De: Carlos Manta Oliveira - "O Show Off da Arrábida"
Caros TAFianos (permitam-me a expressão),
Às vezes as respostas estão tão à frente do nosso nariz que não as vemos. Mas Carlos Ruben viu-a muito bem. É o Show Off. Clara e absolutamente, não podia ser de outra maneira, não há que o disfarçar.
Claro que um Bike Tour podia ter lugar ligando Barca D'Alva a Pocinho que não incomodaria absolutamente ninguém. Até se podia interromper a circulação de Metro no Domingo de manhã e fazer o percurso Corte-Inglés até a Casa da Música, usando o canal do Metro. Em fila indiana e no espaço entre os carris de cada sentido haveria condições de segurança, e já que distribuiu tanto equipamento útil pelos participantes, os patrocinadores poderiam incluir uma lanterninha também. E assim escusava-se de incomodar.
Estou a exagerar, estou a ser irrealista? Mas isso é precisamente o que tenho vindo a ler entre "sequestros" e acusações de "vandalismo". Tantos crimes contra os automobilistas, e a troco de quê? De uns oito mil darem um passeiozito? De chamar a atenção que afinal é possível usar as bicicletas nas cidades? Será que vale a pena?
Leio neste Blog críticas cerradas a corridas automóveis (que fecharam durante dias uma artéria da cidade), e a estacionamento selvagem junto a edifícios e aos poucos parques na cidade. Criticar a seguir iniciativas que colocam oito mil bicicletas nos portuenses parece-me um tiro no pé, mas cada um tem direito à sua opinião.
Ontem fui cortar o cabelo e para meu espanto em vez do futebol, das transferências, da corrupção dos autarcas locais que são os temas mais comuns na barbearia do Sr. Artur, só se falava de bicicletas. Onde as guardar, como as trancar na garagem, como afinar os travões, que sítios vale a pena ir, se é permitido andar com elas ou não dentro do comboio e do metro, dos tombos que uns e outros deram, de há quantos anos alguns não andam ou andavam de bicicleta. Fiquei abismado. Repito, não participei no evento, mas ao ouvir os relatos de quem foi e de quem viu fiquei com pena.
Continua a pergunta fundamental, porquê a Ponte da Arrábida? Porquê fechar uma auto-estrada? Sugiro que procurem as respostas, a minha é a de Carlos Ruben. Se assim não fosse duvido que uma só gota de tinta corresse aqui no Blog (bem sei que não corre tinta nem papel), ou que o evento tivesse o mesmo tipo de visibilidade. É evidente que quanto maior a exposição maior o impacto do evento. Como alertar e cativar as pessoas para as possibilidades, benefícios e prazer do uso da bicicleta e do desporto, com eventos discretos e despercebidos? Porque é que Lisboa tem duas maratonas, uma em cada ponte? Não seria mais prático fazer apenas do Marquês do Pombal aos Jerónimos? E eventualmente várias voltas ir e vir até perfazer a distância...
Que prazer tem atravessar a Ponte da Arrábida de bicicleta? Eu encontrei essa resposta o ano passado, em cima do tabuleiro. Uma sensação indescritível, só a conhecerá quem a experimentar.
Ainda assim acham exagerado encerrar uma vital e essencial auto-estrada, ainda que durante parte do fim de semana? Não aceito, mas respeito a opinião, a ela têm direito, mas repito, é uma vez por ano, marquem no calendário e rogo-vos por um pouco de paciência e tolerância. Eu também a tenho com businões e marchas lentas contra o preço dos combustíveis e as portagens, apesar de na minha opinião só assim se conseguir reduzir a percentagem de automóveis com um só passageiro que circulam na VCI.
Cumprimentos,
Carlos Manta



