2007-12-09
Aqui há uns anos, bastou que fosse ministro da administração interna uma figura do Porto, para que imediatamente a comunicação social centralista o desacreditasse e convencesse a opinião pública que o país passava por uma enorme vaga de assaltos, sobretudo a bombas de gasolina da “grande” Lisboa. Como disse o Manuel Serrão aqui, Fernando Gomes foi “praticamente acusado de violar a Lídia Franco em plena autoestrada”. Quando Gomes deixou o poder, magicamente acabaram os assaltos.
Passados uns tempos passa-se precisamente o contrário. No Grande Porto acontecem crimes muito mais graves, desde assaltos a bancos, a frequentes “car jackings”, até aos “simples” assassinatos selectivos. O que acontece? A Polícia actua? O governo centralista ou ministro já fizeram alguma coisa? E a comunicação social? Fez o mesmo tipo de cobertura?
PS: Ainda iremos mais longe? Acho que vale a pena ler o seguinte excerto desta notícia:
"Ele estava no passeio em Miragaia a disparar para baixo. Depois entrou no BMW escuro e acelerou em direcção à Foz do Douro. Ouviram-se então dois disparos para o ar. «Dizem que é a assinatura dele quando mata alguém», referem algumas testemunhas."
Nunca pensei ver uma descrição destas associada à minha cidade.
- Espanhola Mediapro negoceia venda parcial do Porto Canal
- 250 fachadas à espera de publicidade para reabilitação
- "Atlântico" e "Parque Expo" querem gerir o pavilhão Rosa Mota
- Quatro ligações novas e Linha Amarela estendida até Vila d'Este
- Cardoso ponderado pelo PS para a Câmara
- PS devolve ao PSD acusações de irresponsabilidade
- Ministro da Justiça quer aposta na investigação de crimes
- Porto: testemunhas do crime ouvidas
- Ninguém foi à hasta pública licitar passes de jogadores do Boavista
- Sugestão de Rui Valente - "Porreiro, pá"
Bem vistas as coisas, trata-se de criminosos da treta. Reparem: não alteram trajectos diários, deixam os corpos, as balas, anunciam os crimes antes de os realizar, envolvem-se em lutas nas ruas quando deviam evitar dar nas vistas, praticam o crime em locais com testemunhas, enviam SMS, está bom de ver que são uns gangsters fraquinhos.
Mas a tolerância tem que ser zero, e se a nossa Polícia não consegue resolver crimes à escâncara, tão precários como estes, tem que ser substituída imediatamente. Sem o mínimo receio ou adiar da situação, Polícia não resolve vai para a rua, não pode haver desculpas ou tentativas de minimizar a situação. Pagamos impostos para que estas situações não aconteçam, este ano pagamos milhares de euros em multas que acresceram às receitas dos impostos, não podemos tolerar uma incompetência destas. Se não houvesse rastos, se os corpos não existissem, até se tolerava. Agora num panorama destes, admite-se este comportamento por parte das Autoridades e do Governo?
O crime por encomenda não pode deixar ninguém seguro. Hoje são os empresários da noite, amanhã é outra pessoa qualquer. Desde o momento em que se sabe que há pessoas dispostas a matar que ficam impunes, não faltará dinheiro para pagar ajustes de contas, não faltarão criminosos dispostos a ganhar esse dinheiro, e não faltarão pessoas que se sentindo inseguras tudo farão para adquirir uma arma que hipoteticamente as defenda.
A Polícia não serve, demite-se a Autoridade e o Ministro.
--
Cristina Santos
Caro Pedro Aroso
Devia agradecer ao blogue de TAF, aos «lamentadores» de serviço (onde me incluo) e à Blogosfera em geral, o facto de o Norte estar prestes a alcançar um importante vitória com o fim da OTA. Por processos económicos que se calhar não compreende, nem me apetece lhe explicar, a OTA iria drenar ainda mais recursos, negócios, empresas, poder de compra, residentes para Lisboa e arredores, tornando o Porto e Norte ainda mais recessivo e «faroéstico». Ao contrário de si, não tenciono ir viver para Lisboa e portanto defendo o meu património e futuro por cá. Para submissão aos desejos Centralistas, já nos basta 90% dos políticos e comunicação social que temos.
José Silva - Norteamos
Este blog tem vindo a transformar-se, progressivamente, num muro de lamentações surrealista. Um bom exemplo disso, é o último post do António Alves.
Eu subscrevo tudo o que ele diz, mas ao contrário, ou seja, considero que o nosso primeiro-ministro, o presidente da União Europeia e o país, saíram muitíssimo prestigiados com a realização da Cimeira Europa/África, acho a Polícia Judiciária uma das melhores do mundo, confio no Procurador-Geral da República e não me preocupa nada o facto de fecharem maternidades cuja existência não se justifica, devido ao baixíssimo número de partos.
Dito isto, deixo uma sugestão. Não percam o musical “Música no Coração”. Eu devia ter uns 12 ou 13 anos quando vi o filme “The Sound of Music” pela primeira vez. Mais tarde, descobri a famosa versão de “My Favourite Things”, extraída da banda sonora do filme, interpretada pelo lendário saxofonista John Coltrane, que ainda hoje constitui um marco na história do jazz. Devo tê-la ouvido até à exaustão. Há meia dúzia de anos atrás pude rever o filme, desta vez em DVD e compreender melhor o seu contexto histórico. Pensei, por isso, que esta adaptação do Filipe La Féria não iria acrescentar nada a uma obra que tanto marcou a infância da minha geração. Enganei-me redondamente. Obrigatório ver.
--
Nota de TAF: na mesma "onda positiva" - “Porto com Pinta” vai reabilitar Paço Episcopal do Porto. Já agora, recomendo uma visita ao site oficial do John Coltrane, para mim uma referência em termos de elegância, simplicidade, bom uso da Internet.

... anda de autocarro. Por cá nem os eléctricos conseguem andar decentemente.
Enquanto o nosso primeiro-ministro, com aquele sorriso de provinciano deslumbrado consigo mesmo, reunia com o maior ajuntamento de facínoras que jamais foi feito na Europa, as coisas cá pelo Porto, e não só, pioraram.
Enquanto os nossos governantes andam entretidos a "resolver" os problemas de África, precisamente com aqueles que são os principais responsáveis pela infame situação dos povos desse continente, a incompetência das nossas polícias ganha contornos de record europeu. A famosa Polícia Judiciária - "uma das melhores do mundo" - depois de meses a ser literalmente gozada pela imprensa britânica, continua a sua incomparável saga de incompetência mostrando-se absolutamente incapaz de travar a onda de criminalidade violenta que assola o Porto. Depois de seis assassinatos em apenas 4 meses, vídeos na Internet e entrevistas nos jornais, a PJ continua às aranhas. Parece que só é capaz de sacar confissões às mães das infelizes joanas deste mundo. O senhor presidente da Câmara, nos intervalos da sua vida entre o gabinete da Câmara e os fins-de-semana em Viana, diz umas vacuidades sobre a situação.
Mas nada disto admira num país cujo procurador geral ouve ruídos estranhos no telemóvel, pensa que não é necessário um esforço suplementar na investigação do caso Casa Pia, apesar dos fortes indícios de continuada actuação de redes pedófilas em volta da instituição. Mas para fazer uma entrada de leão, e dar circo aos famosos "seis milhões" de cidadãos, nomeou uma procuradora especial para investigar a batota no jogo da bola. Esta, por sua vez, veio cá com grande aparato, usou três automóveis, e deslocou-se em grande velocidade pela cidade em holliwoodescas manobras de diversão.
Aquilo que interessa, aquilo que verdadeiramente afecta a vida dos cidadãos, ninguém mostra vontade de querer resolver. O senhor Sócrates e um tal de Durão (o tal que viu, com aqueles que a terra há-de comer, documentos que provavam a existência segura de armas de destruição maciça no Iraque, e mais tarde desertou do cargo de primeiro-ministro quando se apercebeu que não tinha arcaboiço para a dureza da tarefa), convivem com cleptocratas como o senhor presidente de Angola, déspotas como o senhor Mugabe e ditadores senis e ridículos como Ghadaffi (parece que é assim que o homem se chama agora) e esquecem-se dum país real que se afunda e onde cada vez mais, particularmente nesta região, os seus melhores voltam a ter que emigrar aos milhares.
A festarola parece que custou largos milhões de euros. Não faz mal, fecham-se mais umas escolas, maternidades e urgências no interior.
Tirem-de daqui!!
António Alves
Em resposta às questões de Fernando Dionísio...
- A CML sabe o que é uma norma ISO. O formato DOC (ficheiro Word), ou o PDF (excepto o pesado e raro PDF-A), por exemplo, não são norma ISO e são usados em quase todas as Administrações Públicas do Mundo.
- O formato DWF ainda não é uma norma ISO, mas é um formato aberto e documentado, criado e manipulado com aplicações gratuitas.
- O PDF-3D e o PDF-E, estes sim formatos PDF vectoriais, ainda não são norma ISO.
Atentamente.
Henrique Saias
Câmara Municipal de Lisboa,
Departamento de Modernização Administrativa e Gestão de Informação
--
Nota de TAF: É com muito gosto que vejo a Câmara de Lisboa a participar também n'A Baixa do Porto. Muito teremos a ganhar se as duas principais cidades do país colaborarem mais, Quanto ao assunto do post, e para quem se interessar pelos detalhes técnicos (que são importantes para permitir uma interacção eficaz entre a Administração Pública e o cidadão), deixo aqui estes apontadores (além dos que já inseri acima):
- Adobe PDF Technology Center
- Portable Document Format (Wikipedia) - "A PDF file is often a combination of vector graphics, text, and raster graphics. The basic types of content in a PDF are: - text stored as such, - vector graphics for illustrations and designs that consist of shapes and lines, - raster graphics for photographs and other types of image."
Eu não misturaria a questão do formato DOC com a dos outros porque este não é aberto e obriga os utilizadores a estarem dependentes da Microsoft. Por exemplo, eu no meu MacBook não tenho o Office e não consigo abrir os ficheiros Word que insistentemente são disponibilizados por tantas autarquias (claro que conheço várias maneiras de resolver o problema...). Há alternativas melhores, nem que fosse o RTF que ao menos pode ser usado mais facilmente em qualquer plataforma.
- Videovigilância autorizada na Ribeira
- Ribeira agradece câmaras mas pede mais polícias
- Arca de Natal na Baixa
- Obras na Sé começam em 2008
- Viela transforma-se em praça no quarteirão dos Congregados
- Prémio RECRIA para prédio no Porto
- Há 88 prédios em ruínas no casco medieval da Sé (notícia já com alguns dias)
- Assembleia debate hoje situação do Teatro Rivoli
- Linha do Douro
PS:
- Criada comissão luso-espanhola para a Linha do Douro
- Berto surpreendido por rajadas de metralhadora
- Mais um segurança da noite assassinado a tiro no Porto
- Só se o objectivo for este...
- O destaque na Renascença (áudio)
Há uns meses anunciava que o Norte estava a caminho do Faroeste. Hoje o Faroeste chegou à minha porta. Esta noite tentaram assaltar o meu carro, que estava dentro da garagem do prédio onde habito no Castelo da Maia. Entretanto, o Faroeste no Porto e o seguinte texto revelam o que de pior está para vir.
«Violent Crime Means Recession Time: Based on FBI reports going back to 1972 and the business cycle chart compiled by the National Bureau of Economic Research, it looks as if violent crime trends upward at the beginning of a contraction and generally stays up through the initial phases of a recovery. The same pattern emerges when you overlay historical statistics for robbery alone from the Bureau of Justice Statistics. Holdups increased noticeably in 1973, 1980, 1981, 1990, and 2001, years in which recessions began. Though we haven't offered this observation to the economics profession for rigorous review, it makes intuitive sense that, when times get tough, the toughs get tougher. If the robbery stat is higher when the FBI issues a full-year report in the late summer or early fall, take some profits.»
Portanto, considerando também este indicador, recessão no Norte em 2008.
José Silva - Norteamos

# Os weihnachtsmarkt em Berlim. Estruturas de lazer natalícias para os habitantes da cidade #
Em Berlim, por estes dias de Natal, podemos ir beber vinho quente, comer algodão-doce, olhar viciadamente para as barracas repletas de bombons, sentir o cheiro a guloseimas no ar e comprar alguns presentes. Está tudo nesses mercados [weihnachtsmarkt]. Fazem parte da rotina natalícia da cidade. Não são bonitos, nem feios, nem pirosos, nem chiques, nem manhosos. Se há qualidade nos alemães, é fazerem as coisas com um certo charme, sem ser preciso encher o olho. O espectáculo está no prazer que sentimos em estar lá, em ver pessoas, sentir que fazemos parte da cidade.
Aqui, como em muitas outros sítios, cedo se percebeu que as cidades mais do que simples contentores de pessoas, bens ou edifícios, são geografias vivas [parafraseando o titulo de uma exposição de Gonçalo Byrne]. São cartografias transbordantes, de acontecimentos, de eventos diários que se sucedem, multiplicam e que constroem a paisagem diversificada da cidade. Percebeu-se, também, que se não se promovessem estratégias criativas de lazer e bem estar nas cidades, que estas acabariam por sucumbir face às rápidas mudanças sociais das últimas décadas.
No Porto, as coisas acontecem de forma estranha, se por um lado finalmente a CMP se resolveu a oferecer algumas infra-estruturas interessantes, tudo aparece feito de uma forma "abandalhada", como se tivesse sido tudo feito à pressa, sem charme, sem prazer. Aposta-se mais no espectáculo, do que em estruturas realmente importantes. Há muita luz, mas poucas estruturas para as pessoas que vivem na Baixa. Pouca imaginação e criatividade. Há um certo provincianismo, talvez devessemos aprender com outros exemplos. A árvore traz visitantes, mas não traz habitantes! E é isso que a cidade precisa!
*pedro bismarck [opozine]
imagens [opo e Killerwurm.de]
PS: Relativamente ao tema levantado pelo João Gomes, já foi levantado no opozine, acerca da reconversão do interior do Palácio das Cardosas! É de facto preocupante a política do "fachadismo", sobretudo porque surge aliada à convicção que isso é reabilitar! E re-habilitar não é nada disso. é tornar habitável com as estruturas existentes, utilizá-las, aproveitá-las. Assim, corremos o risco de destruir o que o Porto tem de melhor. Assusto-me sempre que passo em Carlos Alberto e ver as fachadas quase em suspenso. E pergunto: onde estão os arquitectos? Porque não se leva este assunto a sério nos meios académicos e de investigação da nossa área? Está tudo demasiado adormecido, depois será tarde...
Caros participantes e leitores
Encontro neste blog uma discussão saudável e franca, para propostas e reflexões. Considero muito grave o que se está a passar neste momento no Porto.
O Porto. Património Mundial da Humanidade. Classificada pela Unesco, pelas perspectivas futuras de uma recuperação urbana, social, ancoradas a fortes actividades culturais e desportivas. Cidade tão transformada... Porto. Ruas, Praças, Edifícios singulares ou emblemáticos, Fachadas ou Interiores. Gentes. Não só se transformou a imagem do Porto, como a máquina que a altera, continua activa. Convidava a irem ao site da PortoVivo e constatarem o conceito de reabilitação que se está a augurar para a cidade. A demolição impera, em direcção ao fachadismo. Em todos os projectos:
- Frente Ribeirinha do Porto - uma área isenta de artistas e população activa, em contraponto com área turística artificial
- Zona da Sé, Barredo, e quarteiróes afins - um total fachadismo, demolindo interior de quarteirões belissimos, repleto de jardins românticos, para angariar maior área construtiva.
- Mercado do Bolhão - Mais um shopping, com áreas de construção e especulação do abismo. Apenas as fachadas vão ser deixadas.
- Quarteirão Carlos Alberto - (Convido vivamente a verem a apresentação do projecto.) É de uma violência e provincianismo que violenta qualquer alma. Neste projecto pretende-se demolir todo o interior, trazendo uma importação das habitações tipificadas da periferia T0 e T1 a T5.
- Quarteirões Infante/ Poveiros/ República/ Quarteirão do Palácio das Cardosas - Aliados - Com a mesma política de intervenção, demolição dura do interior, deixando apenas fachadas.
Julgo que o Porto precisa de uma união. Gente do Porto, gente do poder que ouça, gente das artes que se expresse, gente das letras que argumente, gente das ciências e da música e todas as áreas demais que se manifestem. Quebrar o medo da perseguição. A Gente que tem voz no Porto que a solte, que não se cale. Terão dupla responsabilidade. Este é o meu sentimento. De tristeza, mas de apelo aos sons audiveis da nossa praça que, por qualquer motivo, não se ouvem.
Um abraço a todos,
João Gomes

Aurélio da Paz dos Reis, com o seu filme 'A saída das operárias da fábrica Confiança', deu início à produção cinematográfica no País. Notável sinal de pioneirismo de que esta urbe/região deu mostra ao longo dos tempos.
O Liberalismo, a implantação da República e outras lutas exemplos de exaltação dum Povo na afirmação da sua identidade. Na literatura, nas artes, na indústria, no comércio, na ciência, no desporto, o Porto sempre esteve na primeira linha da inovação, da criação, do sentido estético. Sendo um sonhador e um optimista (q.b), não deixo de reconhecer que ao cabo de aproximadamente 50 anos de 'CENTRIFUGAÇÃO' da cidade, o empobrecimento do seu centro histórico não se resume apenas à ausência de pessoas. Foram-se as pessoas e com elas as ideias e os ideais, o envolvimento, a convivência e a determinação de outrora.
A nota de TAF 'Câmara 2009' dá-nos conta do que aí pode vir, se não for atalhado caminho desde já.
Aproveitadas as escorrências da 'espuma dos dias' da vida autárquica cá do burgo, quantos enredos serviriam de suporte aos filmes que à época teriam evitado o desaparecimento, nos idos de 24 do século passado,da Invicta Filmes. Alguns títulos sugerem forte conotação, senão vejamos: O Príncipe Valente; Morte ao Anoitecer; Êxodus; Os Incorruptíveis contra a bola; A Volta à Baixa em 80 minutos; O Eléctrico Solitário; O Demolidor Implacável; etc.
É já tempo da afirmação duma candidatura independente à Câmara do Porto. Independente dos interesses e vaidades mesquinhas tão ao jeito da Praça Velasquez, dos aparelhos, dos 'lobbies'. Uma candidatura que corra o risco, agradável risco, de se ver confrontada, a cada momento, com a frieza da decisão racional e a emoção sentida. De que tocar na cidade é mexer com a alma dos que teimam em resistir. Dos que de forma desinteressada aspiram por acções enriquecedoras do património da sua terra. Uma Gestão voltada para os Portuenses que se IMPORTAM.
Votos de Bom Natal para todos aqueles que militantemente se cruzam n'A BAIXA DO PORTO.
Guilherme Olaio
Respondendo ao convite que me foi endereçado pelo Alexandre Burmester há uns meses atrás, aderi de imediato ao movimento “Eu imPORTO-me”. No entanto, e com muita pena minha, não pude, por razões de ordem profissional, estar presente na manifestação do dia 4 de Dezembro. Não sei, por isso, se esteve lá muita ou pouca gente, mas aquilo que me parece importante realçar é o impacto que esta iniciativa provocou na consciência dos cidadãos. Nesse aspecto, não tenho dúvidas que esta comemoração foi um êxito, sobretudo porque veio lembrar que o “Porto – Património da Humanidade” não foi uma conquista com carácter vitalício. Para que possamos continuar a usufruir desse estatuto, é necessário retomar o trabalho interrompido com a extinção do CRUARB.
Aproveito esta ocasião para evocar o nome do Arq.º José Gomes Fernandes, à data vereador do pelouro do Urbanismo da CMP, que foi o grande mentor e obreiro da candidatura mas que, lamentavelmente, o seu partido votou ao mais completo ostracismo.
Caro Tiago
Como já pôde ver das declarações de Sérgio Vieira, o PSD está muito mais preocupado em manter o poder na cidade do Porto, do que propor uma candidatura ou preocupar-se com a cidade.
No PS, a desgraça instala-se. Por um lado, se é positivo o recuo de Assis, pois com todos os méritos que possa ter, não tem perfil para poder ganhar a CM a Rio, é negativo o combate de comadres que poderá impedir o avanço de um candidato sério, competente e que possa limpar a CMP a Rio.
Na CDU, apesar do empenho e competência de Rui Sá, não é por lá que Rio perderá, excepto na revalidação de uma maioria absoluta.
O Bloco deveria ter juízo e deixar de tentar aproveitar-se de movimentos que se formaram de forma política, mas desligada dos partidos.
Por isso temo, e muito, que se a discussão das eleições de 2009 não se iniciar já, possamos ter uma recandidatura de Rio. E isso, caro Tiago, é tudo o que se deve evitar. Não há nada que possa vir que seja pior do que a actual (di)gestão da CMP. O Dr. Rio vê a CMP como uma associação de bairro, em que se no final do ano as contas dão lucro, atira foguetes, se dá prejuízo, acusa o anterior presidente. No Porto só se faz o que o Dr. Rio acha que é giro e gosta. Os outros gostos não lhe interessam, porque ele tem maioria absoluta. Reduz o quadro de empregados da CMP, mas não reduz os seus assessores, nem os lugares ocupados por incompetentes e que ganham muito mais do que têm competência para fazer e, especialmente, do que fazem.
Daí que a seriedade do senhor é, quase, uma espécie de sebastianismo: tem muito nevoeiro, mas não se vêem mais do que sombras. Depois falta a seriedade e competência, honestidade intelectual e coerência do senhor na sua acção política. E aqui, só não vê quem quiser. São tantas as incongruências, as meias verdades, os silêncios incómodos, e tanta, especialmente, a prepotência e arrogância, que quase temos um Chavez à moda do Porto, também ele entre o bacoco e o espertalhão. Mas isto, caro Tiago, não chega para projectar no século XXI uma cidade como o Porto, ou qualquer outra. Este senhor, Rio, continua a não ter projecto, não ter ideias, nem visão. Para fazer o que ele faz, mais vale pedir à Câmara dos ROCs – Revisores Oficiais de Contas que nos nomeie um para gerir a Câmara.
Por isso, Tiago, seja PSD, PS, CDU, Bloco ou qualquer outro partido, movimento ou levantamento popular, é fundamental que surjam alternativas que, pela sua qualidade de projecto e humanas consigam arrumar da CMP esta desgraça que nos calhou na rifa. Nesse dia, aí sim, teremos um Porto Feliz, outra vez feliz e livre deste cinzento pardo de gabinete e papelada que hoje nos sufoca (e aqui não falo do senhor presidente, pois ele até se farta de sorrir – sabe lá Deus de quê – mas das consequências da sua (in)acção).
