De: Cristina Santos - "«Os carrascos também morrem» e outros filmes"
Hoje enquanto ouvia as pessoas no café a comentar que os gangs do Porto poupam trabalho à Policia, e que até é bom que os criminosos se dizimem uns aos outros, lembrei do Fritz Lang, naquele filme onde o carrasco é morto e depois toda a população civil é dizimada como forma de retaliação e autoridade.
Como era um pouco exagerado para a cena em questão, mudei a película psicológica para o Ministro das Finanças e divaguei sobre os sinais externos de riqueza. Um porsche mais ou menos sei quanto custa, mas quanto custará uma metralhadora? Imaginei as pomposas declarações de IRS dos criminosos e o nível da colecta a que estarão sujeitos, e por momentos senti uma certa pena dos indivíduos, tantos impostos que certamente pagam e não disporem de uma autoridade que os defenda.
Ainda tive tempo de ver passar no meu lóbulo frontal aquela cena do Cidade de Deus em que os polícias apanham os bandidos, recebem a mala do dinheiro e soltam-nos de seguida, e quando não havia mala não havia esperança para o terrorista, era abatido sem só nem piedade. Mas este filme também não encaixava, aqui é mais fácil fazer isso ao abrigo da lei jurídica, que permite que facilmente a mala chegue ao Juiz. O Gang dos tubarões foi o último filme sobre a problemática que vi no cinema, o coitado do Óscar - um dos peixes mais frágeis do Oceano - assume o protagonismo na morte de um tubarão, para assim ser respeitado pelos gangs do oceano.
De qualquer forma, dormi mal esta noite, e quando durmo mal só vejo filmes, devia ter-me levantado às 10 para as 9, o buondi já não é o que era e as pessoas também mudaram os seus moralismos, são agora mais condescendentes, provavelmente já nem vêem filmes, ou é isso ou devia ter pedido um cimbalino.
