De: Rui Valente - "Lufada de ar fresco, no superlativo"
Uma verdadeira lufada de ar fresco, foi o post perfumado de "Patchouly" (é assim que se intitula o seu autor) no blog "naoseipramais", que o António Alves nos recomendou há uns dias. É uma lufada de ar fresco curiosa e bem elucidativa.
Curiosa, porque releva o muito positivo daquilo que - apesar de tudo - se foi fazendo no Porto, não sendo contudo bastante para esvaziar significativamente o negativismo de que os portuenses vão por ora padecendo (aparentemente sem justificação para alguns). Elucidativa também, porque - apesar de funcionar como um tónico para a nossa alma de tripeiros decepcionados -, em todos os organismos e obras elogiadas pelo autor do post não foi visível nem notória a mão ou a influência do actual Presidente da Câmara Municipal do Porto...
Além do mais, eu, que tenho sido um assumido crítico de Rui Rio no que à 'grande' gestão da autarquia concerne, que não me entusiasmo com os seus parcos salpicos de benfeitorias, nem com corridas de calhambeques, não me posso contentar com o que já está feito, mas antes preocupar-me com o muito que ficou por fazer. Contudo, é bom recordar que também já aqui enalteci com grande prazer algumas das realizações aludidas pelo "Patchouly", mas que aos méritos do presente autarca nada se devem.
Quem, apesar disso, considerar maledicência a profusão de fotos aqui publicadas por muitos participantes de "A Baixa do Porto" que testemunham com seriedade o estado degradante a que a cidade antiga chegou, só pode é estar cheio de boa vontade e sem pressa de ver o Porto de cara lavada. O optimismo pelo que está feito e bem (Metro do Porto, Lipor, Porto de Leixões, Aeroporto Sá Carneiro, Serralves, Parque da Cidade, Casa da Música, Estádio do Dragão/ F. Clube do Porto), atenua um pouco o nosso mal estar, mas não pode fazer-nos esquecer o estado sujo e deprimente a que chegaram algumas praças e ruas da nossa cidade. A Cordoaria e a Rua de Santa Catarina são só dois casos dos mais flagrantes, mas há muitas mais. O centro histórico está cheio de ruínas e não pode ser ignorado apenas pela emoção de tanto gostarmos do Porto, mesmo assim como está, velhinho e mal tratado.
Como muito justamente diz o Tiago, o "exemplo" de cidadania activa que Carlos Romão nos transmite com a carga expressiva das suas imagens na "Outra Face da Cidade Surpreendente", não pode sugerir a manutenção do velho e decadente como contraponto a uma regeneração mais célere e abrangente do património local, sob pena de termos de andar eterna e alegremente a "aplaudir" a inauguração de simples fontanários à laia daquele rectângulo de água corrente colocado defronte do edifício camarário com ridículas pretensões futuristas. Precisamos de muito mais e melhor. Sem demoras.
Rui Valente
PS-Gostava de ver a expressão amarela de Rui Rio se tivesse lido esta frase do Patchouly àcerca do Futebol Clube do Porto: "É sem dúvida a instituição portuense que mais contribui para a visibilidade da cidade fora de portas, sendo provavelmente a que mais se desenvolveu no pós-revolução."



