Semana iniciada em ...

De: TAF - "Alguns apontadores e sugestões"

Submetido por taf em Quarta, 2012-02-08 17:29

De: Nuno Carvalho - "Escola da Fontinha"

Submetido por taf em Terça, 2012-02-07 13:01

A CMP não contactou ninguém ligado ao projecto Es.Col.A.. Aliás, a CMP não cumpriu com o contrato de cedência precária que implicava a assinatura de um contrato de cedência temporária com a associação entretanto criada, associação essa que foi uma exigência da CMP para continuar o processo de contratação. Desde 31 de Dezembro, e somente por culpa da CMP, o espaço Es.Col.A. não tem qualquer enquadramento jurídico. Obviamente que isso é irrelevante para aqueles que, diariamente, procuram construir algo para a comunidade envolvente. Desta CMP, e seu presidente, já não se espera outra coisa que não seja a gestão da cidade como se se tratasse do seu quintal das traseiras.

Nuno Carvalho

De: SSRU - "Sonhos"

Submetido por taf em Terça, 2012-02-07 12:56

De Fernando Lanhas

Para quem ainda não conheça ou pretenda redescobrir Fernando Lanhas, sugerimos que inicie a jornada por uma inquietante edição limitada destes "Sonhos Lanhas", da Santa Casa da Misericórdia do Porto, apresentada em Março de 2009, pelas comemorações do centésimo vigésimo quinto aniversário do Centro Hospitalar do Conde de Ferreira. Fernando Lanhas foi um homem completo - o Homem dos Sete Rostos - arquitecto e arqueólogo, astrónomo e poeta, desenhador, pintor e sonhador.

1932
«Sonhei com um grande terreno, todo murado, tendo no centro um pequeno monte.
Nada aí estava "estragado".
Todos os caminhos tinham pedras perfeitamente niveladas e um desenho muito certo. As plantas que por ali cresciam não tinham folhas secas.
Tudo rigorosamente limpo.
Naquele terreno ninguém entrava.»

SSRU

Aberto dia e noite (24h), como incentivo à reabilitação da Baixa do Porto!

Estacionamento em infracção

Estacionamento em infracção

SSRU

Estacionamento em infracção


De: Vítor Silva - "Escola da Fontinha"

Submetido por taf em Segunda, 2012-02-06 18:41

- Fim da cedência da CMP - "Esta semana recebemos uma carta da CMP a comunicar o término da cedência da Escola da Fontinha."

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Nota de TAF: pergunta provavelmente ingénua - A CMP contactou os actuais ocupantes do espaço para tentar encontrar soluções, antes de lhes enviar a carta?

De: TAF - "PDM"

Submetido por taf em Segunda, 2012-02-06 17:03

- Abertura do período de Discussão Pública – Alteração ao PDM do Porto

Gostava de perceber, no site da Câmara, onde está a informação mencionada no aviso... Só encontro esta referência aos planos municipais de ordenamento do território, que leva depois a esta página.

De: TAF - "Alguns apontadores e sugestões"

Submetido por taf em Segunda, 2012-02-06 00:50

- Morreu o pintor Fernando Lanhas
- Morreu Fernando Lanhas
- Morreu Fernando Lanhas, um criador e curioso insaciável

- Ruído e trepidação afectam moradores que vivem sob a ponte Luís I
- Douro Marina vai criar 170 novos postos de trabalho
- “Último grande líder do Porto foi Fernando Gomes”, diz Menezes - Sebastianismo...
- CDU propõe medidas concretas para regrar a animação nocturna no Porto
- Dez anos para isto? - mais uma visão sobre os 10 anos de Rui Rio na CMP
- Visita à Reserva Natural do Estuário do Douro, sugestão da Campo Aberto
- Inauguração da Exposição Lote 265: para uma geografia do Douro, 9 de Fevereiro, convite da Fundação da Juventude
- Conta da luz: metade são subsídios - 2500 milhões por ano, sugestão de Rui Rodrigues
- Essência do Vinho, Palácio da Bolsa, 16 a 19 de Fevereiro, sugestão de Filipa Guedes: «Reconhecida como a principal experiência do vinho em Portugal, a iniciativa é organizada em conjunto com a Associação Comercial do Porto e com o apoio da Câmara Municipal do Porto e coloca os principais produtores e enólogos portugueses em contacto directo com o consumidor. O "Essência do Vinho – Porto" é um evento dedicado ao consumidor conhecedor, interessado ou simplesmente curioso pelo mundo do vinho.»

De: Ana Campos Neto - "Hortas urbanas no centro histórico do Porto"

Submetido por taf em Domingo, 2012-02-05 23:53

Horta da Lada

Enviamos em anexo informação relativa a um projecto que nasceu no âmbito do "Manobras no Porto" e deu lugar a que espaços vazios da cidade pudessem ter um novo uso, como é o caso das novas hortas comunitárias da Lada e da Vitória. Através deste projecto pudemos observar e identificar os espaços vazios do centro histórico, passando posteriormente esta informação para um mapa, de modo a chamar a atenção sobre a cidade e sobre o que fazer com ela. Após o mapa demos voz às necessidades encontradas, e juntamente com a comunidade local transformámos 2 destes espaços sem uso em hortas urbanas, comunitárias e sociais. Este é um projecto vivo, em constante desenvolvimento, que merece ser do conhecimento de todos pois ainda há muitos espaços por usar.

Em anexo segue o press release que contém toda a informação sobre o projecto.

S.P.O.T. - Sociedade Portuense, Outras Tendências Lda

De: Cristina Santos - "A «movida»"

Submetido por taf em Domingo, 2012-02-05 22:03

As razões com que fundamento a opinião de que o actual executivo potenciou a “movida” e a animação da Baixa são:

  • O Masterplan em traços gerais antecipava, mais ou menos, aquilo a que se assiste na Baixa hoje.
  • Antes da movida propriamente dita, tiveram lugar vários eventos contínuos e de qualidade, ex. Porto Sounds, da Porto Lazer.
  • Restauro do quarteirão Carlos Alberto.
  • A não resposta imediata e trágica aos apelos da oposição também tem permitido que a movida se mantenha. Atenda-se a posição da oposição. Sessão Extraordinária de 31 de Outubro de 2011, em relação à movida e reclamações de moradores, na zona de armazéns e galerias: «O deputado Artur Ribeiro, da CDU, considerou que a “responsabilidade por isto é só da Câmara”, sustentando que a ” Câmara deve licenciar menos e, sobretudo, limitar os horários” dos estabelecimentos vocacionados para a diversão noturna – que só na Vitória são várias dezenas. “O Bloco de Esquerda também afirmou que, nesta matéria, “a responsabilidade da Câmara Municipal é muito grande”. Fernando Oliveira, pôs-se ao lado dos moradores dizendo que estes têm “preocupações reais e legítimas” que exigem “uma intervenção mais eficaz” por parte da Câmara Municipal. Oliveira também propôs horários de funcionamento: “Os bares deviam funcionar até meia-noite de domingo a quinta-feira e até as 2 nos restantes dias”. O vereador Vladimiro Feliz disse compreender o problema das pessoas” que vivem naquela freguesia portuense”, mas destacou também que a “movida” apresenta “factores positivos para a economia da cidade”. “Ou temos uma visão equilibrada das coisas ou podemos deitar a perder o que já foi conseguido”, argumentou.»

Pelos motivos expostos, considero que a movida existe por conta do desenvolvimento de um projecto objectivo que criou as condições: mercado, iniciativa, condições públicas e segurança. Ainda se mantém, veremos até quando, graças a algum bom senso por parte do executivo, que noutros casos falha. O modelo de negócio privado reverte da inspiração ou experimentação directa em várias capitais europeias, incluindo Lisboa.

Salvaguardo: num país em que o excesso de regulamentação, a má transposição de directivas vincula a iniciativa privada a interesses próprios dos partidos, o argumento de que na cidade do Porto a iniciativa privada é responsável por mudança significativas, seria, a meu ver, um motivo de enorme orgulho e um exemplo para o panorama nacional: mais iniciativa privada, menos Estado, era louvável, quase inédito.

Quanto a ainda faltarem 2 anos, da minha parte o que espero é que o sucessor de Rui Rio o suplante em competência, iniciativa e foco, a ponto de se poder afirmar que Rui Rio foi realmente pouco, e que o Porto está bem servido politicamente.

Cristina Santos

De: Carlos Oliveira - "Olha para o que digo..."

Submetido por taf em Domingo, 2012-02-05 21:50

Em relação a esta notícia acho curioso a parte da interdição dos cartazes. A câmara quer ainda interditar a afixação de "cartazes, inscrições com ‘graffiti’ ou outra publicidade em árvores, mobiliário urbano, equipamentos municipais ou imóveis visíveis do espaço público". A Cidade está infestada por cartazes de eventos com o apoio da Câmara ou da empresa municipal PortoLazer... e infelizmente estão em locais proibidos como muros e prédios abandonados... E agora vêm com esta demagogia!? E que tal dar o exemplo?!

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Nota de TAF: sobre este tema, Teodósio Dias recomenda também Câmara do Porto aperta o cerco aos grafitos e à publicidade - "Os cartazes dos eventos culturais, desportivos e outros com o logótipo do Município se encontram nos sítios mais aberrantes (ver últimos artigos da SSRU). Bastava dizer duas palavrinhas aos senhores da ÚNICA empresa que faz esse tipo de trabalho no Porto ou, então, cortar os apoios a quem o faz. Para os «tags», deviam ser autorizados em alguns locais mais ou menos nobres e mais ou menos totalmente abandonados ou em vias de demolição."

De: Pedro Figueiredo - "Que 1000 linhas do Tua floresçam!"

Submetido por taf em Domingo, 2012-02-05 20:50

Vale do Tua  Vale do Tua

Vale do Tua  Vale do Tua

1 - Morreram na semana passada mais 3 pessoas na construção da Barragem do Tua! 3 operários foram vítimas da derrocada de uma parte da encosta nascente (Carrazeda de Ansiães), a encosta da linha do Tua. Inicialmente, um arqueólogo também morreu na fase de estudo e em Agosto de 2011 aconteceu outro grave acidente, embora “apenas” provocara feridos.

2 - Quando caem pedras sobre a linha, “a linha é perigosa, causas naturais são decretadas, feche-se então a perigosa linha”, no momento seguinte quando cai em derrocada parte da encosta sobre as obras da barragem, “a barragem pode continuar, causas naturais são decretadas, não há perigo algum”… Não, por Deus não se trataria de qualquer incúria ou incompetência ou desleixo por parte da EDP, Mota-Engil ou Somague, apesar de a encosta estar constantemente a ser dinamitada, o que a fragiliza (aos olhos de qualquer ignorante…). O xisto é mole, o granito também não, a dinamite explode constantemente, “causas naturais são decretadas”... A aldeia da minha Avó – Fiolhal, a 1 km das obras da barragem - tem sido testemunha e mártir face ao ruído das explosões constantes contra a Mãe-Natureza! (Blog Derrotar Montanhas ou MRPP, à esquerda ou à direita a barragem do Tua está mal e deve acabar.)

3 - Em Agosto do ano passado, (uma vez mais) de férias no Fiolhal (cerca de 50 almas), às portas das obras… De dia explosões e retro-escavadoras, e à noite explosões e retro-escavadoras a ecoar (e sabe Deus como aquele vale do Tua faz ecoar o mínimo ruído, quanto mais explosões e retro-escavadoras)… Não cumprindo sequer a “lei do silêncio” que impõe a partir da meia-noite o silêncio de tudo e todos (obras incluídas) em zonas habitadas (aquela zona É habitada!) Ninguém na aldeia estava a conseguir dormir, obviamente. E eles, os habitantes tinham (obviamente) de ir trabalhar também às manhãs de Agosto faça sol ou muito sol… Escrevi um abaixo-assinado (em anexo) e dei a assinar à aldeia do Fiolhal… ”Façamos então a Revolução”: toda a gente do Fiolhal à medida que eu ia de porta em porta a tentar pregar a causa ía gemendo que “não, que não ia adiantar nada, eles não iam fazer nada...” e todos eles afinal assinaram rapidamente, pois era uma causa pessoal (o sono) que estava em causa… (nota: às vezes a passividade cívica dos Portugueses resume-se afinal a uma “tradição que há que manter” ou a uma “doença psicológica”, a realidade impõe que as pessoas se mexam…). Entregámos as assinaturas à GNR de Alijó… E, milagre, acabaram durante as noites todo o barulho indevido que estava a ser feito. Mas de dia claro que a obra não pára… Vejam este vídeo (vídeo também replicado no JN, antes da derrocada mortal)…

4 - “Em verdade vos digo”: pelos operários mortos, pelo bom senso energético que falta, pela dívida acumulada que pagaremos nas facturas da luz à ditadura chinesa/EDP, pelo magnífico Vale do Tua, pela ferrovia que pode vir ainda a ser o motor económico daquela zona e pela classificação patrimonial do Douro que era escandaloso se a perdêramos por causa desta "brincadeira"… por tudo isto e muito mais: “Que mil Linhas do Tua floresçam!” “Ousar Lutar / Ousar Vencer” (Amén)

De: Alexandre Burmester - "Não servem mesmo para ninguém"

Submetido por taf em Sexta, 2012-02-03 16:25

É verdadeiramente impressionante o que se faz numa cidade que reclama da desertificação e que deixa ao abandono esta Biblioteca no seu centro. Como é possível achar, como li em vários posts por aqui escritos, sobre as qualidades desta Câmara em reanimar o Centro, achando que a “Movida” e a reabilitação de construções para hostels, restaurantes e outros afins é da responsabilidade deste executivo e não da iniciativa privada, quando na verdade o que esta Câmara faz é exactamente o que se lê no texto do “....não servem para ninguém”. O Pedro Figueiredo sugeriu variadas possíveis ocupações e não é necessária muita imaginação para dar-lhe algumas mais. Agora estar fechada, entaipada e desocupada dentro de um jardim no centro da cidade, chega a ser criminoso.

A cidade bem representada pelas fotografias do Gastão de Brito e Silva é bem o exemplo do que nos últimos anos por cá se tem feito e como tem sido dirigida. E ainda faltam 2 anos...

Alexandre Burmester

De: António Alves - "Direitos"

Submetido por taf em Sexta, 2012-02-03 16:19

«O equilíbrio entre estes Direitos é absolutamente necessário, principalmente nos momentos em que eles (os Direitos) mais são necessários, caso contrário, quando só os Direitos de uns prevalecerem, serão sempre actos de "terrorismo de cidadania" para com os Direitos dos outros, que assistem indefesos na capacidade de defender os seus Direitos.»

Cara Paula Morais,

Passando por cima da expressão "terrorismo de cidadania", que só pode ser compreendida no contexto de um momento de menor controlo emocional, devo informá-la que na greve do dia 2 de Fevereiro corrente não foram aplicados serviços mínimos à STCP, o meio de “equilíbrio entre estes Direitos” (dos grevistas e dos utentes dos serviços em greve), por determinação do Tribunal Arbitral que achou por bem, com a excepção das Linhas 4M e 5M, não serem necessários. Em Democracia não deverá existir ninguém “indefeso”. Quem se achar prejudicado deve ORGANIZAR-SE e defender-se. Ficar na paragem do autocarro a lamentar-se e ir apenas votar de 4 em 4 anos serve para muito pouco. O problema é a falta de exercício de cidadania por parte da maioria, não o exercício de direitos por poucos.

Cumprimentos,
António Alves

De: Nuno Carvalho - "Entaipados «ao menos» não servem a ninguém"

Submetido por taf em Quinta, 2012-02-02 16:57

Olá Pedro.

O coletivo casaviva já teve a oportunidade de okupar a antiga biblioteca/ludoteca do Marquês. Um texto posterior à okupação onde o coletivo da casaviva explica a legitimidade de okupar estes espaços públicos: Uma biblioteca esquecida. Um texto onde se retrata a forma como a autoridade decidiu receber as pessoas que, já depois de uma primeira vez, decidiram usar legitimamente uma praça pública para criar e oferecer aquilo que deveria ser obrigação de um município: Chamem a polícia, que eu não saio da praça.

Quanto ao resto, cada um que tire as suas ilações.

Saudações,
Nuno Carvalho (membro do coletivo casaviva)

De: F. Rocha Antunes - "Exactamente, digo eu"

Submetido por taf em Quinta, 2012-02-02 15:16

Meus Caros,

O Teatro que se faz no Porto é uma das melhores razões para se cá viver e para convidar quem não vive aqui a passar cá uns dias. A minha experiência diz-me que quem já foi uma vez que seja ao S. João, por exemplo, fica contaminado pelo vírus do Teatro para o resto da vida. Devemos isso a um conjunto de profissionais incansáveis que não desistem do seu destino e que quando emigram é pelo tempo necessário à apresentação das suas peças noutros Teatros da Europa, voltando logo para preparar a peça seguinte. Contaminemos então todos os que pudermos para não perdermos por falta de espectadores a oportunidade única de partilhar a intemporalidade do Drama Humano como só o Teatro consegue.

Vão ao Teatro. Deixem-se de desculpas e de clichés bacocos e deixem-se tocar por ele.

Francisco Rocha, Antunes

De: Paula Morais - "DESABAFO PÚBLICO..."

Submetido por taf em Quinta, 2012-02-02 15:12

... sobre os DIREITOS (de uns) vs os DIREITOS (de outros) em mais um dia de GReVE de TRAnsPORtes

Sou cliente da STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, e agora da TIP - Tranportes Intermodais do Porto, ACE) há 20 anos. Neste 20 anos paguei sempre adiantado (através de assinatura mensal) o serviço de transporte público no Porto, incluindo nos meses de férias escolares (para poder ir à praia e passear na Cidade). Acatei sempre os aumentos sucessivos dos valores cobrados (3 aumentos em 6 meses por exemplo) por entender que se o objectivo é atribuir sustentabilidade económica a um serviço público (que é de todos portanto), todos (incluindo eu) poderíamos contribuir para este momento de carência geral de recursos financeiros. Também fui sempre admiradora das acções de reestruturação que esta empresa pública de transportes efectuou ao longo dos tempos, a adesão à intermobilidade, a criação do gabinete de apoio ao utente, a nova frota de veículos ecológicos, os serviços criados especificamente para acções culturais, com as parcerias com Serralves, a Casa da Música, etc...

Neste tempo de utente dos serviços, e fazendo contas de memória, assisti a cerca de 300 dias de greves (fundamentadas nos mais diversos motivos), ou seja, quase um ano inteiro de greves. Nesses dias de greves, e sem nunca ter reclamado pois entendia eu que como cidadã, tinha de compreender e aceitar os Direitos de outros cidadãos que estão protegidos pela Constituição, cheguei tarde a aulas importantes, faltei a três exames, cheguei atrasada a encontros com amigos, cheguei inúmeras vezes atrasada ao primeiro emprego, deixei de fazer compras em dias de promoção em algumas lojas na Baixa (que não voltaram a repetir tais promoções), passei imenso frio (e calor) nas paragens de autocarro à espera, à espera, à espera, quase sempre sem assentos em número suficiente nas paragens e, sobretudo, sem informações... Aproveitei sempre essas longas horas de espera para ou andar a pé (e atravessar a Ponte da Arrábida a pé com 9 graus de temperatura às 07h30m da manhã consegue ser arrepiante!) ou para ler livros que só leio quando tenho de estar à espera (foi assim que li o MEMORIAL DO CONVENTO de Saramago, entre outros). Nesses momentos de compreensão dos Direitos de uns, fiz amigos nas paragens e nas viagens a pé, desabafei e ouvi desabafos, assisti a acções de cidadania para com pessoas mais velhas...

E hoje, porquê este desabafo público? Talvez para partilhar a TODOS que aqueles (uns) que contribuem (moralmente porque não reclamam e economicamente porque pagam os serviços e os impostos) para que os outros tenham Direitos, também têm Direitos. O equilíbrio entre estes Direitos é absolutamente necessário, principalmente nos momentos em que eles (os Direitos) mais são necessários, caso contrário, quando só os Direitos de uns prevalecerem, serão sempre actos de "terrorismo de cidadania" para com os Direitos dos outros, que assistem indefesos na capacidade de defender os seus Direitos.

Paula C. P. M.
(Cidadã e Utente, por princípio, de Serviços Públicos de Transportes)

De: Pedro Figueiredo - "Entaipados «ao menos» não servem a ninguém"

Submetido por taf em Quinta, 2012-02-02 15:02

Edifício no Jardim do Marquês de Pombal

O mote desta cidade às vezes é “antes fechado que reabilitado”. Parece uma reacção mesquinha e primária da sociedade: “se eu não uso nem quero/posso recuperar, em vez de entregar a quem use/possa recuperar, eu fecho”… Durante anos este bloco foi uma pequena biblioteca; depois durante anos esteve fechado a degradar-se; agora, a acção do Município é, heroicamente, emparedá-lo. “Ao menos não serve agora a ninguém”. Assim, ninguém poderá nem sequer vandalizar, nem sequer okupar, nem sequer ainda… recuperar, reabilitar, alugar ou ceder a quem queira… Este belo e pequeno edifício no Jardim do Marquês parece uma metáfora da volúpia em fechar edifícios, manifestando a impotência assumida em não querer/saber recuperá-los… Que é a óbvia alternativa.

A “autoridade pública”, em vez de entaipar este edifício, devia ter-se mexido para… (apenas a título de exemplo)

  • “Ter ido falar com o Colectivo CasaViva, ali em frente, que depois de ter demonstrado saber fazer uma okupação exemplar na “EscolaViva”, chamaria a este espaço “um figo”, que daria, por exemplo, para a CiclOficina que é a oficina de reparação de bicicletas que funciona actualmente na CasaViva antes das “Bicicletadas” mensais”. (Era a hipótese Anarquista ou Alternativa.)
  • “Teria ido falar com o Instituto do Terço ali ao lado para que este colocasse um posto de apoio e informação aos muitos idosos que usam o jardim todos os dias”. (Era a hipótese “Misericórdia”, tão em voga e igualmente válida.)
  • “Teria ido falar à Segurança Social ali na Rua das Doze Casas e colocado a funcionar um centro de apoio aos muitos desempregados que por ali deambulam nesta crise que sabemos”. (Era a hipótese Estado Social, bem necessário ”sabe-se agora”.)
  • “Teria ido falar ao Café Pombal do outro lado da rua, e propor ao dono do café a instalação de uma esplanada no jardim, assessorada por este pequeno bloco”. (Era a hipótese Capitalista, mas que mexe com o uso público dos espaços.)

Podia… podia… podia…, mas não foi. Mais vale entaipar que assim ao menos não serve a ninguém. (Amigos: quantos votos teve o PSD nas autárquicas no Porto? Porquê, para quê e para quem? Pergunto eu…)

De: Cristina Santos - "Ah o Teatro..."

Submetido por taf em Quinta, 2012-02-02 01:58

Junto-me a José F. Alves, para dizer: vão ao Teatro, não porque os profissionais o mereçam, esse não deve ser o motivo, se não for na cidade eles têm lugar em qualquer uma, devem ir porque não aproveitar é desperdício de oportunidade, é não poupar o nosso dia a dia, é gastar o tempo sem rentabilizar grandes momentos.

Poucos prazeres superiorizam o de assistir uma peça de Teatro no TNSJ ou em Carlos Alberto, num sábado à noite, descer às galerias, circular por uma cidade repleta de vida e juventude, com a movida, música e missas de Burros que às vezes acontecem. Peças “regionais”, como a que a companhia Visões Úteis levou a cena em Dezembro, com os seus Monstros de Vidro, onde é retratada a cidade, as suas vivências, e a sua mudança em 10 anos. (Por exemplo: recorda uma metáfora antiga, a do flautista, sinónimo dos tempos que correm, se quem trabalha não tem recompensa, desaparecem as crianças. Ou a rábula do cacto que é plantado num logradouro algures na Baixa do Porto). Brilhante. Como aliás tem sido a maioria das peças levadas a cena nestes 2 distintos espaços da nossa cidade. O Teatro Helena Sá e Costa é também uma boa opção, e o valor dos bilhetes atractivo.

Infelizmente nos últimos meses as plateias têm diminuído, e em 2012 temos programação repetida. Mas pode ser uma oportunidade para quem perdeu Exactamente Antunes. Há 30% de desconto à quarta-feira. E, de resto, pode meter-se a mão ao bolso de facto, mas para sacar um cartão AXA ou outro daqueles protocolados que dão descontos altíssimos, quando o bilhete é adquirido antecipadamente. Agora com o Gato e os M, com as ruas cheias de gente, não há desculpa. O teatro da cidade, e ainda que efectivamente o encenador seja muitas vezes o mesmo, é um balão de ar com uma qualidade acima da media nacional, ok Lisboa é imbatível em alguns casos, mas há programação partilhada. Vão ao Teatro!

Cristina Santos

De: Pedro Figueiredo - "Arménio Losa - Rua da Constituição (1950-52)"

Submetido por taf em Quarta, 2012-02-01 22:02

Edifício na Rua da Constituição

Arquitectos: Arménio Losa e Cassiano Barbosa.
Clientes: António de Sousa Pedrosa Carvalho, Clara de Sousa Camarinha, José Maria Nunes. 1950 – 1952.

Este edifício é construído num lote – raro lote – resultado da fusão de três lotes contíguos, pertencentes respectivamente aos promotores citados. A união entre proprietários permitiu potenciar a escala do investimento/edifício. Habituados que estamos a circular no Porto, sentimos quase intuitivamente algo estranho na escala deste edifício. E que é precisamente a escala da sua fachada, pouco comum face à predominância no nosso Porto da construção em parcelas de frente estreita - resultado do “urbanismo” da idade média (as famosas frentes de 6/7 metros com que diariamente somos confrontados).

Esta longa fachada foi desenhada com uma clara expressão: há uma espécie de “pano perfurado com buracos de disposição regular” (janelas na parede) a pesar de forma leve (como que “a levitar”) sobre um embasamento com uma expressão contínua e diferente. A base é escura, a parede perfurada é clara. A base tem janelas contínua, a parede perfurada tem um mix de grade de ripas verticais + fibrocimento ondulado e pintado escuro + pilares de pedra polida negra aparentes e semi-destacados. A expressão da parede perfurada é enriquecida pelo desenho de cada janela com um beirado saliente em betão que destaca cada vão, reforça o efeito “buraco talhado na parede”, confere expressão e dignidade a cada vão através deste caixilho extra… (“não serve para nada”, diriam alguns, pois serve para isso mesmo: para a expressão…).

Não se vê da rua o facto de ter três caixas de escadas / quatro fiadas de habitações, quando normalmente a poupança/especulação “determina” a redução de acessos verticais ao mínimo de 1 caixa por cada esquerdo-direito, que neste caso seriam 2 caixas de escadas / 4 habitações esq.-dir.… Mas o edifício possui antes uma caixa central para 8 habitações de pequena dimensão e cada ponta do edifício possui, “na ponta”, outra caixa que serve cada uma 4 habitações de tamanho maior (“familiar”)… Aparentemente terá havido (digo eu, tal como no edifício DKW da Rua de Sá da Bandeira) uma preocupação (nova na altura) em tentar inovar ao nível do tipo de habitar urbano a propor… Neste caso, propõe-se um mix de habitações para pequenas e grandes famílias ou “bolsos maiores / bolsos menores”… E também não se vê da rua, mas “a” sala e os quartos voltados para Norte / Rua da Constituição têm a “inovação” de se poderem fundir ou separar conforme se queira abrir ou fechar as grandes portas de correr que os separam ou unem conforme a necessidade do momento: sala enorme com duas zonas ou sala mais pequena com quarto, ou sala + escritório, bastando para tal fechar ou abrir o vão corrido… Hoje não é original, mas à altura era. Ontem ou hoje, esta versatilidade no “habitar” é sempre inteligente de qualquer forma.

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