De: Maria do Porto - "A História repete-se"
Não resistindo à tentação de fazer um breve comentário ao recente “Plano de Salvação” do Aleixo gostaria de dar a conhecer analogamente um projecto cuja recente extinção oficial, Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica, demonstrou mais uma vez que “o que é bom acaba depressa” e que efectivamente a história se repete!
O plano de actuação desta instituição foi durante largos anos a intervenção urbana e social, implementada na zona classificada Património Mundial da Humanidade, pela Unesco em 1996. Área essa que, na década de setenta, tinha aqui localizada uma das zonas de maior risco, Ribeira/Barredo, cuja intervenção urbana e social esteve a cargo do extinto CRUARB-CH, tendo-se consequentemente fragmentado a sua população, promovendo-se a sua dispersão nos bairros sociais que foram surgindo um pouco por toda a cidade.
Não querendo de forma alguma estar com demagogias parvas, até porque a maior parte das pessoas que teceu comentários sobre o bairro em questão conhece bem a realidade do Centro Histórico e da Baixa, não posso deixar de realçar o papel fundamental que a FDZHP teve na reeducação, formação e na promoção de melhorias de condições de vida habitacionais da população do Centro Histórico (ver www.fdzhporto.pt, projectos). Tudo isso passou por planos integrados de reabilitação urbana e social onde, para além de se promover a reabilitação dos edifícios com posterior realojamento e acompanhamento das famílias aí colocadas, se dava acompanhamento escolar e extra-escolar a bebés, crianças e jovens, para além da formação profissional promovida no Núcleo de Formação Profissional, com vista à integração no mercado de trabalho da população que a frequentava. A coisa funcionou muito bem até termos o apoio incondicional de um Estado dito de providência, que é o que se espera numa situação social crítica, sendo exemplo disso o recentemente criado plano de inclusão nacional, promovido por Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa.
Surgem então as seguintes questões: O que falhou em tão brilhante e eficaz exemplo de acção integrada? Porque parou? O que provocou a sua queda? Para onde foi o know how adquirido pelos técnicos ao longo de aproximadamente 15 anos? Como se conseguiu desacreditar uma instituição com provas dadas e muito elogiada pelo seu trabalho nos Projectos que desenvolveu a nível nacional e no exterior? O que fazer ao seu património (famílias, equipamentos e edifícios)?
Ora, é aqui que entra o Aleixo, bairro que teve parte da sua ocupação populacional oriunda do Centro Histórico do Porto. Mais uma vez, vamos inverter a ordem das coisas: realojar uma população na origem, mas com os mesmos problemas, marginal, socialmente degradada e com sérios riscos de guetização, porque agora já não existe a Fundação!
Maria do Porto
Moradora do Centro Histórico
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Nota de TAF: o(a) autor(a) do texto, apesar de se ter identificado perante o moderador do blog, prefere manter publicamente o anonimato adoptando um pseudónimo.



