2007-12-30
Tive mais sorte, fui de metro, a viagem é sempre agradável embora confusa, já aprendi andar do Carolina para a Baixa e para o Campo 24 de Agosto, já tenho 6 andantes. O problema desta vez foi ter embarcado nos Aliados, como tive que mudar na Trindade quando percebi estava novamente no Bolhão, mas é rápido portanto é muito divertido.
Aliás, neste novo mundo em que as crianças são para lá de exigentes, a única coisa que apreciaram foi andar de metro e tirar uma foto com o Sapo, o resto, como diz o Manuel Leitão, é fraquinho, mas também é gratuito. Engraçado como gozaram a árvore, tanto ferro para tão poucas luzes, diziam enquanto eu tentava que esperassem 2 minutos ou 3 para aquilo se iluminar. O meu miúdo, que continua a achar que a Câmara é um monumento, lamentava que não estivesse iluminado, que não houvesse bancos, acho que confunde o Natal com o São João… Na roda, também gratuita, assustavam-se uns aos outros, «olha os parafusos, isto vai cair, não rodes, não rodes», no gelo desistiram ao fim de 2 voltas, havia muitas pessoas sem patins no interior, mesmo que quisessem não se podiam agarrar.
Enfim, crianças da nova geração, demasiado exigentes e críticas, tudo é parolo, tudo é foleiro, porreiro é ir para casa jogar na PS. Ainda tenho que levar as crianças ao Circo, para não quebrar as tradições instituídas por meu pai, as bombocas, o circo, as bolas de berlim, e a paixão pelo Porto, não posso deixar cair isto em desuso, mas é cada vez mais difícil, já sei que vou levar com um chorrilho de críticas, coitados dos animais, os panos são velhos, os palhaços estão mal vestidos; ser mãe no Séc. XXI é uma tarefa bem difícil.
Quanto a transtornos, o único que tive foi mesmo ver a crise estampada no rosto dos transeuntes, nas roupas, nos sorrisos, parecia-me que a Baixa regrediu muitos anos, que aquelas pessoas não eram nem podiam ser portuenses, a crise atingiu-nos, e tem marcado a nossa postura. Às 22 horas já poucos resistiam, na paragem do metro não havia praticamente ninguém, nas ruas as luzes são muito fracas, logo obviamente que não vou para a Baixa, tenho todo o respeito pelo Roberto Carlos português mas tenho que começar o ano em grande.
Caro Pedro Aroso:
Como vivo bem perto da Foz, sei bem do que fala, desde 6 meses com o Parque da Cidade circundado por grades para as corridas, às incontáveis maratonas promovidas por tudo o que é empresa, às paradas militares, é bem verdade que o calvário tem vindo a ser grande para quem mora para ali. Mas como trabalho na Baixa, não só a barafunda de ontem, como a do desfile do Pai Natal e sua milhentas réplicas, também me moem a paciência. É que, agora, animação significa corte de estrada e qualquer coisa que entupa as ruas, seja lá o que for. E, numa coisa o Tiago tem absoluta razão. Que organiza esses eventos não tem o mínimo respeito por ninguém, pois nem avisa, nem pensa em formas de fazer chegar quem trabalha ou reside aos respectivos destinos.
Mas isso, caros Pedro e Tiago, já vem de longe, pois quem assistiu a estas obras na Baixa – que ainda não terminaram, ao invés do que se diz para os jornais – pode dar testemunha da absoluta falta de respeito que houve por quem aqui trabalha e vive, mesmo que seja só de dia. É o que temos! E não vale a pena protestar, como já há muito se viu, pois quem tem maioria absoluta não precisa de dar contas a ninguém fora das urnas, e, muito menos, de respeitar os leitores que já votaram.
PS - Caro Pedro: Apesar do mar de gente e das filas intermináveis de assistentes da maratona / mirones do pinheiro electrificado, a verdade é que as lojas, o comércio, os cafés e afins, estavam todos fechados e, à noitinha, a Baixa ficou outra vez deserta. Dinamizar e revitalizar não se faz, pelo menos só, com enchentes para eventos...
Um Bom Ano para todos
No seu post com o título "Os energúmenos de S. Silvestre"", o Tiago Azevedo Fernandes queixa-se dos transtornos causados pela corrida anual de S. Silvestre que, este ano, voltou a desenrolar-se no centro da cidade. Confesso que, desta vez, nem me apercebi da nada.
Já imaginaram o que é ter de aturar isso todo o ano? Pois bem, é mais ou menos o que acontece nas freguesias da Foz e Nevogilde mas, quando os moradores refilam, são logo acusados de elitistas e dizem-lhes para estarem estar calados.
Incómodos à parte, parece-me louvável o facto da corrida terminar na Avenida dos Aliados. É, sem dúvida alguma, mais um contributo para dinamizar a Baixa do Porto.

A apresentação de uma lista liderada por Miguel Cadilhe ao Millennium BCP é uma boa opção por parte dele e é também uma boa escolha para o banco.
Além de ter feito boa parte da sua vida profissional no Banco Português do Atlântico, Cadilhe tem obviamente curriculum suficiente para liderar uma instituição como aquela. Muito mais, por exemplo, do que tinha Paulo Teixeira Pinto. Mas o que me importa aqui focar não é isso, mas sim o benefício que poderá advir de o maior banco privado português, com as suas raízes no Porto, voltar a ter alguém com sensibilidade para as oportunidades de negócio e de desenvolvimento que se encontram a Norte.
Cadilhe tem sido uma voz activa contra o centralismo lisboeta. Nem sempre concordo com ele, mas não tenho dúvidas de que ele saberia ajudar a corrigir o afastamento para Sul de tudo o que é actividade económica. Há vida a Norte, mas os bancos (também para mal deles) parecem ter esquecido esse facto. Cadilhe será mais útil ao país na presidência do BCP do que em quaisquer funções no Estado ou em entidades com reduzida capacidade de manobra.
Mais: o futuro mais sensato para o BCP e para o BPI passa por uma fusão entre eles. Cadilhe é a pessoa certa para conduzir esse processo do lado do BCP, até pelas boas relações que tem com o BPI.
Boa sorte (para ele e para nós)!
Permanecendo em Estocolmo, desta feita para uma estada um pouco mais prolongada, não queria deixar passar a oportunidade para desejar, a todos, UM FELIZ ANO NOVO, na esperança de que possamos ver concretizados muitos dos sonhos de recuperação para a nossa Baixa do Porto (que não o blogue, pois esse está bem e recomenda-se).
Aqui vão algumas ilustrações da Baixa de Estocolmo - Gamla Stan (Ai... como seria bom ver a nossa Baixa assim preservada, habitada e com vida!), com árvore de Natal e tudo (não é a maior da Europa, mas chega)... e, entretanto, desculpem, porque mais uma vez fotógrafo e máquina deixam muito a desejar (a pouca luminosidade também não ajuda).

Reitero os desejos de um ÓPTIMO e FELIZ 2008!
Correia de Araújo
Saí de casa de carro há uma hora e tal. Voltei agora. A pé.
Nunca mais me tinha lembrado desta maldição cíclica das corridas. Mal cheguei a Zeca Afonso, logo vi o que me ia acontecer. Atravessei a custo a Constituição, já prestes a ser fechada pela Polícia, em direcção à Baixa. Tentei uma escapatória, fechada. Outra, fechada. Ainda outra, fechada. Fui por onde a Polícia me mandou, até ao Bonjardim (com sentido invertido em relação ao normal), até ficar encravado à entrada do Marquês. Pelo caminho ainda tentei estacionar para me livrar do carro e fugir a pé. Nada feito, não havia lugares para estacionar.
34 (trinta e quatro) minutos parado à entrada do Marquês. Todo o centro da cidade cortado ao trânsito. E cortando as ruas principais, todo o resto fica absolutamente intransitável, com filas intermináveis. Já não espero que os responsáveis por isto percebam o desrespeito aos cidadãos que esta situação representa. O que não consigo realmente compreender é que se considere aceitável provocar um caos tal em que nem sequer ambulâncias ou carros dos bombeiros consigam circular numa área enorme da cidade!
Ao fim dos 34 minutos a ver uns desgraçados a correr ao fundo da rua, a Polícia abriu parcialmente a passagem e furei até às Antas, evitando no caminho voltar à esquerda e à direita porque o panorama continuava muito mau. Passando "ao largo", acabei por deixar o carro na zona do Covelo e voltar a pé, porque o acesso à minha rua continua cortado. Lindo. Estou seguro de que para o ano há mais.
