2006-10-08

De: TeoDias - "Ser peão na Baixa do Porto"

Submetido por taf em Terça, 2006-10-10 15:53

Praça de Carlos Alberto

Das dificuldades de ser peão na "Baixa do Porto": último Sábado, muito perto das 13 horas, praça Carlos Alberto, talvez para ilustrar o que foi publicado aqui.

Abraço

De: TeoDias - "Café S. Paulo"

Submetido por taf em Terça, 2006-10-10 15:46

Talvez muitos portuenses desconheçam que existia um painel (anos 60?) no interior deste café, fechado desde o mês de Agosto.

Deixo duas pequenas perguntas:

1. Alguém me poderá informar quem é o autor do painel?

2. Dos múltiplos painéis, frescos e outras decorações de lojas e cafés da cidade existe algum inventário? Existe alguma preocupação dos portuenses ou de entidades oficiais para a preservação dos mesmos?

Depois do que aconteceu com o fresco do Júlio Pomar no "cinema Batalha" - destruído, depois do que aconteceu a um dos frescos do Abel Salazar - longe da vista do público e inacessível, continuo a pensar que não conseguimos ou não sabemos conservar traços marcantes da nossa memória colectiva.

Abraço.
TeoDias
Ruas do Porto

PS: Eléctricos franceses - Tour de France en tramway

Metro na Boavista

Boa tarde

Sou dos que acho, e já o disse pessoalmente ao Dr. Rui Rio e também já me manifestei no Fórum PNED, que o Metro na Avenida da Boavista é um “desastre” e que deveria ser prevista a alternativa via final da Avenida da Boavista / Campo da Ervilha / Universidade Católica / Bairros Sociais na zona da Pasteleira / Faculdades no Campo Alegre.

Sou dos que concordo globalmente com a actuação deste Presidente em quem votei. Acho que nas polémicas que por vezes tem com a Comunicação Social ele próprio tem razão.

Mas dá “um tiro no pé”, quando deixa publicar na sua revista uma montagem do Metro na Avenida da Boavista na parte fronteira ao Parque da Cidade.

Seria intelectualmente muito mais honesto obrigar os seus serviços a que essa montagem fosse feita usando qualquer uma das zonas que começa na Avenida frente à Avenida do Dr. Antunes Guimarães até à rotunda da Boavista, por exemplo, no Pinheiro Manso frente à Cufra, usando a real situação do que vai acontecer, se for avante o projecto. E nunca numa zona potencialmente sem problemas de espaço e de circulação.

Pessoalmente por mim instado em público em período eleitoral sobre essa situação, aquando da publicação de uma outra fotografia idêntica, respondeu-me cordialmente alto e bom som que isso era um problema dos técnicos. Mas ele é o “chefe dos técnicos”…

Cumprimentos
Jorge de Oliveira e Sousa

De: Cristina Santos - "Rua das Flores"

Submetido por taf em Terça, 2006-10-10 15:05

Caro David Afonso

Antes de mais os meus parabéns pela iniciativa, terei todo o gosto em visitá-los durante esta semana. Mas escrevo para reforçar a ideia do crescimento do movimento humano na Rua das Flores. Fui lá na semana passada e sugiro a todos os portuenses que façam o mesmo, e recuperem a auto-estima e o carinho pela nossa Cidade.

A Rua da Flores parece uma aguarela colorida, há jovens, há turistas, há movimento e acima de tudo há alento. Procurei um sítio para almoçar e reparei que a maioria deles está conservada, com cores vivas e com amplitude, nota-se que as obras de restauro não têm qualquer perícia e as esquadrias não encaixam, mas até esse amadorismo cai bem, porque há cor, há limpeza, há alegria, há vontade para conservar. Escolhi um tasquinho com paredes amarelo torrado e vigas de madeira semi-encastradas no pladur, fui muito bem atendida por uma jovem dinâmica cheia de garra e gosto pelo seu trabalho. O espaço estava limpo, agradável. Os jovens turistas foram muito bem atendidos, ninguém lhe deu uma lista, foram-lhes sugeridos os pratos do dia, explicados com toda a paciência e no fim saíram bem servidos a um bom preço e com certeza vão voltar à cidade.

Na rua vi muitos senhores a trabalhar nas fachadas, com os seus rádios nas soleiras, empoleirados nas varandas, iam reparando, pintando calmamente as caixilharias, com cores fortes como eu gosto, e senti uma verdadeira vontade de viver ali, mesmo sem um bom jardim. Até as lojas de farrapos pareciam estabelecimentos bonitos, a rua estava limpa, muito movimento para cima e para baixo, estudantes, pessoas, famílias e miúdos atrás dos gatos.

Visitei uma papelaria já em Mouzinho da Silveira e também lá encontrei pessoas contentes com o seu trabalho, dispostas a mostrar-me tudo dentro da linha que eu estava a consultar, pessoas simples afectuosas, que nos representam muito bem, pessoas que não querem vender gato por lebre e procuram melhorar a sua oferta a cada observação que se faça ao produto.

Fiquei muito animada, tenho por certo que todos aqueles que estão agora a ver o panorama negro se sentiriam melhor se visitassem essa rua. No que a mim diz respeito, tenho a dizer-vos que é destes comerciantes que quero estar rodeada, é deste tipo de qualidade e vivência onde gostava de exercer a minha profissão. Na Boavista todos os comerciantes estão tristes, do meio da rua olho para a Praça da República e vejo a degradação a aproximar-se, sinto-a nos contactos, e também fico triste, é como se fosse uma bola de neve de sentimentos sociais contagiosos, e o pior é que este ambiente não é passageiro, tenho a certeza que veio para ficar.

Por isso, e chamem a isto demagogia, ou coisa naif como diz o Rui Valente, mas a Baixa do Porto é o único sítio ao momento capaz de oferecer um panorama social criativo e alternativo à vulgaridade e desmazelo do resto da cidade. É um verdadeiro exemplo, até as conversas são diferentes, interessantes porque anda por ali muita gente animada. Para além disso tenho que admitir que gosto sobretudo de ver os pedreiros nos alçados, de lápis na orelha, a tirar mestras a olho piscado, uma mão trincha outra na padieira, com boinas à Che Guevara, já não via isso há séculos, essa vontade de cada um fazer o que pode pela cidade.

Bem, mas não há nada como vocês próprios verificarem, acreditem vale a pena ir lá, a Rua das Flores dispõe de um vasto leque de entretenimento, qualidade e garra, que já se perdeu nas restantes ruas da cidade.

E, caro Tiago, a nossa próxima reunião tem que ser num desses tasquinhos da Rua das Flores.

Um abraço a todos.
Cristina Santos

De: Assunção Costa Lima - "Café S. Paulo"

Submetido por taf em Terça, 2006-10-10 14:32

Mais um “consagrado” que se vai. Fica a saudade. A saudade do cafezinho e da tertúlia ao domingo de manhã, nos finais dos anos 60 depois da sessão do Cineclube. Tantas vezes abrilhantada com uma sessão da Pide...

Café S. Paulo

Dizem-me que ali vai aparecer um balcão de um conhecido banco. A tertúlia agora será outra...

Assunção Costa-Lima

De: Alexandre Gomes - "O Bolhão"

Submetido por taf em Terça, 2006-10-10 09:12

Meus Caros,

Começo por me desculpar que este teclado não tem acentos. Já encomendei um aí de Portugal para corrigir esta falha.

Tive um arrepio agora mesmo ao ler o artigo na secção Grande Porto do JN a propósito da do mercado do Bolhão. Pelos vistos prepara-se outra Cordoaria. O dito mercado vai ser modernizado. Vai ter cobertura de aço e vidro. A fonte vai ser substituída por uma coisa mais moderna (uma esfera contemporânea). Numa das propostas os comerciantes vão para o andar de cima junto à e um supermercado abre em baixo. Um novo piso será acrescentado à superfície. Numa das propostas uma para habitação seria construída junto à fachada que dá para a Rua de Alexandre Braga…

Meus Deus.
Diga-me alguém, por favor, o edifício não tem qualquer classificação patrimonial? Nem digo se isto é desejável mas será possível?

Assim se continua a pasteurizar o conteúdo da nossa cidade, aquilo que nos distingue dos outros. Será que não se aprende nada com os erros recentes. Lembrem-se: Jardim da Cordoaria, Praça do Infante, Jardim da Avenida de Montevideu, Rotunda do Castelo do Queijo, Largo dos Poveiros, Praca da Batalha, Avenida dos Aliados, Avenida da Boavista,… Mercado do Bolhão.

Estou agora de volta à nossa Europa e tencionava disfrutar mais da nossa cidade.
Abraços,

Alexandre Borges Gomes
Bruxelas
--
Nota de TAF: já coloquei os acentos. :-) Já agora, mais notícias sobre o assunto:

- Amorim Imobiliária propõe escritórios e grande zona de lazer no Mercado do Bolhão
- Apresentadas as duas propostas de concessão do Bolhão

De: Tiago Cortez - "Que fazer com o edificado excedentário?"

Submetido por taf em Segunda, 2006-10-09 22:22

Bem, realmente temos até supostamente edifícios a mais. Eu ao referir uma densificação da zona central, refiro-me a "des-suburbanizar" ou seja consolidar a dita zona, captando pessoas de fora e reduzindo a população que vive em subúrbios. Diminuir a malha metropolitana rural em toda a região metropolitana, e aumentar a população efectivamente urbana! Quanto às casas existentes que ficariam vagas seriam demolidas caso não apresentassem valor patrimonial, libertando espaço para existirem grandes "pulmões" metropolitanos! Basicamente seria algo parecido ao caso de Barcelona com o seu Eixample (um caso fenomenal de bom urbanismo, e convém lembrar que a área urbana de Barcelona tem áreas com 15.000 a 20.000 habitantes/Km2; o Porto tem 5.000 hab./Km2 e é o conselho mais denso da cidade aglomeração).

Basicamente, só acho que se deveria concentrar mais pessoas na cidade central, tornando zonas suburbanizadas em verdadeiras zonas urbanas! Digamos que me refiro a uma troca!

De: JA Rio Fernandes - "Três erres"

Submetido por taf em Segunda, 2006-10-09 20:12

Entre reabilitar, renovar ou tudo querer restaurar, impõe-se encontrar um equilíbrio, marcado por algum bom-senso que só é possível com a humildade de todos (em especial de autarcas e criadores) e com abertura à crítica e à participação (sem autismos políticos, nem estrelatos extraterrestes de criativos, mas também sem lógicas de referendo ou de quem berra mais ganha).

A ideia que tenho é que, no fundamental, importa introduzir no urbanismo os princípios dos três erres.

Reduzir, no urbanismo, deve implicar responder à necessidade e interesse colectivo em reduzir a mancha urbanizada ou, pelo menos, em se ser muito mais selectivo no seu aumento, reduzindo a taxa de crescimento do urbano, em especial sobre espaços cujo valor é superior ao urbanizado, visto não apenas como legado, mas também como factor de qualidade de vida da actualidade.

Reciclar, implica admitir sem complexos que é indispensável que algum do urbanizado (construções, arruamentos, espaço livres) possa ser refeito, desaparecendo para dar lugar à contemporaneidade, até porque a cidade sempre foi feita de muitas épocas e o nosso tempo também deverá estar presente na cidade que deixamos a outras gerações: para o bem, como junto à Alfândega ou na Casa da Música, e para o mal, como na Cordoaria ou na Avenida dos Aliados (a apreciação será sempre subjectiva, esta é a minha e levava muitas páginas a explicar tudo porque acho as primeiras favoráveis e as segundas criminosas para a memória de outros tempos que a cidade deveria transportar no seu futuro).

Reutilizar será o mais interessante e o mais desafiador, sobretudo se quisermos ir além do simples restauro, mas reutilizar será também o mais difícil e cheio de riscos, seja porque penaliza proprietários, seja porque “turistificando” e “elitizando” lugares pode implicar a perda do espírito do lugar, transformando-se em meros espaços cujo valor deixa de estar associado à forma como são vividos e quase apenas ao granito ou colorido das fachadas.

Estes três erres deveriam ser pensados na metrópole (Porto, Matosinhos, Maia, Valongo, Gondomar e Vila Nova de Gaia), mas isso não implica que, na lamentável ausência dessa coordenação, Porto e Gaia cada um por si e um com o outro não se entendam no espaço ribeirinho e nas estratégias de reabilitação (com reciclagem e reutilização, sem esquecer outros re’s tão ou mais importantes, como a regeneração social e a revitalização económica). Mas será que ambos conhecem e discutiram entre si e com as pessoas os tão em voga “masterplans”, apontados como salvadores da pátria (leia-se centros históricos)?

Da mesma forma, não posso deixar de aproveitar para lembrar que admitir que o município do Porto é apenas uma parte de uma realidade urbana alargada a outros municípios, não pode fazer esquecer as responsabilidades de uns e as preocupações de muitos mais, em ver esta importante parte da metrópole a que chamamos cidade do Porto a afundar-se num progressivo despovoamento e envelhecimento e numa evidente perda de competitividade (seja lá que indicadores se considere…). É de mim, ou o Porto parece-se cada vez menos na sua dinâmica com Madrid, Barcelona, Valência e outras cidades de além-fronteiras e, pelo contrário, qual Coimbra ou Salamanca, está cada vez mais reduzida a estudantes e turistas? Sem desprimor, não me que seja este o modelo de cidade o mais interessante para o Porto, seja pensando apenas nos seus interesses, seja nos da metrópole e da região.

Rio Fernandes

De: David Afonso - "Inauguração na rua das Flores"

Submetido por taf em Segunda, 2006-10-09 19:56

Um exemplo (e apenas isso) do que se poderá fazer pela reabilitação da Baixa. Estas são imagens da inauguração da exposição POLLEN na rua das Flores, 61. Entre as 19:00 e as 23:00 deste último sábado recebemos a visita de cerca de 300 pessoas. Quem disse que a Baixa não tem futuro?

POLLEN

POLLEN

POLLEN

Entretanto, recordo que estaremos abertos ao público até ao dia 4 de Novembro e adoptámos um horário algo diferente do habitual: de 3ª a 6ª e Domingos abrimos logo pelas 13:00 horas (que almoçar pela Baixa sempre poderá por lá passar para tomar um café) e só encerraremos às 20:00 (depois de uma jornada de trabalho e antes de ir para casa...) e aos sábados abrimos logo a partir das 10:00.

David Afonso

De: TAF - "Um pouco atrasados..."

Submetido por taf em Segunda, 2006-10-09 19:44

... por causa de uma indisponibilidade temporária do servidor do blog e do mail, há pouco, aqui vão mais alguns apontadores.

- Domingo é dia de sacos amontoados na Baixa do Porto
- Câmara acusada de criar estratégia para privatizar limpeza urbana
- É o automóvel, estúpido!

De: Cristina Santos - "Efemérides"

Submetido por taf em Segunda, 2006-10-09 19:20

Portuenses

Faz hoje exactamente um ano que a Cidade elegeu o actual executivo com maioria absoluta.

O que mudou?

- Foram efectuadas/ terminadas obras de reparação e manutenção em 7 bairros sociais e consequentemente foi proposto o aumento de renda, conforme rendimento dos agregados familiares.
- Foi demolido mais 1 bloco dos 26 que faltavam demolir no Bairro São João de Deus.
- A Escola do Cerco foi reabilitada, a escola Irene Lisboa ganhou um pavilhão desportivo.

- Foram retomadas, com novo projecto, várias obras «abandonadas», o caso da Pedreira da Trindade, Santa Justa e recentemente Travessa de Salgueiros.
- Foram inviabilizadas as construções no Parque da Cidade.
- Foi protocolada a venda e concepção do Palácio das Cardosas.
- Foi aprovado o novo empreendimento Porto Plaza.
- Foi cedido o palácio do Freixo ao grupo Pestana.
- Foi lançado o concurso para a reabilitação do Mercado do Bolhão e Quinta do Covelo.

Os SMAS passaram a empresa municipal. O combate à fraude resultou em 2 condenações.

A Porto Vivo terminou a reabilitação do 1º prédio, elegeu mais 4 quarteirões de intervenção prioritária e já assinou contrato definitivo para a reabilitação do Quarteirão Carlos Alberto. Nasceu a loja de reabilitação urbana, que a não servir para grande coisa, ao menos ocupa a Viela dos Anjos.

Terminaram as obras na Avenida dos Aliados, e foram dados incentivos para a modernização das esplanadas.

O site da CMP atingiu o recorde máximo de visitas, com as quezilas entre JN e Câmara.

O que não mudou?
A situação com o JN; A capacidade de contestação da oposição; O Metro na Boavista.
--
Nota de TAF - sobre este assunto O Primeiro de Janeiro publicou hoje uma análise:

- Um ano de maioria absoluta
- Obra feita e obra por fazer
- “Há um vazio de ideias”
- Projectos com futuro

De: F. Rocha Antunes - "Reabilitar é preciso no Grande Porto"

Submetido por taf em Segunda, 2006-10-09 12:51

Caros Tiagos

A ideia de reabilitar é importante mas não a única. Vale a pensa reabilitar sempre que fizer sentido, mas há muitas vezes em que isso não só não faz sentido como não é economicamente viável.

Nós somos uns exagerados, já se sabe, e achamos que tudo o que tem mais de 50 anos, na dúvida, é para reabilitar. E como as dúvidas são o modo de vida de muita gente, espera-se que, um dia, alguém diga se realmente se deve reabilitar ou não e até lá quem quiser que espere. Não nos importa nada que entretanto a cidade fique meia em ruínas, que se desertifique, que economicamente se afunde, porque, na dúvida, é melhor não deixar demolir.

Os que estiverem a achar que agora sou eu que estou a exagerar espreitem para este mapa (PDF 1,4MB) e depois digam-me se ainda acham exagero. Decidiu-se que metade do Porto é classificado, o que do ponto de vista patrimonial não podia estar mais correcto. O problema é que ninguém parou um segundo para medir as consequências disso nos próximos 20 anos. Seguramente que daqui a 200 anos toda a gente vai concordar que foi a decisão certa, mas ate lá como vivem os portuenses que têm casas ou negócios na zona?

As imposições de regras em nome do património são sempre justas para a colectividade e injustas para os directamente visados. E não há forma de não o serem. Mas para isso a comunidade deveria assumir as suas responsabilidades e criar condições para que os directamente atingidos pudessem sair da situação em que ficam. E isso já não é feito. Mais uma vez somos rápidos a definir aos outros o que é bom para todos mas à custa desses outros.

Nenhuma metrópole pode desenvolver-se sem mobilizar todas as suas energias de forma criativa. E isso implica que tem de existir espaço para reabilitar o que tem de ser reabilitado, de construir de novo onde fizer sentido, e tudo nas doses adequadas à vitalidade da economia metropolitana.

A afirmação da Junta Metropolitana do Porto é um primeiro passo, ainda muito tímido, para que o Noroeste seja definitivamente centrado na Invicta. Falta imensa coisa que está ao nosso alcance, como o fim das guerras de protagonismo na Universidade, a coordenação estratégica entre Gaia e os concelhos da margem direita do Douro, o aparecimento efectivo de uma Autoridade Metropolitana de Transportes que leve a concorrência do transporte urbano a Gondomar e aos restantes concelhos reféns de concessões vetustas, a afirmação do projecto intermunicipal da Circunvalação, o fecho do anel rodoviário exterior, a segunda fase do Metro do Porto sem linha da Boavista, a elaboração do plano de urbanização da Defense do Porto na zona industrial de Ramalde, a afirmação dos corredores ambientais como qualificador comum dos espaços urbanos das várias cidades que compõem o Centro, etc.

Não é por falta do que fazer que nos vamos aborrecer.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário
--
Nota de TAF: eu há pouco expliquei-me mal. Escrevi "reabilitação", quando devia ter escrito "renovação da Baixa", ou semelhante. Não queria defender a manutenção "fundamentalista" dos edifícios, concordo que por vezes a demolição poderá ser a melhor solução.

De: Tiago Cortez - "O Porto precisa de se afirmar!"

Submetido por taf em Segunda, 2006-10-09 11:19

Venho lançar um tema que provavelmente irá chocar algumas mentes menos abertas.

A questão, são antes duas:

- Partindo do princípio que a cidade real já é constituída pelos municípios do Porto, Gaia, Matosinhos, Maia e Gondomar, considero que a essa cidade (que terá talvez mais de um milhão de habitantes) deveria ter um modelo parecido ao de Paris em certos aspectos: o centro de maior vida cultural, comercial de produtos "especiais" que não sejam encontrados em qualquer centro comercial, e político-administrativo, deveria ser a zona abrangida pela baixa do Porto e o centro de Gaia, aproximadamente na zona delimitada pela VCI.

- Admitindo a AMP segundo os dados fornecidos por F. Rocha Antunes, a área metropolitana de 2.400.000 habitantes e a cidade de 1.000.000, deveria ter um local onde concentrar serviços e sedes empresariais, escritórios, etc. A área, na minha opinião, deveria ser a faixa menos urbanizada entre Leças (as duas) e Ermesinde, essa zona seria o correspondente portuense a "La Defense", sendo uma zona de frente urbana, não suburbanizada (o desenvolvimento urbano dar-se por suburbanização é o maior de todos os problemas do Porto a nível urbanístico). A zona teria de ter uma densidade muito mais elevada que a do resto da cidade de forma a não afastar as pessoas da malha urbana (com todas as vantagens que se podem tirar da situação), e aí poderiam surgir os primeiros verdadeiros arranha-céus do Porto (de 40 andares para cima; esta questão já se debate seriamente em Lisboa havendo propostas sérias e diversos artigos a discutir o assunto)*. Nessa zona de consolidação urbana as ruas e avenidas seriam largas, e deveriam ser criadas novas avenidas que formassem uma ligação mais sólida à demais cidade. Sendo essa área densa e ordenada, perderia as ainda observáveis características rurais e de subúrbio, e ganharia parques, novas oportunidades de negócio, uma melhor qualidade de vida (o trânsito por exemplo seria melhor distribuído pela cidade, e devido à densificação as pessoas teriam de percorrer menos tempo para chegar ao emprego), as condutas subterrâneas teriam mais facilidade de servir toda a população pois esta já não estaria tão dispersa (neste capítulo poupava-se muito dinheiro e o serviço ficava bem mais eficaz).

* Aconselho a pesquisa dos projectos para a Margueira em Almada; vejam os projectos de Graça Dias e de Pioz, e por fim o de Richard Rogers!

Esta cidade teria já capacidade para captar população da restante área metropolitana (a tal com 2.400.000), ganhando uma dimensão bastante apreciável e provavelmente bastante atractiva para investidores estrangeiros e nacionais, e quiçá tornando o Porto uma verdadeira alternativa a Lisboa, formando verdadeiramente um país bipolarizado (embora eu pense que outras cidades portuguesas deveriam também ter margem de manifestação), e tornando o Porto também a base de instalação de empresas que tenham como alvo o noroeste peninsular (o Porto seria como a capital de um "país" de 7/8 milhões de habitantes (como a Catalunha); e acabando de vez com a imagem de cidadezita de província de 225.000 habitantes, onde a par com prédios existem hortas, em vez de parques, uma cidade pouco atractiva, etc. (uns primos meus de Valência - terceira cidade espanhola: 700.000 hab. / 1.500.000 na área metropolitana - referiram que o Porto era uma pequena cidade como Valladolid).

Isto é uma solução possível a meu ver para resolver alguns problemas do Porto, gostaria de ler opiniões acerca dela, e só a dei porque vejo que o Porto vive como se fosse o que não é, puxando-se a si mesmo para trás, tentando ter o menos visibilidade possível em vez de fazer o oposto, fazendo com que apareçam comentários de galegos a dizer que Vigo tem mais que condições de ser a capital do Noroeste, embora tenham um peso demográfico 6 vezes menor (área de Vigo - 400.000 hab.; área do Porto-2.400.000).

Os meus cumprimentos e bem hajam!
--
Nota de TAF: a pergunta que eu faço é - por que razão havemos de apostar em construção nova, quando há tanta a necessitar urgentemente de reabilitação?

De: TAF - "O nosso espaço dominical no Público..."

Submetido por taf em Domingo, 2006-10-08 22:25

... hoje aqui.

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