De: JA Rio Fernandes - "Metro a Leste"
Tenho defendido que o lado Nascente da cidade é o mais esquecido pela política (construção da polis), apesar de ser o mais pobre e o que mais precisa da intervenção pública. (Porque o mercado, como ensinou Myrdall nos anos 50, tente a acentuar as diferenças espaciais, pelo que compete ao Estado a procura da atenuação das diferenças, em nome duma cidade para todos). Quando parece decidido como o metro vai ter mais uma linha para Ocidente – por Campo Alegre, preservando a Avenida da Boavista, onde o eléctrico ou mesmo o autocarro é mais barato e, ao ter mais paragens, presta melhor serviço – a Leste, sobre a linha para Gondomar por Valbom, fala-se (demasiado) pouco. Ora o primeiro esboço já é conhecido e sobre ele quero aqui deixar 4 notas, junto com o pedido para que se importem mais com esta tão importante linha para o lado esquecido da cidade de 1 milhão de habitantes e 10km de raio que temos hoje.
1. Junto ao seu início, na Cidade de Gondomar, a linha passa à superfície pela rotunda que fica mesmo junto ao nó do IC29 que serve o “centro” de Gondomar. Ao contrário do que a Metro do Porto (com o concurso de um “grupo de sábios”) propôs para a Praça do Império, na Foz, aqui, apesar da proximidade do pavilhão multiusos, da biblioteca, de um eventual shopping e dos nós da auto-estrada, não parece haver vontade para fazer túneis… adivinha-se grande congestão, sobretudo aquando dos grandes eventos da suburbanidade como a Feira Erótica, ou a Semana de qualquer coisa…
2. Mais adiante, a linha curva para Valbom, sem cuidar de servir com uma estação o Centro Hospitalar / Universidade Fernando Pessoa que já foi aprovado (contrariando o PDM e o PU por sinal, que aí previam um “parque urbano”);
3. A estação dita do Pinheiro, em Valbom, não se aproxima do bairro nem da Junta de Freguesia, quando o deveria fazer, afastando-se apenas uns 100m mais para o lado Ocidental e a que se chama “Dr. A. Matos” (Dr. A. Matos?!) deveria chamar-se “Piscinas” (ou “Valbom Centro”) e ser acompanhada de um projecto e um processo capaz de uma forte qualificação de uma freguesia a precisar de centro;
4. Milagre: o metro afinal consegue vencer o declive, apesar de Oliveira Marques e Valentim Loureiro clamaram durante anos que isso era um delírio de uns quantos, poucos (em que eu me incluía). E talvez até seja bom ver o metro entre o Palácio do Freixo e a Rotunda do Freixo, num projecto que se espera de arquitecto capaz, a dar mais urbanidade a um espaço com elevado potencial de qualificação.
Entretanto, como se não bastasse a prioridade do metro a Oeste, o Estado (à escala local, como na central fez com o POLIS) vai tratando de aumentar as assimetrias, agora propondo retirar e distribuir os pobres e remediados do Aleixo (sobretudo para o lado Oriental, aposto!) para no seu lugar trazer os ricos que desejam ter vistas sobre a foz do Rio Douro. Que isto de ter vistas não é para todos, como os moradores dos prédios mais a Sul no Bairro da Corujeira já perceberam e os que habitam o Bairro Rainha D. Leonor correm o risco de vir a perceber.
