2005/05/07

De: Helder Sousa - "Ainda o Aleixo" 

A questão dos Bairros Sociais e do Bairro do Aleixo em particular, vai muito além da disposição dos edifícios, dos jardins e das infra-estruturas existentes. Mesmo que tudo isto seja parte considerável do problema a ter em conta.

A pobreza é um estado que não se altera com casas novas. A pobreza limita os movimentos, aumenta as distâncias entre as pessoas e torna tudo mais difícil.

A pobreza – e pobreza não é só uma condição económica, é falta de qualidade de vida, desemprego, ignorância, falta informação, exclusão – leva à sobrevivência. Ninguém rouba porque gosta de roubar; o pequeno traficante que corre à frente da torre 1 do Aleixo não trafica droga por prazer, o lucro que tem com isso serve apenas para cortar a ressaca; nenhum toxicodependente gosta de o ser.

A pobreza é pois o maior factor de exclusão destas pessoas. Inserindo-as noutras comunidades, noutros locais, construindo outros bairros com espaços mais humanos, mais dinâmicos e habitáveis, não vai transformar a condição social das pessoas.

A qualidade de vida das populações passa fundamentalmente pelo acesso à educação, pela informação, por políticas honestas de combate e prevenção da toxicodependência, pelo apoio social e pelo acesso a cuidados de saúde de qualidade.

Caso contrário as pessoas vão continuar a existir nas mesmas circunstâncias. Vão continuar a precisar de doses diárias de heroína, vão continuar a precisar de dinheiro para comprar salbutamol para a asma, vão continuar a precisar de entrar no mini-preço e roubar alguma coisa, vão continuar a estacionar carros, vão continuar a não ter dinheiro para a necessária roupa nova que pode fazer com que arranjem um emprego a limpar escadas no nosso prédio, vão continuar sem perceber porque é que uma casa num Bairro diferente é melhor do que a que têm no Aleixo!

E como nada disto se resolve em meia dúzia de anos, talvez seja melhor até lá demolir uns quantos bairros e realojar decentemente as pessoas. Ainda é mais fácil, mais rápido e mais barato construir casas do que mudar um país!

Um abraço,
Hélder Sousa
No Bairro do Aleixo

De: TAF - "Sábado na imprensa" 

- Rui Rio será candidato
- Assis opõe-se à decisão de Correia de Campos sobre o processo do CMIN
- Assis acha que ministro deve cumprir protocolo sobre bairro Parceria...
- ... e desafia Rio a optar pela saída do túnel de Ceuta junto ao "Santo António"
- Francisco Assis já fez a primeira promessa eleitoral: túnel com saída no Carregal - Já aqui escrevi que nas actuais circunstâncias me parece a melhor solução.

- Milhares na «Dolce Vita»
- Centro Comercial Dolce Vita abriu de forma discreta
- Bertrand inaugura novo conceito de livraria no Dolce Vita do Porto
- Desfile de carros eléctricos hoje na marginal
- Ligação área aproxima comunidade portuguesa em Clermont-Ferrand do Porto

- As Casas de Oitocentos em análise nos Serões da Bonjóia - Já por duas ou três vezes me inscrevi na mailing list que é anunciada em http://www.bonjoia.org mas continuo sem receber nada... Falta algures um pequeno choque tecnológico. ;-)

- Mudar a Asprela até 2009 - Volta-se a falar de um "Parque de Ciência e Tecnologia" na Asprela e eu volto a lembrar que é conveniente coordenar-se trabalho com a SRU por causa do projectado "Parque da Inovação". Só falta que agora venham inventar mais um parque tecnológico "multipolar", que no Norte costuma ser a maneira supostamente diplomática de cada paróquia ter o seu parquezito.

- Escrevi há dias sobre o Centro Hospitalar de Gaia, que tem dois pólos, um no centro da cidade e o principal no Monte da Virgem. Pode-se agora no Dias com Árvores ver algo do que eu referi quanto a este último local.

- A Baixa em papel

2005/05/06

De: Pedro Burmester - "Questões sociais" 

Cara Cristina Santos,

Mais uma vez venho comentar as suas afirmações sobre questões sociais. Você não é capaz de entender onde está o seu erro de raciocínio. O mundo não pode ser dividido em mais fortes e mais fracos, nós e eles. Para si há um sistema vigente, que está correcto, e quem não quiser que viva à parte mas não incomode muito os outros. São uma espécie de animais selvagens. É precisamente essa a postura da CMP em relação a estas e outras questões. Nós (CMP e afins) estamos certos e não admitimos estar errados. No mundo haverá sempre excluídos e não há nada a fazer. Resta praticar a caridade “cristã” para ganhar um lugar no céu. Valha-nos Deus!

Tenham muito medo do futuro baseado nestas premissas porque somos “nós” que estamos a dar cabo do mundo e não “eles”.

Pedro Burmester

De: Cristina Santos - "A vida em qualquer edifício" 

Em resposta à afirmação e raciocínio que me atribuem, quero esclarecer que acho que se deve intervir, mas ao mesmo tempo também acho que há pessoas que preferem outros tipos de vida.
As vezes duvido que seja legítimo ordenar as coisas, segundo critérios definidos pelos mais fortes.
Há uma coisa que admiro nos Bairros, a união.
Interrogo-me se será legitimo querer separá-los só porque não obedecem a um sistema, que assegura a vida em sociedade, será que não há pessoas que escolhem viver à parte?
Pessoas que não se interrogam sobre leis, pessoas que não pretendem mais nada do que o ambiente que criaram?

Claro que a liberdades destas pessoas termina onde se inicia a liberdade dos seus semelhantes, por isso nós tentamos intervir e eles reagem defendendo-se, vejam-se as intervenções policiais, a protecção aos moradores etc…

Se repararem, sempre que falo deste assunto termino com esta pergunta, e quanto a mim é legitimo deixar que pessoas adultas optem, quem somos nós para chegar perto e dizer – sei o que é melhor para si – se repararem na maioria das vezes somos nós que nos queixamos e não eles.

Bem, mas isso são questões filosóficas, que não visam mais que questionar se algum dia lhes perguntaram a eles directamente aquilo que pretendiam.
Eu não defendo isso, mas para defender alguma coisa tenho que analisar todas as possibilidades.

Para remate deixo-vos outra questão, em países da Europa a habitação social em bandas de quatro moradias proliferou há anos, o que aconteceu assim em termos gerais é que as famílias que foram colocadas nesses ambientes cresceram.
Os filhos casaram, tiveram outros filhos, e continuaram todos a viver na mesma moradia, o excesso de gente voltou a acontecer, é que isto de moradias em banda já se faz há alguns anos na Europa, com o aumento da concentração voltaram os mesmos problemas e necessidades.

Acresce ainda o problema que a emigração de Leste que invadiu esses países ocupou as zonas degradas dos centros dessas cidades.

Podemos evitar isso em Portugal, poderá acontecer comnosco?

Cristina Santos

De: TAF - "Um pouco mais longe" 

Concordando com o que o Francisco acaba de escrever, eu vou um pouco mais longe mesmo sob o risco de parecer politicamente incorrecto ou "autoritário".

Há aqui várias questões paralelas:
  1. as condições de vida (no sentido mais lato) proporcionadas às pessoas do Aleixo;
  2. a capacidade que cada uma dessas pessoas, individualmente, tem ou não de escolher o seu rumo em inteira liberdade, fora de dependências de químicos, de ambientes castradores, de uma pressão social indutora de conflitos;
  3. as regras gerais de convivência em sociedade que são OBRIGATÓRIAS em qualquer ponto da cidade e para toda a gente.
É claro para mim que é meu dever moral trabalhar para que, quanto aos pontos 1 e 2, toda a gente tenha acesso àquilo que eu próprio tive. Só assim poderão exercer a sua liberdade.

É também claro para mim que é meu dever cívico contribuir para que não haja nenhum ponto do território onde a Lei não tenha força, onde ninguém se sinta seguro, onde a Polícia não entre sem ser em operações especiais, onde as normas mais básicas de civismo não estejam garantidas. E este ponto não depende do acordo ou da vontade dos habitantes do Aleixo: é um DIREITO de cada um de nós.

Posto isto, é evidente que resultados significativos só se conseguem quando há a colaboração activa da esmagadora maioria dos envolvidos, quando as resistências são apenas marginais. A evolução resultará da contribuição dos habitantes do Aleixo, da administração local e central, dos munícipes do Porto que, como nós, querem provocar mudanças, etc., etc.

De: F. Rocha Antunes - "Os edifícios da Vida II" 

Meus Caros,

Vou dedicar o fim-de-semana a propor métodos, regras e objectivos do processo que quis desencadear. Sei que tem de ser aberto, de pessoas para pessoas, e que tem de ser participado. Comecei já a tomar notas sobre todos os posts que entretanto se escreveram sobre o Aleixo. Sobre isso ainda não me queria alongar muito. Até segunda terei o meu trabalho inicial feito e aqui exposto.

Vou agora arriscar uma reflexão sobre o que a Cristina disse, e que já não é a primeira vez que o diz. A troca de post’s anteriores sobre habitação social foi desencadeada pelo mesmo argumento da Cristina.

A cidade é uma mistura de pessoas, com tudo o que isso comporta de diferenças de todo o género. E todos têm de caber nela. Isso nem se discute.

Mas a cidade é também o espaço das regras comuns, que só podem ser resultantes e não pressupostos.

O que se passou nas últimas décadas é que os políticos acharam que resolviam definitivamente alguns problemas criando os Bairros Sociais, e apenas resolveram um, muito imediato e muito importante no momento, o do alojamento. Sem tirar o enorme mérito a quem resolveu esse problema fundamental, criaram-se outros que a prazo, como agora se vê, são complicados.

O pressuposto da Cristina é o de que essa é a vida que as pessoas têm agora e interroga-se se há o direito de alguém como nós pensar sequer em interferir nessa vida. E até certo ponto tem razão. Eu, que fujo de todos os que sabem cheios de certezas o que é bom para os outros em vez de ouvirem os ditos outros, não deixo nunca de pensar nisso. Mas acho que estamos num caso de fronteira e que isso implica, como cidadãos, que não fujamos comodamente da zona de fronteira para um qualquer território mais sossegado.

Tenhamos presente que o erro de base do problema começou como a falta de consideração que é a preocupação da Cristina: alguém resolveu um problema real da época e aos beneficiários dessa resolução restava agradecer tamanho esforço.

Mas também é preciso percebermos que foi em nome da comunidade que alguém o fez, não tenhamos dúvidas sobre isso. Nem sobre a nobreza das intenções de quem o fez. E é aqui que nós podemos entrar outra vez. Em nome da comunidade que todos somos apresentar métodos e soluções para um problema que não é apenas individual, que tem consequências na restante comunidade, que devemos trabalhar. Criando novas formas de abordar o problema, trabalhando em rede para diagnosticar a situação existente e os caminhos de solução possível. Com humildade mas com perseverança. Libertos dos constrangimentos de quem teve que decidir na altura, e com todas as ferramentas, experiências e possibilidades económicas que hoje existem.

Por isso, Cristina, acho que podemos fazer o nosso trabalho não por acharmos que temos o direito de interferir na vida das pessoas mas para criar uma coisa que elas sozinhas não são capazes: opções para saírem do círculo vicioso em que foram metidas. Se no fim do nosso trabalho os actuais habitantes acharem que preferem o que têm, eu pela minha parte não tenciono propor nada contra a respectiva vontade. Agora, não tenho dúvidas que se as pessoas podem escolher coisas melhores, escolhem. Veremos se somos capazes de criar essas coisas melhores ou não. É esse o tamanho do desafio.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: TAF - "+ Aleixo" 

Escreveu há pouco a Cristina: "há que perguntar se esta comunidade não tem direito de optar por uma vida confinada a um círculo fechado" - A minha resposta: NÃO! Mas isso é tema para outro post, quando tiver tempo.

Parece-me que os diagnósticos estão mais do que feitos quanto ao Aleixo, falta é em conjunto com os habitantes implantar soluções.

A complexidade do problema reside principalmente na capacidade de "gestão social" de um processo de recuperação que nunca será consensual à partida. A dificuldade não é tanto a ausência ou dificuldade de uso das ferramentas que estão à disposição dos decisores para intervenção nestas situações. O complicado é obrigar as várias entidades que devem intervir a agir coordenadamente, é ter a coragem de tomar medidas com que nem todos concordarão.

Nós podemos ajudar a criar um "lobby" que prepare soluções e as "negoceie" com os vários intervenientes. É esse papel que eu vejo para o blog proposto pelo Francisco ontem.

De: Cristina Santos - "Os edifícios da Vida" 

O que urge fazer nos bairros sociais é estabelecer a tal ponte entre o mundo fechado em que eles vivem, para um mundo onde vive a maioria das pessoas.

Para fazer essa ponte há que enumerar em volta de um círculo os pontos negros e estabelecer correspondência da problemática para a resolução. Agir em cadeia de forma circular.
De qualquer das formas esse trabalho compete aos técnicos, que com certeza à data se encontram mais do que conformados com a situação.

O que me parece fundamental, no nosso campo de acção, enquanto comentadores do estado da cidade, é tornar os casos públicos.
Como sabemos, todas as instituições que estão no bairro parecem tão confinadas ao ermo como os residentes, à excepção da Sra. Rosa, poucas vozes se escutam sobre esta problemática, parecem coagidos.

Na minha modesta opinião seria fundamental auxiliar, por exemplo informando do estado decadente de alguns jovens que por lá vão ficando, amputados, doentes, do lixo, dos carros abandonados, das crianças que se passeiam por entre as seringas, do uso dos espaços, das vidas das gentes que de se sentirem tão integradas, vestem e agem como se pertencessem a uma mundo próprio.
Das caixas dos correios e do tóxico corrido pelos moradores que não querem ver sangue nas escadas.
Das brincadeiras das crianças, da perseguição das mesmas aos Toxicodependentes, das ameaças logo à entrada do bairro, da cobertura das gentes e da oposição que fazem à polícia, dos idosos doentes sentados em vãos de escada imundos, de como as pessoas chegam e partem do bairro à hora de almoço ou ao fim do dia.

Do esforço de um jovem que costumamos ver no cruzamento do campo alegre, que não tem uma perna e sobe desalmadamente toda aquela escadaria, dos jovens envelhecidos que dormem em papelões, que comem do lixo, que ameaçam.

Das vidas pomposas, dos ecrãs panorâmicos dentro das habitações, dos cortinados, das rendas, tudo se vende e tudo se compra, dos couros, das motas dos carros, e do degredo de quem por falta de 50 cêntimos para a dose diária é apedrejado e chora, mas ninguém acredita na sua dor, da vida dos mais arrogantes que a ameaçam quem não cede à contribuição.

Dos cães perigosos, das adolescentes com vidas precárias, das casas sem porta ou janela, dos roubos da luz ou da agua, das ilusões perdidas, da venda de prata à venda de seringas e aos pregões tradicionais. Das ameaças aos jornalistas, aos técnicos, aos professores e a quem se intrometer nas suas vidas, das mães desesperadas que aí procuram os seus filhos, dos lesados que ai procuram os seus carros…

Haverá algum dia a coragem de mostrar à Cidade o ambiente onde alguns dos seus filhos vivem, só divulgando e documentando é que alguém pode acreditar, é que alguém pode agir.
Ao momento em França está-se a demolir um bairro, que parece exactamente o Aleixo, também lhe chamam as torres, os moradores estão a ser dispersos, pelas imediações e pelas zonas rurais, esta iniciativa não está a ser bem aceite pelos residentes que assim se sentem muito mais inseguros, muito menos está a ser aceite pelos futuros vizinhos destas familias... E às vezes há que perguntar se esta comunidade não tem direito de optar por uma vida confinada a um círculo fechado, se será esta comunidade obrigada a viver infeliz, mas viver sob as nossas regras.

Isto dava pano para mangas, mas a discussão parece reduzir-se apenas ao edifícios, as associações com mais de 30 anos etc. etc..

Cristina Santos

De: Alexandre Burmester - "Aleixo..." 

Resolver o problema do bairro do Aleixo, no que concerne a espaço físico e urbano, não poderá ser outra solução que não seja a sua demolição.

A criação de cidade com as características dos Bairros Sociais, já o disse aqui mais que uma vez, devia ser proibido. De que adiantará arranjar os espaços comuns, pintar as torres, ou resolver problemas de infiltrações ou outras dos apartamentos. Se fosse isso que está mal no Aleixo, de certeza que quaisquer promessas políticas já o tinham resolvido.

O Bairro do Aleixo, é um gueto de gente com menos capacidades económicas (pobres), que tiveram menos condições de ensino e menos oportunidades e mais azares na vida. Não são por isso menos espertas, menos capazes, menos simpáticas ou menos sensíveis. Tiveram azar, e infelizmente, por apenas lá viverem vão continuar a ter.

Imagine-se por exemplo que fosse possível reabilitar o Bairro, conferindo-lhe outra escala com um aspecto mais humanizado. Eventualmente essa solução passaria obrigatoriamente pela redução de construção, fosse ela a demolição de uma ou mais torres, fosse ainda a diminuição de altura de todas as torres. Se olharmos para o que resta continuamos a perceber que o que resta continua mal. O seu desenho urbano e os seus conceitos permanecerão lá. E este é o seu erro.

Lembro-me que o Bairro surgiu quando da reabilitação da Ribeira/Barredo, e lembro-me que mesmo sem condições estes bairros continham uma vivência e uma humanização que entretanto perderam. Até hoje me questiono sobre a qualidade do trabalho do CRUARB, até que ponto valeu a pena. Esvaziaram o Centro Histórico, e criaram o Aleixo. E às pessoas que permaneceram nas casas restauradas do Centro Histórico, não se lhes deu condições económicas para a sua manutenção, e hoje encontram-se num estado próximo da antiga degradação.

Os conceitos "Sociais" é que estão infelizmente errados quer como conceitos, quer como nas formas que adoptam em "Bairros". Poderemos todos tentar contribuir com soluções, mas que serão sempre paliativos para tentar resolver um problema maior e de difícil resolução.

Certamente que a Rosa do Aleixo, uma Associação de moradores, e entidades públicas ou privadas, ou mesmo "Blogs" de discussão e opinativos, serão sempre bem vindos e alguns problemas certamente ajudarão a resolver. Mas infelizmente a pobreza, a desinserção e as consequentes necessidade sempre conduzirão ao desvio comportamental que produz os Aleixos que proliferam por este País.

Também já aqui o afirmei antes, e repito, a operação da SRU deveria ter uma forte componente social, e aproveitar o seu papel na reabilitação do Centro integrando muitas pessoas que vivem nestes guetos sociais. Mas teria que o fazer de cabeça limpa e sem os preconceitos sociais a que estamos habituados.

E a fórmula é muito simples, basta fazer "com as pessoas" e não "para as pessoas".


Alexandre Burmester, Arqto.

De: Helder Sousa - "O meu Aleixo" 

Caro TAF,

Trocamos há algum tempo algumas mensagens a propósito do meu blog No Bairro do Aleixo.
Desde então tenho acompanhado a evolução da Baixa do Porto, mas nunca me senti tentado a participar. Ou porque não domino suficientemente os assuntos discutidos, ou porque não tenho tempo para argumentar e fundamentar devidamente as minhas opiniões.
No entanto não deixar de lhe escrever algumas considerações sobre este assunto que me está próximo.
  1. O Bairro do Aleixo tem a particularidade de ser o único Bairro social construído em altura na cidade do Porto. Na verdade, o Aleixo é demasiado pequeno para ser considerado um Bairro. São cinco prédios de treze andares numa área concentrada.
  2. Não são as questões sociais que transformam o Aleixo num caso excepcional no contexto português: é a morte da Vanessa.
  3. O tráfico de droga é outro dos factores 'especiais' do bairro.
  4. Não se resolvem problemas destes com declarações e intenções estruturais sobre a construção de bairros sociais.
  5. O que existe no Aleixo existirá onde quer que se coloquem as pessoas que cá vivem. Os problemas manter-se-ão a menos que se combata a causa deles. E será impossível eliminar o tráfico e consumo de droga sem políticas honestas sobre a matéria. E isso seria assunto para outro blog/publicação/objecto de trabalho.
  6. É do conhecimento geral que o programna Porto Feliz tentou resolver este problema: não conseguiu porque foi pensado por pessoas que nunca visitaram o Aleixo ou outros Bairros idênticos.
  7. As pessoas não se iliminam (nem iluminam) com a mudança de instalações.
  8. As visitas in loco de câmara de filmar ou de fotografar não mostram a vida das pessoas: ou serão roubadas ou mostrarão aquilo que deixarem ver.
  9. Trata-se de pessoas, pessoas, pessoas. E não de prédios, jardins ou infraestruturas.
  10. Repito o número anterior.
  11. A maior parte dos problemas do Aleixo não são a falta de condições dos residentes, é o tráfico de droga e as acções associadas.
  12. A Vanessa morreu e isso nada teve a ver com o Aleixo ou com um Bairro social.
(não precisa de publicar isto, é um desabafo depois de ler os jornais do dia e os textos de hoje da Baixa do Porto)

E já agora: o nobairrodoaleixo.blogspot.com é pura ficção e, lamentavelmente, foi superado pela realidade. Mas teve honras de primeira página em todos os jornais! (não vejo televisão!)

Um abraço,
Hélder Sousa

De: Frederico Torre - "Bairro do Aleixo e não só..." 

Caro TAF:
Sou um leitor deste blog desde os tempos da discussão relativa ao Metro da Boavista (sou morador no Pinheiro Manso) e tenho de lhe dar os parabéns pelo excelente veiculo de informação e comunicação que se está a tornar.
Não posso deixar contudo de fazer um reparo aqueles que aqui apresentam ideias, reparo esse que espero que seja visto de uma forma construtiva e que é em parte a razão por só agora participar activamente no blog. Tenho vindo a verificar uma tendência para cada vez mais cada um apresentar as suas ideias como factos consumados em vez de opiniões abertas a discussão. É minha opinião que não devemos partir para uma troca de ideias com a decisão final tomada, pois muito provavelmente não estamos a ter em conta todos os factores e pode mesmo acontecer que alguns dos que não tivemos em conta sejam suficientemente fortes para nos fazer mudar de opinião. Como diz o ditado, só não muda de opinião o mais Sábio e o mais Burro.

Passemos então ao caso do Bairro do Aleixo. Este é para mim um dos problemas mais sérios do Porto. As condições desumanas em que ali se "vive" são chocantes. Podem por isso contar com o meu apoio para ajudar a despertar consciências sobre este problema e a trabalhar numa possível solução. É minha opinião que o único caminho possível é a demolição das torres, de modo a acabar com a cultura de crime ali existente, e a dispersão de uma parte daquelas pessoas por outras zonas da cidade. Acredito que o valor imobiliário daqueles terrenos seja suficiente para financiar uma operação dessa natureza.
A parte difícil está naturalmente em como fazer essa dispersão.
Concordo com o TAF na ideia de criar um maior convívio entre classes sociais, mas acho que esse processo deve ser feito de uma forma muito gradual. Só o tempo altera os hábitos. A CMP não pode simplesmente comprar andares em zonas de classe média-alta e pôr as pessoas a vier lá. A inserção social é muito mais difícil que isso. É preciso que as pessoas se aceitem mutuamente.
Para conseguir essa aceitação, acho que o plano deveria ir muito além da simples habitação. Imagino um processo em três fases:

1ª Fase:
- Estudo das famílias existentes no Aleixo, desde o numero de pessoas, a capacidades profissionais, estabilidade familiar, etc...
- Estudo das necessidades em termos de emprego das zonas para onde se pretende deslocar essas familias. Acho que o processo de reinserção seria sem duvida mais fácil se essas famílias tivessem a possibilidade de trabalhar perto do sitio em que vivem, evitando deslocações.
- Fazer o "matching" entre oferta e procura.

2ª Fase:
- Estudo caso a caso. Análise das competências que essas famílias devem ter para se tornarem um elemento válido da comunidade local e estudo de como podem ser criadas essas competências, seja através do ensino de certas aptidões profissionais que eram procuradas nessa zona, seja através de apoios a empresas locais (a mercearia, o quiosque, etc.) compensando-os pela despesa tida na formação do novo empregado.

3ª Fase:
-Inicio do Projecto em si. Acompanhamento da evolução da situação junto da entidade empregadora bem como da população que conviva com a família, desde os clientes até aos vizinhos.
-Adaptações de ultima hora.

Para um projecto destes seria preciso trazer não só a CMP, mas também as Freguesias e sociedade civil...
O objectivo seria o de, com o tempo, essas famílias tornarem-se elementos da comunidade produtivos e cada vez mais capazes de devolver à sociedade aquilo que a sociedade investiu neles.
Um projecto desta envergadura não é obviamente fácil. O investimento inicial é talvez muito grande. Mas a partir do momento em que estas pessoas se tornarem produtivas e pagadoras de impostos, acabaram por diluir os custos. E melhora claramente a vida da cidade.
No final, a ideia é: Não lhe dês peixe, ensina-o a pescar...

Tenho de pedir desculpa pela descrição e linguagem algo económica e sei que alguns talvez a achem desadequada quando se fala da vida de pessoas, mas acho que ela torna a compreensão do projecto mais fácil.

Estou obviamente aberto a ideias e criticas, bem como a discutir melhor este projecto com quem o desejar.
A ideia surgiu durante a escrita do mail, sendo por isso ainda algo tosca e confusa, tendo por isso de lhe dar algum desconto

Frederico Torre
fredericotorre@sapo.pt

De: TAF - "Imprensa de sexta" 

- CMIN: Dúvidas jurídicas levam a auditoria
- Bairro Parceria e Antunes no Tribunal de Contas
- Sentido de Estado - opinião de Rui Sá sobre o CMIN
- Ministro duvida da legalidade de protocolo sobre bairro Parceria

- Cidade fica sem água durante a noite de hoje
- Clube Literário do Porto inaugura hoje

- Gaia: PDM propõe nova ponte no Douro até Gondomar
- PDM de Gaia: Nova ponte entre Gaia e Gondomar
- PDM de Gaia prevê a construção de mais uma ponte sobre o Douro
Gondomar já sabe disso? ;-)

- Lisboa: Criado gabinete para investidores - Por que é que eu fico sempre com a sensação de que em Lisboa as coisas são tratadas com mais profissionalismo?

- Um túnel sem luz ao fundo - opinião de Rogério Gomes
"O caso passou, assim, para o nível da irracionalidade. Só espero que moradores e comerciantes, quando conseguirem parar para pensar (sozinhos e sem incentivos externos) acabem por recorrer aos tribunais e pedirem o ressarcir dos danos sofridos, eles que são os primeiros prejudicados. Aliás, o que não percebo é porque ainda não o fizeram, porque é que a sua indignação ainda não está vertida numa acção cível contra os responsáveis pelo inaceitável atraso de uma obra que foi prometida estar terminada este mês...
Será porque esta acção, afinal, só seria possível contra o dono da obra?"


2005/05/05

De: TAF - "Bairros anti-sociais" 

Na minha modesta opinião os "bairros sociais" não fazem sentido nenhum nos dias de hoje e na situação actual da nossa cidade. Há várias razões que me levam a essa conclusão, das quais saliento as seguintes.
  1. O "armazenamento" de um número elevado de pessoas com recursos financeiros reduzidos num único local, de algum modo segregadas do resto da sociedade, é em si mesmo inaceitável do ponto de vista ético.


  2. É, além disso, gerador de conflitos e amplifica as desigualdades sociais.


  3. Do ponto de vista urbanístico, é importante repovoar o centro espalhando gente pelas habitações que agora estão devolutas, e não retirar as pessoas para outros locais.


  4. Corrijam-me se estou em erro, mas eu diria que actualmente o custo de construção por m2 de habitação social ou de habitação média alta, com a eventual excepção de alguns acabamentos, é igual. O que acontece é que na habitação social as áreas dos fogos são menores e por isso os custos diminuem por família, mas as características técnicas são semelhantes. Com os modernos métodos de construção nada impede que no mesmo edifício coexistam T4s de 150m2 e T4s de 300m2, por exemplo, cada um com acabamentos à medida dos interesses e da bolsa dos respectivos proprietários.
Assim, defendo que pura e simplesmente se acabe com os bairros sociais que funcionarem mal. Há alguns que funcionam bem e, de algum modo, até já deixaram de ser "bairros sociais" por isso mesmo. No caso concreto do Aleixo, só vejo duas soluções:
Saliento que a "população problemática" não é nem de perto nem de longe toda a gente que vive no bairro actualmente. É a minoria que de facto está marginal em relação a um convívio social saudável. É preciso "misturar" as pessoas do Aleixo com o resto da cidade, e vice-versa. O Aleixo tem que deixar de ser um território à parte.

Chamo a atenção para alguns comentários que aqui foram publicados anteriormente sobre temas relacionados:

2005/02/28 - De: Alexandre Burmester - "Princípios de Cidade"
2005/02/28 - De: F. Rocha Antunes - "Habitação para todos"
2005/03/01 - De: Cristina Santos - "Regras de uso"
2005/03/01 - De: TAF - "Bairros sociais"
2005/03/02 - De: Alexandre Burmester - "Bairros Sociais"

e muitos outros também interessantes.

De: Luís Bonifácio - "Bairro do Aleixo" 

Conheço o bairro do Aleixo, há mais de 30 anos quando criança, acompanhava a minha mãe (Médica da Caixa) nas suas consultas ao domicílio. Já nessa altura eram bairros extremamente problemáticos.
Sinceramente não acho que a solução passe por obras. Nos Estados Unidos construiram-se muitos "bairros do Aleixo", penso que o modelo que presidiu ao Bairro do Aleixo, veio de lá. Quase todos estes bairros foram entretanto demolidos, pois verificou-se que o modelo adoptado potenciava a criminalidade e a exclusão.

Penso que a solução do Aleixo passará pela mesma solução, alojando as pessoas em Bairros sociais mais humanos, e com prédios menos altos. Não sei se no entanto haverá dinheiro para isso.

Uma coisa espero, não se ponham a inventar de novo a roda, ela já está inventada há muito.

Cumprimentos
Luís Bonifácio
novafloresta@gmail.com

De: Cristina Santos - "In loco" 

Caros amigos

Isto exige mais que o trabalho de gabinete.
As eventuais visitas ao local, o porte e uso de câmara deve ser bem pensado e previsto sem utopias, com a noção correcta da realidade.
Fiz um trabalho de levantamento do ambiente exterior há alguns anos no Bairro São João de Deus, nunca tive problemas de agressão, excluindo uma ou outra situação com umas senhoras de etnia cigana, mas já nessa altura era bastante mais difícil e perigoso aceder ao Bairro do Aleixo.

O que é importante no momento é reunir meios, da minha parte disponibilizo-me para visitar o bairro, fotografar, observar, e tentar ajudar numa recolha da situação social vivida: numero de frequentadores, de residentes, de jovens acampados, do tipo de comércio, crianças em idade escolar, ocupação das crianças, idosos, etc...

Contudo esta minha disponibilidade depende da eventual disponibilidade de uma ou duas pessoas resistentes, que me possam acompanhar, a partir dai poderei contactar algumas das associações no sentido de nos encaminharem nas primeiras visitas.

De qualquer forma o meu interesse inicial visa apenas denunciar a situação social, que a grande maioria desconhece.

Cristina Santos

PS: a Sr.a Rosa Soares que participou algumas vezes no Blog, não tinha ligações com algumas associações de lá?
--
Nota de TAF: Cristina, julgo que esse levantamento já terá sido feito e que estará disponível através do contacto com as entidades que trabalham no bairro. Por isso, mais do que as visitas, aquilo em que provavelmente poderemos ser mais úteis é a ajudar a ultrapassar bloqueios e a arquitectar soluções usando a nossa rede de contactos e a visibilidade que conseguimos. É um trabalho de rigor e persistência. Julgo que o nosso objectivo não pode ser o de dar apoio social, mas sim de criar as condições para que ele passe a existir por acção das organizações vocacionadas para o prestar.

De: Lino Cabral - "Contem comigo" 

Amigos da Baixa

Estou disponível para colaborar convosco. Faço-o há algum tempo com a Porto Feliz a título meramente voluntário, e também com a Fundação AMI, delegação Norte. Tenho consciência da complexidade do assunto em questão. Contem comigo.

Lino Cabral

De: TAF - "A proposta do Francisco" 

Organizemo-nos, então.

1) Eu ofereço-me para neste fim de semana tratar dos aspectos técnicos da criação do "blog de acção" proposto pelo Francisco. Posso dar-lhe um nome do tipo "aleixo.taf.net", "aleixo.etc.pt", ou outro qualquer que se escolha num dos meus domínios na Internet (está sempre a tempo de se mudar quando se quiser). Estou agora a lembrar-me: até pode ser "aleixo.portovivo.net", porque a SRU tinha-me pedido para registar o "portovivo.net" e depois mudou de ideias, abandonando-o...

2) A gestão da publicação no blog (o trabalho que eu faço n'A Baixa do Porto) pode depois ser entregue a quem ficar com essa missão de editor.

3) É fundamental coordenação de trabalho com as pessoas do Bairro do Aleixo através das associações que lá existem, e também com a autarquia. Alguém se oferece para estabelecer esses contactos iniciais, com o objectivo de obter uma "rede social de intervenção"?

De: F. Rocha Antunes - "Uma carga de trabalhos mas..." 

Meus Caros,

Há muito anos que me interrogo sobre que destino dar ao Bairro do Aleixo. Acho que nenhum cidadão se sente confortável a conviver com uma situação daquelas, para falar especificamente nessa. E sempre me questionei como se poderia resolver equilibradamente o problema.

O problema começa por não haver quem ache que o pode resolver. Pudera! Estamos perante a cristalização de uma série de asneiras que tomou aquelas proporções. Sem entrar noutros considerandos, é o exemplo acabado de como atirar dinheiro para cima dos problemas não os resolve.

Uma das formas de resolver um grande problema é começar por dividi-lo em problemas mais pequenos que, se divididos de acordo com uma visão geral, sejam transformados em passos para a sua resolução final. É uma questão de recursos e energias. Se não se fraccionar o problema grande em problemas mais pequenos articulados sequencialmente, não se vai conseguir mobilizar as energias nem os recursos necessários para se começar a resolver nada.

O mais importante, para se começar, é fazer o trabalho de enunciar correctamente o problema e propor um caminho de resolução por etapas. Encontrar pessoas que possam dar algum do seu tempo à comunidade desta maneira é o primeiro desafio. Basta que haja um número de pessoas suficientes para se conseguir articular o que se tem de fazer nesta etapa inicial e conseguir colocar o problema na agenda autárquica.

A minha ideia é simples: fazer um blogue específico sobre o assunto e haver a capacidade de congregar horas de trabalho em rede que permitam elaborar um enunciado do problema e as vias possíveis de solução.

Eu ofereço-me para coordenar ou ser coordenado, e dar algumas horas por mês da minha capacidade de trabalho e da minha experiência para esta primeira fase. Tiago, alinha criando um blogue específico? Será que conseguimos passar das palavras ao trabalho? Ou somos todos diletantes da blogosfera?

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário
--
Nota de TAF: A primeira coisa a fazer é entrar no espírito do bairro. Por isso eu diria então como resposta ao desafio do Francisco: "Bute!" :-)

De: Lino Cabral - "Sibelius Hall" 

Como é que os nossos amigos finlandeses conseguiram fazer uma extraordinária “casa da música”, utilizando a melhor tecnologia disponível no mundo em termos de acústica, em apenas 2 anos a um custo final de 1.700 Euros por metro quadrado?

A história do Sibelius Hall.

Lino Cabral

De: António Moreira - "O Bairro do Aleixo ..." 

"... e a minha filha"

Meus caros

Este assunto está a ser debatido (e ainda bem) em diversos "blogs".
Como tenho pena (lá vou eu ser chato) que não exista um fórum em que, independentemente das opções de cada um, todos pudéssemos debater em conjunto)

Nuns debatem-se os aspectos relacionados com o papel das estruturas do Estado (RSI, Seg. Social, etc.), noutros o papel dos juízes, noutros (como aqui) a problemática urbanística, os bairros sociais, a reinserção……

Mas todos sabemos que o problema é muito mais profundo, (já agora obrigado ao Tiago pelo, tão belo, "blog" que nos indicou ontem), que as causas não são só próximas, que as respostas não são tão simples…..

Transcrevo dois comentários que coloquei no SEDE em resposta a "post" sobre este assunto.
Desculpem mas penso que é, também, sobre isto que nos devemos interrogar nesta altura:

"Como é que NÓS continuamos a poder viver com isto?
Será que não é por aqui que passam os problemas fundamentais desta sociedade, que urge resolver?
Será que a VERDADEIRA fronteira esquerda/direita não passa, principalmente, por aqui?
Como é que militantes de partidos de "esquerda" poderão viver com isto?"

"Mais do que a forma de actuação/prevenção para cada caso isolado, estava-me a referir, fundamentalmente, ao "caldo" que gera e potencia o desenvolver de tantas situações como esta (e são tantas as não noticiadas...).
Esta sociedade que criamos e em que cada vez é mais fundo o tal fosso entre os poucos muito ricos e os, cada vez mais, cada vez mais pobres.
A outra cidade (sociedade) que existe na "nossa" cidade (sociedade), mas que preferimos ignorar, é, cada vez maior.
Vamos continuando a ignorar a sua existência e o seu desenvolvimento, até que um dia...
Não sei.
Confesso que, antes de, recentemente, ser pai, o que se iria passar dentro de 30 ou 50 anos, apenas representava, para mim, algo de especulação filosófica.
Agora é algo que me inquieta profundamente.

Não tenho respostas
Só perguntas :( "


Cumprimentos
António Moreira

De: Cristina Santos - "Bairro do Aleixo II" 

É óbvio Tiago que concordo contigo, aliás, vou juntar à mensagem aquilo que lhe retirei há pouco, com receio de ser um texto demasiado extenso.

Considero que a intervenção no Bairro São João de Deus foi incompleta, na medida em que a Câmara Municipal poderia ter recuperado algum do seu património, com vista a realojar em diversos pontos da cidade os antigos moradores do bairro, ao invés de os transplantar para outros guetos – nomeadamente para o Aleixo.
Essa medida causaria alguns inconvenientes iniciais de integração aos inquilinos, mas a mudança de ambiente favoreceria as gerações futuras, a Câmara daria o exemplo da conservação, evitava-se a concentração de pólos atípicos etc.
Contudo a coragem de intervir é de louvar.
Depreendo que concordas com a reabilitação para apartamentos das torres e nesse caso algumas famílias também poderiam continuar aí, mas em número reduzido claro.
Mas repara Tiago, o bairro do Aleixo acumula muitas famílias numerosas, algumas vindas do São João de Deus, os fogos que pudéssemos recuperar não seriam em número suficiente, nem teriam condições, não poderíamos realojar mais que duas ou três famílias no mesmo prédio, e a fazê-lo nunca o poderíamos fazer ao abrigo da SRU, mas sim ao abrigo de um programa tipo PER.
Os nossos prédios mesmo que recuperados, falo dos nossos prédios típicos, não têm condições para criar habitação em massa, que seja suficiente às necessidades, ou que sejam em numero tão elevado que nos possamos permitir a essas hipotecas.

Para além de que o ambiente familiar que se vive em algumas Freguesias dos concelhos vizinhos é de longe o mais favorável à integração de famílias descaracterizadas, que o são, temos que encarar a realidade da vivência num gueto e os hábitos sociais que eles criam nas pessoas que os habitam.
Os concelhos vizinhos tem a capacidade que o Porto teve há 30 anos atrás, e podem fazer esse acolhimento com sucesso, evitando os nossos erros e contribuindo para uma área metropolitana mais activa e coordenada.
Para além de que não estamos a falar do fim do mundo, mas sim de concelhos vizinhos.

Cristina Santos

De: Miguel Barbot - "Bairro do Aleixo" 

Não estou a ver como se conseguiria transformar as torres do Aleixo em complexos de apartamentos de luxo... Alguém me pode explicar?

Parece-me que um apartamento de luxo tem mais do que acabamentos de qualidade e não estou a ver grande qualidade estrutural nos edifícios. O valor patrimonial é também reduzido pelo que não se justifica a recuperação, mas sim a demolição e construção de raiz.

Agora, será que é positivo criar mais uma vista de luxo para os ricos em prejuízo de todas as pessoas de bem que lá moram e só não gostam do Aleixo devido à insegurança? Seria importante criar mecanismos que permitissem a rabilitação social do bairro, até porque este não tem uma dimensão considerável para que se considere inacessível e para que os focos de problemas não sejam rapidamente identificados. É como tudo em Portugal: uma questão de não ter medo de lá estar e fazer valer a lei.

De: Cristina Santos - "Bairro do Aleixo" 

O caso do Aleixo é quanto a mim de resolução difícil. Em primeiro lugar as torres, apesar de inacabadas, têm estruturas de qualidade, as áreas dos apartamentos e a implantação do Bairro em si tem um valor considerável, pelo que a sua demolição seria um custo quase irrecuperável.
Dotar a área actual com infra-estruturas sociais dissuasivas da criminalidade, de momento não é possível, não seriam respeitadas, nem teriam qualquer efeito dissuasor.

A solução poderia passar por transformar as torres em apartamentos de qualidade, para venda, nesse caso gerávamos dividendos que permitiam os realojamentos de todas aquelas famílias.
Como na nossa cidade não há espaço que permita construir pequenas moradias com logradouro ou condições favoráveis à reintegração destas famílias e existindo tanto espaço verde disponível na área metropolitana, com os dividendos gerados poderiam ser criados acordos intermunicipais justos, que possibilitassem integrar os moradores em áreas de configuração quase rural, noutros concelhos.

Esta solução não levantava questões de afastamento, pois os concelhos vizinhos estão desenvolvidos e em breve dotados de uma rede de transportes que anula as distância ou as exclusões.
O realojamento para a transformação das torres era também resolvido, com a construção prévia dessas moradias, nas áreas seleccionadas.

É certo que levantávamos a questão das classes sociais, da injustiça, teríamos ainda que contar com a conivência dos concelhos vizinhos, mas todos lucramos com esta solução, o problema dos guetos, não é um problema local, mas sim nacional e regional, pelo todos tem o dever de colaborar nas soluções, inclusive o governo Central.

Cristina Santos
--
Nota de TAF: o problema da exclusão social é em parte resolvido pela integração das famílias problemáticas em habitação normal, no meio do resto da população. A reabilitação da Baixa, por exemplo, permitirá criar condições para que sejam reservadas algumas das habitações recuperadas para realojamento de pessoas vindas de bairros sociais como estes. A esmagadora maioria dos habitantes de bairros como o Aleixo é "gente normal", pacífica e civilizada. Podem existir alguns problemas devido às "más companhias", que se ultrapassam pelo simples afastamento do local que os originou.

De: Pedro Aroso - "O primeiro auditório do século" 

Há dias foi citado, neste blog, um artigo sobre a Casa da Música, com o título "Monstro de concreto (betão)" de Koolhaas "cai" sobre o Porto", publicado no Financial Times e traduzido para português na Folha de São Paulo.
Por ser tão disparatado, nem me dei ao trabalho de o comentar. Em vez disso, recomendo a leitura do texto escrito pelo JORDI JOAN BAÑOS, sobre este mesmo tema.

Pedro Aroso

De: Cristina Santos - "Lixo mais colorido" 

Quanto ao assunto de ontem relativo à instalação de contentores em algumas ruas da Cidade, permitia-me a fazer uma sugestão à Câmara Municipal.

Sendo os contentores tradicionais uma aberração acrílica, não seria possível criar uma espécie de compartimentos fixos, onde os mesmos pudessem ser instalados?
Por exemplo um escaparate em chapa lacada ou outro material barato e fácil de substituir em caso de necessidade, com acesso rampeado para facilitar o trabalho dos serviços e totalmente decorado com vinil com o logótipo da câmara, ou outras imagens, ou seja tentar enquadrá-los, como se de mobiliário urbano se tratasse.

O embelezamento dos contentores do lixo daria uma imagem mais agradável à cidade e tornaria esses locais mais respeitáveis.

PS: Em relação aos contentores existentes em frente a prédios de grande concentração, espera-se dos munícipes em geral que quando se depararem com o contentor lotado tenham o bom senso de se dirigirem ao contentor mais próximo, que fica à distância de escassos metros, espera-se…

Cristina Santos

De: TAF - "Aleixo" 


Hoje O Comércio do Porto traz o Bairro do Aleixo em grande destaque. Pelas piores razões somos agora obrigados a lembrar-nos dele. Tal como S. João de Deus, é uma cidade diferente daquela em que a maioria de nós vive.

- A vida do outro lado do Porto
- Viver e morrer... "No bairro do Aleixo"
- Três anos de promessas e requalificação por cumprir

Escrevi isto no Natal passado, a propósito deste bairro:

«Nestes dias de febre natalícia convém não perdermos a perspectiva das realidades que nos cercam, da riqueza que possuímos mesmo quando nos queixamos do que a vida nos oferece, e da obrigação de gerir bem aquilo por que somos responsáveis. Isto parece óbvio mas a prática mostra que não é. Ou pelo menos prova que os princípios ficam "convenientemente amolecidos" quando perdemos o contacto com aquilo que queremos esquecer.»

Em 18 de Janeiro último, escrevia a imprensa:"Começam este mês as obras de recuperação no Aleixo". Pois sim... :-(

De: TAF - "Notícias e notícias" 

- Virá aí finalmente o Centro Materno Infantil? - opinião de Paulo Mendo que vale a pena ler

- Antas: É inaugurado amanhã o Dolce Vita
- Cores do novo centro agitam inauguração

- Dez projectos mobilizadores da JSD
- JSD critica política cultural da cidade na última década
- Concelhia da JSD/Porto critica política cultural de Rui Rio

- Câmara considera ilegal embargo do túnel de Ceuta
- Câmara contestou judicialmente embargo "ilegal" do túnel de Ceuta

- Vandoma desagrada à junta da Vitória
- Sindicato contra os horários das lojas
- Ironias oitocentistas
- IGAC prevê licenciamento definitivo da Casa da Música no próximo mês
- Linha de metro até ao centro da Maia só estará pronta em meados de Junho

- Agora é a vez do Abrupto entrar em "grandiosas comemorações" :-) Parabéns pelos 2 anos que faz amanhã!

PS: Que lapso! Tinha-me esquecido do apontador para a nossa página de papel...

De: TAF - "Como é?!" 

- Túnel de Ceuta: a posição da Câmara.

Vem hoje no Janeiro:
«Se o tribunal achar que o embargo está bem, aquilo [as obras do túnel] fica naquele pandemónio que está”, advertiu, admitindo que, assim, não restará à autarquia outra alternativa além de esperar “três, quatro ou cinco anos” pelo resultado judicial.»

Vejamos se eu percebi: Rui Rio está a dizer que nesse caso prefere ter esta obra parada vários anos a optar por outra solução que o IPPAR eventualmente aceite, como por exemplo o projecto original com saída em frente à morgue?! Ou foi o jornal que interpretou mal? Ou foi um deslize de mau génio, para não ser levado a sério?

Se o embargo se mantiver, convém esclarecer devidamente isto antes das autárquicas, por favor.

2005/05/04

De: Cristina Santos - "Porto mais limpo" 

A Câmara Municipal do Porto através do pelouro do Ambiente e da Reforma Administrativa, encontra-se a instalar vários contentores nas ruas de Cedofeita, onde até à data a recolha de resíduos era feita de porta a porta. A acção visa acabar com a recolha de «lixos» personalizada e uma cidade mais limpa.

Após a instalação dos contentores e feitos os devidos avisos através de panfletos fixados nos prédios ou deixados nas caixas do correio, os moradores dessas áreas ficam «proibidos» de depositar os resíduos nas entradas, como era habitual, devendo passar a utilizar os contentores.

A eficácia desta acção é garantida por funcionários da Autarquia que, para além de promoverem a acção, visitam pessoalmente os moradores em falta, alertando para a necessidade de manter a cidade limpa.

Porque boas acções merecem divulgação.

Colabore com os serviços municipais...
Para um Porto mais limpo e acolhedor.
Linha informativa – 800 205 744


Cristina Santos

De: F. Rocha Antunes - "Há tempos para tudo" 

Meus Caros,

Já escrevi antes sobre a necessidade de se perceber que em todos os processos há tempos para tudo. Nós temos, presumo que por influência genética, uma forte tendência para o improviso e um horror quase patológico a métodos.

Achamos sempre que os assuntos são relevantes quando nos lembramos deles, com a nossa agenda muito própria, e consideramos irrelevante a existência de tempos próprios de cada processo. Daí tantos desencontros e tantas opiniões a destempo. Há quem diga que não há nada a fazer, que o mal é generalizado, e que temos que criar um modo próprio de lidar com os assuntos. Há até quem considere que isso é uma prova da especificidade cultural portuguesa que, num contexto globalizante, deveríamos preservar como parte fundamental do nosso património colectivo.

Estes tempos próprios de cada processo são a única maneira de lidar com os assuntos colectivos, porque de outra forma não se consegue nunca compatibilizar as agendas dos muitos interessados que a gestão desses assuntos implica.

Estou completamente de acordo com Assunção Costa Lima, com aliás já tinha dito no meu post sobre o dilema do prisioneiro. É preciso que agora se crie um espaço para encontrar a solução, e não um novo desfiar de argumentos que já todos conhecemos, especialmente aqueles que não andam aqui ao sabor das agendas partidárias.

Também partilho da opinião do Tiago, de que não é possível, por alegadas dificuldades técnicas, não existir a informação necessária da forma adequada à discussão pública do Plano Estratégico de Reabilitação da Baixa. Não se consegue que uma discussão pública exista sem disponibilizar os meios de participação adequados. Se o objectivo da SRU é que haja discussão, então tem de perceber o que é preciso para que a discussão exista. Ou então assumam que não a querem. Não se entende que uma sociedade que tem como accionista a CMP não o consiga fazer, se a própria CMP o soube fazer tão bem na primeira discussão do PDM. Não é decerto por ser mais complicado…. A discussão pública só deve começar quando os meios de participação estiverem disponibilizados. Por um prazo que seja claro desde o primeiro dia, e com metodologias de análise e resposta às críticas e sugestões claramente assumidas. Foi o que faltou na discussão que já referi.

Se a SRU não perceber que uma discussão pública implica fazer o que foi feito nessa altura pela CMP, com os melhoramentos que atrás sugeri, então nunca mais vai poder beneficiar das contribuições que poderia ter para melhorar a Proposta de Masterplan na sua máxima amplitude, nem nunca mais se vai conseguir livrar de não ter tido a capacidade de ouvir abertamente quem se interessa por este assunto, para alguns tão importante. E terão de passar o resto do tempo a ouvir sugestões que em vez de terem sido formuladas em tempo o serão a destempo. E nunca mais consolidam, como seria importante que o fizessem, a passagem da Proposta a Versão definitiva. É que não basta deixar acabar o prazo de discussão pública para que isso aconteça…

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: TAF - "Atrasos e responsabilidades" 

Eu não gosto de dizer mal nem de protestar sem conhecer em pormenor as situações sobre as quais me debruço. Por isso nesta apenas pergunto o que se passa:
Sport Club do Porto acusa Câmara de atrasar projectos da instituição

"a Câmara Municipal do Porto (...) tem sido um autêntico empecilho"

"Estamos à espera da Câmara que tanto se tem atrasado inexplicavelmente."

"O Sport não precisa de um único tostão da Câmara, mas apenas que esta enquadre e aprove os projectos"

"A Câmara tem mostrado abertura perante os projectos apresentados, mas o Sport começa a ficar cansado de só ter abertura e não concretização das coisas. Nós não queremos dinheiro do Estado nem da autarquia"

De: TAF - "As discussões públicas..." 

"... «à portuguesa»"

Pois parece que nada feito quanto a ficheiros do Masterplan com tamanho decente...

A SRU não tem os ficheiros originais, que estão na posse da empresa que terá preparado a paginação em Autocad! Por isso, conversões mais adequadas para formato PDF a partir da fonte (em que o texto seja tratado como texto e não como imagem) para poder distribuir o documento pela Internet são uma miragem para a SRU. Facilitar a vida aos cidadãos, dando-lhes acesso aos dados da maneira mais óbvia nos dias de hoje, nem pensar. É preciso ir fisicamente à sede da SRU levantar um CD com dois ficheiros monumentais de leitura problemática em qualquer computador com características apenas médias.

No entanto, a SRU informa que depois de terminada a discussão pública já me consegue arranjar os ficheiros originais definitivos.

Bela discussão pública! :-(

De: Cristina Santos - "Especialistas em Política..." 

"... reunem-se na Cidade"

A nossa Cidade vai ser palco de mais uma iniciativa pioneira em Portugal. Trata-se de um seminário sobre marketing político, promovido pela Associação Europeia de Consultores Políticos e o Curso de Jornalismo e Ciências da Comunicação, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Os temas em debate versam o absentismo e campanhas políticas.

Destinam-se a assessores de partidos, instituições políticas, empresas de consultadoria, publicidade e relações públicas e jornalistas especializados em política, que estejam interessados em aprender algo com os especialistas da matéria, nomeadamente o antigo assessor do Sr. Kennedy, o Chanceler Schmidt entre outros.

Os primeiros debates terão lugar na próxima quinta-feira no Círculo Universitário do Porto.

Esta iniciativa a par de tantas outras que se tem realizado, contribuem para o destaque da nossa Cidade no palco nacional e internacional.

Aproveito ainda o post para louvar o trabalho dos técnicos de marketing da marca «Continente», que prestam diariamente na TV um contributo ao valor da nossa Cidade, anunciando a todo o País que o Porto tem mais um monumento de que se deve orgulhar.

Claro que este monumento é o hipermercado Continente, contudo o slogan utilizado beneficia a Cidade.

Devo ainda dizer que existem muitas micro-empresas na Cidade que tem o cuidado de incentivar o valor do Porto em cada anúncio ou outdoor que publicitam, esperemos que a moda pegue.

Cristina Santos

De: TAF - "As torres do Aleixo" 

Enquanto os políticos brincam aos túneis...
As cinco torres que protegem o crime

A visitar também: No Bairro do Aleixo

De: Assunção Costa Lima - "O Túnel: ver, ouvir e calar" 

Não quero opinar sobre o Túnel de Ceuta e a sua saída na zona do Carregal. Quero apelar. Apelar ao bom senso: ao bom senso da Câmara Municipal do Porto na pessoa do seu Presidente, da Srª Ministra da Cultura, do IPPAR também na pessoa do seu Presidente, dos residentes do Carregal, dos comerciantes do Carregal, dos que gostam do Carregal, dos que não gostam do Carregal, dos amam a cidade do Porto, dos que não gostam dela, dos que assinaram a "Petição a Favor do Porto", dos que não a assinaram, dos Bloguistas de “A Baixa do Porto”, dos bloguistas de outros Blogs, do Presidente do C.A. do HGSA, dos utentes da zona do Carregal, daqueles que nem sequer sabem onde é o Carregal, de todos os cidadãos do Porto e de fora do Porto, apelar ao TAF que tão generosamente constituíu e atura este blog. É tempo para parar e meditar. E calar. É realmente fácil exprimirmo-nos de forma incisiva sobre uma qualquer coisa e reputá-la de execrável ou de magnífica. Dizer de forma simples se algo é bom ou mau é verdadeiramente difícil: é realmente um acto de bom senso e o bom senso não tem abundado no “caso” Túnel de Ceuta”.

Sobre a forma como corre a discussão deste caso nos mais variados locais nomeadamente nos media e nos placards afixados no Carregal, permito-me transcrever parte de um excerto de Georges Picard, no "Pequeno Tratado para Uso Daqueles que Querem Ter Sempre Razão", que retirei do Blog do Citador

"Só os ingénuos podem crer que uma discussão visa resolver um problema ou esclarecer uma questão difícil. Na realidade, a sua única justificação é testar a capacidade de os participantes derrubarem o adversário. O que está em jogo não é a verdade, mas o amor próprio. O bem falante leva a melhor sobre o que tartamudeia, o temerário sobre o tímido e o arrebatado sobre o escrupuloso. Estar de boa fé equivale a potenciar as desvantagens, porquanto os escrúpulos se somam à circunspecção, dificultando a expressão. O que é a boa fé? Uma conduta de fracasso, um autêntico suicídio... Quem participa em debates fala sem escutar, espezinha qualquer raciocínio que não seja conduzido por si próprio, despreza as oposições, ignora as obstruções e, de certo modo, conquista a vitória à força de palavras.
....
Nesta matéria, a subtileza não substitui a brutalidade que, não obstante a detestável fama em certos meios intelectuais, dá resultados mais seguros num prazo de tempo nitidamente mais curto. Mais vale tirar o bocado, sem modos, à semelhança de Porthos, do que arrastar a decisão, fazendo cerimónia, à moda de Aramis."

Sobre o Túnel de Ceuta e a sua saída no Carregal já tudo foi dito. Referindo o post do Arquitecto Burmester “porque uma imagem vale mil palavras....” resta calar.

Assunção Costa-Lima

De: Manuela DL Ramos - "Árvores do Parque..." 

"... do Inatel em Ramalde #2"

Sem querer abusar ...(e parece-me que não pararei tão cedo)
Árvores do Parque do Inatel em Ramalde #2

De: TAF - "Nos jornais hoje" 

- Túnel de Ceuta: Obras paradas, mas...
- Túnel de Ceuta chega ao tribunal - Apontamentos
- Indemnização não está afastada
- Presidente do IPPAR acusa Câmara de má-fé ao avançar para tribunal
Eu continuo a insistir que a única solução viável e potencialmente consensual nesta fase é o túnel terminar em frente à morgue, no Carregal, tal como estava inicialmente previsto. Aposto que o IPPAR aceita agora essa solução se lhe apresentarem formalmente o projecto.

- Bairro de Parceria e Antunes: Incumprimento “é impensável”
- Câmara rejeita incumprimento e apela a Sócrates

- Metro até às traseiras do S. João
- Comissão exige que o Governo pare as obras do metro no "S. João"
- Casas demolidas dentro de um mês em Ramalde
- Câmara reconduz José António Barros no Coliseu do Porto
- Comércio ao domingo e bares até às 4h00
- Museu da Farmácia em projecto no Porto

- Filipe Menezes propõe solução para Hospital em Gaia
- O Sistema de Saúde e a capacidade instalada - opinião do director do IPO
- Novos hospitais vão ficar à espera de mais estudos
- Governo suspende e manda reavaliar a construção de cinco novos hospitais

Quanto ao Masterplan, a SRU não me dá acesso aos ficheiros originais e por isso não consigo produzir PDFs decentes que possam ser distribuidos via net. Só mesmo indo lá buscar o CD e, ainda assim, há imagens que não estão legíveis.
PS: Telefonaram-me agora da SRU. Já dei as minhas recomendações técnicas para tentar obter ficheiros mais compactos que se possam publicar online. Pode ser que o caso se resolva.

De: Manuela DL Ramos - "Árvores do Parque..." 

"... do Inatel em Ramalde #1"

Como todos nós gostamos de árvores e para se ver de que arvoredo se está a falar: Árvores do Parque do Inatel em Ramalde #1
P.S. Aproveito para agradecer as cordiais palavras de F. Rocha Antunes

Manuela D.L Ramos

2005/05/03

De: Rui Cunha - "A minha «inauguração»..." 

"... da Casa da Música"

Transcrevo abaixo um mail que enviei em 24/4/05 ao Director da Casa da Música.
Cumprimentos
Rui Cunha
----
Assunto: A minha "inauguração" da Casa da Música

Snr. Director da Casa da Música

Fui hoje, 24/4/2005, pela primeira vez após a inauguração, visitar e assistir a um magnífico concerto.
Gostaria de fazer algumas referências, pois estou certo que é vosso desejo conhecer a opinião dos visitantes.

1) Exteriormente não vou referir-me de um modo especial, pois era já do meu conhecimento. Devo dizer no entanto que me faz lembrar a frase de Fernando Pessoa "primeiro estranha-se, depois entranha-se".
Hoje a arquitectura agrada-me inteiramente e estou certo que será, ou já é, no futuro uma referência internacional da nossa cidade do Porto.

2) Todos os corredores, bar e locais exteriores, que pude visitar, à grande sala foram para mim uma agradável surpresa. Tirando o "estrangulamento" para o bar, a luz e a decoração são do meu total agrado.

3) Quanto à sala de concertos; A decoração contrasta totalmente com o resto do que vi, porém não direi que me senti desagradado. Não posso dizer que no primeiro dia me tenha "enchido as medidas", mas deixarei para novas visitas, que tenciono fazer, uma melhor compreensão.

4) Dado que o concerto de hoje foi de dia, antes do pôr do Sol, agradou-me muitíssimo a luminosidade. Deixamos de assistir a uma récita com a sala às escuras, podendo desfrutar da visão da orquestra e dos coros, mas também da assistência e de tudo o que nos rodeia, sem ser à luz artificial. Nisto acho que demos (eu também, pois sou portuense e considero a Casa da Música também como minha) um grande passo.

5) Considero um gravíssimo erro, não posso dizer bem de tudo, o tipo de cadeiras que ali instalaram. Já tinha sido informado por parentes e amigos meus do seu desconforto, mas pensei que seria de somenos importância. Hoje pude experimenta-lo, e na verdade não conheço outro local de reunião com cadeiras tão desconfortáveis e difíceis de alguém aguentar 30 minutos que seja. Certamente já devem ter reparado nas inúmeras pessoas que se mexem nas cadeiras, tentam encostar o coxis mais atrás, enfim não se sentem confortáveis. Eu conseguia de vez em quando chegar-me atrás carregando com as duas mãos na cadeira, para esta não recuar. Francamente quem desenhou estas cadeiras possivelmente nunca nelas se sentou, ou tem uma anatomia invulgar.
Para que gastou tantos milhões de Euros numa Casa da Música, não deverá ser muito dispendioso trocar as cadeiras por outras para pessoas normais. Acreditem que já ouvi vários comentários afirmando não poder voltar por terem saído com fortes dores de costas.
Além disto verifiquei que faz falta uma coxia central, pelo número de vezes que fui incomodado.

6) Infelizmente não pude ir ao pátio superior da Casa, espero fazê-lo brevemente. A visão que tive da parte traseira da Casa da Música, na parte superior da sala, decepcionou-me totalmente. Gostaria bem que não construíssem a sede do BPN, pois abafa a visibilidade exterior. Mas, com toda a franqueza, se a não construírem terão que plantar umas árvores bem altas para que não se veja aquele triste espectáculo.
Talvez lá em cima a vista seja mais agradável. Veremos.

7) Outro pormenor, que, em meu entender, o não é, trata-se da falta de separadores entre os urinóis. Um mínimo de intimidade é essencial para alguns. Notei que as pessoas que entravam se dirigiam para os do fundo junto à parede. Fácil de resolver.

8) Fiquei verdadeiramente encantado com a forma tão simpática e solícita como, desde a garagem até à entrada da sala fui tratado pelo pessoal de serviço. Não ouvi um remoque, um enfado, enfim o mais pequeno gesto de desagrado, muito embora eu tenha ido com uma hora de antecedência e quisesse "meter o nariz" em tudo, mesmo naquilo que por força da hora e do concerto que se seguia, estava vedado. Parabéns a todos, pois infelizmente hoje em dia não é a isto que estamos habituados.

9) Referindo-me agora ao concerto em si, a 2ª.Sinfonia de Mahler, pela ONP e o coro Gulbenkiam, com direcção musical do maestro Marc Tardue, foi dos momentos mais deliciosos que tenho vivido em salas de concerto. A interpretação, no meu entender, foi soberba, desde a entrada, tão diferente de maestro para maestro, até à última nota. Não posso dizer o mesmo das solistas, embora não se tenham saído mal. O côro mostrou uma ou outra hesitação e, até por poucas vezes, alguma entrada menos correcta. Mas agradou-me muito ouvir esta espantosa obra.

10) A acústica da sala é simplesmente espantosa. Podiam ouvir-se todos os timbres, todos os instrumentos, não havia confusão nos momentos altissimos desta Sinfonia e uma perfeita audição dos pianissimos, que tantos tem. Fiquei maravilhado.
Perante tal, não posso deixar de lamentar profundamente que se quizermos ouvir boas óperas nos mandem para um Coliseu em que muitas vezes se não ouvem os cantores sobre a orquestra !
Tenho muita pena de ter de lhe chamar Casa de quase todas as Músicas.

11) Resta-me referir o público. Excelente. Não me lembro de em Portugal ou em Paris ter sentido tanto respeito e tanto silêncio como hoje. Até nem se ouviu um único telemóvel !

Esquecendo todas as peripécias e, digo mesmo, vergonhas a que assistimos nestes anos passados, esquecendo que a sua localização é má, estamos todos de parabéns.

Rui Cunha


De: Rui Cunha - "Túnel de Ceuta" 

Tenho seguido com a maior atenção este assunto.
Primeiramente que afirmar que estou de acordo com o comentário hoje expresso por Alberto Lima - "Buraco de Ceuta". Não porque seja ou não convicto apoiante de Rui Rio, pois entendo que o bem da cidade e dos portuenses está acima dos políticos ou políticas.
Na verdade considero que, há muito, se assiste a um vergonhoso espectáculo em que é a política que comanda. No entanto a minha opinião é que a saída tal como presvista pela CMP é a melhor. Se o IPPAR reprovou a primeira versão, com saída no Carregal, não vejo que outra seja melhor.
Se o IPPAR aceita, como li, a saída junto da R. Adolfo Casais Monteiro, além da pouca largura, tem, em meu entender, muito maior prejuizo para o Museu, dado que o vento perdominante é oeste/este, e portanto a poluição do ar afacta-lo-ia mais. Na hipótese da saída junto ao Hospital é este que é mais atingido. Será que, desde o malfadado Porto 2001, estaremos condenados a ser uma cidade estaleiro e em que tudo é adiado ou não concluído?
Ponham a Cidade e os Cidadão acima de Tudo, e deixem-se de politiquices.

Obrigado
Rui Cunha

De: Cristina Santos - "Alberto Lima" 

Caro Alberto Lima

O túnel:

Não pondo em causa que a alteração à proposta para a saída do túnel seja ou não mais benéfica para o trânsito, a questão está na teimosia de fazer crer aos Portuenses que esta é a única solução que permite o fim das obras em tempo útil.

O braço de ferro com a ministra da cultura foi levado ao extremo pelo Presidente em funções, quando se permitiu à vingança pessoal de deixar um amontoado de terra em frente ao museu.
Ora se a Ministra está em Lisboa, e de resto pouco interessada nas gentes do Porto, não vai alterar a sua posição só porque os entulhos tampam a via ou o museu.
Se o objectivo era pressionar o Governo Central através dos incómodos causados ao povo, falharam na missiva, pois não existe qualquer justificação para aprovisionar tais quantidades de terra.
Estes incríveis percalços ditam a mudança de posição de quem tenha o mínimo bom senso.

O respeito:

O Presidente da nossa Câmara merece respeito pelo esforço e coragem de intervir em áreas até aqui desprezadas por outros governos autárquicos.
Em três anos foi intervindo em áreas importantíssimas, tentando demonstrar aos Portuenses que a sua idoneidade pessoal não lhe permitia o jogo político, concluiu obras, respeitou orçamentos, verbas incríveis etc...

Mas Rui Rio foi incapaz de agir com diplomacia, com respeito por algumas hierarquias, isto até pode ser uma boa qualidade tripeira, contudo a maioria das quezilas podiam ter sido evitadas - o executivo tinha ganho tempo.
A conjunção com o Metro do Porto em benefício da cidade foi uma cartada de mestre, mas Rui Rio é incapaz de intervir sem tornar as questões pessoais, tem uma necessidade extrema de dificultar as decisões com a esperança de ver reconhecido o seu esforço.

Falhou quando se afastou da noção de que o reconhecimento público seria difícil, dado tratar-se do primeiro mandato do PSD, ainda para mais um mandato por contestação, perdeu a noção da existência de uma oposição consistente e intrínseca à cidade, que ganha terreno de cada vez que o provoca e ele responde.
No prosseguimento da sua imagem Rui Rio devia olhar para a Cidade com se ainda lhe restassem quatro anos para governar.

Caro Alberto, eu atrevia-me a dizer que mesmo dentro do executivo o Presidente tem lidado com oposição, com jogo político que o próprio não soube precaver.

Mas isso espero discuti-lo no fim do Verão.

M. cumprimentos
Cristina Santos

De: F. Rocha Antunes - "Exercícios de cidadania" 

Meus Caros,

Uma das grandes vantagens deste blogue é pôr pessoas que gostam da mesma cidade a falarem civilizadamente umas com as outras. E permitir que todos, apenas investidos com a legitimidade de cidadãos, digam o que acham sobre os mais variados assuntos comuns. Não só por isso, mas também, venho continuar a conversa sobre o Inatel, agora abordada por Manuela D.L. Ramos, uma das participantes desse delicioso blogue que é o dias-com-árvores, uma das minhas paragens obrigatórias na ronda diária à blogosfera.

A afirmação que fiz baseia-se na transcrição do que está no PDM do Porto, já na 3ª, mas suspeito que não a última, versão. E uma transcrição é rigorosa. À qual acrescento a minha opinião, que é só isso, uma opinião. E na transcrição digo que, urbanisticamente, o espaço de equipamento, embora reduzido a metade, tem a classificação de equipamento e não como zona de construção como tinha sido escrito. Já na opinião, disse que não me parecia que era um exercício de criação de solo para construção.

Eu até posso concordar que não faz sentido, ao reduzir-se a metade a zona de equipamento por atravessamento do prolongamento da Rua Eduardo Allen, que não se tenha mantido a classificação de equipamento dos dois lados da nova via. Agora, que aquilo não vira tudo espaço para construção, não vira. Mas pelo que agora percebo, a capacidade de construção destina-se a ser utilizada pela própria C.M.P. para realojar pessoas que foram afectadas pela construção da nova rua, eventualmente até, especulo eu, dos proprietários das moradias a expropriar. Também concordo com Mário G. Fernandes, que diz que não faz sentido prolongar a nova rua para além da Avenida Antunes Guimarães, poupando-se a Quinta da Fonte da Moura.

É esta a grande vantagem das discussões públicas: conhecermos os outros pontos de vista e podermos chegar a soluções melhores para todos. Agora, neste caso, esta discussão vem tarde, a não ser… que o PDM volte à discussão pública. Importa ainda perceber que este PDM esteve em discussão pública 3 vezes. E que fomos todos chamados a propor alterações. Eu na altura devida fiz as propostas que achei que tinha de fazer. Todos pudemos fazê-las. Será que todos fizemos?

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

PS1 - Este processo não me parece ter a ver com o Metro na Avenida, uma vez que as intenções de estender essa nova via à Avenida Antunes Guimarães são bem antigas. O que me parece é que a CMP tentou empurrar também este assunto para o Metro, porque sempre era alguém que podia pagar a obra em vez da CMP. Não nos podemos esquecer que o Metro é gerido por uma federação de presidentes de câmara, e que o dinheiro que por lá se gera para investimento em espaço público é tentador.

PS2 – As expressões “à la partido político” de Pedro Baptista são isso mesmo. O tal estilo de que ainda ontem falava.

De: Alberto Lima - "Buraco de Ceuta" 

Sou um convicto apoiante do Dr. Rui Rio. Afinal ele representa tudo com o que me identifico. Há alguns mais como eu. "Poucos", certamente...

Lamentavelmente, algumas opiniões aqui publicadas (ou para aqui direccionadas) tentam passar por politicamente independentes. Essas opiniões são tão independentes como a Sra. Ministra da Cultura!

Como andam "independentes", arautos da Cultura e, seguramente, regulares visitantes do 2º Museu menos visitado de Portugal (segundo a própria directora), todos, genuína e apoliticamente, preocupados com a situação do "Buraco de Ceuta", pergunto aos verdadeiros independentes:
  1. A Sra. Ministra já respondeu à última proposta do Presidente da CMP?
  2. O IPPAR já respondeu ao pedido da CMP para lhe dar conhecimento de um determinado parecer negativo que TODOS os funcionários da CMP desconhecem mas a Sra. Ministra diz existir?
  3. A CMP desrespeitou o acordado com a Sra. Ministra e o IPPAR continuando as obras?
  4. Na humilde opinião de um independente o Museu fica prejudicado com a saída prevista para a Rua D. Manuel II?
  5. O Dr. Rui Rio ganha alguma coisa com isto?
  6. A Cidade ganha alguma coisa com isto (Museu incluído)?
A minha resposta é não a tudo.

Então porquê esta confusão toda?

Nota 1: Poupem as referências a respostas antigas. Vamos pelos argumentos simples e directos. Pode ser?

Nota 2: Os mais prejudicados, Comerciantes e Residentes locais, que têm feito barulho nos media, internet, etc. não são, de certeza, todos votantes do Dr. Rui Rio ou do PSD. Muitos terão votado no Engº Sócrates.

Nota 3: Se fossem o Ministro(a) da Cultura e achassem mesmo que a solução actual não poderia ser concretizada, não proporiam uma solução para um problema que afecta Milhares de Portugueses?

...Descarada falta de respeito pelos Portuenses e pelo Presidente da CMP...
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Nota de TAF: "ele representa tudo com o que me identifico". Tudo mesmo?

De: TAF - "As novelas do costume" 

- Câmara do Porto retoma obras do túnel de Ceuta contra decisão do Governo
- Câmara do Porto queixa-se ao primeiro-ministro de decisão para o CMIN

De: TAF - "O calvário dos investidores" 

Leia-se o texto "A gestão urbanística cmp" de Avelino Oliveira:
"Aproveito para vos relatar uma curta experiência profissional que tive com a SRU – Porto Vivo.
Após diligentes e simpáticos contactos ..."

Continua aqui.

De: D. Fortuna do Couto - "Texto de Pedro Baptista" 

Caríssimos

Cá vai um texto que o Pedro Baptista pediu para enviar porque o seu e-mail se encontrava a dar erros.

Obrigado
Daniel Fortuna do Couto

Luz no Túnel

Nesta coisa de debates em que cada uma das partes possa ser pintada com político-partidarismo, a tentação do fácil virtuoso meio-termo, do nem tanto ao mar nem tanto à terra, é irresistível. Por um lado, não compromete com os inconvenientes que cada uma das partes atira à outra, por outro alcandora-se à superioridade moral de quem está acima das terrenas tricas, eles sim em defesa do "interesse da cidade" ou dos "cidadãos" ou dos "comerciantes e utentes" ou de um qualquer metafísico bom senso.

Por isso os que procuram sempre esta saída, tratam de fazer a pintura dos termos adequada à saída que pretendem.

É assim que a questão de do Túnel aparece como uma querela político-partidária, pretendendo-se que entre o PP/PSD e o PS. No entanto o chumbo do IPPAR sucedeu com o governo do PP/PSD e foi a ministra da Cultura do dito que se recusou a fazer o que Rio & Ca (incluindo Sá) lhe pediam!<