2008-01-13
Também gosto do dia das inaugurações em Miguel Bombarda e tenho-me tornado cliente habitual. Há, nas galerias, coisas de que gosto e outras de que gosto menos ou de que não gosto nada – como tudo na vida. Podia, é verdade, ver as exposições noutro dia qualquer, mais sossegado, mas agrada-me o passeio e animação da rua, a possibilidade de ir encontrando gente conhecida e de parar para conversar. Enfim: o ambiente cosmopolita que, de costume, não é muito fácil encontrar no Porto.
Não estou, porém, assim tão certo de que a Câmara do Porto tenha percebido o interesse da iniciativa. No passado sábado, por exemplo, houve uma altura em que quem passava diante do CCBombarda tinha que desviar-se do cimento fresco que um grupo de funcionários municipais estava a espalhar no passeio. Para quê? Para colocar uma daquelas placas de estacionamento privativo.
A cena era tão bizarra que parecia ter sido encenada de propósito e constituir uma espécie de happening em torno da temática do absurdo. Com esta malta das artes contemporâneas nunca se sabe... Mas depois lembrei-me que a notável autarquia não patrocina este tipo de manifestações culturais destinadas a meia dúzia de cidadãos ociosos.
Jorge Marmelo

» rua de miguel bombarda, sábado, 12 de janeiro às 19h. Dia de inaugurações.
Não tem de haver pretensiosismos nem pseudosismos! As inaugurações de Miguel Bombarda são uma excepção. É possível ser organizado em Portugal, sincronizar calendários, arranjar espaços, ter vontades comuns, ideias criativas. Mostra que quando somos mais e nos organizamos podemos ultrapassar os "curtos" objectivos "locais". Alcançar mais pessoas, outros mercados, adquirir novas parcerias. Tudo isso é possível. Até a CMP, à sua medida, percebeu o valor deste acontecimento. A Famous Grouse encarregou-se do catering e da sua auto-publicidade. Claro que é preciso sempre ceder em alguma coisa, e este é o jogo que importa discutir: como transformar este singular evento cada vez mais apetecível sem lhe retirar a dose de espontaneidade que o caracteriza? Como pode ser este um evento cada vez mais acessível a todos? Isto é, dar aos cidadãos a possibilidade de verem arte, sem no entanto o "banalizar"?
Nesta última "ronda de inaugurações" senti a fragilidade desse equilíbrio. A massificação traz sempre uma certa banalização. Por isso é preciso saber jogar, saber oferecer sem retirar aquilo que lhe aufere o interesse: o estarmos aqui juntos para termos a possibilidade de "ver" arte. O espectáculo são as inaugurações e não a artilharia pesada da Famous Grouse. A rua estava aliciante com as luzes coloridas, os spots publicitários da FG e a tradicional música de rua e o tempo até ajudou. Mas é preciso manter uma certa dose de "sense and sensibility". Senão corre-se o risco de "afeirar" e assustar os próprios galeristas e artistas. Não passar do oito ao oitenta.
O diálogo com o sponsor do evento é essencial. A Famous Grouse poderia tornar as suas "campanhas" publicitárias durante o evento um pouco mais aliciantes e criativas, porque não, ela própria, convidar artistas, promover concursos para as suas actividades. E tirar aqueles relógios ambulantes do Dalí. Se quer ser mecenas, então que seja. Mas atendendo ao panorama local é uma surpresa, é uma lufada de ar fresco, o Porto parece uma cidade! A última a perceber é sempre CMP, que ainda assim deixou ficar uns quantos buracos espalhados pela rua. Ainda se fossem o início das prometidas obras. De qualquer modo já ficaria contente se pelo menos a mantivessem limpa todos os dias.
*Pedro Bismarck [opozine - o manual de instruções para a cidade]
Nas palavras do Jornal de Negócios - Miguel Cadilhe afirmou à entrada para a Assembleia Geral do BCP que conseguiu alcançar todos os objectivos com a sua candidatura à liderança do BCP. “Há derrotas que são vitórias”, disse o ex-ministro das Finanças. Parabéns a ele e à sua equipa: tal como na OPA da Sonaecom sobre a PT (e muito haveria agora a acrescentar sobre o que sucedeu após essa operação), é muito mais que uma simples candidatura à liderança do BCP, é uma verdadeira missão onde estar lá e fazer valer os princípios que defendemos é por si só uma vitória.
E pegando também na indignação de Alexandre Rodrigues que compreendo perfeitamente (também fico assim, e portanto bem vindo a bordo), aqui está o exemplo do nosso empreendedorismo. Mas é preciso estar lá. Tentar. Fazer das fraquezas forças... e isto é também válido para a questão dos "Fenómenos de endividamento". Lamentarmos não ter acesso ao regime especial de sobre endividamento, porque não o atingimos, peço desculpa, mas como gestor prefiro estar do lado dos que não atingiram o seu limite. Compreendo a sua posição mas pelo menos na minha casa procede-se assim. É sempre melhor dever menos do que estar sob regime especial porque se deve demais. Aliás, de gestão todos percebemos um pouco, todos queremos aumentar o cash-flow do orçamento lá de casa.
Neste caso e em relação à gestão de Rui Rio, concordo plenamente com a Cristina, a política de Menezes proporciona um eleição e popularidade invejáveis, mas se nas políticas sufragadas não concordo com nenhum deles, sou obrigado a concordar com a gestão do primeiro, o contabilista como lhe chama.
João Carvalho e Costa
Olhem que coisa estonteante, como o Município do Porto apresenta margem de endividamento, o empréstimo que venha a obter para a realização de obras ao abrigo do Prohabita não poderá ser requerido ao abrigo da excepção prevista para estes empréstimos, e contará para margem de endividamento, ou seja, a poupança do nosso Município funcionou a nosso desfavor. Se tivéssemos esgotado a margem de endividamento podíamos gozar do regime excepcional, como não a esgotámos temos que a adensar com este empréstimo, e depois disso poderemos então requerer regime excepcional, isto se eventualmente necessitarmos de mais obras nos bairros sociais.
Melhor que isto só os 2 metros de linha de metropolitano em Lisboa, enquanto Gondomar continua sem previsão.
Sendo assim e como este Governo raramente recua, sugiro enquanto munícipe que se esgote a margem de endividamento com este investimento, que se angariem votos nos Bairros, e se viermos a necessitar de outros empréstimos, quem sabe até para pagar a fornecedores, que façamos como fez Lisboa, peçamos, que o Governo não há-de ter dualidade de critérios, com certeza que vai emprestar, com uma enorme satisfação, o dinheiro que venhamos a necessitar, mesmo que não tenhamos receitas que permitam pagar.
Claro está que assim cai por terra a imagem de Rui Rio, o grande contabilista, e fica Menezes quem nem assusta nem prende e qualquer dia capitula a tentar caminhar com sapatinhos italianos.
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Nota de TAF - escreve Victor Sousa:
«"devolver o amor próprio ao Metro de Lisboa" - Parece que este, comovido, já começou a chorar...»
Alexandre Rodrigues: Bem-vindo a bordo!
António Alves
- Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra (Porto) - «Pitbull??? - Terrier!!!»
- Câmaras para vigiar Ribeira começam a ser instaladas
- Metro não pode resolver tudo
- Vivem em tendas a uns metros do Comando da PSP
- Fim de ATL contestado
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- Tabaco: maioria dos patrões da noite admite reduzir pessoal
- Direcções municipais com certificados da qualidade
- Endividamento autárquico: Câmara do Porto penalizada por cumprir
- Ginásios poderão lucrar 50 milhões com IVA
- Graça Morais expõe na Galeria do Palácio
- Consequências que a escolha errada da Ota causou - Sugestão de Rui Rodrigues: "Envio artigo publicado no jornal Público de 14 de Janeiro de 2007. A escolha da localização errada, na Ota, bloqueou, assim, a definição de uma eficiente rede ferroviária que sirva o País, levando à perda de tempo e criando obstáculos à economia nacional."
Em León não deixei de reparar no sistema de recolha de resíduos no Centro Histórico. No princípio tinha alguma dúvida do que poderia ser, porque apesar de ter as cores do ecoponto, a sua forma é bastante diferente do que estamos habituados a ver. A verdade é que depois movida pela curiosidade encontrei na internet a empresa Envac. Valeu a pena a curiosidade porque encontrei o sistema que para mim foi uma novidade.

Trata-se de um sistema de recolha de resíduos automática pneumática estruturado sobre uma rede de tubagens subterrâneas. Basicamente os resíduos são depositados em pontos de recolha numa espécie de ecoponto. A evacuação é controlada de modo a que o resíduo seja recolhido separadamente e estes são aspirados através da rede de tubagens subterrâneas com uma velocidade aproximada de 70kms/hora. Através dos ventiladores os resíduos são encaminhados até a uma central, onde serão encaminhados para o contentor correspondente. O ar passa por uma filtragem antes de ser devolvido para o exterior.
As aplicações deste sistema vão desde as zonas residenciais, hospitais, Centros Históricos, Centros Urbanos novos, Aeroportos, Cozinhas Industriais, entre outros. León está com esse sistema desde final de 2001 e conta com 3,8kms de rede subterrânea. Em Outubro de 2006 alargou a sua quantidade de pontos de recolha para mais 240 pontos. Parece-me ser uma solução bastante interessante para um Centro Histórico que normalmente com vias muito estreitas existem as dificuldades de circulação dos camiões de recolha. O sistema já foi instalado na Espanha, na China, na Coreia, na Lituânia, na Noruega...PARA QUANDO EM PORTUGAL? OU ATÉ MESMO PARA O PORTO?
Ver também artigo.
Cumprimentos
Adriana Floret
adrianafloret @ adrianafloret.com
Ao ver o programa Prós e Contras confirmei o que há muito suspeitava. Portugal neste momento vai do Algarve a Leiria, com colónias acima do Mondego, Açores e Madeira. Do Governo, passando pela comunicação social, passando pelos técnicos que determinam as opções estratégicas (todos do IST), todo este grupo apenas se interessa por desenvolver e fomentar dinâmicas no "seu" Portugal, que não é o nosso. Se depois de a região a Norte do Mondego passar por uma crise gravíssima e mesmo assim o Governo central despreza e tantas vezes entrava qualquer tipo de reacção ou iniciativa, chegou o momento de colocarmos a questão:
Interessa-nos entregar a esta gente as decisões fundamentais, partilhar o nosso espaço, o nosso dinheiro e sobretudo o NOSSO FUTURO?
A pergunta é mais pertinente do que nunca, pois as opções estratégicas que estão a ser tomadas agora vão desequilibrar a balança ainda mais e tornar um deserto toda a região acima do Mondego. Convém não cair em ilusões, pois todos seremos ainda mais prejudicados, desde o jovem à procura do primeiro emprego que terá que se deslocar, até ao empresário que quer desenvolver a sua actividade e terá condicionalismos e constrangimentos que irão impedir o seu negócio de atingir o seu potencial (para os mais cépticos, recordar a OPA Sonae-PT e lembrar como estar longe do poder central e respectiva área de influência contraria qualquer critério económico).
Por isso, se se assumem como pessoas que querem viver, trabalhar e construir o futuro no vosso espaço vital, sem ter de ceder a imposições de terceiros, chegou o momento da escolha: ou congregamos esforços de uma forma organizada, visível e intensa, sob a forma de partido/movimento, ou definharemos envergonhadamente, transformando-nos numa caricatura triste e decadente.
Alexandre Rodrigues
- Um quarteirão de luxo onde a crise passa ao lado
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... vou estar pouco tempo online...
Mas que dilema! Duas opiniões que muito prezo em ler, desta vez em oposição. E agora, o que fazer?
O tema é a ligação Porto-Vigo a Alta Velocidade. (E não muito alta velocidade. Não sou especialista em transportes nem em ferrovias, a minha experiência é como utente. Vou dar o exemplo do aeroporto de Zurique. Este aeroporto fica a uns 10 minutos da estação central da cidade, e tem ligação por S-Bahn (o mais parecido com o nosso Metro). Ao mesmo tempo também tem ligação ferroviária, por lá passando as linhas Zurique-Munique, as linhas intercidades para Oeste e as regionais. O resultado é que em média há uma ligação entre o aeroporto e o centro da cidade a cada 7 minutos, umas mais rápidas que outras conforme o tipo de comboio. Só aqui a vantagem da ligação ferroviária "desviar" pelo aeroporto me parece óbvia. Para o utente, que fica bem servido, para o aeroporto, que fica mais acessível, e para as operadores de comboios, que ganham clientes. Aliás a ligação St. Gallen - Geneve serve os três principais aeroportos.
Assim, a ser criada uma linha entre Porto e Vigo faria todo o sentido que esta passasse pelo aeroporto. Ainda por cima não haveria desvio nem serpentear, e o custo seria até comportável, dado que o ASC até "fica a caminho" e utiliza parte de canal já pertencente à CP. Erro seria a meu ver criar uma linha e não incluir a paragem no ASC entre Porto e Braga, ou ligar Braga a Campanhã, e só depois ao aeroporto. O problema é que a ligação em Alta Velocidade entre Braga e Porto já existe, e pelo que entendo a vantagem da ligação em Alta Velocidade (e não TGV) e o motivo pelo que irá estar pronta antes do TGV Porto-Lisboa (caso não seja cancelado) ou mesmo TGV Madrid-Lisboa, é precisamente a utilização da ligação actual. Temo que por uma questão de custos a solução ideal seja preterida. Ficará a adaptação da ligação actual de Pendular Porto-Braga à linha Porto-Vigo mais cara ou mais barata que a alternativa pela linha Leixões-ASC-Trofa-Braga? Parece que a decisão irá passar por aí, para prejuízo do ASC.
Não creio que haja uma relação custo-benefício entre o número de turistas e a ligação ferroviária. É difícil de imaginar que os utilizadores low cost vindos do estrangeiro pesem a sua escolha pelo facto do aeroporto ter ou não ligação directa à rede ferroviária. Mas o contrário sim é que é verdade. A passagem da linha Porto-Vigo pelo aeroporto é que traria certamente passageiros adicionais... ao comboio. Ainda que em competição com os autocarros, seriam sempre passageiros a mais do que com a não passagem. E somando a isso a introdução de portagens entre Porto-Viana e o aumento do preço dos combustíveis, também não estou certo que a diferença de preços ficasse pelo factor quatro. Por outro lado, e dada a importância do transporte de carga na ligação Porto-Vigo em alta velocidade, a ligação ao aeroporto à rede europeia de alta velocidade seria muito interessante, com potenciais sinergias, ainda que admito não seria um factor decisivo.
Acho que me alonguei demasiado, mas fica a minha opinião. Eu gostaria imenso que a ligação Porto-Vigo passasse pelo ASC, mas temo que esta que para mim é a melhor opção só seja realidade se for mais barata que o custo da adaptação da existente ligação Porto-Braga às novas exigências.
Carlos Manta Oliveira
... aqui ficam apesar de tudo alguns apontadores.
- "Está tudo em aberto" quanto à Avenida Nun'Álvares
- Até tu, Unicer?
- Velhos prisioneiros dentro da própria casa
- Linha de metro de Gondomar ainda sem financiamento
- Gaia: Cinquenta milhões para novo hotel
Novas inaugurações em Miguel Bombarda - de 12 de Janeiro a 23 de Fevereiro de 2008.
De tudo o que vi - PARABÉNS TIAGO ALMEIDA!

Machines are ready: pintura
Local: Serpente - Galeria de Arte Contemporânea, Rua Miguel Bombarda 558
Horário: de Terça a Sábado das 15.00 às 19.00 horas
De tudo o que senti - UMA VERGONHA CÂMARA MUNICIPAL DO PORTO! Posso ser ignorante sobre o problema Miguel Bombarda, mas uma coisa questiono - será que Miguel Bombarda não deu já provas de perseverança que não dê direito ao efectivo arranjo urbanístico da rua, dos seus espaços, passeios, etc...?
Paulo Espinha
Já disse aqui que acho Rui Rio mais solto, mais flexível, mais aberto. Por isso, e porque até gosta de automóveis e de automobilismo, um dia destes ainda o vamos ver no Autódromo do Estoril a apoiar a equipa do Porto. Eu, pelo menos, tenho esperança!
Correia de Araújo
Afirmar que o custo duma viagem na futura Linha Porto-Vigo será 4 vezes superior a uma viagem de camioneta é um exagero propositado. Façamos um pequeno exercício de benchmarking. A CP, que já oferece na Linha do Norte um serviço em tudo semelhante ao que vai ser oferecido na futura via, cobra no alfapendular por uma viagem de ida e volta entre Coimbra e o Porto – sensivelmente a mesma distância do ASC a Vigo - 27€; apenas 1,42 vezes mais caro que o preço das camionetas, que cobram 19€ por uma viagem de ida e volta entre Vigo e o Aeroporto. Nada indica que a transportadora ferroviária – caso venha a ser ela a explorar este serviço -, que até já serve Braga com os CVE comummente conhecidos por alfapendular, venha a cobrar preços mais elevados. Note-se que a CP Longo Curso, unidade que gere os alfapendular, descontados os custos de operação e amortização do material circulante, dá lucro. É, infelizmente, a única unidade que o consegue, mas é um facto indesmentível.
A ligação ao ASC potencia também o tráfego oferecido pelas low cost e o mercado turístico das short brakes em toda a região. Este tipo de turistas poupam nas viagens para gastar nas estadias. Convencer um habitante da húmida Londres ou da sombria Liverpool a passar um fim de semana solarengo na vetusta Bracara Augusta, na bela Ponte de Lima, ou nas sólidas muralhas de Valença, ainda com um salto ao Gerês, é capaz de ser um negócio promissor. Se essas pessoas puderem chegar ao Sá Carneiro e aí apanhar descansadamente um comboio que os leve ao destino será uma mais valia. Os que se dirigem ao Porto utilizam, obviamente, o metro onde gastarão pouco mais de um €uro.
Quanto ao “véri tipicále” S. João de Deus: quem passa a bordo de um comboio na Linha de Leixões mal vislumbra o afamado bairro. Ele fica por trás duma alta trincheira. De qualquer maneira será uma boa oportunidade para arranjar urbanisticamente aquela zona. Além de que coisas como o S. João de Deus não são novidade nenhuma para, por exemplo, londrinos ou parisienses e portugueses.
As restantes questões julgo respondidas no meu trabalho e post anterior. Por aqui me fico porque não pretendo monopolizar este espaço com esta discussão. :-)
António Alves
Algumas respostas ao 1º post de Emídio Gardé:
1) A ligação ferroviária via metro serve os residentes na Área Metropolitana do Porto e os forasteiros que provenham do estrangeiro. Para quem pretenda utilizar o Aeroporto Sá Carneiro (ASC) e tenha origem nas regiões limite da sua área de influência não serve porque, como referi no meu trabalho, além do desconfortável transbordo, aumenta o tempo de viagem em 48 minutos para quem vem do Norte (Vigo e Braga) e em 34 minutos para quem vem do Sul (Coimbra, Aveiro e outras localidades). O ASC está bem servido no que concerne a acessibilidades rodoviárias mas mal servido no que respeita a acessibilidades ferroviárias de longo/médio curso. E estas no futuro, até pelos preços cada vez mais instáveis do petróleo, serão cada vez mais importantes. Levar o comboio ao ASC através da Linha de Leixões será vantajoso mesmo que a LVE Porto-Galiza não venha a ser construída: aumentará a competitividade do ASC a Sul, dando-lhe mais armas para concorrer com os outros aeroportos.
2) Claro que a Linha Porto Vigo é política. São todas. O objectivo político é promover o desenvolvimento das regiões. E esta linha será mesmo a única - tudo indica que o eixo Aveiro-Salamanca nunca será construído - que nos ligará dum modo mais eficiente à rede espanhola de “altas prestações”; e através dela à rede europeia de bitola standard, quando no futuro a migração acontecer (2020). Ter que descer para Sul 300 km até Lisboa, fazer mais 200 km para Leste e depois subir 500 km em direcção a Madrid não me parece uma opção muito inteligente. Será mais inteligente, mais rápido, e possivelmente mais barato, subir à Galiza e daí derivar para o importante centro logístico de Valladolid que, esse sim, nos liga à Europa. Muito mais importante que os passageiros são os canais de circulação de mercadorias. Para essas existe uma outra possibilidade que é utilizar a Linha do Douro.
