De: Nuno Quental - "O Palácio de Cristal e o síndrome da «horta de Serralves»"
Caro José Paulo Andrade
Correndo o risco de me repetir um pouco, desafio-o a ultrapassar esse dilema que tão bem descreveu. Desafio-o a pensar não em apenas 2 projectos alternativos, ao contrário do que normalmente nos é impingido, mas sim numa panóplia mais ampla de opções.
Eu compreendo, mas discordo, que os decisores vejam a sua vida facilidade com este tipo de esquema mental bushiano. Ou é preto, ou é branco. Por vezes usam mesmo este método como táctica. Uma das propostas que apresentam é a sua preferida; a outra é propositadamente absurda, de modo a que qualquer cidadão responsável escolha a primeira. Tudo muito democrático, como se vê.
Já não compreendo é que nós, enquanto cidadãos, embarquemos neste tipo de reducionismo. Se nos apresentam 2 propostas, uma má e outra menos má, por que não pugnar por uma terceira que seja boa? Claro que o "bom" e o "mau" depende do critério de cada um, mas isso não invalida que existam mais alternativas, estimulando o debate e a adopção de boas soluções.
No caso concreto do Palácio, eu também concordo que faz falta um grande centro de congressos na cidade. Mas então que seja feito noutro sítio. Por que não demolir aquele trambolho do silo-auto e instalar lá esse centro? Em última análise, se não houver espaço, não se faz. Há equipamentos semelhantes na Exponor e no Europarque. Se muitas urgências dos hospitais podem ser fechadas porque temos actualmente uma boa rede viária, não vejo a necessidade de proceder precisamente ao contrário no que respeita aos centros de congressos.
O que não podemos é estragar uns jardins fantásticos que fazem parte da memória colectiva da cidade, para lá meter algo completamente dissonante, tanto em termos paisagísticos como arquitectónicos. Haja um pouco de bom senso!
Nuno Quental



