De: Pedro Bismarck - "Cityscope - The famous Bombarda"

Submetido por taf em Quarta, 2008-01-16 11:14

Rua de Miguel Bombarda

» rua de miguel bombarda, sábado, 12 de janeiro às 19h. Dia de inaugurações.

Não tem de haver pretensiosismos nem pseudosismos! As inaugurações de Miguel Bombarda são uma excepção. É possível ser organizado em Portugal, sincronizar calendários, arranjar espaços, ter vontades comuns, ideias criativas. Mostra que quando somos mais e nos organizamos podemos ultrapassar os "curtos" objectivos "locais". Alcançar mais pessoas, outros mercados, adquirir novas parcerias. Tudo isso é possível. Até a CMP, à sua medida, percebeu o valor deste acontecimento. A Famous Grouse encarregou-se do catering e da sua auto-publicidade. Claro que é preciso sempre ceder em alguma coisa, e este é o jogo que importa discutir: como transformar este singular evento cada vez mais apetecível sem lhe retirar a dose de espontaneidade que o caracteriza? Como pode ser este um evento cada vez mais acessível a todos? Isto é, dar aos cidadãos a possibilidade de verem arte, sem no entanto o "banalizar"?

Nesta última "ronda de inaugurações" senti a fragilidade desse equilíbrio. A massificação traz sempre uma certa banalização. Por isso é preciso saber jogar, saber oferecer sem retirar aquilo que lhe aufere o interesse: o estarmos aqui juntos para termos a possibilidade de "ver" arte. O espectáculo são as inaugurações e não a artilharia pesada da Famous Grouse. A rua estava aliciante com as luzes coloridas, os spots publicitários da FG e a tradicional música de rua e o tempo até ajudou. Mas é preciso manter uma certa dose de "sense and sensibility". Senão corre-se o risco de "afeirar" e assustar os próprios galeristas e artistas. Não passar do oito ao oitenta.

O diálogo com o sponsor do evento é essencial. A Famous Grouse poderia tornar as suas "campanhas" publicitárias durante o evento um pouco mais aliciantes e criativas, porque não, ela própria, convidar artistas, promover concursos para as suas actividades. E tirar aqueles relógios ambulantes do Dalí. Se quer ser mecenas, então que seja. Mas atendendo ao panorama local é uma surpresa, é uma lufada de ar fresco, o Porto parece uma cidade! A última a perceber é sempre CMP, que ainda assim deixou ficar uns quantos buracos espalhados pela rua. Ainda se fossem o início das prometidas obras. De qualquer modo já ficaria contente se pelo menos a mantivessem limpa todos os dias.

*Pedro Bismarck [opozine - o manual de instruções para a cidade]