2007-11-11
Em primeiro lugar parabéns pelo blog. Nunca escrevi nele mas vou constantemente consultar. Como recebi através de um amigo meu este convite, gostava de vos enviar porque considero ser do vosso interesse.
Cumprimentos
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"Exmos. Srs.
A exemplo de iniciativas anteriores que visaram a promoção do debate e a abertura da discussão sobre temas de interesse local e nacional, não só aos militantes como a membros interessados da sociedade civil cuja presença tem enriquecido as nossas iniciativas, a Comissão Política do Núcleo Ocidental do Porto do Partido Social Democrata vai promover, no próximo dia 17 de Novembro de 2007, pelas 17H00 na Sede da ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários, mais uma Conferência/Debate, desta vez subordinada ao tema da regionalização.
Sentimos que esta questão está cada vez mais na ordem do dia, mas urge dotar cada cidadão dos instrumentos necessários para, em consciência, decidir se o caminho da Regionalização é ou não o melhor para o País. Este debate terá como oradores os Deputados Agostinho Branquinho e Miguel Relvas. Assim, queremos ouvir adeptos de uma ou outra solução, apreender as suas razões, elencar custos e benefícios, partilhando também as nossas dúvidas e convicções na matéria.
Queremos também ouvir a sua opinião. Participe!"
Cara Cristina Santos
Obrigado pela atenção que teve em responder. Na verdade em matéria de segurança e terrorismo, do verdadeiro é claro, e não o da figura de estilo, eu acho que não me devo pronunciar nem sequer mandar «bitaites», pois trata-se de assunto sério de mais para se fazerem conjecturas ou comparações brejeiras, e como não estou na posse de informações importantes (nem quaisquer outras), tenho naturalmente que confiar nas autoridades nacionais e europeias com competência nestas matérias. Os mandados cumprem-se e como quem não deve não teme, a verdade logo se descobrirá.
Quanto ao resto plenamente de acordo.
Termino desejando-lhe as melhoras dessa malfadada gripe e estou já avisado que se me der uma fúria para ir ver linces ou águias, é preferível sentar-me com um cházinho em frente à tv e ligar-me ao National Geographic...!
Caro Jorge Azevedo
Em relação a Cimo de Vila:
A degradação dos edifícios e a precariedade em que viviam a maioria dos residentes atraiu nos últimos anos estrangeiros, que vieram dos seus países em busca de melhores condições de vida e se fixaram em zonas «baratas», onde podiam passar despercebidos no meio da pobreza, ter um pequeno negócio pobre e amealharem algum dinheiro para poderem regressar. Fixaram-se neste local pelo estado de degradação em que se encontrava.
Maioritariamente «marroquinos» com ar de terrorista estavam e estão dispostos a pagar por um prédio, nem que o último piso esteja suportado por escoras, 1200 euros. Ora 1200 euros é pouquíssimo, as lojas são enormes e por cima delas regra geral existem 3 espaços para habitação. Eles partilham o espaço com várias famílias, no pior piso fazem armazém, 1200 euros por mês é de borla, mas ao fim do ano já dá para fazer um telhado novo. O problema é que muitos proprietários continuam a receber sem investir, os «marroquinos» são inquilinos que não se queixam da humidade, se não há luz nas escadas, e isto sim é terrorismo, abuso, e falta de noção de investimento por parte dos proprietários.
A par disto tem acontecido outra situação, a CMP e os inquilinos com renda condicionada (portuenses) têm requerido pelos meios existentes a reabilitação dos prédios aos proprietários. O que acontece é que estes prédios reabilitados, por mais que vos pareça surreal, atraem pessoas dispostas a pagar o que seja, para habitar num fogo com mais de 300 anos de existência, próximo à Batalha, a São Bento, ao Metro, a Santa Catarina, assistindo-se a uma renovação, ainda que lenta, da maneira de estar e ocupar esta rua. O problema neste caso são as rendas antigas, pode tirar-se 400€ num apartamento, mas os outros ficam-se pelos 100€ depois da actualização. Em prédios onde vivam «marroquinos» não há queixas contra proprietários e a degradação vai-se mantendo, embora o prédio renda.
Há alguns paquistaneses que suportam rendas actuais e alugam fracções reabilitadas. Mas a grande maioria continua a ocupar esses prédios semi-devolutos, em ruína, não tem posses para os prédios reabilitados, eles não são propriamente terroristas, nem causam transtorno, são pobres, sujeitam-se ao que os nossos felizmente já não se sujeitam, e funcionam como um móbil, trazem ganhos aos proprietários, ganham também, e problemas sociais não arranjam.
Fossem os proprietários inteligentes e à boleia dos «marroquinos» pobres, já tinham edifícios reabilitados a valer milhares de euros. Assim e no meio de tantos pobres árabes, mais a notícia da detenção de um possível terrorista na Rua Cimo de Vila, pode despoletar a ideia de perigo e crime, mas por ali o único perigo eminente é mesmo soterrar os árabes debaixo dos prédios sem condições, que rendem bem mas que não beneficiam de obras de reabilitação.
Espero ter-me feito entender, neste longo texto, peço também desculpa por só agora voltar ao contacto, mas fui apanhada por um Inverno disfarçado de Verão e fiquei quase a morrer, com aquilo que afinal não passava de uma constipação. Tão cedo não volto aos Cornos das Alturas, nem que por lá haja muitos linces, aquele frio quase mata um portuense habituado a este ambiente ameno.
M. cumprimentos
Meu caro, é claro que cada caso é um caso. E o Via Catarina aí está para provar que um centro comercial pode contribuir para a envolvente – ou, pelo menos, pode não a destruir. A verdade, porém, é que esta é uma excepção. Seria um exercício interessante contabilizar os centros que foram inaugurados dentro da cidade (as mega-construções nas suas margens ou em nós de auto-estrada são um caso diferente) nos últimos 20 anos e a sua situação actual, o fluxo de pessoas dentro e fora de acordo com as horas do dia, a evolução da ocupação desse quarteirão, etc.
Como se percebe, a minha posição relativamente a essa evolução é de profundo cepticismo… Mais uma vez, repito, nem é tanto a questão do comércio tradicional (ou não) que se coloca mas antes o efeito destas estruturas na envolvente. O problema é o de quase todas serem pensadas como ilhas dentro da cidade, na mesma lógica do condomínio fechado, e é essa a ameaça. Pensados dessa forma, mais tarde ou cedo, afirmar-se-ão como pouco mais do que praças da alimentação para quem trabalhe aí à volta – o Cidade do Porto, o Península e o Cristal Park são só 3 exemplos…
Considerar (mais) um banal centro comercial no centro da cidade como âncora de revitalização da Baixa é "a long shot".
Caro Nuno, não me parece que este assunto dos shoppings possa ser visto assim tanto a preto-e-branco. Depende da maneira como o shopping é gerido (e este novo pareceu-me fraquito) e da vitalidade (ou não) da zona em que se insere.
Dois exemplos. Um mesmo ao lado: o Via Catarina. É quase consensual (julgo eu) que veio contribuir para a animação de Santa Catarina. Outro, longe: a Bahnhofstrasse, em Zurique, onde já não vou há alguns anos. Existem vários centros comerciais nessa rua (onde, já agora, o eléctrico convive pacificamente com o peão no centro da via), e também não me consta que o "comércio tradicional" tenha sido prejudicado, pelo contrário. A quem lá for, recomendo uma visita à Confiserie Sprüngli. :-)
Abriu um novo centro comercial no Porto. O edil diz que é mais um passo na revitalização da Baixa. O novo centro comercial – shopping, como se diz agora – fica do outro lado da rua de um "velho" centro comercial. Como todos os outros, diz que revolucionará o conceito e a forma, o som e a fúria. Eu lembro-me do Brasília e do Dallas - que é o sítio para onde vão as lojas e os centros comerciais quando morrem e não têm lugar no céu.
Não é preciso ser urbanista, sequer um curioso destas coisas da cidade, para perceber que um centro comercial seca uma série de coisas em seu redor. É uma estrutura feita na mesma lógica do condomínio fechado, onde se entra e se está protegido do clima, dos cheiros, dos pedintes, dos carteiristas e da realidade: as cores, sons e cheiros são à medida da realização pessoal de cada um. E as gentes entram de carro, circulam, eventualmente compram, entram no carro e partem para o regresso a uma outra cidade. 10 ou 15 anos depois, o shopping cumpriu a função para que foi construído: rentabilizar o investimento dos seus promotores a 10 ou 15 anos. Nessa altura serão uma visão cristalizada do que era uma certa imagem da época em que foram construídos.
Os jornais anunciaram que 3000 pessoas encheram o estaminé na abertura.
O comércio tradicional há-de reclamar e a D. Laura há-de dizer (talvez até já tenha dito) palavras de circunstância apoiando a instalação de mais este exemplo de modernidade visionária e sagaz. O que os ineptos que autorizam e fomentam este tipo de coisa não percebem é de que não se trata aqui de um problema de comércio mas antes de um problema sério de cidade.
Um centro comercial não é cidade, embora cada vez mais reproduzam, na decoração e imagem publicitária, uma idealização de cidade patusca e sofisticada ao mesmo tempo. Um centro comercial (ao lado de outro centro comercial, e a menos de meia hora de outra meia dúzia) no centro de uma cidade é tão só um não-lugar, é a negação da urbe disfarçada de espaço público da era moderna. Revitalizar um centro urbano é fazer com este seja usado e vivido. O que estes shoppings promovem é a utilização dos seus espaços – quase sempre interiores e, eventualmente, com uma segura vista sobre a cidade (veja-se o caso do Dolce Vita, em Coimbra) – mas afastando as pessoas do que é inseguro, feio e impuro: a cidade ela mesma. A verdade é que as pessoas vão ao shopping viver aquele simulacro de cidade e partem para uma realidade outra a uma distância variável dali. O que está à volta, consequentemente, não existe.
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- "Não olhar o Norte pelo lado sinistro"

Fui passar uns dias a Estocolmo aproveitando a recém criada rota que a tão falada (entre nós) Ryanair criou entre o Porto e a capital sueca (Aeroporto de Estocolmo Skavsta). Percebi pelo entusiasmo dos inúmeros escandinavos presentes no voo que... não só gostaram, como vão voltar em breve e irão seguramente aconselhar estas nossas paragens aos seus compatriotas.
Uma novidade: pela primeira vez num voo da Ryanair ouvi uma apresentação em português, feita por uma simpatiquíssima assistente de bordo portuguesa de seu nome Andreia (habitualmente as línguas utilizadas são o inglês [sempre] e uma segunda língua correspondente ao país de destino do voo, o que no caso de Portugal se ficava pelo castelhano). E foi assim que esta assistente de bordo, de que não resisto a juntar foto, recebeu forte aplauso de todos os portugueses presentes naquele voo. Quanto ao Norte... que se prepare e cuide para as novas invasões vikings.
Correia de Araújo
Boas
A propósito do post Petrogal aconselho a leitura dos seguintes posts:
- Gomes admite má imagem da Galp
- O que se passa afinal na Petrogal II?
- O que se passa afinal na Petrogal I?
- Petrogal acusada de crime ambiental
Um abraço e continuação de um bom blogue.
Cumprimentos,
Celso Guedes de Carvalho

Bom dia.
É a primeira vez que escrevo, e pela pior razão. Junto envio fotografias do "incidente da refinaria". À vinda para casa deparei-me com este esgoto a céu aberto, junto à Petrogal / Boa Nova. Impressionante... gastam-se milhões e...
Continuem.
José Padrão





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PS: O novo aeroporto de Lisboa e os novos aprendizes da contra-informação - confirmando-se ser verdade o que escreve JMF, se depois disto o ministro não é demitido, é o primeiro-ministro que tem que ser demitido.
Isto é que é uma iniciativa construtiva, que prova que a sociedade civil do Porto não está morta: "EU imPORTO-me"!
Leia-se a notícia no JN: Património, A Nova Causa da Cidade.
4 de Dezembro, das 19:00 às 21:00.
Informações por email para 4.12.2007@gmail.com.


