De: Raquel Pinheiro - "Jardins do Palácio, Congressos e Wellness"
Realmente, como diz o André Gomes, parece que o único local disponível para construção no Porto para um Centro de Congressos é nos Jardins do Palácio de Cristal. Sítios para construir não faltam, locais passíveis de recuperação ou readaptação também não. E, como já foi referido várias vezes há alternativas: a Exponor, o auditório da Casa Diocesana, mesmo junto ao Palácio apontado pelo Tiago e, acrescento eu, a Fundação Cupertino de Miranda, onde regularmente se realizam congressos; os auditórios das Universidades Fernando Pessoa e Católica, os auditórios de várias faculdades, o Palácio da Bolsa, o edifício da Alfândega e mais uma série de locais. E, como também foi referido pelo Nuno Quental, há o Europarque, em Santa Maria da Feira. Este último, como aqui pode ser comprovado fica a 20 minutos do Porto e tem diversas e funcionais acessibilidades.
A arquitectura não ser brilhante – ver nota do Tiago –, não me parece, neste caso, relevante. Se já existem diversos espaços apropriados à realização de congressos de média e grande dimensão, para que é preciso mais um? Mesmo que não fique nos Jardins do Palácio de Cristal, é realmente preciso um novo centro de congressos? E se alguns estiverem a precisar de melhoramentos, que se façam. Se eu fosse marciano e lesse este blog ou as notícias sobre o centro de congressos nos Jardins do Palácio de Cristal perguntava-me: estes portugueses são loucos? Têm um quintal de, no comprimento e largura máximos, respectivamente 516 e 218 quilómetros, uma cidade grandota – Lisboa -, uma segunda cidade média com um mar de cidades à volta, e, nesta segunda e suas proximidades, pejada de possibilidades para um centro de congressos, acharam que era boa ideia destruir parte de um jardim e um lago. Nunca pensarem em maximizar os recursos existentes? São loucos, portanto! Mas, claro, isto é o que um marciano pensaria.
Quantas pessoas terão compreendido o que é um “destino wellness”? Eu levei uns minutos a perceber ter algo relacionado com bem-estar. Será isso? Deve ser. Carlos Lacerda tem alguma razão no seu descontentamento por muitas palavras portuguesas serem substituídas por outras estrangeiras. A mim esse facto não me incomoda particularmente uma vez que há termos de uso internacional mais ou menos convencionado. E, noutros casos, como o do “Make-Up”, presumindo eu que se refere a maquilhagem, a palavra que usamos é um aportuguesamento de outra. O meu problema é a maior parte das notas de imprensa – e das notícias daí resultantes –, enviadas por organismos públicos e privados serem ininteligíveis. São escritos em marketês, uma língua não perceptível a leigos. É o caso desse apontamento do “destino wellness” à volta do qual perdi os tais minutos. Traduzindo, significa que a Região Norte pretende ser o primeiro destino de bem-estar do país. Se assim é, mais uma vez, muita coisa tem que mudar e melhorar. Não basta usar palavras finas e estrangeiras para se ser um “destino de bem-estar”. Para tal se ser é preciso, entre muitas outras coisas, “saber estar”.
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Nota de TAF: Lembrei-me agora de mais um auditório junto ao Palácio - o do Museu Soares dos Reis. Julgo que o Hospital de Santo António (tal como o Hospital de S. João) também terá um. Nas redondezas também a Igreja de Cedofeita tem um. Dificilmente haverá cidade no mundo com mais auditórios por habitante...


