De: Pedro Bragança - "Aliados?"
Há, claro, um grande erro frequentemente repetido que me esqueci de falar - mas, ainda bem, agora lembrou. Duvido muito dessa ideia do canteiro no espaço urbano. Seria mais sério reclamarmos o parque urbano na zona oriental ou os outros quatro que falham desde o plano Auzelle, se não me engano. A verdade é que a Av. dos Aliados foi um erro grave; apenas o início de um conjunto de erros que a Burguesia do Porto cometeu, estupidamente, na primeira metade do século XX (a construção da Câmara foi outro, provavelmente maior). O facto de termos uma avenida-praça-campo-terreiro convida a gestão (?) da Câmara a que permita que aconteçam ali as feiras, barracas, tendas, etc. Não há problema que isso aconteça, desde que haja organização, planeamento e, acima de tudo, compensação.
Em termos espaciais a Av. é má e será sempre. Porque qualquer espaço com aquela proporção (tem mais de 400 metros de comprimento), será sempre um lugar estranho e de pouco afecto. O desenho que conforma a Av. é, também, muitas vezes duvidoso. Eu estaria hoje muito mais feliz se, no início do século, tivessem decidido manter a Praça da Liberdade, reforçando-a como praça, mantendo o edifício da Câmara, se não tivessem demolido todo o edificado envolvente da Sé e se tivéssemos algo idêntico (como antes acontecia) com um Plaza Mayor - onde, num domingo com sol, como hoje, estaríamos todos a tomar um café, a discutir, a beber um fino, ou a estudar para os exames.
O que A. Siza e E. Souto de Moura fizeram foi dar à cidade o espaço que não tinha - o espaço polivalente aberto. O espaço onde festejamos o 25 de Abril (ou devíamos), o espaço onde festejamos as consecutivas vitórias do F. C. do Porto, onde acontecem eventos espontâneos, planeados... Ora, para isto é necessário gente, pessoas, vida.... E - reforço - o granito não vai dar vida à Praça, nem hoje, nem nunca! Acredito que a Porto Lazer continue à espera que isso aconteça. A cidade espera pela acção e movimento. Eu anseio por uma gestão da autarquia mais coerente e inteligente, que distinga cultura de lazer, que conjugue as duas, que entenda a diferença entre Fastas ou Fitei e La Feria.
Até lá, caros, vamos andar frequentemente - como eu gosto - apenas a discutir espaço, qualidade de espaço, conformação de espaço e projecto de arquitectura. Porquê? Porque enquanto não houver Cultura e qualidade de programação cultural, nada disso podemos discutir, lamentavelmente...

OBS. na foto, um outro evento, também na praça, de dança, fogo e teatro de rua - que organizei faz hoje um ano.
Cumprimentos renovados,
Pedro Bragança




