2007-10-21

De: Correia de Araújo - "Mesmo não sendo minha..."

Submetido por taf em Quarta, 2007-10-24 13:21

Afinal, mesmo não sendo minha... quase me apetece afirmar, sem presunção, que já valeu a pena.

Correia de Araújo

De: Cristina Santos - "Apontadores"

Submetido por taf em Terça, 2007-10-23 11:16

De: David Afonso - "O que fazer dos Aliados?"

Submetido por taf em Segunda, 2007-10-22 21:57

A Avenida dos Aliados está transformada numa espécie de feira, tão pejada está de barracos e afins. Já no último Verão tivemos por lá a barraca tipo Rei das Farturas e agora é o que se vê. Não tarda nada a Porto Lazer ainda instala por lá uma roulotte de bifanas para divulgar a gastronomia portuense. Meus senhores, ocupar aquele espaço vazio é uma boa ideia e é o mínimo que se pode fazer para contrariar a angústia do cinzento. Mas o melhor é fazer a coisa como deve ser. Com a devida vénia a Carlos Dias, que foi quem me sugeriu a ideia, deixo aqui uma sugestão. Se a ideia é ocupar sazonalmente a plataforma granítica do topo norte de modo a atrair a população à Baixa, então recomendaria que se seguisse o extraordinário exemplo da Serpentine Gallery que promove a alta arquitectura encomendando projectos de pavilhões a vários arquitectos de renome. Esta arquitectura efémera, a meio caminho entre a arquitectura e a arte, é ao mesmo tempo um símbolo de prestígio, uma afirmação do estado da arte e uma forte atracção turística.

O Porto, que deveria se afirmar como "Cidade de Arquitectos", poderia promover uma iniciativa similar. É claro que por cá o contexto e as possibilidades são outras, o que nada impede, podendo até tornar as coisas mais interessantes. Em vez da encomenda directa, poderíamos promover um concurso internacional. O financiamento directo poderia ser assegurado pelo apoio de um patrocinador e pela revenda posterior do objecto e a organização do evento poderia ser assegurada por uma parceria entre a CMP, Serralves e OASRN. Acho que a ideia é perfeitamente praticável e que nem há necessidade de recorrer às sempre caras estrelas da arquitectura e da arte. O valor modesto do prémio pecuniário seria um factor de selecção de candidatos, abrindo portas a novos valores. Pensem nisso.

PS: Se não quiserem pensar nisso, pensem pelo menos na Feira do Livro. É que se ela, ao passar para os Aliados, for instalada em barracas manhosas ou em contentores terceiro-mundistas estamos mal, muito mal.

David Afonso
davidafonso @quintacidade.com

De: TAF - "Quem foi..."

Submetido por taf em Segunda, 2007-10-22 21:52

... o "arquitecto" que fez isto...

Interior da Casa Januário

... à Casa Januário? :-(

Exterior da Casa Januário

De: Luís de Sousa - "Um de muitos exemplos"

Submetido por taf em Segunda, 2007-10-22 14:37

Cobertura em Milão

Não penso que se deve estabelecer opinião com base em preconceitos para nos referirmos a este conceito hipotético de cobertura da Rua de Cedofeita.

Em primeiro lugar existem alguns modelos arquitectónicos que nos podem dar noções exactas de quais as potencialidades de um espaço exterior coberto, que vença diferentes cotas nas suas extremidades ao longo de um espaço corredor similar a uma rua, como é o caso do projecto de cobertura do arquitecto italiano Massimiliano Fuksas para as ligações exteriores do recinto da Feira de Milão, que em cima apresento.

Depois outra questão de que não nos podemos abstrair é o facto de o fenómeno dramático da proliferação de centros comerciais na periferia, e agora também no centro das cidades, só ocorrer porque existem alguns atractivos que as multinacionais que neles se instalam proporcionam aos seus clientes, como sejam a imagem contemporânea e inovadora dos espaços assim como momentos de dinamização cultural como sejam os espaços expositivos cinemas, etc. Por isso mesmo não devemos negar o óbvio e admitir que uma evolução do comércio tradicional tem obrigatoriamente que passar por uma análise daquele que é o modelo comercial mais em voga neste inicio de século, extraindo desta pontos positivos que justifiquem a transposição de certas posturas para as lojas de rua e identificando pontos fracos onde os comerciantes da Baixa possam marcar a diferença dando-lhes uma resposta divergente das do comércio massificado.

Por fim gostaria de me referir mais uma vez ao tema dos concursos de ideias, para reafirmar a importância do hábito da sua implementação numa sociedade que se pretende plural, inventiva e acima de tudo democrática no momento de decidir a sua imagem. Os concursos não são trapalhadas ou perda de tempo como alguns teimam em afirmar. São sim um acto de abertura e de visão de quem promove ao optar por premiar as propostas mais virtuosas, que garantidamente se tornarão no momento da sua formalização mais-valias quer para a cidade quer para a sociedade que se vê munida de mais um espaço qualificado para seu usufruto. Quanto a mim errado é a utilização abusiva feita por parte de alguns autarcas deste país do nome de arquitectos mais conhecidos e prestigiados, para legitimarem intervenções avulsas nas suas cidades.

Cumprimentos
Luís de Sousa

De: Rui Encarnação - "Eu bem dizia..."

Submetido por taf em Segunda, 2007-10-22 14:26

Caro Tiago:

Perdoe-me a insistência no tema Rivoli, mas como afirmou perceber cada vez menos do assunto e eu retorqui que, agora, era mais fácil percebê-lo, não pude resistir. Cristina Santos deixou-nos – em bem haja pela sua atenção e dedicação – um link sobre os descontos para o Jesus Cristo Superstar. Seguindo o link, descobri, para meu grande espanto, que a “Ordem dos Farmacêuticos e o Rivoli Teatro Municipal, incontornável sala de espectáculos da cidade do Porto, firmaram uma parceria que permitirá aos farmacêuticos assistir ao espectáculo «Jesus Cristo Superstar», de Filipe La Féria, a preços reduzidos”.

Caro Tiago e cara Cristina, já pensaram como é que um espaço livre e que não é gerido por ninguém (como a CMP se atreveu a dizer e escrever) afinal subscreve acordos e parcerias. Quem terá sido o parceiro da Ordem dos Farmacêuticos? Quem é que terá apoiado o pagamento dos custos dos 50% do preço dos bilhetes que são objecto de desconto? Não posso, nem quero acreditar, que foi a CMP através da sua Comissão de Acompanhamento do Rivoli pois, se o fizer, estará a subsidiar um espectáculo, e ainda por cima um espectáculo comercial.

Se for o Sr. La Feria que prescinda desses 50%, é curioso, e significativo do respeito pelas decisões judiciais, constatar que La Feria e Rivoli coincidem física e juridicamente, pois até parecerias em nome do teatro esse senhor fará. Mas aí cai pela base a afirmação da CMP de que não concedeu a exploração do teatro ao encenador ou a empresa a Dª Ermelinda. De qualquer modo, mesmo sendo o encenador a prescindir dos 50%, creio que a CMP vai ficar prejudicada nos 5% da receita que teria direito a receber, ou não?

Meus caros. O assunto Rivoli só demonstra que a CMP não assume, nem quer assumir, que decidiu, porque assim decidiu, entregar ao preço da uva mijona um bem que é de todos a um empresário comercial e que, por gostar dele, das suas peças ou por razões que a razão não alcança (só talvez a justiça...) decidiu apoiar e subsidiar essa mesma actividade, seja pela promessa de compra de equipamento, seja, pelos vistos, com descontos para bilhetes. Assim, talvez seja mais fácil encher salas....

Por estas, e por muitas outras, é que a diferença entre Porto e Gaia se vai, cada vez mais, cavando, pois do outro lado do rio – do Douro - parece que se consegue ver muito mais longe e, pelos vistos, a visão é mais clara e transparente....

De: Cristina Santos - "Apontadores"

Submetido por taf em Segunda, 2007-10-22 10:33

De: Rui Valente - "Um luxo, no meio do lixo?"

Submetido por taf em Domingo, 2007-10-21 22:58

As dívidas são para se pagar. Recomendadamente, a tempo e horas. Assim mandam os bons costumes e o "tráfico de influências" positivas, actualmente em vias de extinção.

Lembro-me de, um dia, ter ouvido dizer o falecido Presidente da Câmara da Maia, Vieira de Carvalho, que se estivesse à espera de ter os cofres da autarquia com o dinheiro necessário para realizar os seus projectos, a cidade paralizava e não conseguia fazer uma única obra. Suponho que ninguém hoje tem deste homem, já desaparecido, a ideia de um mau autarca ou que seja capaz de negar o salto qualitativo que conseguiu dar àquela cidade.

Luís Filipe Menezes seguiu-lhe o exemplo e conseguiu transformar o "dormitório" de Gaia numa cidade moderna e atractiva. Qualificou e despoluiu as praias a sul do Douro até Espinho e restaurou-lhes a dignidade com o carimbo de confiança da Bandeira Azul. Endividou-se? Era inevitável, e sê-lo-á no futuro, enquanto o Estado se recusar a dar o exemplo de bom pagador. Eu faria exactamente o mesmo, ou então batia com a porta e mandava-os à fava. É por isso, que na margem direita do Douro temos uma cidade cada vez mais atrasada no seu processo de restauração, que anda a passo de caracol, desperdiçando recursos com eventos de carácter temporário, e na margem esquerda emerge uma outra, dinâmica e positivamente agressiva a tirar proveito da apatia e dos complexos da sua vizinha.

O estudo para um comércio de luxo na Av. dos Aliados que foi notícia no JN de hoje é positivo e ambicioso, mas terá diculdades em vingar se não for acompanhado de uma recuperação célere e enobrecida de toda a zona histórica. Ninguém experiente investe milhões em estabelecimentos requintados, rodeados de pardieiros e lixo por todo o lado. Ainda está para nascer o primeiro "aventureiro" a abrir uma loja Versace ou Dior num bairro de lata (ou cenário semelhante), mas nunca se sabe... Os portuenses costumam festejar depois de digerirem a festa, mas como os tempos andam propícios a imitações foleiras, somos capazes de nos estender ao comprido. Mais uma vez.

Rui Valente

De: Ana Cláudia Gonçalves - "A propósito do comércio tradicional"

Submetido por taf em Domingo, 2007-10-21 16:50

Caro Tiago e vizinhos da Baixa

Ainda bem que o "Baixa do Porto" existe para que, entre os muitos problemas com que nos confrontamos, o comércio tradicional seja um dos mais abordados. Concordo com grande parte do que vai sendo escrito aqui: as gritantes falhas da Associação de Comerciantes do Porto, as mentalidades atávicas de parte dos comerciantes e consequente falta de espírito de iniciativa, de risco, tão portuense... Mas há outras razões para este status quo, de que destaco a grave crise económica e social que afecta o Grande Porto e que se reflecte, também, noutras vertentes de comércio (sim, também nos shoppings...).

Partilho isto com base na minha experiência, de quem, modéstia à parte, arriscou num projecto diferente e, ainda por cima, em plena Baixa. E apesar das dificuldades, só me resta um caminho: continuar a lutar, a procurar inovar e descobrir formas distintivas de trabalhar e bem servir, e aproveitar todas as oportunidades de reconhecimento que surjam, como esta que faço questão de partilhar convosco.

Um abraço para todos,
Ana Cláudia Gonçalves
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Frutos da Terra - sabores que não se esquecem
Rua das Oliveiras, n.º 87, 4050-449 PORTO

De: João Paulo Pimenta - "Chapéus há muitos..."

Submetido por taf em Domingo, 2007-10-21 16:44

Palas? Coberturas? Em Cedofeita? No Porto?

Tantos elogios fazem à gente do Porto, trabalhadora, honesta, independente, e agora surge a ideia mais terceiro-mundista de construir (sim construir nao há outra palavra) uma cobertura na rua de Cedofeita? Temos medo de chuva? Temos medo de frio? Que diriam nossos antepassados! Somos Homens ou somos Galinhas?

As soluções não passam por imitar centros comerciais e hipermercados. Pintem as casas, uniformizem as fachadas comerciais, criem espaço para os clientes dentro e fora dos cafés (não gosto de tomar café com um cotovelo na minha mesa e outro na mesa do vizinho; mais mesas não significa mais clientes), alterem os horários (quem vai fazer compras às 9 da manhã? Encerrado às 19h? Para ainda ter tempo de passar no centro comercial?), sinalizem as zonas comerciais, não modernizem o espaço mas sim o atendimento, não transmitam a ideia que o comércio é um frete e que se perde dinheiro.

Investir em coberturas? Gastem o vosso dinheiro em espaços que chamem as pessoas: escolas, creches, bibliotecas, parques infantis (existe algum espaço para as crianças em Cedofeita?), mostrem os edificios históricos, as igrejas, enfim puxem pela imaginação e não pela nossa carteira! As pessoas gostam de passear e não obrigatoriamente em centros comerciais. Onde vai um vão dois e a seguir vão todos. Não queiram tudo de uma vez só. Acredito que com algum trabalho, muita imaginação e paciência as ruas do Porto terão vida novamente.

Como fica sempre bem um P.S. aqui vai o meu: Por amor de Deus não se deixem cair na tentação de fazer concurso de ideias para coberturas ou palas ou outros. Esses processos, está visto, não funcionam na nossa sociedade. Acaba tudo sempre ao barulho, e o projecto inicial em águas de bacalhau. Basta ler diariamente este blog.

João Paulo Pimenta
jppimenta@mail.telepac.pt

De: TAF - "Leituras"

Submetido por taf em Domingo, 2007-10-21 14:25

De: Guilherme Olaio - "Derrota do Centralismo?"

Submetido por taf em Domingo, 2007-10-21 14:13

Árvore Millennium em construção

Desculpe Senhor Correia Araújo pelo aproveitamento da foto que já há dias tinha vontade de fazer. Este conjunto de tubos será porventura a maior bandeira que até hoje um líder autárquico da minha cidade ergueu para combater o Centralismo. Não me ocorre, mesmo na sequência da revolta dos Taberneiros em plena era Pombalina, que algum Portuense digno de tal nome tivesse arrancado o que quer que seja do Terreiro do Paço.

Pois aí temos! Esperemos que não venha, ou talvez sim (pelo que se conhece da sabedoria popular) a transformar-se numa Árvore das Patacas. Não se exija, de quem tão pouco ou nada tem para dar. Como me ensinaram, "Quem nasceu para cinco, nunca chega a dez".

Cumprimentos.
Guilherme Olaio

Há já uns bons pares de anos, foi inventada em França uma actividade deveras radical que é conhecida pelo nome de “parkour”. Consiste, basicamente, em superar e ultrapassar obstáculos em meio urbano através do salto e da corrida, recorrendo unicamente à destreza e força física. Por vezes a coisa corre mal aos praticantes e lá acontecem as costelas partidas, quando não pior.

Proponho, contudo, em alternativa, por exemplo, às corridas de avionetas, um evento baseado no “parkour” e que consiste numa corrida de shopping em shopping através dos telhados do Porto, podendo incluir no percurso a maior árvore de Natal da minha terra e o mamarracho do Palácio. A corrida iniciar-se-ia no, prestes a inaugurar, telhado do Plaza Shopping, daí saltando, para começar sem grande esforço, para o do Via Catarina. O telhado do muito em breve Bolhão Shopping seria o objectivo do “pincho” seguinte, antecedendo o do futuro BCP Shopping, ali entre a D. João I e o Bonjardim. Mais um saltinho e os participantes aterrariam na maior árvore de Natal da minha terra (este ano tocou ao Porto, mas o meu compadre de Carrazeda de Ansiães tem esperanças de que, mais ano menos ano, a dita lá há-de ir parar…). Dali ao Cardosas Shopping é só um pulinho e sendo a descer mais simples se torna. Já o salto seguinte, até ao mamarracho do Palácio, se reveste de muito mais dificuldades e seria, por assim dizer, a prova dos noves em relação à capacidade dos concorrentes e à espectacularidade do evento. Aqui terminaria a prova, a menos que algum dos concorrentes preferisse refrescar-se e, então, poderia daí lançar-se directamente para as águas do Douro onde seria recolhido, por exemplo, pelos pescadores da Afurada com a ajuda dos grossos remos dos seus barcos de pesca artesanal.

A grande vantagem desta corrida é que, ao invés da das avionetas, os concorrentes poderiam ser portuenses ilustres, desde logo começando por Rui Rio - eventualmente fazendo equipa com Laura Rodrigues - sem esquecer Arlindo Cunha, o homem do SRU, a administração do Metro (merecedora duma wild card muito especial pela sua magnífica gestão, especialmente na questão das multas a 95 euros) e até, se o negócio lhe permitisse estar pelo Porto nessa altura, o La Féria – que embora não sendo do Porto é como se fosse (pelo menos lá se vai abotoando menos mal por cá…). A multidão que encheria as ruas do Porto faria esquecer a das avionetas. Os próprios comerciantes da Baixa estariam entre os espectadores mais atentos – até parece que já estou a vê-los de pescoço espetado em direcção ao céu, imaginando sabe-se lá que desenlace paras as performances dos “parkouristas”…

Aqui fica o repto à Porto Lazer ou outra entidade com a mesma idoneidade e meios para, por uma vez, nos encher a todos de orgulho.

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