De: Carlos Manta Oliveira - "Sobre o Bolhão"

Submetido por taf em Segunda, 2008-01-21 22:48

Ao contrário de outros contribuintes para o Blog, eu não costumo fazer compras no Bolhão, nem nunca tive esse hábito. Apesar de sempre ter vivido no Porto, e de a minha mãe trabalhar bem perto do Mercado, nunca foi hábito na família lá fazer compras. Os "frescos" só o são ao início do dia. Ao fim do dia, quando as pessoas saem do emprego e vão para casa, os "frescos" já estiveram no Bolhão quase 12 horas e por muito saudáveis e naturais que tenham sido, já não estão nas condições ideais. Imagino que haja quem tenha um estilo de vida que permita uma visita ao Mercado do Bolhão pela manhã e leve os frescos para o frigorifico em casa, mas a maioria não tem essa sorte.

Apesar disso, vou com frequência ao Bolhão. Sempre que recebo visitas passo obrigatoriamente por lá, e adoro ir espreitá-lo para ver o Porto verdadeiro. É um sítio fabuloso para fotografias e contactar com pessoas genuínas. O que todas as pessoas que levo lá dizem é ser uma pena estar tão degradado, e a falta que faz um café ou uma esplanada no interior. Parece-me imperioso manter vivo o Bolhão, mas adaptá-lo aos dias de hoje para que possa sobreviver.

Dou toda a razão e mais alguma a Alexandre Burmester. Se calhar tudo se evitava se o processo fosse mais transparente, no mínimo ficando público e claro o projecto que se pretende para o Mercado. Mas a verdade também é que o resultado do concurso público já é conhecido há muito tempo, e o projecto alternativo defendido por quem patrocina esta manifestação também prevê construção de piso subterrâneo para estacionamento e lojas em substituição das bancas tradicionais, ou seja, exactamente defende aquilo que se manifesta ser contra.

Carlos Oliveira