De: Manuel Leitão - "As Cardosas, o Metro, o mamarracho, a maior árvore de Natal da minha terra e outras patifarias"
Há já uns bons pares de anos, foi inventada em França uma actividade deveras radical que é conhecida pelo nome de “parkour”. Consiste, basicamente, em superar e ultrapassar obstáculos em meio urbano através do salto e da corrida, recorrendo unicamente à destreza e força física. Por vezes a coisa corre mal aos praticantes e lá acontecem as costelas partidas, quando não pior.
Proponho, contudo, em alternativa, por exemplo, às corridas de avionetas, um evento baseado no “parkour” e que consiste numa corrida de shopping em shopping através dos telhados do Porto, podendo incluir no percurso a maior árvore de Natal da minha terra e o mamarracho do Palácio. A corrida iniciar-se-ia no, prestes a inaugurar, telhado do Plaza Shopping, daí saltando, para começar sem grande esforço, para o do Via Catarina. O telhado do muito em breve Bolhão Shopping seria o objectivo do “pincho” seguinte, antecedendo o do futuro BCP Shopping, ali entre a D. João I e o Bonjardim. Mais um saltinho e os participantes aterrariam na maior árvore de Natal da minha terra (este ano tocou ao Porto, mas o meu compadre de Carrazeda de Ansiães tem esperanças de que, mais ano menos ano, a dita lá há-de ir parar…). Dali ao Cardosas Shopping é só um pulinho e sendo a descer mais simples se torna. Já o salto seguinte, até ao mamarracho do Palácio, se reveste de muito mais dificuldades e seria, por assim dizer, a prova dos noves em relação à capacidade dos concorrentes e à espectacularidade do evento. Aqui terminaria a prova, a menos que algum dos concorrentes preferisse refrescar-se e, então, poderia daí lançar-se directamente para as águas do Douro onde seria recolhido, por exemplo, pelos pescadores da Afurada com a ajuda dos grossos remos dos seus barcos de pesca artesanal.
A grande vantagem desta corrida é que, ao invés da das avionetas, os concorrentes poderiam ser portuenses ilustres, desde logo começando por Rui Rio - eventualmente fazendo equipa com Laura Rodrigues - sem esquecer Arlindo Cunha, o homem do SRU, a administração do Metro (merecedora duma wild card muito especial pela sua magnífica gestão, especialmente na questão das multas a 95 euros) e até, se o negócio lhe permitisse estar pelo Porto nessa altura, o La Féria – que embora não sendo do Porto é como se fosse (pelo menos lá se vai abotoando menos mal por cá…). A multidão que encheria as ruas do Porto faria esquecer a das avionetas. Os próprios comerciantes da Baixa estariam entre os espectadores mais atentos – até parece que já estou a vê-los de pescoço espetado em direcção ao céu, imaginando sabe-se lá que desenlace paras as performances dos “parkouristas”…
Aqui fica o repto à Porto Lazer ou outra entidade com a mesma idoneidade e meios para, por uma vez, nos encher a todos de orgulho.
