De: Raquel Pinheiro - "Do Palácio, dos Jardins e do Centro de Congressos"
Em relação a este assunto dos Jardins do Palácio de Cristal e do Centro de Congressos devemos começar por fazer duas perguntas:
- 1 – Os Jardins do Palácio de Cristal são um bem necessário e útil à cidade e aos que a habitam e visitam?
- 2 – É mesmo preciso um Centro de Congressos, e, a ser, tem de ficar naquele espaço?
As respostas serão sim, os Jardins do Palácio de Cristal são úteis e necessários à cidade e aos que a habitam e não, não é preciso um Centro de Congressos.
O Nuno Quental e o arquitecto Pulido Valente já abordaram o assunto mas vou reforçar o mote. Os Jardins do Palácio de Cristal, além da memória da cidade que encerram, são frequentados por muita gente. Eu própria frequento-os amiúde, seja para passear ou porque utilizo a Biblioteca Municipal Almeida Garrett. São, ao contrário dos de Serralves (como também refere Pulido Valente) de entrada livre. Não vejo, ao contrário do Vítor, que seja preciso construir ali, mesmo que na frente do Pavilhão Rosa Mota, o que quer que seja. Já chega de disparates em Jardins (como na Cordoaria, onde vai ser “preciso” gastar mais umas centenas de milhares de euros a “rearranjar” a modernice do arranjo) e de atropelar tudo o que é verde para se construir por construir.
Para que precisa o Porto de um Centro de Congressos se há, como bem refere o Nuno Quental, a Exponor não muito longe? Será porque a Exponor não é no Porto, Porto, mas, se não estou enganada, em Matosinhos? O que nos leva à velha questão do absurdo de haver três ou quatro cidades (Porto, Gaia, Matosinhos, Maia, já para não acrescentar Gondomar e outras) com nomes diferentes que deveriam ser apenas uma: Porto. Como são todas cidades diferentes, todas querem “facturar”, ter o seu Centro de Congressos, o seu “maior centro comercial da Europa”, o seu “Metro”. O Porto não precisa de um novo Centro de Congressos, ponto. Tem vários por perto. Que se saiba, o Francisco Sá Carneiro também não fica no Porto e não deixa de ser o aeroporto do Porto. Pode-se passar à fase de ou haver só uma cidade, Porto, ou de coordenar valências e esforços entre os Porto e as cidades limítrofes e parar de desperdiçar dinheiro? E a Exponor não é muito mais perto do aeroporto Francisco Sá Carneiro – a principal porta de entrada para os que virão aos congressos - do que o Palácio? Até se evita a vinda de autocarros com congressistas para o centro da cidade e tudo.
Para que conste, não sou nada velha do Restelo, adoro edifícios modernos, daqueles de vidro e metal, ou de betão, mas o seu a seu dono. Que é como quem diz, cada coisa onde deve ser e com conta e medida.
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Nota de TAF: mesmo ao lado do Palácio existe também um enorme auditório na Casa Diocesana de Vilar. Já sei que a arquitectura não é brilhante, mas ele existe e é frequentemente usado para congressos.



