De: Cristina Santos - "As criancinhas, a crise e o metro"

Submetido por taf em Segunda, 2007-12-31 14:31

Tive mais sorte, fui de metro, a viagem é sempre agradável embora confusa, já aprendi andar do Carolina para a Baixa e para o Campo 24 de Agosto, já tenho 6 andantes. O problema desta vez foi ter embarcado nos Aliados, como tive que mudar na Trindade quando percebi estava novamente no Bolhão, mas é rápido portanto é muito divertido.

Aliás, neste novo mundo em que as crianças são para lá de exigentes, a única coisa que apreciaram foi andar de metro e tirar uma foto com o Sapo, o resto, como diz o Manuel Leitão, é fraquinho, mas também é gratuito. Engraçado como gozaram a árvore, tanto ferro para tão poucas luzes, diziam enquanto eu tentava que esperassem 2 minutos ou 3 para aquilo se iluminar. O meu miúdo, que continua a achar que a Câmara é um monumento, lamentava que não estivesse iluminado, que não houvesse bancos, acho que confunde o Natal com o São João… Na roda, também gratuita, assustavam-se uns aos outros, «olha os parafusos, isto vai cair, não rodes, não rodes», no gelo desistiram ao fim de 2 voltas, havia muitas pessoas sem patins no interior, mesmo que quisessem não se podiam agarrar.

Enfim, crianças da nova geração, demasiado exigentes e críticas, tudo é parolo, tudo é foleiro, porreiro é ir para casa jogar na PS. Ainda tenho que levar as crianças ao Circo, para não quebrar as tradições instituídas por meu pai, as bombocas, o circo, as bolas de berlim, e a paixão pelo Porto, não posso deixar cair isto em desuso, mas é cada vez mais difícil, já sei que vou levar com um chorrilho de críticas, coitados dos animais, os panos são velhos, os palhaços estão mal vestidos; ser mãe no Séc. XXI é uma tarefa bem difícil.

Quanto a transtornos, o único que tive foi mesmo ver a crise estampada no rosto dos transeuntes, nas roupas, nos sorrisos, parecia-me que a Baixa regrediu muitos anos, que aquelas pessoas não eram nem podiam ser portuenses, a crise atingiu-nos, e tem marcado a nossa postura. Às 22 horas já poucos resistiam, na paragem do metro não havia praticamente ninguém, nas ruas as luzes são muito fracas, logo obviamente que não vou para a Baixa, tenho todo o respeito pelo Roberto Carlos português mas tenho que começar o ano em grande.