetido por taf em Quarta, 2008-07-23 16:37

Peço desculpa por maçar de novo, mas uma vez que me foi solicitada, envio uma resposta curta e concisa. Os motivos a meu ver são dois, que já tive oportunidade de explicar, mas vou tentar clarificar:

  • 1 - Logística: As bicicletas não existem, são entregues em peças e montadas in loco durante toda a noite. Para além disso é preciso um espaço que possa albergar 8000 bicicletas e partipantes para a partida. Haveria contudo alternativas, como o parque de estacionamento do Arrábida Shopping, por exemplo.
  • 2 - Visibilidade: É um dos ex-libris da cidade, a maior ponte dentro do género no Mundo, e a escolha traz maior notoriedade ao evento, julgo não ter passado indiferente a ninguém.

Cumprimentos,
Carlos Manta

Nota: Não tenho qualquer ligação à organização nem sequer participei da edição deste ano.

O artigo de António Borges permite perceber bem as razões para a decadência económica do Norte. Como todos sabem, o Norte, tal como o Centro, é uma região que baseia a sua economia na produção de bens transaccionáveis.

Ora, as políticas dos governos nos últimos 15 anos (pelo menos) foram precisamente as contrárias às necessárias para o reforço da competitividade destas regiões:

  • - Por um lado, o investimento público foi todo direccionado para o Sector Não-Transaccionável, desmobilizando recursos para essas actividades, enquanto implicava impostos adicionais para o Sector Transacionável.
  • - Depois, uma política de criação de "campeões nacionais", que implica um aumento dos custos de produção para o resto das empresas: comunicações, energia, transporte, em todos eles pagamos um imposto escondido, em resultado da ineficiência protegida a estas empresas (e das margens monopolísticas). E, no caso do transporte aéreo, o proteccionismo existente torna-nos um país mais periférico e menos atractivo do ponto de vista turístico (que também é sector transaccionável).
  • - A criação de instrumentos de subsidio-dependência. A subsidiação às empresas, que impede desemprego pontual no curto prazo, significa também que impedimos que as melhores empresas substituam as piores. E sem uma adequada renovação do tecido empresarial, a região perdeu competitividade ao longo do tempo.
  • - Um nível de burocracia elevado, que cria elevados custos de contexto, dificilmente suportáveis para quem sofre a concorrência internacional, e com propensão a permitir "vitórias na secretaria". A somar a isto, às dificuldades burocráticas para as empresas nacionais contrapõe-se as facilidades para os projectos de investimento estrangeiro. Ora, as empresas nacionais têm menor propensão para deslocalizar a produção, criam know how local e, porque mais pequenas, criam menor dependência ao nível local* e maior flexibilidade no tecido económico.

O Norte perdeu competitividade internacional e entrou em decadência, tal como o resto do país. Aliás, o Norte, sendo a economia regional mais aberta ao exterior, é um bom barómetro da situação real do país em termos de competitividade internacional. Apenas a Região de Lisboa conseguiu manter-se relativamente imune... mas o feito foi conseguido graças ao peso dos Não-Transaccionáveis na região. O problema é que só existe competitividade quando baseada nos sectores transaccionáveis. O facto desta região importar o triplo do que exporta* é revelador da sua real competitividade.

Dizia Miguel Cadilhe, no debate sobre a Regionalização da semana passada no Porto, que existe uma tese, nalguns governantes (e não só), que defende que Portugal necessita de uma mega-capital para conseguir ser competitivo no espaço europeu. Se a tese é má (e profundamente antidemocrática), as políticas a ela associadas foram ainda piores: Portugal perdeu competitividade internacional de forma dramática. Incluindo a Capital.

* Quando uma fábrica emprega 20% da população de um concelho, o seu encerramento implica um drama social na região (é impossível que tanta gente encontre alternativas de emprego em pouco tempo), o que propicia situações de "chantagem" para a obtenção de subsídios adicionais. É assim que nasce a subsídio-dependência.
** Apenas considerando bens. Em abono da verdade, Lisboa tem um desempenho relevante ao nível do Turismo.

(Simultaneamente publicado no Norteamos)

De: Nuno Oliveira - "Os Abusos Pontuais e os Abusos Recorrentes"

Submetido por taf em Quarta, 2008-07-23 15:01

Cara Baixa do Porto

Gostaria de discutir vários pontos na opinião do Alexandre Burmester quando diz que os "Portuenses e a população em geral" se viram incomodados para "gáudio de uma minoria" que decidiu andar de bicicleta que me parecem relevantes para discussão de como se pode viver a cidade do Porto. Devo informar que a minoria de que se falou também é portuense e cidadã (não é lisboeta ou ódio de estimação) e que o abuso de que fala no título - intransitabilidade, demora, incompreensão da polícia, irascibilidade dos cidadãos, falta de organização e de espaço- sofreram os automobilistas um dia e sofro eu todos os dias como peão nesta cidade. Se todos os comodistas andassem de transportes públicos, a pé e de bicicleta não haveria esse trânsito de que se queixa, perdíamos todos uns quilos, respirávamos melhor, circulávamos melhor, poupávamos dinheiro e era mais fácil viver na Baixa do Porto.

Basta destas patetices política e aparentemente correctas, porque mais não passam de demagogia e de falta de respeito. Querem proporcionar passeios? Vão para onde a ecologia vos deve empurrar, para o campo, e não no meio do trânsito.

A minha sugestão em relação a esta frase é que se crie um novo Blog chamado A Periferia do Porto onde se podiam vangloriar os shoppings e os loteamentos bem servidos de IC's. Como um arquitecto que defende o sucesso do espaço público, é uma posição bombástica esta perpetuação anacrónica do automóvel no topo da cadeia alimentar de que depende uma produtividade. Em todas as capitais mais produtivas do mundo com 10 vezes mais habitantes do mundo se anda de bicicleta numa escala muito maior a que testemunhou. A Baixa do Porto só vale a pena se der para estacionar à porta em cima do passeio? Não estará toda a Ribeira melhor preparada e vocacionada para acolher os "desgraçados" que andam a pé e de bicicleta do que aqueles que não dispensam do parking ultra-conveniente? Exemplo.

Para chamar a atenção de todos os desgraçados que não têm outra alternativa do que se fazer transportar em veículo próprio, até porque os transportes públicos são maus?

O Porto tem uma excelente rede de transportes públicos com boa cobertura suburbana e intermodalidade, devia experimentar um dia destes. Não fica preso no trânsito tantas vezes, apesar de praticamente todos os engarrafamentos que sofre diariamente não serem responsabilidade de ciclistas. Tenho opções e escolho poupar dinheiro, melhorar a minha cidade e a saúde de todos mas deve ser por palermice e egoísmo.

Ou porque a propósito do uso de um transporte ecológico e salutar, que por acaso nem sequer é compatível com as ruas da cidade, pela ausência de ciclovias e pela sua topografia.

Espectacular esta frase- é simultaneamente o Politicamente Correcto do que não se pratica e a resignação total face à mudança da cidade. "Parece que faz bem ás pessoas e à cidade e tal mas o que é que se há-de fazer?" Pode ver o ficheiro CAD da cidade e constatar pelas cotas que é bem possível andar por quase toda a cidade fora o risco de ouvir diariamente os piropos de alguns condutores. Em que é que ficamos - na falta de planeamento ou na fatalidade geográfica? Nenhuma encaixa numa postura proactiva em defesa da cidade...

Vão fazer barulho e confusão para outro lado.

Somos expulsos diariamente dos passeios como vândalos. Tomara o silêncio das motas e o ronrom dos automóveis, que são tão arrumados e limpos e decoram tão bem os nossos passeios. Queremos uma Baixa ou um Siloauto? A crítica a um evento mal organizado não escondeu o preconceito e a ignorância...
--
Com os melhores cumprimentos,
Nuno Oliveira

De: TAF - "Agora de manhã, em Serralves..."

Submetido por taf em Quarta, 2008-07-23 09:49

... com uma ligação à net muito fraquinha e alguns posts pendentes que vão ter que esperar, para assistir a isto. Já encontrei cá visitantes/participantes regulares d'A Baixa do Porto. :-)

- Cluster de indústrias criativas na calha
- Porto quer seguir exemplo de Sheffield
- As indústrias criativas são a "visão" para revitalizar o Norte de Portugal

De: TAF - "As minhas sugestões para o Aleixo"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 22:34

Na Fábrica Social - Fundação José Rodrigues


Como já aqui foi escrita muita coisa, permitam-me repescar quatro sugestões minhas para eventual consideração da Assembleia Municipal:

PS: Além desta outra sugestão anterior, claro, seja trabalho em agricultura urbana, limpeza da cidade, ou outro qualquer.

De: Nuno Oliveira - "Ainda o Aleixo"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 22:03

Em relação às aqui discutidas mudanças iminentes no bairro do Aleixo, aparentemente tanto a Câmara e os seus futuros investidores como os leitores d'A Baixa do Porto já tomaram a sua decisão quanto ao destino do bairro, restando "apenas" a opinião do moradores do mesmo bairro que mais uma vez se vêem marginalizados de qualquer discussão ou processo negocial.

Quem habita o espaço e vai ver a sua vida completamente alterada (mais uma vez) merece ser um elemento-chave da solução, no mínimo, de modo a agilizar e a gerar concordância no processo. Em vez disso viu-se hoje um início do que será (sem necessidade mas compreensível) um longo protesto inaugurado com a nova providência cautelar - a qual é menos desencadeada, na minha opinião, por discórdia da solução proposta do que pela absoluta arrogância de todo o processo de decisão. Também eu não gostava que tomassem por mim qualquer decisão fundamental sobre a minha vida, fosse ela benévola ou não...

Como o Luís Gomes, também eu sonhei com uma vida no centro do Porto e vejo-me confrontado agora com a minha ingenuidade, mas tenho esperança que a onda de reabilitações (de certeza económicas) que seria necessária para realojar o Aleixo na Baixa possa incluir também alguns daqueles que aguardam por uma janela de oportunidade de regresso à cidade. Não tenho problema algum em ser vizinho de gente de bem, seja que rendimento tiver ou de que bairro venha e o que Sr. Artur Gomes não compreende é que as cidades são espaços heterogéneos de pessoas e de lugares que não podem ser vitimizados por modos higienistas de fazer cidade e sociedade que eu julgara caducados nos anos 60. Somos o nosso meio e por vezes esquecem-se alguns críticos dos "cadastrados", daqueles que cresceram e que crescem num Aleixo para onde fomos nós, a sociedade no seu todo, que para lá os mandámos.

Mandem-me também a mim para a Baixa!

Com os melhores cumprimentos,
Nuno Oliveira

De: Cristina Santos - "Risco social e apenas isso"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 19:04

Caro Hélder

Compreendo as suas preocupações sociais, aliás acho que está a ser tão certo que, não tarda, sugere e bem que na construção do condomínio de luxo se construa um pequeno bloco para 20% dos residentes do Aleixo. E teria razão, oferecia com certeza menos risco social do que juntá-los a outra percentagem de pessoas pobres e com carências várias. Além de que nesse realojamento podiam as pessoas beneficiar de um salutar convívio com outras de alto estatuto económico, aprender vivências, um sem número de vantagens, sem riscos sociais acrescidos.

É lamentável que tenhamos que estar a falar sobre outras pessoas, o seu status, a sua futura residência. A minha questão quanto ao Centro Histórico é que oferece muitos riscos, a população é pobre, maioritariamente beneficiária do rendimento mínimo e apoio social, há insegurança, há focos de venda de droga. Já não me alarma o realojamento nas imediações do Bonjardim, ou em Cedofeita, ou em qualquer outra zona que não esteja em recuperação social, como o Centro Histórico está.

De qualquer forma, não quero com isto obstar à solução do Aleixo, queria apenas que se tivesse especial atenção no Centro Histórico, não está recuperado, não tem preparação nem condições para acolher mais pobres. E digo pobres sem qualquer sentido depreciativo mas, se o não fossem, há muito que teriam, como todos os cidadãos, escolhido o sítio onde pretendem morar e não estariam dependentes de uma cambada de julgadores como eu e outros.

Resumindo, não estou contra nada nem contra ninguém, é pura e simplesmente um alerta que julgo deveria ser debatido por forma a encontramos soluções que pudessem diminuir danos sociais futuros..
--
Cristina Santos

De: Hélder Sousa - "Nós, os pobres e os imigrantes"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 17:35

Se vamos começar a fazer contas destas estamos tramados… rapidamente chegaremos à conclusão de que a maioria da população portuguesa (e falo de população portuguesa e não do ‘povo’ do Sr. Gomes) ou é pobre ou é descendente de emigrantes (estava distraído e não percebi a ligação entre emigrantes de Leste e pobres do Centro Histórico: talvez seja mais uma generalização (im)ponderada!)

Ou seja: as nossas cidades e os seus centros históricos continuarão eternamente vazios por falta de gente com status sócio-económico ‘aprovado’ para nelas residir! (e se começarmos a pensar noutros parâmetros de selecção, podemos chegar a muitas outras interessantes conclusões!)

Talvez o acesso a habitação de qualidade e em locais de qualidade seja um passo, pequeno é certo, para alterar as coisas.

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Nota de TAF - as últimas notícias (falta agora a Assembleia Municipal na QuintaQuarta-feira à noite):

- Demolição do Aleixo já aprovada
- Rui Rio garante diálogo no realojamento
- Aleixo: Rui Rio assegura que Câmara do Porto vai dialogar com famílias do bairro
- Manifestantes desmobilizaram rapidamente depois de saberem decisão da Câmara do Porto
- Áudio da Antena 1

De: Maria do Porto - "A História repete-se"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 17:24

Não resistindo à tentação de fazer um breve comentário ao recente “Plano de Salvação” do Aleixo gostaria de dar a conhecer analogamente um projecto cuja recente extinção oficial, Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica, demonstrou mais uma vez que “o que é bom acaba depressa” e que efectivamente a história se repete!

O plano de actuação desta instituição foi durante largos anos a intervenção urbana e social, implementada na zona classificada Património Mundial da Humanidade, pela Unesco em 1996. Área essa que, na década de setenta, tinha aqui localizada uma das zonas de maior risco, Ribeira/Barredo, cuja intervenção urbana e social esteve a cargo do extinto CRUARB-CH, tendo-se consequentemente fragmentado a sua população, promovendo-se a sua dispersão nos bairros sociais que foram surgindo um pouco por toda a cidade.

Não querendo de forma alguma estar com demagogias parvas, até porque a maior parte das pessoas que teceu comentários sobre o bairro em questão conhece bem a realidade do Centro Histórico e da Baixa, não posso deixar de realçar o papel fundamental que a FDZHP teve na reeducação, formação e na promoção de melhorias de condições de vida habitacionais da população do Centro Histórico (ver www.fdzhporto.pt, projectos). Tudo isso passou por planos integrados de reabilitação urbana e social onde, para além de se promover a reabilitação dos edifícios com posterior realojamento e acompanhamento das famílias aí colocadas, se dava acompanhamento escolar e extra-escolar a bebés, crianças e jovens, para além da formação profissional promovida no Núcleo de Formação Profissional, com vista à integração no mercado de trabalho da população que a frequentava. A coisa funcionou muito bem até termos o apoio incondicional de um Estado dito de providência, que é o que se espera numa situação social crítica, sendo exemplo disso o recentemente criado plano de inclusão nacional, promovido por Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa.

Surgem então as seguintes questões: O que falhou em tão brilhante e eficaz exemplo de acção integrada? Porque parou? O que provocou a sua queda? Para onde foi o know how adquirido pelos técnicos ao longo de aproximadamente 15 anos? Como se conseguiu desacreditar uma instituição com provas dadas e muito elogiada pelo seu trabalho nos Projectos que desenvolveu a nível nacional e no exterior? O que fazer ao seu património (famílias, equipamentos e edifícios)?

Ora, é aqui que entra o Aleixo, bairro que teve parte da sua ocupação populacional oriunda do Centro Histórico do Porto. Mais uma vez, vamos inverter a ordem das coisas: realojar uma população na origem, mas com os mesmos problemas, marginal, socialmente degradada e com sérios riscos de guetização, porque agora já não existe a Fundação!

Maria do Porto
Moradora do Centro Histórico
--
Nota de TAF: o(a) autor(a) do texto, apesar de se ter identificado perante o moderador do blog, prefere manter publicamente o anonimato adoptando um pseudónimo.

De: Carlos Ruben - "Ao Carlos Manta Oliveira"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 17:21

Meu caro

Parece que não me entendeu mas eu repito, pela última vez. Dê-me uma razão objectiva para o corte do trânsito da Ponte da Arrábida e da auto-estrada, sem tergiversar por Barca d'Alva e por outros cortes, como o do cabelo e o Inglés. Uma resposta objectiva, que não venha embrulhada num qualquer complexo de superioridade moral. Foi só isso que eu pedi. Até pode ser que me convença e eu mude de opinião. Entretanto, como o fim da tarde promete ser deslumbrante, vou dar uma volta de bicla.

Curto e objectivo

Carlos Ruben

De: F. Rocha Antunes - "Cuidados com a Polícia"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 17:18

Cara Cristina,

Percebo claramente o teu aviso, e os cuidados que precisamos de ter quando se fala em realojar as pessoas num tecido urbano já de si problemático e frágil. O Centro Histórico precisa é de ainda mais mistura de pessoas e que a Polícia decida, de vez, transformar aquela zona como uma zona limpa de actividades criminosas, o que é diferente de uma zona limpa de criminosos. Senão, esta questão até se colocaria na Avenida Marechal Gomes da Costa…

O que o Centro Histórico precisa muito é de que a Polícia decida não olhar mais uma vez para o lado, porque o que a todos incomoda é ver coisas que basta estar por lá e não perceber porque é que se nós vemos porque razão misteriosa a Polícia não actua. A política da reparação do vidro partido, já aqui referida uma vez a propósito dos tiroteios da noite do Porto, deveria ser aplicada de forma sistemática. Se os criminosos perceberem que aquele espaço é um espaço em que as probabilidades de a vida lhes correr mal são grandes não deixarão de ajustar os comportamentos a esse facto.

O que o Centro Histórico precisa é de ter muitos tipos de pessoas a morar lá, desde os que lá nasceram a polícias, juízes, jornalistas, actores, promotores imobiliários, etc., ou seja todo o tipo de pessoas que gostem de morar num espaço que, ao contrário da maioria dos outros, é ímpar.

A reabilitação da Baixa passa por todos, até pela mudança de atitude da Polícia.

Francisco Rocha Antunes

De: Pedro Bragança - "Serralves (quando não está em festa)"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 17:13

Em Serralves


Serralves apresenta mais uma excepcional exposição, agora sobre o espólio de Manoel de Oliveira. Fenomenal! Temos a sorte da nossa cidade ser berço de grandes artistas e grandes instituições.

Esquematicamente - a genial produção de espaço de um genial arquitecto num lindíssimo ambiente, uma exemplar organização, excelentes artistas. Uma máquina em funcionamento. Somos uma capital.

Cumprimentos,
Pedro Bragança

De: Cristina Santos - "Somados aos 20% que ainda lá estão..."

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 15:27

Pois Francisco, concedo que não fiz as devidas pesquisas antes de me pronunciar. Na reportagem do JPN vêm explícito o número de metros quadrados a disponibilizar no Centro Histórico (4.200m2) e a referência a prédios na Rua das Musas, e vários pela cidade. Óptimo.

Mas no caso do Centro Histórico acontece o seguinte: igual número ou até superior de moradores habita lá à espera de realojamento ou de reabilitação, quer isto dizer que, por alto, 20% mais os 20% que já lá estão, são 40%, mais 5% de emigrantes de países de Leste, são 45% de pobres. Some-se a estes aqueles que saíram das casas da CMP para bairros, mas fazem a vida diariamente neste local.

Não discordo da demolição, nem da dispersão de moradores, mas vai ser necessário rigor extremo no planeamento da situação de realojamento no Centro Histórico. Cuidar da segurança neste local não é o mesmo que fazê-lo noutra freguesia, as condições naturais e sociais são adversas, é preciso toda a atenção para não se criar mais uma bomba, pobreza já lá há quanto baste.

Também há no Centro Histórico quem como os moradores do Aleixo queira viver em paz e não possa, porque há droga, há grupos, porque há pressão e falta de segurança, e estes factores não estão ultrapassados ao ponto de poderem receber mais pobreza como vizinhança e fazer-lhe face. Por outro lado as casas precisam de ser reabilitadas, reocupadas, não sei, mas sinceramente dá medo que as coisas retornem aos anos 90 e o Centro Histórico se volte a afundar. Esperemos que não… esperemos que a CMP tenha pensado convenientemente nisto, está em causa a única valia intemporal da nossa cidade.
--
Cristina Santos

De: TAF - "Centro Histórico"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 13:17

Rua D. Hugo


- Porto tem que criar mais condições para os seus idosos

- Há pouco alguém veio parar aqui ao blog após ter pesquisado no Google por "horário missas no Porto".
Essa informação não existe n'A Baixa do Porto, mas sim no site da Diocese, nesta página. :-)

De: F. Rocha Antunes - "20%"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 13:04

Cara Cristina,

Eu iria jurar que sempre tinha ouvido falar em realojamento de 20% dos actuais moradores do Aleixo no Centro Histórico e na Baixa, nomeadamente em imóveis dispersos que são hoje propriedade camarária.

Francisco Rocha Antunes
Luxuoso morador no Porto Património Mundial

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