2008-05-11
1. Irene Vilar - Não me recordo de ter encontrado a senhora, só me recordo de ter encontrado as suas obras ao calcorrear as ruas, a olhar para as coisas que muitas vezes se ignoram. Nestes meus passeios pelas "ruas de minha terra" por vezes tenho vontade de mostrar outros ângulos que os "automobilizados" nem se apercebem. Como ali na Rua de Sobreiras. Vamos parar o veículo para afagar uma estátua? Vamos procurar uma tímida assinatura algures bem disfarçada? O Porto perdeu uma portuense, a arte perdeu uma artista.
2. O turismo no Porto e o Mercado do Bolhão:
Como por acaso, descobri há menos de 24 horas, esta página da responsabilidade da AUTARQUIA - ver mais abaixo... -sublinhado meu - foi assim que descobri que existia uma saída para a Rua de Santa Catarina! Oh espanto, será que existe uma saída, um recanto em Sto. Ildefonso que me foi escondido durante quarenta e muitos anos? Ou será que as pessoas que escrevem no Porto Turismo não conhecem nem o nome das ruas nem a cidade?

Melhor do que esta "cavalada" só a do senhor Luíz Carvalho na "Única" do passado dia 19 de Abril - foi o autor das fotografias e do TEXTO - embora nas ditas fotografias estejam representadas tanto a "Pérola do Bolhão" como a "Confeitaria do Bolhão" ele continua a insistir em escrever BULHÃO! Que eu saiba o dito Mercado tem a ver com gastronomia, cada vez menos, mas nada tem a ver com o "Pato".
De forma generalizada, os portugueses vêem o futebol e a política como uma espécie de família, onde não se avaliam os resultados mas sim os laços, a fidelidade, a camisola. No futebol não é grave, na política o clubismo destrói o estado de direito que assegura a Democracia.
É corrente ouvir pessoas afirmarem que são socialistas há 20 anos, ou que são sociais-democratas, ou comunistas desde que se conhecem. Para os adeptos dos clubes partidários, os «seus clubes» não são corruptos, não estão a prejudicar o país mesmo quando a situação é evidente e inegável. Pois a culpa de muita coisa que acontece ao Norte é cegueira partidária, se não fosse isso há muito que as coisas tinham mudado.
Doeu no peito a todos os portuenses a decisão da Liga, mas talvez isto sirva para aqueles que cegamente e só porque desde Abril votam PS ou PSD, compreendam que muitas vezes quem está à frente da camisola que defendemos não partilha minimamente dos interesses do grupo, ou que nós já não fazemos parte do grupo de interesses. Talvez isto sirva para que os cegos partidários afiram que quando há sintomas de que algo vai mal é preciso desconfiar e pôr rédeas, antes que aconteça ao Norte todo o que aconteceu ao Boavista, ao Salgueiros. Não é preciso muito, é só deixar de ser fanático e avaliar as situações com racionalidade, se o partido fosse uma família, nós não os colocávamos em tão altos cargos, para altos cargos exige-se competência e não sentimentalismo.
Enquanto formos votar pelo clube que já era o clube dos nossos pais, enquanto aplaudirmos os líderes do nosso clube pela camisola que vestem, enquanto mantivermos esta postura de fidelidade e disponibilidade, Portugal não avança. Portugal já não é uma unidade familiar gerida a pulso, com escolinhas brancas e meninos fardados, é um país Europeu que necessita de pessoas racionais capazes de decidir por si só e não de acordo com clubes, com grupos, todos dentro de camionetas a afoutar aquilo que não conhecem. Grupos, clubes, isso acabou, agora o que conta é o pensamento e a decisão de cada um e essa deve prevalecer sobre qualquer partido.
Cristina Santos
Tal como António Alves relata, também eu tenho vindo a assistir, dia após dia, a uma clara discriminação, por parte da comunicação social, de todo o país (principalmente o Norte e não só o Porto) em benefício da capital. Situações como as do "super pai" ou da "floribela", dos gato ou do "velho" Herman José, passam diariamente nos serviços informativos. Ora pela imagem, ora pelo alinhamento, ora pela intervenção do(a) pivot,... Um grande exemplo disso foi não só a pouca vontade de realizar um Prós e Contras no Porto (sobre regionalização, com Rui Moreira, Belmiro de Azevedo,...), como a má postura (para não falar em arrogância, desdém ou até má educação da apresentadora, Fátima Campos Ferreira, que por acaso é nascida e criada na Maia). Mesmo a pouca informação que era veiculada a partir do Norte foi parcialmente deslocada para Lisboa, com a partição das emissões da RTPN.
A acrescer a esta discriminação informativa e social, temos a desigualdade de tratamento político. Com aeroportos faraónicos para uns e portagens para outros. Com procura de investimento em determinadas regiões e o encerramento de algumas noutras, além dos obstáculos que se criam e a falta de apoios existente quando se tenta investir fora do "círculo central". Já não chegava tudo isto e ainda temos uma justiça, desportiva, parcial, com decisões preconcebidas e que utiliza a comunicação social como veículo informativo para as suas penas. Num processo nitidamente orquestrado, em que os maestros saem completamente impunes. É preciso vir "um louco de Lisboa" afirmar que não são só estes e que estes pagam pelo que todos fazem.
Por outro lado, e respondendo a Rui Valente, é pelo facto de sermos (no Norte) bons de bola (19 dos 32 clubes das ligas profissionais encontram-se entre Valença e Coimbra) e pelo facto de gostar de futebol que temo pela imagens que possa passar do Porto. Não é pelo facto de sermos os melhores, porque isso até um cego vê. É pelo combate de bastidores, tal cavalo de Tróia, que fazem ao nosso sucesso. Há dias li um comentário, num jornal inglês, à notícia da possibilidade do FCPorto perder 6 pontos por coação, no qual o autor ponha em questão o facto de o Man Utd ter sido eliminado devido a negligência do árbitro, uma vez que foi prejudicado numa decisão com influência no resultado (teve um golo anulado, o que permitira ao Man Utd continuar em prova). É desta imagem negra que falo, não a nível nacional. Pois a nível nacional já sabemos que somos os piores, os ladrões, corruptos, preguiçosos, …, mas no fim ganhamos as taças, mesmo construindo com os poucos tostões que nos dão.
No que ao futebol e política diz respeito, considero que os clubes (via presidentes) proferem afirmações políticas consoante a sua conveniência. Mas todo aquele que procure a política através do futebol é um completo desgraçado (como bom exemplo disso temos Gilberto Madaíl, que tentou passar para a política e não vingou, arrastando-se por isso anos a fio sem obra, sem reformas, sem melhoria da FPF).
É por gostar de futebol e sentir esta fobia ao Norte, que sei que em Guimarães no domingo foi uma noite histórica, com festa de pompa. Não que a TV tenha mostrado isso ao país, pois nessa altura era mais importante a despedida do imperador Rui Costa, do que festa pelos méritos desportivamente alcançados. Foi a união que levou o Vitória a esta festa e é a união que levará a que o Porto se mantenha como a Invicta e o Norte como o bastião de Portugal.
A "guerra Norte vs Sul" não foi criada por Pinto da Costa. Ele apenas vociferou. Curioso é que os nossos políticos pretendem implantar um país de uma cidade só, contudo e após ter passado por Lisboa, verifiquei que os produtos nacionais que os lisboetas têm para vender como nacionais são o Vinho do Porto. Ai tão bem que lhes saberia conseguir levar o estádio do Dragão e o FCPorto (e mais meia dúzia de equipas nortenhas) para Lisboa. Pelo menos ficariam com um campeão e um estádio bonito (dois ou três se também o Braga e o Vitória de Guimarães acompanhassem o FCPorto).
O futebol pode dar-nos exemplos para a vida. Organizado o FCPorto vence. Organizemo-nos para vencermos as adversidades e para levarmos a nossa cidade e a nossa região aonde elas merecem, independentemente das políticas centralistas vigentes. Uma vez mais deixo o apelo: dia 24 de Maio (sábado), pelas 17h, na Avenida dos Aliados vamos unir-nos contra as portagens em volta do Porto.
Com os melhores cumprimentos,
Vítor Pereira
Aproveito para, sob aquele título, responder aos caríssimos António Alves e Rui Valente.
O que escrevi aqui, procurou, tão-só, chamar a atenção para a excessiva dramatização que um facto normal, num país de direito, me pareceu provocar ao Vítor Pereira. Eu gosto e acompanho o desporto em geral e interesso-me, em particular, pelo futebol, incluindo a sua componente económica e social. Por ser assim, não posso, nem quero, confundir clubes com cidades. Por isso, entendo que Boavista e Futebol Clube do Porto, não são a cidade do Porto. Como Sporting e Benfica não são Lisboa. E os Vitórias não são Guimarães ou Setúbal. Nem o Leixões é Matosinhos.
Basta pensar na heterogeneidade da simpatia clubística, para concluir pelo enorme erro que seria uma atitude “xenófoba”. Em Lisboa existem simpatizantes de clubes externos à cidade. Tal como acontece no Porto. O respeito pelos cidadãos é mais geral e, por isso, mais importante do que o respeito pelos simpatizantes de um clube. Ou seja, o símbolo-guia nunca poderá ser um clube e os seus simpatizantes, mas sim uma cidade e os seus cidadãos. E isso só acontecerá se existir uma clara não subserviência ao mundo particular do futebol.
Por outro lado, não pertenço ao grupo dos que confundem o Norte com a cidade do Porto. Assusto-me sempre que numa – perdoem – manifestação de inferioridade se julga que o Norte poderá ser trucidado por Lisboa ou por um qualquer Governo. Tal só acontecerá se, em lugar da lucidez das propostas e da força reivindicativa das suas realizações, se tentar usar – erradamente, em minha opinião - o sentir clubista como a mola real da exigência de um tratamento condigno.
Cumprimentos
José Rocha
Ainda, e só, para fazer um breve comentário à conversa "inquietante" entre José Rocha e Vítor Pereira acerca dessa sempre-eterna sombra negra chamada futebol que parece seriamente envergonhar-nos a todos.
O António Alves já o explicou na perfeição, mas eu acrescentaria só mais um detalhe. Estes nossos dois amigos, ao que parece, não se interessam lá muito pela modalidade desportiva do futebol (e estão no seu pleno direito), mas eu aconselhá-los-ia, não a gostarem, mas a acompanharem mais atentamente o futebol. Exactamente para perceberem tudo aquilo que o António Alves aqui e aqui descreveu.
É que, se o tivessem feito, provavelmente seriam os senhores que hoje estariam a escrever este post e não eu, e já não se surpreenderiam com o que o António Alves nos disse. É que essas "minundências" também podem ser muito importantes na hora de ir a votos.
Rui Valente
CONVITE DO IPF-PORTO
No próximo dia 14 (Quarta-feira), pelas 21h30m horas, o profissional e formador do IPF, Cassiano Ferraz abordará no IPF do Porto (Rua da Vitória, 129 - Telefone 223326875), a "Fotografia de Moda". A entrada é livre. Teremos muito gosto na sua presença.
O IPF PEDE A SUA COLABORAÇÃO
A página Web do IPF (www.ipf.pt) tem um novo design. Pedimos-lhe que navegue por ele e que nos diga a sua opinião sobre o novo modelo, quanto ao seu aspecto visual, clareza, facilidade de acesso aos diversos itens, etc. Colabore, por favor, e aceite os nossos agradecimentos.
Há já vários anos atrás passava, salvo erro, na TVI uma série de produção portuguesa, daquelas ao estilo americano, sobre a vida quotidiana de uma família lisboeta. Chamava-se ‘O Super Pai’. O papel principal era protagonizado pelo actor Luís Esparteiro, que encarnava um pai divorciado com 3 filhas em casa, todas ainda crianças ou adolescentes. A série era interessante, despretensiosa e bem realizada. Sempre que os meus horários me permitiam não perdia um episódio.
Uma noite, num dos episódios a que assisti, o ‘super pai’, que também era empresário do sector têxtil, recebia na empresa dois empresários do norte com os quais contava fazer um bom negócio. Na empresa trabalhava também uma senhora de ar fino e sofisticado, sócia e namorada do empresário. No correr da acção os empresários do norte lá aparecem. Dois sujeitos de fato e gravata, cabelo empastado em brilhantina e uma carregada pronúncia tentando imitar a nortenha. As negociações lá começam e, às páginas tantas, um dos homens do norte protagoniza uma descarada cena de assédio sexual à senhora fina lisboeta. Claro que ela se queixa ao sócio e namorado, este acaba com o negócio e despede indignado os dois ‘abrilhantinados´.
Para mim foi um choque. A espúria e premeditada associação entre pessoas do Norte e comportamentos socialmente reprováveis era demasiado óbvia para passar desapercebida. Na época a guerra do futebol já corria há muito mas, tirando isso, nunca tinha imaginado que numa televisão nacional se pudesse, de modo tão execrável, insultar uma parte significativa da população do país.
Em tempos mais recentes também não faltam exemplos de coisas deste tipo. Passando pela ‘Floribela’, uma série supostamente para crianças, a quem tratavam por “estúpida tripeirinha”, o que é sempre uma boa maneira de ir ensinando preconceitos, até aos ‘Gato Fedorento’ que, seguindo uma velha tradição televisiva, sempre que pretendem caricaturar alguém tosco e rude metem-lhe pronúncia do norte ou alentejana se for alguém preguiçoso. Estes, que passam facilmente da piada fácil ao insulto mais asqueroso, têm um boneco em que pretendem representar o típico autarca corrupto. Obviamente que tem pronúncia do norte e aparece num estúdio de televisão com a imagem da cidade do Porto como cenário. Para ser verdadeiro, por tudo o que ficamos a saber nos últimos tempos, deveria ter a mais refinada pronúncia alfacinha e uma das pontes sobre o Tejo como pano de fundo. Mas a intenção – ser verdadeiro - não é essa claramente.
Isto tudo serve para dizer aos caros Vítor Pereira e José Rocha que a preocupação deles não se justifica: a portofobia já vem de longe, vai continuar, e este episódio do futebol não lhe acrescenta nada. Aliás, a portofobia foi mesmo promovida a ideologia de Estado como se pode constatar pelo desprezo com que este governo trata o projecto do metro do Porto, a iniquidade com que auxilia a recuperação urbanística lisboeta e praticamente ignora a do Porto, ou no modo como cobardemente se prepara para nos alienar o aeroporto aos interesses da sua megalomania. Quanto ao futebol: sentenças em que o mesmo órgão, cuja génese resulta duma eleição entre clubes e a sua constituição reflecte a correlação de forças em jogo, é simultaneamente investigador, instrutor do processo, acusador e juiz, e cujo presidente é arauto mediático – mas só depois do incontornável Correio da Manhã – da sua própria sentença, são mais medalhas de honra do que opróbrio. O campeonato que interessa é aquele que se disputa nos relvados europeus e não o medíocre torneio de classificação que por cá se disputa. Um dos clubes do Porto que está a pagar a ousadia de ser melhor que os outros há muito que age localmente e pensa globalmente. Está a anos-luz dos seus adversários internos, há muito que pertence a outro mundo e espera ansiosamente que se institua a verdadeira liga europeia para se libertar definitivamente da mesquinhez interna.
Está claramente na hora de dizer BASTA! A tudo isto. Caso contrário, o melhor é retirar a palavra INVICTA do Brasão desta Cidade antes que D. Pedro IV se revolva no túmulo.
Dia 24 de Maio às 17 horas vai realizar-se uma manifestação contra as portagens na Avenida dos Aliados. É também uma manifestação contra o tratamento desigual e a discriminação.
- CDU exige que Rio e Menezes ponham interesses da região acima dos desentendimentos pessoais
"Os vereadores comunistas anunciaram que irão propor nas próximas reuniões das câmaras de Gaia (segunda-feira) e do Porto (terça-feira) que seja agendado um encontro entre as duas autarquias para apreciar problemas conjuntos e estudar soluções."
Alerta lançado no "temível" JN, ou sinalização de um apontador já aqui indicado.
Já por lá passei. E a sensação é de agonia, repulsa. Às vezes apetece mesmo desatar ao estalo contra o descaramento,a verborreia, a cobardia e chico-espertice. A ignorância é extraordinária: o Dr.Rio não é de Esquerda, pois não apoia a criação; mas também não é de Direita, pois não dá prioridade à conservação - é tolo, pronto. E há quem ache isso popular, e goste de ver a marioneta a dançar - e, desta vez, não faço crítica à oposição que tentou travar o processo nos limites das possibilidades legais.
Não houve aqui, qualquer ingenuidade. A negociata foi deliberada. Ardemos todos nós, Portugueses, que perdemos a Jóia. Que credibilidade tem o esgotado Dr. Rio para privatizar o quê? Dalí, qual peneira, tapou o sol. As camélias murcharam. Foi o fim. Que defesa de que Norte podemos fazer assim?
Obrigado a todos pelo trabalho em relação ao debate sobre este Monumento Nacional incomparável; a pesquisa "retroactiva" no motor do "Baixa" traz dezenas de entradas com que os participantes deste fórum foram enriquecendo o elogio à obra de Nasoni e a crítica a este despudor. Que as leia o Sr. Presidente, se tiver tempo entre manobras de diversão (literais ou figuradas) e fugas em frente. E já agora, que não lhe entre nenhuma "pestana" para o olho. Literal, ou figurada.
Aqui ficam palavras ocas do Sr.Presidente. Leva-as o vento e esperemos que o "Estado Português" não se lembre de contrapor com este escândalo quando reivindicarmos qualquer uma das mil batalhas a travar pelo Norte...
"Naturalmente que é também desejável que o palácio constitua um pólo catalisador de actividades culturais e recreativas, aberto à população em geral, funcionando em clara sinergia com as instituições da cidade e capaz de se assumir como chamariz turístico"
"Por tudo isto, é de louvar a aquisição pelo Estado português do Palácio do Freixo e a sua posterior doação à Câmara Municipal do Porto (...)."
Dr. Rui Fernando da Silva Rio, Presidente da Câmara Municipal do Porto.
Nicolau Pais
