De: Augusto Küttner de Magalhães - "O abandono de Monumentos Históricos e o mecenato"
Todos temos a noção de que o país está a passar dificuldades económicas e financeiras, que as despesas têm de continuar a ser controladas e que por isso têm sido feitos muitos cortes em muitas áreas, alguns mais que necessários e que já deveriam ter sido feitos há muitos anos, e outros demasiado cegos, muito de gabinete, que deixam dúvidas se deveriam ser feitos nos moldes em que o estão a ser. Por outro lado muitas receitas em muitas áreas ainda estão por ser cobradas, apesar da vontade e até do empenho em virem a ser solucionadas. Assim, torna-se mais que evidente que nesta fase poder-se-á compreender que muitas obras culturais tenham ficado ao abandono ou a degradar-se. As situações são muitas por todo o nosso país. Como exemplo flagrante e demasiado visível é a Ponte D. Maria que liga as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, que enquanto tecnicamente viável serviu para ser feita a transposição por via férrea entre as duas margens do Rio Douro. Hoje, vemos uma obra belíssima que se está a degradar, que já teve alguns apoios para a sua possivel recuperação mas que de pouco valeram, dado não ter sido dada a devida continuidade, nem como uma possível, passagem pedonal entre as duas margens, sendo que neste último caso possivelmente não será viável dado que estar longe dos centros de maior circulação das margens ribeirinhas das duas cidades. Trata-se de um dos muitos exemplos onde o mecenato pode ser a única possível salvação daquela ponte, antes que acabe por cair. Se todos sentimos que a cultura e a história deste país não se podem nem devem perder, se os monumentos com história se desmoronarem perde-se algo de irrecuperável.
Como também já todos compreendemos que não é viável desviar dinheiros públicos para estas áreas, quando são escassos e fazem muita falta em funções específicas do Estado que terão de ser mantidas, como o tão falado estado social, e várias outras áreas em que a função do Estado não será de obter lucros, mas de assumir os seus próprios compromissos. As obras de arte e história, e não certos mamarrachos de duvidosa harmonia e sem qualquer história que aparecem “plantados” por todos os lados, nomeadamente no meio das numerosas rotundas que foram criadas sem a mínima utilidade mas grande despesa por esse país fora, têm de ser preservadas. Está na altura, dentro das possibilidades de algumas empresas e até de alguns particulares que tenham vontade de o fazer a título de mecenato, por isso compensados no não pagamento de certos impostos, poderem auxiliar na conservação e recuperação dessas obras, e que serão algo que a todos interessa e até servem, se bem conservados, de atracção turistica, algo que é essencial para o nosso país. Sendo evidente que todos os que façam mecenato, e que assim queiram recuperar muitas das obras deixadas ao abandono e volta aqui a referir-se a Ponte de D. Maria, terão os nomes das suas empresas, ou pessoais, junto às mesmas, para além de estarem a contribuir para a preservação das mesmas e do seu conteúdo histórico.



