2008-06-01
Após inúmeras injustiças praticadas diariamente contra a população nortenha, a decisão da UEFA acaba por ser apenas a gota de água que faz transbordar o copo. Ao que sabemos é uma decisão que é tomada após erros e má informação de uma administração central. Com base num processo iniciado e desenvolvido em factos e pessoas duvidosas. Não quero com isto desculpar ou retirar a devida culpa aos dirigentes portistas, mas como eles há muitos (que saem impunes e a rir sem qualquer mérito desportivo). Fosse outro clube a ter ocupado a 4ª posição da tabela e o desenrolar dos factos seria completamente diferente. Coisas do centralismo...
Assim, está na altura de dizer Basta! Nunca mais! De hoje em diante (podem chamar-me o que quiserem) NUNCA MAIS ficarei satisfeito quando os vermelhos de Lisboa ganharem um jogo, nem que seja contra o clube mais recôndito do Planeta. Após esta posição tendenciosa da federação, nem mesmo pela selecção portuguesa consigo sofrer. BASTA de discriminação! Até que haja mudanças políticas e transparência nacional, não me considero português mas sim NORTENHO.
Há apenas uma coisa que me deixará satisfeito nesta decisão europeia, o facto do Vitória de Guimarães se ter qualificado directamente para a Champions League. Prova em que os benfiquistas não conseguirão entrar, com toda a certeza. Haja fé e veremos os nortenhos a ter o melhor desempenho nacional na prova.
PS: desafiaria o presidente do FCPorto a manter a equipa actual (apenas deixaria sair o Quaresma, pois já lhe deve estar prometida a saida), a vencer o próximo campeonato não com 20 mas sim 40 pontos de avanço, a vencer todas as competições disputadas e ainda a procurar que os jogadores portugueses não joguem pela selecção.
... e o inacreditável e covarde ataque que a nossa região está a sofrer, fiquem com o fantástico "directors cut" do novo anúncio da Superbock, quase todo rodado na Baixa do Porto e nos seus bares mais "cool", cuja versão mais curta passa nos cinemas. É pena terem misturado umas chachadas na versão de televisão.
A Unicer ainda não deve ter mandado o marketing todo para a capital do império.
Caro TAF,
no que diz respeito à proposta ao Museu Soares dos Reis, infelizmente, já estamos habituados ao neutro. Uns dizem que é um museu conservador (?) outros que não... A verdade é que a cidade que não acolhe (e nem sequer analisa) as propostas dos seus cidadãos é uma cidade sem dinâmica estrutural capaz e suficiente; isto é ofensivo com o potencial que encontramos no Porto.
Agora que se volta a falar na Miguel Bombarda acredito que a intervenção pública da Câmara não tem seguido o rumo mais certo. Vejamos. A organização socioprofissional do espaço acontece e sempre aconteceu de modo muito espontâneo. Não imaginamos que no oitocentos alguma E.M. andasse a agrupar os Caldeireiros ali dos Lóios para baixo. As condições que a Câmara deve oferecer às Galerias Miguel Bombarda não devem ser mais do que as mínimas (salubridade, iluminação, qualidade do espaço público...) que são as que devem ser comuns a todas as zonas da cidade. É plausível que apoie (naquele modelo retalhista e de 'alfaiate' do CRUARB) as iniciativas, aceitemos que seja até uma garantia ou que funcione como um background; custa-me a crer que os 'dias 14' da PortoLazer e toda aquela dinâmica (?) tenham qualidades inerentes à originalidade, autenticidade... toda a PortoLazer está muito longe disso e a sua política, já percebemos, está muito mais ligada ao automóvel antigo, ao avião redbull, à festa da flor, à festa da Festival, à feira popular e aos pacotes que passeiam nos nichos dos mercados internacionais (e nacionais) kitsch (também fáceis de organizar) como o caso do Leonardo, do Dali, dos Keane, La Ferias... É o plasticPortoLazer.
Isto não é grave. Diversidade é a mais emergente característica do cosmopolitismo; e gente com capacidade e dinâmica cultural não falta nesta cidade. Aborrece-me um pouco é que a Câmara que é contra as 'elites' ou os 'intelectuais' venha deixar a sua marca do 'Lazer' na Cultura. As galerias no Porto sempre se dinamizaram, a cultura na nossa cidade tem vindo a dar provas nos últimos anos que é capaz de garantir qualidade e continuidade sem depender do modelo 'popularucho' da Câmara. E esperemos que por muitos anos assim continue...
Cumprimentos
Pedro Bragança
Na sequência da entrega à gestão privada de grande parte dos equipamentos públicos, o que parece ter virado 'moda' aqui na cidade do Porto, também o Mercado Ferreira Borges vai sofrer um profundo processo de reestruturação. Mas, e ao contrário do caso Bolhão, aqui as coisas parecem funcionar de maneira diferente: há uma empresa de renome na área em que gere o seu negócio, há um projecto de exploração muito claro e há, também, um projecto de arquitectura de um consolidado gabinete de arquitectura (que ainda recentemente ganhou o concurso para o Parque Mayer em Lisboa).
Por essas três razões o processo que envolve o Mercado Ferreira Borges é diferente dos outros casos que estão envoltos em polémica. Mesmo não concordando com a estratégia de dissolução do património público da cidade a programas privados (sem critérios) por parte da Câmara Municipal do Porto sou obrigado a admitir que este caso é diferente. Claro que, e outra vez, o processo foi pouco participado (apenas havia um concorrente) muito por culpa do próprio formato do concurso em 'triple-action': concessão, exploração e projecto de arquitectura. O que à partida limita bastante a possibilidade de encontrar outros parceiros para a gestão desse tipo de equipamentos. Mas a Câmara não quer 'parceiros', quer apenas 'clientes'. É o que acontece quando os critérios (e os programas políticos) são limitados.
Mas o Hard Club de certa forma deu uma lição de cultura, o que me leva a pensar que tudo o que eu disse agora mesmo relativamente aos concursos é 'treta'. Isto é, o problema não se resume apenas ao modelo adoptado pela CMP, mas o que este modelo torna muito claro é a ausência aguda de empresas criativas em Portugal, empresas modernas, que tenham uma visão alargada, europeia e urbana, que vejam a intervenção na cidade não apenas como negócio localizado, mas como oportunidade de investir 'criativamente' na cidade, de se exporem e contribuirem para a revitalização (e rejuvenescimento) de um pólo urbano, do centro histórico. E este parece-me ser o problema fulcral. Falta de visão e criatividade. Ao contrário de outros casos como têm sido o Bolhão e a Praça de Lisboa, as coisas estão (ou parecem estar) claras e bem definidas aqui no Ferreira Borges. Porque no caso Bolhão o que incomoda mesmo é essa sensação que aquilo que nos dizem não é bem aquilo que vai ser, aquilo que 'aparece' não é o que 'parece', não há uma proposta de e para cidade, há sim uma proposta (financeira) para a Câmara. E a conversa à volta do Bolhão escorrega sempre pelo campo cavernoso dos custos directos, e das rendas, e do financiamento, mas nunca se fala de cidade, de uma estratégia para a cidade. Se a Câmara procurasse tão afincadamente apoios e parcerias para o Bolhão como procura tão exaustivamente para organizar corridas de automóveis e voos de aviões, talvez a história pudesse ser outra.
Porque aquilo que faz confusão no projecto da TCN é essa indefinição das coisas, dos campos de acção, indefinição dos programas, indefinição da estratégia, indefinição do projecto de arquitectura. Não estamos a falar a um nível de execução e de ajustamento do projecto, mas sim ao nível global da pseudo-proposta. Tudo parece um jogo, uma espécie de 'monopólio', onde se discute tudo menos cidade, e o Bolhão também é cidade.
Voltando ao Mercado Ferreira Borges, o paradigma de exploração que o Hard Club apresenta, concordando-se ou não com a proposta, tem esse dom: é uma proposta. Sabemos o âmbito da exploração, da gestão, do tipo de público, do tipo de oferta, sabemos que (e pode-se ler no site) existe uma forte componente de relação com a cidade (existe inclusivamente já uma proposta de horários e de equipamentos que estão abertos à cidade), sabemos o que se muda no edifício, quais as alterações fundamentais que se vão realizar. E no final, há um projecto de arquitectura, feito por um gabinete de arquitectura de renome, os arquitectos lisboetas Aires Mateus. O que nos dá uma certa garantia que os problemas inerentes a uma transformação desse género foram e continuarão a ser equacionados dentro de um quadro de especialistas: que são os arquitectos. Há imagens, há descrições pormenorizadas, há um empenho criativo de intervenção quer por parte do Hard Club, quer por parte da dupla de arquitectos. Há, como já referi, um processo claro, de intenções objectivas, mas que não fica (e isso é o mais importante) limitado às paredes do mercado Ferreira Borges, mas que vai para além delas, vai ao encontro da cidade e de um contexto mais alargado. É um projecto iminentemente urbano e criativo. É o que esta cidade precisa, muito para além de contas complicadas, ou de grandes eventos, muito para além de charme, ou de muitos shoppings, precisa de soluções urbanas e criativas, que fujam dessa apatia criada pela crise económica que tem servido apenas para engatarmos de olhos fechados no discurso 'politico' da ausência de verbas e de financiamento. O regime é o da Tecnocracia. A crise é a crise da criatividade.
Com os melhores cumprimentos,
Pedro Bismarck [opozine]
Circuito . Cinema na Universidade
Tal como foi anunciado na sessão de dia 11 de Março, no Cinema Passos Manuel, a organização do Circuito apresentou dia 28 de Maio, na Faculdade de Economia da UP, o documento expositivo referente à impossibilidade de acesso ao Cinema anterior à década de 90, na cidade do Porto.
Com este documento pretende-se demonstrar o vazio na exibição de Cinema clássico, de grande valor histórico e artístico, na cidade do Porto; a assimetria existente, neste domínio, entre a cidade do Porto e a cidade de Lisboa, devido ao facto da Cinemateca Portuguesa aí estar sediada desde o seu nascimento; assim como as nocivas consequências que resultam da centralização do serviço desta instituição em Lisboa, fazendo-se estas sentir a nível social, cultural e também na própria criação cinematográfica.
Tentamos evidenciar, com este documento, a existência de uma intensa necessidade, e correlativa urgência, que a Cinemateca Portuguesa se torne efectivamente mais portuguesa, estendendo o seu serviço ao Porto, por intermédio da abertura de um pólo da instituição na cidade. O documento será, no final do mês de Junho, enviado ao Ministério da Cultura e à Cinemateca Portuguesa, sendo acompanhado de um abaixo-assinado a favor da abertura de um pólo desta instituição pública na cidade do Porto.
As assinaturas para o abaixo-assinado estão já a ser recolhidas junto das várias centenas de pessoas que participaram, nos últimos três meses, nas nossas sessões, estando também disponível em formato online, através deste endereço.
A Organização do Circuito
O Público noticia que o ministro Mário Lino, em entrevista à Reuters, anunciou que o Governo vai privatizar 60% da ANA. A notícia não é esclarecedora quanto ao futuro do Aeroporto Sá Carneiro. Mas desconfia-se que não haverá qualquer tratamento diferenciado, o Governo vai fazer ouvidos moucos, e hipocritamente nem sequer dará continuidade à resposta ao desafio lançado pelo próprio 1º ministro para que a região apresentasse interessados em gerir de modo autónomo o ASC – o que ela fez.
Caso este cenário se venha a confirmar terá chegado a hora de se julgar a coerência e consequência de políticos como Rui Rio e toda a Junta Metropolitana do Porto, assim como para avaliar se a cidade e a região ainda são capazes de ter uma réstia de dignidade, ou se as suas elites e povo se deixarão ficar na apatia e cobardia que nos tem caracterizado nos últimos tempos.
... Na Filipa de Vilhena. Sublinho o desafio que também eles fizeram ao Museu Soares dos Reis. Espero que tenham mais sorte do que eu...
PS - sugestão ao Jornal de Notícias, que hoje está de parabéns pelos seus 120 anos, no âmbito da atenção que dá aos assuntos locais: entrevistar os responsáveis do museu e perguntar-lhes por que razão não há mais colaboração com as iniciativas que se passam à sua volta. E depois publicar a resposta com o enquadramento adequado. ;-)
... a estas "sumidades" que não estão a ver o verdadeiro problema?
Que o apoio a este tipo de negócios exige actuação local de financiadores que sabem o que estão a fazer (são quase inexistentes em Portugal), ou alternativamente "tempo de antena" junto de investidores especializados que actuam no estrangeiro (o que é extraordinariamente difícil de conseguir)?
O PSD saiu em socorro do PS elegendo a Dr.ª Manuela F. Leite para solidificar a estratégia que partilham, que visa sobretudo manter o panorama inalterável. Em vez de um vamos ter dois a dizer que os impostos são os mesmos que os da Europa. Vão unir-se para nos mentalizar de que na França os impostos aumentaram depois do TGV, ligações marítimas e de outros factores de desenvolvimento, que nós ainda não temos, mas devemos pagar já, para não sermos apanhados de surpresa, porque os portugueses estão sempre a ser apanhados de surpresa, e isso é mau, o Governo quer-nos poupar.
Vão dizer-nos que a Espanha não aumentou impostos antes de apanhar o desenvolvimento da Europa, mas não foi por uma questão de estratégia, foi uma questão de atraso já que mal tenha o TGV em pleno funcionamento, as empresas com a tecnologia necessárias, os acessos marítimos, também aumentará os impostos, e aí nós seremos obrigados a dar razão ao nosso Governo que se antecipou 7 anos, porque é um grande iluminado. E daqui a uns anos custará tanto produzir uma camisa na Espanha como em Portugal, agora custa menos 40% lá, mas os espanhóis nunca tiveram indicadores fiáveis.
E, nós todos juntos, militando pelas causas destes dois partidos unidos, vamos finalmente conseguir entender que o nosso Estado consegue custar tanto como um Estado europeu, para fazer metade das coisas, e que por isso é compreensível que não hajam partidos que se oponham uns ao outros, que é preferível para eles fazerem tratados e pactos de silêncio.
Também será completamente claro e aceitável para nós que nesses pactos não entrem políticos do Norte, que é para não alargar os ciclos e as despesas. Vamos de certeza aceitar que os que por lapso lá entrem, lhes afixem nas portas os dizeres: «À terra onde fores ter, melhor faças o que vês fazer», porque é tudo uma questão de economia, é claro e transparente que é melhor assim do que eventualmente regionalizar.
São dois partidos a dizer o mesmo, dois, não há nada para duvidar, encontramos finalmente o rumo de ficar sem os últimos cêntimos que nos restam no bolso. Regionalizar para quê? Estamos tão bem assim, com este Governo unido, que agora parece tão concordante em relação aos resultados das suas próprias políticas dos últimos anos. E que políticas, meus amigos, que excelentes politicas, «tão vastas e magníficas que toda a força se esgota em as observar» …
Cristina Santos
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Nota de TAF: temos agora um "neo-regionalista"...
- Rui Rio apresenta ciclo de conferências sobre a Regionalização
- Rui Rio lança no Porto debate sobre regionalização
Que me perdoem os muitos e qualificados opinadores da Baixa, sem qualquer desconsideração, o comentário da Teresa Stillson é dos mais conscientes, curtos, precisos e concisos que pude ler aqui e em qualquer outro sítio. Sem tirar nem pôr. Parabéns "Lady" Stillson!
Rui Valente
Ponto prévio. Desculpe-me o TAF mas uma das coisas com que eu, participante recente mas leitora de longa data não me conformo, é com a recente PPDização do debate no blogue. OK, houve “primárias” no PSD, MFL e a máquina do partido ganharam, PPC perdeu e “aprendeu” e SL faz “birra”, como de costume, prometendo vingança. Desculpem, havia mais alguém? Ponto.
Vamos então falar do que interessa. Reduzir e harmonizar os impostos?
A massa tributária interessa ao país para cobrir duas vertentes: o investimento e a despesa pública. Quando não cobre, diz-se que há deficit orçamental. É isto que se passa em muitos países em maior ou menor escala e que se tem vindo a passar em Portugal há muitos, muitos anos! Desculpem-me o tom um pouco escolar mas acho que quando se começa a elaborar demais perde-se objectividade. Assim, só se pode melhorar esta razão de duas formas: reduzindo a despesa ou aumentando a massa tributária. Ou então, vende-se património, créditos e outros “anéis de família”.
Reduzir a despesa – constituída, fundamentalmente, pelos encargos com a função pública – é muito difícil, principalmente porque, não obstante múltiplos e variados esforços feitos pelos diversos governos, não é simples parar um elefante em movimento. Por outro lado, não se pode reduzir o investimento público (que já é baixo) sob pena de parar a economia e conduzir a uma ainda menor recolha tributária.
Por outro lado, aumentar a massa tributária, só se consegue de duas formas: aumentando os impostos – o que se faz para obter resultados rápidos como com os recentes aumentos do IVA – ou aumentando o rendimento colectável, isto é, o valor sobre qual incidem os impostos e que mede a produção nacional, vulgo, o PIB.
Ora, aqui reside o principal problema português como já referi atrás. Há 30 anos que nada fazemos para aumentar a produtividade do país. Cada vez “mais” produzimos “menos”. E porquê? Porque NÃO SABEMOS, não fomos assim educados, faltam-nos (lá vem ela outra vez) COMPETÊNCIAS profissionais e técnicas. O dinheiro estrangeiro foi desbaratado sem criar infraestruturas de formação e um sistema de ensino direccionado para a valorização das pessoas e para a produção de riqueza.
Os princípios da competitividade, qualidade técnica, rigor de gestão, consciência social, cidadania, sustentabilidade, tão caros aos desenvolvidos e cada vez mais longínquos países do norte, nunca nos foram “ensinados”. Poupar, reciclar, rentabilizar a produção, canalizar o rendimento para investir novamente na formação e na produção são expressões que só muito recentemente começam a fazer parte do nosso léxico. E, pasme-se, isto começa em quem governou, governa e governará, infelizmente. Porque, também eles foram assim criados e educados! Temos um país sem formação e sem competências. As pessoas não são “EDUCADAS” no sentido mais lato da palavra. É como a criança que nunca aprendeu a andar de bicicleta porque sempre usou as “rodinhas”. Sempre no seu equilíbrio artificial e precário lá foi andando, Quando lhas tiraram, foi o caos. Começou a ficar para trás, a cair, a esmurrar-se, enquanto o vizinho já participa na “Volta à França”.
Reivindicação “à Portuguesa”: - O governo deve dar-me novamente as rodinhas! É a sua obrigação! É que aprender a andar dá trabalho e eu já não tenho idade para isso! Pior do que isso: - Porque é que o meu filho há-de aprender a andar de bicicleta, se pode ficar com as minhas rodinhas?
Pior ainda: Manuela Ferreira Leite defende, em véspera de eleições, que as bicicletas com rodinhas passem a ser aceites na Volta a Portugal. Pedro Passos Coelho propõe que a compra de rodinhas (fabricadas na China), passe ser subsidiada. Santana Lopes gosta mais de wrestling. Patinha Antão nem sabe andar de bicicleta (com ou sem rodinhas).
Finalmente, a cereja do bolo: Sócrates decide. Saber andar de bicicleta com rodinhas passa a dar equivalência ao 12º ano. Sem elas, à licenciatura! Mas, como licenciado só anda de carro, para que é preciso saber andar de bicicleta? O que é preciso é baixar os combustíveis.
Entretanto, em Espanha toda a gente sabe andar de bicicleta e na Noruega até a pé se vai mais rápido!
… To be continued …
Teresa Stillson
Julgo que Pedro Passos Coelho não venceu por dois erros básicos que eu aqui e aqui referi. Perdeu os votos dos militantes mais regionalistas, para Santana Lopes, por não ter tido a coragem de assumir uma posição clara quanto ao seu posicionamento neste importante tema; perdeu também votos, desta vez para Ferreira Leite, por ter tido a falta de discernimento de alinhar numa posição demagógica e populista advogando a descida do ISP para agradar aos militantes de classe média para quem o automóvel começa a deixar de ser um objecto de status e prazer para ser um fardo cada vez mais difícil de suportar.
Os resultados não muito diferentes dos 3 candidatos principais era previsível. O PSD já não existe na realidade. São pelo menos 3 partidos distintos: o conservador, estatista e centralista; o popular, ou ‘populista’, como muitos preferem dizer, e mais autárquico; um vagamente e ainda incipiente partido liberal. Enquanto der acesso a alguns lugares de poder vai sobrevivendo. Quando estes começarem e escassear drasticamente e as expectativas de voltar a dominar a máquina estatal se desvanecerem de vez, implode. O que seria deveras clarificador do espectro político.
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Nota de TAF: Caro A.A., a sua análise parte de um pressuposto a meu ver errado: o de que PPC teria defendido posições em função do que ele pensaria ser a respectiva popularidade, e não como resultado das suas convicções (certas ou erradas).

Um conceito do mestre Fernando Távora é, normalmente, um excelente conceito.
Diria que é um elemento charneira no modo de pensar o espaço físico da cidade do Porto, no século XX.
De modo a tornar a discussão sobre os preços um pouco mais informada, envio um muito interessante ficheiro do ministério espanhol da Indústria, Turismo e Comércio sobre a evolução dos preços de Gasóleo e Gasolina. Aqui pode-se encontrar os preços por países da UE com e sem Imposto.
Como se pode ver, o preço sem impostos é apenas marginalmente acima da media da zona euro tanto para a gasolina como para o gasóleo. Já no que se refere a preços com impostos, é apenas marginalmente acima da zona euro para a gasolina e um pouco abaixo no gasóleo, o mais utilizado em Portugal e de longe o mais importante para a indústria do transporte. Quanto ao preço sem impostos, sei que a diferença de poder de compra podia levar a considerar o preço "relativamente" mais elevado que nos outros países da zona euro, no entanto, e considerando que os dois carburantes são bens transaccionáveis, não haveria qualquer lógica económica para vendê-los mais barato em Portugal, já que aí compensaria ir vender esse mesmo produto aos outros mercados, inclusivamente a Espanha, onde o preço antes de impostos é maior!
Quanto à proposta de reduzir os impostos, pergunto-me onde se iria buscar a receita e/ou em que despesas se iam cortar para manter as contas equilibradas, já que aparentemente não se pode despedir ninguém da função pública, todos querem mais subsídios, ninguém quer menos serviços do Estado (seja em saúde, educação, justiça, segurança, etc.)... Ainda que eu seja a favor de menos serviços do Estado, do despedimento de pessoas na função pública e da redução de alguns dos subsídios, reconheço que tal não é politicamente viável na actual conjuntura de crise...
Deixo ainda o link para dois excelentes artigos publicados esta semana na The Economist sobre isto:
- Recoil
- Picking fights
Aqui não só se acaba com o mito dos preços mais elevados devido à especulação como se mostra o efeito negativo de uma possível baixa de impostos...
Cumprimentos,
Frederico Torre


