De: Cristina Santos - "Somados aos 20% que ainda lá estão..."
Pois Francisco, concedo que não fiz as devidas pesquisas antes de me pronunciar. Na reportagem do JPN vêm explícito o número de metros quadrados a disponibilizar no Centro Histórico (4.200m2) e a referência a prédios na Rua das Musas, e vários pela cidade. Óptimo.
Mas no caso do Centro Histórico acontece o seguinte: igual número ou até superior de moradores habita lá à espera de realojamento ou de reabilitação, quer isto dizer que, por alto, 20% mais os 20% que já lá estão, são 40%, mais 5% de emigrantes de países de Leste, são 45% de pobres. Some-se a estes aqueles que saíram das casas da CMP para bairros, mas fazem a vida diariamente neste local.
Não discordo da demolição, nem da dispersão de moradores, mas vai ser necessário rigor extremo no planeamento da situação de realojamento no Centro Histórico. Cuidar da segurança neste local não é o mesmo que fazê-lo noutra freguesia, as condições naturais e sociais são adversas, é preciso toda a atenção para não se criar mais uma bomba, pobreza já lá há quanto baste.
Também há no Centro Histórico quem como os moradores do Aleixo queira viver em paz e não possa, porque há droga, há grupos, porque há pressão e falta de segurança, e estes factores não estão ultrapassados ao ponto de poderem receber mais pobreza como vizinhança e fazer-lhe face. Por outro lado as casas precisam de ser reabilitadas, reocupadas, não sei, mas sinceramente dá medo que as coisas retornem aos anos 90 e o Centro Histórico se volte a afundar. Esperemos que não… esperemos que a CMP tenha pensado convenientemente nisto, está em causa a única valia intemporal da nossa cidade.
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Cristina Santos



