De: António Alves - "O PSD e o Porto II"
Julgo que Pedro Passos Coelho não venceu por dois erros básicos que eu aqui e aqui referi. Perdeu os votos dos militantes mais regionalistas, para Santana Lopes, por não ter tido a coragem de assumir uma posição clara quanto ao seu posicionamento neste importante tema; perdeu também votos, desta vez para Ferreira Leite, por ter tido a falta de discernimento de alinhar numa posição demagógica e populista advogando a descida do ISP para agradar aos militantes de classe média para quem o automóvel começa a deixar de ser um objecto de status e prazer para ser um fardo cada vez mais difícil de suportar.
Os resultados não muito diferentes dos 3 candidatos principais era previsível. O PSD já não existe na realidade. São pelo menos 3 partidos distintos: o conservador, estatista e centralista; o popular, ou ‘populista’, como muitos preferem dizer, e mais autárquico; um vagamente e ainda incipiente partido liberal. Enquanto der acesso a alguns lugares de poder vai sobrevivendo. Quando estes começarem e escassear drasticamente e as expectativas de voltar a dominar a máquina estatal se desvanecerem de vez, implode. O que seria deveras clarificador do espectro político.
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Nota de TAF: Caro A.A., a sua análise parte de um pressuposto a meu ver errado: o de que PPC teria defendido posições em função do que ele pensaria ser a respectiva popularidade, e não como resultado das suas convicções (certas ou erradas).
