De: Nuno Oliveira - "Ainda o Aleixo"

Submetido por taf em Terça, 2008-07-22 22:03

Em relação às aqui discutidas mudanças iminentes no bairro do Aleixo, aparentemente tanto a Câmara e os seus futuros investidores como os leitores d'A Baixa do Porto já tomaram a sua decisão quanto ao destino do bairro, restando "apenas" a opinião do moradores do mesmo bairro que mais uma vez se vêem marginalizados de qualquer discussão ou processo negocial.

Quem habita o espaço e vai ver a sua vida completamente alterada (mais uma vez) merece ser um elemento-chave da solução, no mínimo, de modo a agilizar e a gerar concordância no processo. Em vez disso viu-se hoje um início do que será (sem necessidade mas compreensível) um longo protesto inaugurado com a nova providência cautelar - a qual é menos desencadeada, na minha opinião, por discórdia da solução proposta do que pela absoluta arrogância de todo o processo de decisão. Também eu não gostava que tomassem por mim qualquer decisão fundamental sobre a minha vida, fosse ela benévola ou não...

Como o Luís Gomes, também eu sonhei com uma vida no centro do Porto e vejo-me confrontado agora com a minha ingenuidade, mas tenho esperança que a onda de reabilitações (de certeza económicas) que seria necessária para realojar o Aleixo na Baixa possa incluir também alguns daqueles que aguardam por uma janela de oportunidade de regresso à cidade. Não tenho problema algum em ser vizinho de gente de bem, seja que rendimento tiver ou de que bairro venha e o que Sr. Artur Gomes não compreende é que as cidades são espaços heterogéneos de pessoas e de lugares que não podem ser vitimizados por modos higienistas de fazer cidade e sociedade que eu julgara caducados nos anos 60. Somos o nosso meio e por vezes esquecem-se alguns críticos dos "cadastrados", daqueles que cresceram e que crescem num Aleixo para onde fomos nós, a sociedade no seu todo, que para lá os mandámos.

Mandem-me também a mim para a Baixa!

Com os melhores cumprimentos,
Nuno Oliveira