2005/02/05

De: TAF - "Lido no fim de semana" 

(Actualizado Domingo às 17:35)

Paulo Vaz enviou-me a referência deste artigo, onde faz uma simpática referência a "A Baixa do Porto" - "2005: Lisboa Contra-ataca e o Fim da Neo-Colonização do Porto"

- A Academia das Colectividades tem nova sede junto ao Bairro da Sé
- Sé recebeu mal os vereadores
- Projectos da SRU "esquecem" Centro Histórico
- Notícias da Casa da Música
- Bessa coordena política económica no "Norte 2015"
- Daniel Bessa coordena área das actividades económicas do "Norte 2015"
- Air-Berlin quer triplicar clientes em Portugal
- Air Berlin espera triplicar número de passageiros em Portugal durante este ano
- Café Lusitano foi inaugurado na Rua José Falcão

- Memórias da indústria à beira Douro - "O importante é continuar"
- Proposta de reconversão do Palácio do Freixo vai ser reagendada após as eleições legislativas
- Pousada volta em Março e CDU disponível acusa Rio de “estratégia de vitimização”
- Pousada no Freixo regressa à Câmara após legislativas
- Rio negociará Palácio do Freixo mas só depois das Legislativas

- Ecologistas usarão via judicial para falar de "PDM estrangulado"
- Túnel de Ceuta: afinal, o que quer o IPPAR?
- Câmara de Lisboa Cria Sítio Sobre Reabilitação Urbana
- Trabalho de Marques da Silva revisitado
- A Associação de Bares da Zona Histórica do Porto quer ver o alterne legalizado - Há tempos escrevi um texto sobre um assunto relacionado. Os mesmos argumentos podem ser aplicados a este caso.

De: João Dias - "Ficção do Metro na Boavista" 

Caro José Patrício Martins.

As opiniões estão longe de serem unânimes! Também apoio o metro na avenida e julgo que os argumentos encontrados não rebatem as vantagens. Parece-me ser o local ideal para ele passar, dentro das hipóteses levantadas; parece-me ser o meio ideal para a artéria (o eléctrico rápido perderia a prioridade); vejo uma boa solução nas mudanças de direcção à espanhola (mas optaria pela solução enterrada); a avenida não ficará uma barreira maior que o que está (julgo que até acontecerá bem o contrário, aproveitando esta oportunidade para a requalificar). Claro está que espero a continuação da linha pela Rua Júlio Dinis.

Apesar de pouco participativo, tenho acompanhado o debate, em especial as suas intervenções, e um pouco de humor vem sempre bem.
João Dias
joaoesd@clix.pt

De: Carlos Gilbert - "Palácio do Freixo" 

Opiniões contraditórias no "Público":

No "Público Local" de hoje, 5/Fev/05, o jornalista que assina com as iniciais C.R. diz o seguinte a respeito de Rui Rio (com sinal "menos" na rubrica "Sobe e Desce") a propósito do chumbo que a proposta do nosso autarca sofreu no que à utilização do Palácio do Freixo diz respeito:
"A utilização a dar ao palácio e à antiga Moagens Harmonia é, sobretudo, uma responsabilidade camarária, sendo triste verificar que a equipa de Rui Rio não tenha conseguido descortinar outra solução que não seja a entrega dos imóveis à exploração privada, ainda por cima em condições que abonavam principalmente em favor dos interesses do grupo hoteleiro (...)."

Na mesma página, o jornalista Nuno Corvacho escreve num tom completamente diferente o seguinte (faço um resumo do mais importante, pois o texto não vem disponibilizado na versão online):
"Com uma bela localização e debruçado sobre o Douro, o palácio do Freixo era uma espécie de promessa monumental, o sonho de que, um dia, o Porto ainda poderia vir a ter o seu Versalhes de estimação (...).O que não podia faltar era a chamada dignidade institucional, porque um palácio, e logo desenhado por Nicolau Nasoni, não se ficaria por menos.
A verdade, porém, é que essa dignidade nunca passou de um instantâneo de postal ilustrado. O palácio esteve ali tempo demais apenas para que alguém o visse por fora, não seguramente para que alguém o visse por dentro. Um puro fantasma estético. O próprio edifício e os espaços à sua volta foram requalificados (...) mas o que é facto é que, ao longo do processo, continuou sem se saber verdadeiramente o que fazer do Palácio do Freixo. (...) É certo que Rui Rio terá tido alguma sorte de ter apanhado o processo em fase final de resolução (...) mas deve louvar-se-lhe, pelo menos, a capacidade de ter abraçado uma ideia, por mais discutível que ela seja. (...)
É difícil saber se este é o processo ideal. (...) E a verdade é que o aproveitamento de um edifício histórico e de alto valor patrimonial para uma dinamização turística que poderá ter reflexos positivos num vasto território é, só por si, uma ideia meritória. Não faltam exemplos por esse país fora de antigos castelos que, se não fossem recuperados por esta via, teriam porventura caído numa situação de insuportável ruína. E, enquanto os políticos ficassem a olhar uns para os outros, não seria este um risco real que poderia atingir o Palácio do Freixo? (...) Havendo, como parece haver, um projecto consistente, financeiramente sustentado e com fortes probabilidades de êxito, não parece sensato que se desista pura- e simplesmente e que não se procure pela via negocial corrigir aqueles aspectos eventualmente menos satisfatórios para o interesse público. E, claro está, zelar para que as máquinas afectas ao Museu da Ciência e Indústria (que têm estado guardadas no edifício das Moagens Harmonia) sejam recolocadas noutro local e finalmente valorizadas, para que a instituição possa ser algo mais do que a entidade virtual que tem sido desde há mais de uma década. Seria a forma de matar dois coelhos com uma cajadada: ganharia a cidade a pousada que nunca teve e um museu que há muitos anos merece."

Não faço grandes comentários adicionais, excepto para sublinhar como o mesmo assunto pode suscitar visões completamente distintas e que, no caso de uma votação política para escolher o seu destino final, ganha obivamente a que tiver mais adeptos (independentemente se o destino votado é o melhor para a cidade...).

C. Gilbert

De: Carlos Gilbert - "Decisões..." 

"... e desilusões!"

Precisamente por tantos de nós nos sentirmos frustrados e desiludidos com os decisores é que eu sou daqueles membros deste blogue que vou por vezes um pouco para além do tema estritamente de base deste espaço, um pouco a contra-gosto de F. Rocha Antunes quando este nosso ilustre membro diz, no seu texto "O atum" que: "Acho que seremos tão mais eficientes quanto mais soubermos emitir opiniões sobre algumas coisas mais centradas no tema do blogue, em que se calhar podemos ultrapassar o bom senso e dar um contributo mais consistente e inovador. Mas, como disse, é apenas uma opinião de bom senso a somar às outras opiniões." O que nos traz cada vez mais frustrados (veja-se o "grito de revolta" de ontem do nosso caro TAF...) é a mentalidade dos que são nomeados para serem eleitos, e depois obviamente que o são, de um ou de outro lado. E que há dentro dos próprios partidos lutas titânicas, ai isso há! Veja-se os que se passa no PS entre Narciso Miranda e Manuel Seabra, no PSD entre os nosso dois autarcas-mor, Rui Rio e Luis Filipe Menezes, para além de muita outra guerrinha de que nem ouvimos falar! E quem sofre com tudo isto? As cidades e os cidadãos. E com isto volto ao tema-base, para meu alívio...

De: José Patrício Martins - "Volto ao Metro..." 

"... na Boavista"

Caro TAF: as opiniões não são unânimes. Eu ainda não me rendi e não me vou dar por vencido.
O projecto está em risco, acho eu! Portanto há que traçar (com humor!) o cenário do futuro...

«Já percebi a coisa!... Quem convergir para a Senhora da Hora não vai demorar a perceber o engano. Que aquela do "andante" é mesmo medíocre. E, sejamos concretos, o melhor é não largar o automóvel e ver como as coisas param! Porque, afinal, acho eu, vamos é precisar dele. Mesmo que as "bichas" para a Cidade sejam um horror. Mesmo quando o sol está danado!... Irra! Deixa-me ligar o ar condicionado...
Educar os filhos nas virtudes dos transportes públicos? Que é menos poluente? Que não agride o ambiente? Qual quê? Para depois me atirarem à cara, os fedelhos, que o dito cujo é um atraso de vida?
Por que é que eu, que tenho ali uma Avenida "sempre àbrir", hei-de andar a pugnar pelas virtudes de um lagarto que não sai do sítio?...
E, vamos lá ver, por que é que o comboio dos "gajos da Póvoa", que nem são cá desta terra, hão-de ter prioridade sobre os de Matosinhos?... Afinal, quem é que os manda vir para cá?
Os estrangeiros?, que agora viajam a 14,6 euros? Por que é que os do táxi não hão-de cobrar o deles? Vai ser de rir quando os mandarem sair da "charrua", lá mais abaixo: "e agora esperem que o próximo já lá vem!" Julgavam que era aquela lindeza do "train" de Londres, sempre a direito até ao "check-in"?!!! Há-se ser, há-de...
É o que vos digo: o melhor de tudo é cá o quatro rodas, que eu sou independente.
Que bacoco fui quando acreditei naquela do metro na Avenida. E que, agora, de Brito Capelo à Baixa, ia ser um descanso! Descanso é quando sou independente e não tenho de dar satisfações a ninguém.
A malta gosta é de ter a Avenida por sua conta. E o resto que se lixe!...
Velhos? o melhor é ficarem em casa que até é perigoso para quem conduz. E a pobretada? Deixem-nos lá em paz, na Campanhã, que nunca deviam de lá sair... Para ir ao Parque da Cidade? Meus amigos, basta-lhes a foto da revisteca municipal, que serve perfeitamente... Aos burros dá-se-lhe palha! E ainda agradecem.
Queriam meter cá uma barreira, uma VCI. Pois claro! E abrir a porta a essa malta lá do outro lado, sempre de boca aberta, "olha um Ferrari!", "olha que máquina!". O melhor é deixar a barreira como está, que está muito bem.
Ao menos a qualquer hora, do dia ou da noite ou da madrugada, sempre posso ir à Cufra. E se não tiver mesa, meto à Galiza! Qual quê o metro?!!!... Chegava lá e batia com o nariz na porta!...
Pode ser que para os meus netos... Tudo bem! Daqui a uns dez anos talvez mude de ideias. Sim, porque é preciso pensar no outros. Eles também têm direitos. E pelo caminho que isto leva... os pobres coitados... Há que ter pena deles e isto já não vai só com rebuçados... há que preparar o futuro!
Se os do Metro se enganaram, que tirem as devidas consequências... Há mais sítios onde ele pode passar. Agora, aqui? A ter de virar "à espanhola"? Que mania esta de copiar os outros... Concordo em absoluto que essa do Metro tem de ter prioridade! Era o que mais faltava que, agora, o dito veículo particular, que só leva um bacano, passasse a ter prioridade sobre os STCP. Não discuto!
Só que, bem vistas as coisas, quem é que, dali da Foz, ia concordar? Está-se mesmo a ver, o tipo lá do sítio, na sua "limousine", armado em filantropo, à espera que a carruagem passe e abra o verde. Ia ser bonito!... Até já há quem fale em referendo!
Deus nos livre de meter mais política neste assunto! Temos de ter paciência. Não se pode fazer tudo duma só vez e esta malta que não quer o Metro na Boavista, lá há-de ter as suas razões... O Metro está bem, ninguém discute!, mas não a passar por aqui! Que não é sítio próprio...
...Vá lá o diabo entendê-los!»


(amigos bloguistas, não se irritem, é só um desabafo!)
--
Nota de TAF: Não me parece que isto contribua muito para aclarar ideias mas, enfim, é a descompressão do fim de semana, dá-se o devido desconto... ;-)

2005/02/04

De: José Patrício Martins - "Palácio do Freixo. ..." 

"... Mais uma oportunidade para o lixo!..."

Chocou-me PROFUNDAMENTE o que se passou com o Palácio do Freixo!
Será possível que uma solução EXCELENTE pudesse ser assim malbaratada?...
Há qualquer coisa que vai mal neste reino de Portugal!!!

Patrício Martins

De: TAF - "A Comunicação" 

Por mais que verifique que é quase sempre assim que nascem os problemas, continuo a ficar espantado com a dificuldade de comunicação que existe entre as pessoas. Políticos, gestores, funcionários públicos ou privados, engenheiros, arquitectos, etc., etc. - não conseguem falar abertamente uns com os outros!

Parece um grupo de adolescentes imaturos. Só tratam a sério dos problemas a posteriori, depois de ter surgido uma crise. PDM, SRU, Túnel de Ceuta, Metro, Palácio do Freixo, ...
É SEMPRE A MESMA HISTÓRIA!

Post Scriptum:
A propósito de participação cívica, um pouco de excentricidade não faz mal a ninguém... Se os políticos abusam do sistema então devemos (com boa intenção) usar o mesmo tipo de armas. ;-)

----- Original Message -----
From: Tiago Azevedo Fernandes
Sent: Friday, February 04, 2005 7:47 PM
Subject: Aceitar-me-ão como militante?

Boa noite.

Gostaria de ser informado se existe alguma restrição legal ou estatutária que me impeça de ser simultaneamente militante desse partido e de outro partido. Caso não exista, poderei estar interessado em inscrever-me. Consciente de que é uma situação um pouco excêntrica, pondero a possibilidade de exercer actividade cívica e política num regime de "não-exclusividade partidária", integrado de pleno direito em mais do que um partido.

Os melhores cumprimentos.
--
taf@etc.pt
http://taf.net/ - http://taf.net/opiniao/
A Baixa do Porto - http://porto.taf.net/


De: António Moreira - "Distracções..." 

Estádio do Inatel

Meus caros F.Rocha Antunes, Alexandre Burmester e Tiago Fernandes

Obrigado pelos esclarecimentos e, mais uma vez, peço desculpas por andar distraído.

Infelizmente eu, como tantos outros, não consigo "apanhar todas" porque o tempo e a atenção não dão para tudo ao mesmo tempo.
Eu sei que a maioria dos distraidos da "coisa pública" sempre arranja tempo para o futebol, as novelas ou as quintas, mas, felizmente, esse não é o meu caso.
O pouco tempo que consigo para me manter informado e, por vezes, para aqui intervir, é mesmo todo o que disponho :(
Para além do tempo dedicado ao trabalho, que não é pouco, desde que a família aumentou nunca mais me foi possível estar, fisicamente, presente em qualquer tipo de discussão pública, pelo que a minha, recente, descoberta deste espaço veio abrir uma nova janela, por onde vi que, lá fora, na minha cidade, existem mais pessoas que se
interessam, que se preocupam, que querem agir, sem estarem condicionados por coletes ou clubites partidárias.

Por isso mesmo o meu muito obrigado ao Sr. Tiago Fernandes por ter criado e continuar a cuidar deste espaço, mas também a todos os participantes por contribuirem para ir ajudando alguns distraidos a estar mais atentos.

Mas quanto ao atentado:
É já irreversível?
Não há nada que se possa fazer?

Um abraço
Antonio Moreira

De: Carlos Gilbert - "Rui Sá..." 

"... e o «Palácio do Freixo»"

Li com atenção o último texto de F. Rocha Antunes, bem esclarecedor em vários aspectos. Contudo, no tocante ao porquê do vereador engº Rui Sá ter-se juntado ao PS para "chumbar" os planos da autarquia para este espaço, há "qualquer coisa dentro de mim" a dizer-me que no fundo, no fundo, o motivo terá sido a dificuldade que este representante da CDU teria em justificar aos seus camaradas de partido a sua anuência em se transformar um monumento nacional e espaço público (nem que ninguém lá vá...) em pousada de luxo! Não condiz com a doutrina-base desse partido, pois não? Fica-me a dúvida...

De: F. Rocha Antunes - "António Moreira" 

Caro António Moreira,

Essa opção da Câmara, de alterar a localização do estádio do Inatel, já apareceu no PDM, que esteve em discussão pública.

É importante que todos participem, especialmente nas fases de discussão pública. É para isso mesmo que elas servem: ver quais são as intenções de planeamento para a cidade, e as consequências que tal planeamento implicam. Podemos criticar muita coisa, mas não a abertura com que a discussão pública do PDM do Porto foi feita.

A mim sempre me impressionou a falta de interesse que existe em conhecer melhor estas decisões, porque afecta todos, quer nos seus interesses privados, quer nos seus interesse públicos. Mas como já disse várias vezes, ainda estamos na infância destas coisas de participação cívica.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Alexandre Burmester - "Estádio do Inatel" 


Caro Antonio Moreira,

Aqui segue a ilustração do atravessamento do campo do inatel, e para melhor informação leia ainda um post aqui colocado no dia 15/01 de Arqº Edgar Soares, chamado de "Efeitos secundários"

Conselho, não continue distraído

Alexandre Burmester

De: F. Rocha Antunes - "Hossanas e Homessas" 

Meus Caros,

Há evoluções em dois dos assuntos que aqui temos comentado, o Túnel de Ceuta e o Palácio do Freixo.

Segundo o que vem hoje no Público, afinal sempre existiu um parecer do IPPAR em que era reprovada a saída do túnel junto ao Hospital de Santo António que, ao que parece, terá sido olimpicamente ignorado quer por Fernando Gomes quer pelo seu sucessor. O que fica à vista é a incongruência de agora se vir chumbar a saída junto ao Museu de Soares dos Reis, sugerindo duas alternativas: atirar a saída do túnel para mais perto do Palácio de Cristal (presumo que imediatamente antes da outra área protegida, da Torre de Pedro Sem) ou deixar a saída junto ao Monumento Nacional que é o Hospital de Santo António!

E é aqui precisamente que se revela a consistência dos pareceres do IPPAR. Se antes era reprovada a saída do túnel junto ao Hospital de Santo António, como é que agora se vem sugerir, como solução, essa saída? O que mudou e com que justificação?

O desafio de que os pareceres, todos, sejam publicados na página do IPPAR é mais forte que nunca. Assim, poderemos perceber todos a qualidade dos mesmos. Eu estou desde já disponível para reconhecer que errei, por falta de informação, se for o caso. Agora, que as contradições começam a ser tão obscuras como o subsolo em que o Túnel foi desenvolvido é uma evidência.

Podem os leitores deste post perceber melhor o que tem de passar quem quer fazer alguma coisa na cidade e se tem de sujeitar não à obrigação de respeitar o património mas à qualidade dos pareceres que, em nome dessa defesa do património, são emitidos. Não basta defender, em nome da comunidade, o património protegido. É preciso que a forma como essa defesa é feita, utilizando poderes excepcionais de interferência no património privado, seja coerente e consistente. A crónica justificação com a falta de meios e com a análise caso a caso tem limites.

Mudando para o Palácio do Freixo, ficámos a saber que, na opinião autorizada do responsável pelo projecto do Museu, esse fim está comprometido desde que foi feita a reabilitação do Palácio! Ou seja, que os agora defensores do chumbo da proposta do actual executivo precisamente porque isso ia contra o referido museu não o fizeram quando eles mesmos foram responsáveis pelas orientações que definiram quando da recuperação do Palácio. Os mesmos, repare-se. Fiquei a saber também que, como suspeitei, ninguém visita tal equipamento. Temos um especialista em Museus a dizer que a melhor solução é mesmo uma utilização diferente para os imóveis.

Hoje, o Eng Rui Sá vem, em discurso directo, dizer-nos quais as razões porque chumbou o projecto da instalação de uma Pousada. O maior obstáculo é a rentabilidade do investimento numa perspectiva da cidade e da Câmara. Reli várias vezes para ter a certeza do argumento utilizado. Então agora a razão para justificar o chumbo é essa? E de que maneira faz o Eng Rui Sá as contas? Refere o investimento feito pela CMP e, desvalorizando o investimento adicional que é feito para reconverter, com a qualidade exigível aos imóveis em questão, conclui que é um rendimento baixo! Confesso que não é hoje nem neste post que vou debruçar-me sobre esta visão da gestão dos activos patrimoniais.

Imagino só a delícia que seria juntar esta visão da rentabilidade do investimento em património classificado com os técnicos do IPPAR, organismo que tutela a matéria. Dava uma tese de doutoramento sobre a diversidade de visões sobre o que é o custo e a rentabilidade no património protegido que seria “case-study” em qualquer universidade do planeta.

E, last but not the least, como são escusados os “hossanas” de Alberto Lima. Será que este nosso autarca (tanto quanto me lembro, pois nem todos achamos importante declararmos sistematicamente quem somos) não é capaz de perceber que basta ter razão, não é preciso louvar desmedidamente quem a tem do seu lado num dado assunto?

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: António Moreira - "Estádio do Inatel, ..." 

"... mais um atentado?"

Peço desculpa por ter estado distraído.
Se calhar a maioria dos Cidadãos tem estado distraidos.
Se calhar é por isso que eles (atentados) se continuam a fazer.

Então agora é o Polo Desportivo de Ramalde, do Inatel, que vai ser destruído ?

Para quem não conhece, trata-se de um espaço verde de grande dimensão com instalações desportivas utilizadas por um grande número de Cidadãos e de Associações populares que, naturalmente não tem instalações desportivas próprias.

Naturalmente, que o terreno é excelente para prolongar a "paralela à Avª da Boavista" e entrar nas "voltinhas à espanhola" com que pretendem resolver os cruzamentos da Boavista (ver metro da Boavista).

Naturalmente que o terreno é excelente para encher de prédios, em vez das árvores que lá estão....

Então fazer prédios em terrenos do Parque da Cidade era mau, mas destruir este grande espaço verde e desportivo de Ramalde já é bom ??????

Onde é que está a seriedade "desta gente" que ocupou os Paços do Concelho ????

O que é que pudemos fazer para evitar mais este atentado ????
--
Nota de TAF: Querem mudar o estádio de sítio, não sei muito bem para onde, julgo que um pouco para Norte... Já vinha no projecto do Metro, é mais uma das medidas para permitir a importantíssima linha da Boavista que, como todos sabemos, até é amiga do ambiente. :-(

De: TAF - "Revista de imprensa" 

(Actualizado às 12:50)

- O INATEL vai accionar juridicamente a Câmara do Porto
- A Casa dos 24
- Ambientalistas duvidam da utilidade da discussão pública do PDM

- Túnel ainda sem aval
- Ippar Esteve Contra Saída do Túnel de Ceuta no Hospital

- A Casa da Música
- Casa da Música reconhece limitações na programação
- Programação da Casa da Música entre a "clássica" e a "mainstream"

- A Marina Infante Dom Henrique, na Alfândega
- Marina da Alfândega ainda está encalhada no Governo
- Sport Clube do Porto quer começar obra da marina da Alfândega em Abril
- Marina da Alfândega do Porto à espera de aprovação

- A Pousada no Freixo - opinião de Rui Sá
- Projecto da Associação de Comerciantes para o Palácio do Freixo tinha "retorno baixo" para a Câmara

2005/02/03

De: Alexandre Burmester - "Que os há..." 

"... Há Presidentes do Contra"

Embora ontem tenha referido que no caso do Palácio do Freixo:
"Todos nós os cidadãos, fomos e estamos continuamente a ser gozados (E roubados nos investimentos públicos).
Quem tem razão? Suspeito que a Câmara, mas interessa?
Apenas o que interessa é tomar consciência que estamos mais uma vez a ser mal governados, a ser embrulhados, e continuamos o mesmo caminho de ir a lado nenhum (Apenas um pouco mais pobres)."


E hoje desconfirmo, pelas informações dos jornais, que a boa "gestão do Presidente da Câmara" :
"Há um ano e meio [Julho de 2003] que a ACP, enquanto entidade promotora, entregou na câmara uma proposta que pretendia transformar o Palácio do Freixo num pólo de dinamização turística e cultural, tal como o fez em relação ao Palácio da Bolsa, e nunca obtivemos uma resposta", disse Rui Moreira, responsabilizando directamente Rui Rio por ter feito um veto de gaveta ao projecto".

Caro Sr. Alberto Lima, "o pior cego é mesmo aquele que não quer ver"

Alexandre Burmester

De: Cristina Santos - "Espelhos são..." 

"... reflexos inanimados"

Caro Fernando Pereira:

Quando caem por Terra propostas de investimento de qualidade, não podemos concordar que todas as boas ideias sejam reconhecidas , alias isso é utópico, não há propostas perfeitas, há boas propostas, afirmar que se a proposta for de qualidade acaba por vingar é demagogia, não há perfeição indiscutível.
As regras internas das entidades partidárias, impedem muitas vezes o livre exercício da democracia, pelo menos é inacreditável que se vetem propostas de investimento fecundas de emprego, e que tal seja do acordo da maioria dos membros do partido . Estes vetos da oposição, desprovidos de argumentos ou propostas, reflectem atitudes de partidarismos, que prejudicam as regiões e o povo em geral.

Obviamente que os bons Políticos, tem sempre opção de ficar fora destas conjunturas e portanto ficar fora dos partidos dominantes, a forma interventora que lhes resta será a opinião, mas como sabemos, nem sequer os pequenos partidos tem peso para voz arbitrária, quanto mais um cidadão isolado num estado democrático.
Se assim fosse a maioria das propostas, teria rectificações de várias entidades partidas, unidas com um só objectivo, mas o que infelizmente se assiste é que se não existir maioria, as propostas são consecutivamente vetadas, com o único objectivo de prejudicar o trabalho de quem está no poder.

Concordo plenamente quando diz que os Partidos reflectem a qualidade dos Cidadãos, mas acima de tudo essa qualidade é reflectida não nos partidos, mas sim na produtividade, na participação cívica, no desenvolvimento.

Se os partidos tivessem algum interesse em qualificar os Cidadãos e envolve-los nos actos políticos, deveriam apresentar os seus programas, e não os Políticos em si, se existisse uma réstia de vontade Politica em esclarecer o Cidadão, não seriam lançados em Praça Publica casos de extravios financeiros, aos quais depois não apresentam qualquer medida de solução ou continuidade.
Na verdade nestes casos são as classes partidárias que formam o Povo, demonstrando que não há oposição, mas sim compactuação entre agentes partidários. Acordos internos, que escondem erros e repartem rendimentos, incentivando a descrença publica em todos os partidos existentes.

Realmente se de cada vez que um cidadão abre um olho, não levasse uma pedrada, naturalmente, já teríamos novos partidos, desinteressados nas suas regras internas e clubismos, mas cientes do seu dever.
Sou mesmo forçada a concordar que o Povo elege pela Cor e pelo Cabeça de lista, mas o Povo decide por aquilo que lhe é dado a conhecer, o que revela uma extrema má fé da classe Politica. Nem sequer abordo a publicidade enganosa, que quebrou o esforço do voto eleitoral.
Não podemos exigir de todos os Cidadãos, principalmente dos mais velhos, (que continuam a ir às urnas), que desmistifiquem as jogadas e as mentiras com que todos os dias que nos tentam fechar os olhos, sabe porque? Porque para isso pagamos a varias assembleias, a vários deputados, não podemos exigir que o Povo que nem tempo tem para ir passear, vá às Assembleias da sua Freguesia para ser informado, quando essas reuniões nem sequer são anunciadas.

E exactamente no rumo da exigência à eficiência, nós o povo devemos diferenciar-nos da classe Politica, devemos quebrar este círculo, demonstrar que não estamos satisfeitos, que continuamos a ser cidadãos e a cumprir com um dos únicos meios que nos resta para impor a nossa vontade, se os Políticos alegam serem um simples espelho das nossas vontades, então que se quebre o vidro e que se demonstre que não reconhecemos esse reflexo, não admitimos a nossa culpa, os espelhos são isso mesmo, reflexos sem qualquer atitude ou vontade, um espelho é uma imagem subjugada.

No meu caso, já decidi se os partidos são em parte o meu reflexo, então vou pintar a minha imagem de Branco, se muitos o fizerem teremos uma classe politica angelical.

Cristina Santos

De: Alberto Lima - "Não acredito em..." 

"... profissionais do contra, mas que os há."

Sou leitor assíduo deste blog. Após ler o post de F. Rocha Antunes fiquei mais tranquilo por perceber que afinal ainda há quem consiga sobreviver à mediocracia e distinguir a política do preconceito. Isto a propósito da reconversão do Palácio do Freixo. Numa matéria tão simples e directa como é possível alguém duvidar da "bondade" da proposta?

A Reconversão do Palácio do Freixo é ou não uma aposta na Cidade que todos pretendemos Turística? O unânime critério essencial de desenvolvimento para o Porto.

A oposição queria mais retorno financeiro pela operação do Palácio do Freixo. Abordo, apenas, alguns retornos tangíveis que me ocorrem de imediato:

No Turismo
Valor da marca Pousadas de Portugal (tão forte que é tangível);

No Emprego
Criação de novos postos de trabalho;

Atracção de investimento
"O Grupo Pestana comprometia-se a investir onze milhões de euros na adaptação dos imóveis." in Público

"A renda, nos termos do acordo proposto, seria de cinco mil euros mensais, durante cinco anos, e dois mil euros nos anos seguintes, acrescidos de 1,5 por cento do valor dos lucros, estimados em 6,5 milhões de euros ao ano." in Público
Aqui não resisto afirmar, que enorme gestor é Rui Rio! Acautela a "vida" do seu sucessor em 2009.

Nas infraestruturas
"O contrato proposto admitia ainda que o Grupo Pestana investisse 2,5 milhões de euros num centro de eventos, a construir junto ao palácio." in Público

Pergunto, qual destes retornos se julga insuficiente ou pior do que o actual estado de coisas?

Apesar das muitas iniciativas já realizadas por este executivo (Ao ponto de este post já estar desactualizado) podemos nestes actos compreender como funcionam as forças de bloqueio políticas que, injustificadamente, travam o trabalho de um Presidente de Câmara. Para quem está na Assembleia Municipal é, ainda mais, hilariante. Então não é que a oposição reclamava insistente e histericamente uma solução para o Palácio do Freixo!?

Apesar de não estar 100% de acordo com a expressão, é certo que estas posturas politiqueiras dão razão à já famosa referência dos "profissionais do contra".

A solução era (e é) boa e de enorme qualidade e mais valia para a Nossa Cidade. Se as reacções foram tão negativas fico a imaginar como seriam se o Presidente da Câmara tivesse proposto a instalação no Palácio de um franchising da "pensão estrelinha".
--
Nota de TAF: Quanto a "acautelar a vida do sucessor", vamos pôr as coisas na perspectiva correcta - 1,5% de 6,5 milhões de euros são menos de 100.000 euros (20.000 contos) por ano! O principal problema aqui foi a falta de discussão prévia, parece-me. É o erro habitual de Rui Rio.

De: Fernando Pereira - "participação partidária" 

No seguimento dos últimos posts neste blog, venho pela primeira vez tentar participar construtivamente nesta discussão.
Antes de mais, no entanto, queria aproveitar para dar uma palavra de reconhecimento ao criador e aos participantes deste blog por terem feito dele um ponto importante da vivência da cidade do Porto.
Nunca tendo participado activamente, acompanho enquanto leitor já há algum tempo.

O que me leva a este post é a última sucessão de comentários sobre a participação cívica e a consideração do papel dos partidos na vida da sociedade portuense.

Para esclarecer quaisquer dúvidas, sou militante de um partido, já ocupei alguns cargos dirigentes (de pouco relevo) e fui durante 4 anos, deputado na Assembleia Municipal do meu concelho de residência, que é Matosinhos.

Sem discordar de algumas opiniões sobre a falta de qualidade e de democracia na vida dos partidos políticos, acho que no fundamental se tem uma visão demasiado crítica e parcial da questão. É para mim óbvio que se o regime político no país é a democracia, tal facto tem de ser alargado à vida interna dos partidos. Assim, não há maneira melhor de governo para os partidos do que o voto e a acção individual dos seus militantes. Traz este sistema perigos e dificuldades? Claro que sim. Mas não me parece que os partidos consigam fechar-se para sempre à participação de que os procure de boa fé. Os partidos não têm nem mais nem menos legitimidade do que outras organizações sociais, têm é regras de funcionamento interno. Quem acreditar nelas e estiver disposto a sacrificar um pouco da sua vida, disponibilizar-se-á a participar. Quem não quiser fazer esse esforço, ficará de fora e provavelmente poderá (e deverá, digo eu) procurar outras formas de intervir. É a tal questão: se a ideia é boa, acaba por ser reconhecida (seja nos partidos, seja fora deles

Em resumo, é preciso melhorar a qualidade dos partidos políticos? Sim. Então quem o quiser fazer que dê um passo nesse sentido. O que não vale, na minha opinião, é a atitude da superioridade de quem fica de fora, ao estilo: eles não são suficientemente bons para mim.

Acredito que as nossas instituições são de facto o espelho da nossa qualidade enquanto sociedade. Quanto melhor e mais exigente ela (e cada um de nós) for, mais qualidade terão todas as nossas instituições (partidos, ong´s, associações, etc.) porque mais qualidade se exigirá dos seus membros.

Resta a cada um de nós participar da forma que mais adequado entender, conjugando o seu interesse pessoal com o bem comum.

Fernando Miguel Pereira
Economista

De: TAF - "Os desafios do blog" 

Estive a fazer uma "visita arqueológica" a este blog. Sabem que já temos mais de 1000 posts, correspondentes a aproximadamente 500 páginas A4 se fossem impressas em font Times Roman 10?

Alguns temas onde a participação tem sido mais viva: PDM, Alameda 25 Abril, SRU, Metro na Boavista, Túnel de Ceuta, Palácio do Freixo, Governabilidade da Cidade. Este último parece-me especialmente importante porque acabamos sempre por ir lá parar ao tentar resolver os outros todos...

A par da discussão detalhada de problemas urbanísticos concretos da cidade e especialmente da Baixa, vale a pena reservar algum espaço para encontrar formas de ultrapassar os bloqueios estruturais que impedem uma eficaz gestão do Porto. Entre eles está a dificuldade em concretizar a participação da sociedade civil no esforço de análise dos problemas, na procura de soluções e, principalmente, o aproveitamento deste trabalho por parte dos decisores. Sem isso não vamos longe!

"Aproveitar o trabalho" não significa "fazer o que os lobbies querem", mas sim "ponderar construtivamente os argumentos apresentados". Significa "mostrar abertura de espírito" e também "usar de firmeza na decisão", que não é de modo nenhum incompatível.

Mas falta igualmente ter "feedback" do poder político. Dos monólogos não surgem resultados comparáveis aos que seriam possíveis com uma TROCA de ideias mais ampla. Temos conseguido alguns progressos, mas vai ser precisa muita persistência. Água mole em pedra dura...
Louve-se o papel que os media têm tido na reflexão pública sobre os temas que referi: os meios convencionais e os blogs complementam-se perfeitamente e são todos imprescindíveis. É de apostar nesta "aliança"!

Os jornais:
- Rio reafirma necessidade de alterar lei das autarquias, mas mantém Rui Sá
- PSD insiste na criação de pousada no Freixo
- Proposta da ACP não teve qualquer resposta
- Proposta da Associação Comercial para o Palácio do Freixo "esquecida"
- Rui Moreira Culpa Rui Rio pelo Falhanço do Projecto do Palácio do Freixo
- Museu da Imprensa arrisca perda de 4,5 milhões para ter casa nova
- Pousada - a Solução Possível - opinião de J. M. Lopes Cordeiro
- Árvores ganham distinção no Porto
- Providência cautelar contra a Metro entra no tribunal nos próximos dias

PS: Com o tempo que acabo por dedicar ao blog, um dia destes vou ser obrigado a tornar-me profissional... Será que "bloguista" ou "gestor de comunidades virtuais" já é considerado uma profissão? :-)

2005/02/02

De: F. Rocha Antunes - "O atum" 

Meus Caros,

A propósito dos post’s mais recentes, lembrei-me de um episódio já com muitos anos a que assisti no Telejornal da RTP.

A propósito das notícias de que iria surgir um jornal diário criado de raiz, com recursos financeiros nunca até então vistos, propriedade de um grupo económico (estou a falar da Sonae e do Público), convidaram dois directores de jornais à época para comentarem o facto.

Os convidados foram José Carlos Vasconcelos que, se a memória não me atraiçoa era director do semanário “O Jornal”, e Miguel Esteves Cardoso, director de “O Independente”.

Questionados os dois sobre o que achavam do facto, as respostas foram as seguintes:

José Carlos Vasconcelos disse que, enquanto jornalista, achava muito perigoso que um grupo económico fosse proprietário de um jornal que, certamente, não deixaria de utilizar esse meio de comunicação social para veicular os seus pontos de vista e, mais perigoso ainda, de “distorcer”, através da selecção dos factos a noticiar a realidade a que os portugueses tinham o direito de esperar dos jornais que se publicavam. Assim, e como cidadão, achava que era um risco para a liberdade de imprensa que tal jornal aparecesse e que pudesse, por via disso, vir a existir até, se as coisas evoluíssem de maneira imprevisível, um risco para a própria democracia. Portanto, e como democrata que era, achava que se deveria exercer uma vigilância apertada sobre os desenvolvimentos que se seguiriam a tão perigosa empreitada e que ele estaria, como muitos outros, vigilante.

Miguel Esteves Cardoso, no seu estilo habitual, limitou-se a dizer que achava que os jornais eram como o atum.

Atónito, o entrevistador perguntou: “Como o atum?”

Esteves Cardoso esclareceu: “Sim, como o atum. Se o jornal for bom, vende-se, senão, não”

Acho que o sucesso do que se faz depende disso mesmo: de ser bem feito, ou bom. Sejam as opiniões que se emitem, as políticas que se têm, os projectos que se desenvolvem, os blogues que se criam, a participação cívica que se desenvolve e tudo o resto.

O que precisamos é de pessoas que se interessem pelos assuntos para além do seu interesse mediato, que sobre eles opinem e que de preferência essas opiniões resultem de trabalho e ponderação. Como já disse aqui antes, se as opiniões que aqui se emitem forem boas, fazem o seu caminho. Senão, não.

Não tenho nada contra, nem me caberia a mim ter, sobre as discussões que regularmente se recriam sobre a importância de mudar os políticos. Acho sinceramente que a maioria das pessoas que aqui escrevem apenas conseguem, sobre esse assunto, terem opiniões de senso comum. Não menos importantes por isso, mas apenas isso. Como este próprio post que escrevo.

Acho que seremos tão mais eficientes quanto mais soubermos emitir opiniões sobre algumas coisas mais centradas no tema do blogue, em que se calhar podemos ultrapassar o bom senso e dar um contributo mais consistente e inovador. Mas, como disse, é apenas uma opinião de bom senso a somar às outras opiniões.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: António Moreira - "Cidadania, Partidos e..." 

É com grande satisfação que vejo neste espaço a discussão, por parte de pessoas com uma capacidade de redacção muito superior à minha, sobre o que estará mal no nosso sistema de democracia, procurando soluções que permitam corrigir a situação a que se chegou a qual, conforme refere o Sr. Carlos Gilbert, é já, também em meu entender "um beco sem saída".

Gostaria de referir que estou, quase na totalidade, em acordo com o que, sobre este tema foi escrito pelos Srs. Carlos Gilbert e Alexandre Burmester, aos quais, bem como, naturalmente, ao Sr. Tiago Fernandes, sinceramente agradeço por, de forma tão clara, trazerem este assunto a debate.

Este, a meu ver, é o debate que urge fazer se entendemos que é necessário e ainda possível salvar um sistema de organização do Estado em que, efectivamente, o poder seja novamente dos Cidadãos e não da nova forma de aristocracia em que, na prática, se transformaram os aparelhos partidários.

Não vou por agora, por falta de tempo e de talento para a escrita, enumerar tudo o que entendo que é necessário corrigir, muito menos elaborar teorias quanto a quais as soluções que seriam possíveis e eficazes.

Entendo sim que este é o debate que deve ser feito, que, possivelmente, de entre as muitas hipóteses de solução que venham a ser apresentadas, algumas (certamente não as minhas) sejam razoáveis e praticáveis.

Entendo que vai sendo tempo de procurar a forma de forçar os partidos a devolver o poder aos cidadãos, entendo que o conceito de democracia não se pode esgotar no actual sistema de representação via partidos e não posso aceitar a "verdade" estabelecida de que "não existem alternativas".

As alternativas imaginam-se, discutem-se, criam-se.

Um sistema de representação partidária em que o órgão (Assembleia da República ou Assembleia Municipal) que tem por função fiscalizar a actividade do órgão executivo (Governo da República ou Câmara Municipal) se compõe de uma maioria que tem como único objectivo garantir a manutenção do poder e uma oposição que tem como único objectivo conquistar esse poder, para que se verifique a "alternância democrática" é, em meu entender, um sistema falido, um sistema imoral, um sistema que tem que, rapidamente, ser alterado.

Foi referido, pelo Sr. Carlos Gilbert, que "Todo o membro da sociedade civil que tenha votado nas autárquicas não se furtou às suas responsabilidades! Exerceu-as na exacta medida do que lhe foi dado (pela Constituição) e mais não pode fazer…." e, pelo Sr. Alexandre Burmester, "Nas próximas eleições, irei uma vez mais exercer o direito de voto - o BRANCO (nunca me foi possível compactuar com este regime de comadres)".

Aqui sim, tenho que discordar um pouco dos dois, eu não voto, há mais de vinte anos, por entender ser essa a melhor forma de manifestar a minha posição, não aceitando que se entenda que me estou a furtar a quaisquer responsabilidades, antes pelo contrário (aceito, naturalmente, que discordem).

Por outro lado entendo que "mais se pode fazer"
Este espaço e esta discussão são a prova disso, por favor continuem

Melhores cumprimentos
António Moreira

De: TAF - "Participação cívica" 

A conclusão a que estou a chegar é a de que provavelmente me irei inscrever como militante de um partido político, não para exercer qualquer actividade partidária mas apenas para poder votar nas eleições internas para os respectivos dirigentes. ;-)

Assim posso "jogar nos dois campos":
- passo a ter voto na selecção de quem me representa nas estruturas democráticas formais;
- continuo a exercer a minha actividade cívica completamente apartidária tal como agora.
O facto de eventualmente passar a ser militante de um partido qualquer não me vincula às respectivas posições oficiais nem me limita a capacidade de intervenção.

PS - Já agora, há algo (lei ou estatutos internos) que me impeça de estar inscrito em mais do que um partido ao mesmo tempo? ;-)

PS2 - Mais notícias de hoje:
- Ex-proprietários reclamam 25,6 milhões ao F. C. Porto
- Processos
- Soares da Costa exige em tribunal indemnização da Câmara do Porto
- Casa da Prelada vai ser um centro cultural
- Pousada foi por água abaixo
- Participação da Câmara na Casa da Música aprovada com abstenções do PS

De: Carlos Gilbert - "Cidadania, Partidos e..." 

...o futuro.

TAF: "Se a situação chegou a este ponto foi porque a sociedade civil se furtou às suas responsabilidades de intervenção na cidade através dos partidos. Outras vias paralelas irão encontrar o mesmo fenómeno de desinteresse dos munícipes caso não se ataque a raíz do problema."

Voltamos ao que eu já em ocasião anterior apontei como "democracia directa à grega"... e não o faço com o "dedo apontador" em riste, mas sim na tentativa de contribuir para se encontrar uma solução que o beco está mesmo sem saída!

Diz o TAF que "a sociedade civil se furtou às suas responsabilidades de intervenção na cidade através dos partidos". Discordo, caro Tiago. Todo o membro da sociedade civil que tenha votado nas autárquicas não se furtou às suas responsabilidades! Execerceu-as na exacta medida do que lhe foi dado (pela Constituição) e mais não pode fazer. A não ser que se coloque em frente à Câmara com cartazes de protesto, ou leve para a Avenida dos Aliados um banco e comece a discursar em alto e bom som (tipo "Hide Park Speaker's Corner", em Londres) mas creio ser consensual não termos nunca tido "educação democrática" que nos leve a atitudes de desagrado deste calibre. É pena, infelizmente, mas a única coisa que até agora nos foi dado e exigido é que votássemos em eleições, dando-nos a imprensa e os comentadores do costume a ilusão de que aí "castigamos os partidos e os políticos" pelas suas asneiras...
Onde concordo com o Tiago é quando diz "outras vias paralelas irão encontrar o mesmo fenómeno de desinteresse dos munícipes caso não se ataque a raíz do problema". No texto apontado por TAF, o nosso moderador diz a dada altura o seguinte: "A intervenção da sociedade civil pode fazer-se também pela participação na vida interna dos partidos, obrigando-os a agirem de acordo com os interesses da população e não em função das guerrilhas mais mesquinhas que agora todos observamos com indignação. Os partidos e os seus dirigentes são o que são porque nós deixámos!" Eu creio já uma vez ter aqui comentado isto ao dizer que nos partidos se iriam rir a bom rir se por lá entrasse um grupo de cidadãos pertencentes às ditas "bases" a reclamar do mau serviço que os "donos dos partidos" (o termo é meu) têm estado a prestar! Aquilo nos partidos funciona à base de "cordadas" (chamem-lhes "lobbies" se quiserem) e vence quem mais poder conseguir reunir. Qual "interesse da população" ou "entendimento entre partidos"...
Continua o Tiago: "A situação do Porto é muito grave. Tão grave que não é difícil, estando de boa fé, encontrar plataformas de consenso entre todos os partidos." Aí é que está o problema de base: a falta de boa-fé por parte dos partidos, ou seja, de quem neles manda a dado momento. Como diz hoje o Alexandre de forma acutilante e mordaz: "Para recente exemplo, serve este caso do Palácio do Freixo. Não é necessário ter conhecimento aprofundado do dossier, para perceber que uma vez mais a Câmara não preparou o discurso (exerceu a prepotência), e a Oposição limitou-se a "chatear" (para impedir a Presidência de mostrar serviço)." Em cheio! Uns acham que por serem "poder" podem decidir de certa forma simplificada, sem preparar devidamente o terreno (a tal prepotência de que o Alexandre fala) e os outros fazem sentir que também eles detêm poder, nem que seja para "chatear"... Já no caso da SRU se viu como os partidos (ou seja: quem da parte destes é apontado para exercer a governação da autarquia) procedem e sempre para adiar as soluções, claro. É assim tão difícil a quem exerce o poder decisório "sondar primeiro o terreno" e preparar devidamente os dossiers para que sejam aprovados e implementados sem demora (se isso for do interesse da cidade, claro; se não, nem os apresentar, sabendo à partida que irão merecer um "chumbo"...)

Resta-nos o quê? Exercer a tal "democracia directa à grega", como se tem agora tentado com a ditas "Tertúlias"! Tentar reunir um leque de cidadãos que saibam:
Tiago, não julgue que estou contra a sua forma de pensar! Não, acho é que as suas ideias esbarram na sobranceria dos partidos e que estes nunca na vida irão "ter a bondade" que o Tiago deles exige... E que um "entendimento entre partidos" só se dá quando for da conveniência DELES e nunca - infelizmente - para o Bem da população citadina. Gostava que um político de carreira me provasse que estou errado...

Carlos Gilbert

De: Alexandre Burmester - "Reciclar..." 

"... - «Nada se cria tudo se transforma»"

Caro Tiago

Não me confunda, eu sei que não sou muito claro no que escrevo porque não sou escritor e a minha profissão é outra; Mas não defendo a eliminação de Partidos, e menos ainda de políticos.

Aliás se amanhã se juntarem meia duzia de pessoas por alguma causa, lá teremos os politicos e logo os "Partidos".

O que defendo é mais, embora pouco para ser objecto de exposição aqui.
Resumidamente diria:
Isto não é um discurso "contra" as ferramentas da democracia, mas sim o seu urgente upgrade.

Alexandre Burmester
--
Nota de TAF: Eu tinha percebido mas usei um título provavelmente "espalhafatoso" demais. Estamos basicamente de acordo. :-)

De: Manuel Martins: "Os défices dos transportes" 

Vale a pena lembrar... os défices dos transportes

Prezado TAF:

O seu comentário à minha sugestão à sugestão de Cristina Santos é um desafio, uma provocação. Agradável provocação. Por isso não resisto a responder. Isto é, vai ter que me aturar.

Cita o vultuoso défice operacional em 2004 da Carris, CP, Metros de Lisboa e do Porto, STCP e Transtejo. Assinalo o facto notável de já terem fechado as contas de exercício. A esse défice acrescenta a dívida acumulada e os seus previsíveis custos. Concluo que, na sua óptica, para equilibrar as contas devem ser elevadas as tarifas até ser obtido o equilíbrio. Ora tal só se obteria elevando substancialmente o preço dos bilhetes. Pouco mal adviria a utilizadores ocasionais como eu, aos turistas e aos detentores de rendimentos superiores à média que só excepcionalmente se servem de transporte público. Mas o grosso dos utentes são os que diariamente fazem o percurso casa-emprego-casa. Aqueles que foram empurrados para a periferia pela especulação imobiliária e os que trabalham na periferia onde se instalaram as indústrias outrora fervilhantes numa cidade então apodada justamente de Capital do Trabalho. Dir-se-á que, para esses, há as tabelas bonificadas, muito mais acessíveis. Serão, pois, abaixo do custo, de outro modo outras alternativas mais favoráveis tomam lugar, incluindo o transporte individual, para infernizar mais o tráfego citadino. Com preços abaixo do custo, permanece o défice.

A sua visão dos transportes públicos urbanos nem sequer é economicista. Antes se dirá contabilística. Porque não atende a outros custos. Os custos com a mobilidade, o ambiente, a dependência energética externa, as dinâmicas económica, comercial e cultural dos centros urbanos, enfim, a produtividade.

Ninguém aceita emprego em que, para o fruir, gaste tanto em transportes que não consiga suprir as necessidades básicas. Aqueles aglomerados habitacionais com o nome de “ilha” que ainda subsistem no Porto ficam junto de unidades industriais, hoje desactivadas. Outro exemplo são os bairros operários como o da Fábrica da Areosa, das Minas de S. Pedro da Cova e da Panasqueira, etc. Cada vez é menos assim. É raro o trabalho ficar ao pé da porta.

Por isso, em toda a parte a questão da mobilidade se põe a ponto de se alvitrar a sua gratuitidade nas grandes urbes.

Sobre a CP já tive oportunidade de comentar, lembra-se? Referi que desde os anos cinquenta – há mais de meio século - passou a ter todos os anos défices crescentes que o Estado é obrigado a cobrir. Porque é um transporte socialmente imprescindível. Não se podendo evitar os défices, é essencial organizar e gerir os meios de modo a salvaguardar a qualidade do serviço com os menores custos. E o que vemos na CP? Encerraram várias linhas aumentando o isolamento de populações do interior a quem agora até querem tirar as SCUTs que lhes prometeram. Há um ror de anos que anda a renovar a Linha do Norte para reduzir meia-hora no tempo do percurso entre as duas principais cidades. Não se vislumbra o fim da empreitada que sorve dinheiro a granel e já se fala em TGV. Nesse entretanto, a CP foi desmembrada em 15-quinze-15 empresas, cada uma com o respectivo conselho de administração. Os défices não param de crescer...

É disto que nós, trabalhadores dependentes, que não somos milionários e todos os meses vemos na folha de salário a retenção do IRS, devemos falar, caro TAF. Não me perturba nada, até incentivo, que os meus impostos também sejam aplicados para proporcionar aos mais carenciados mobilidade na azáfama diária. Por isso é que não alinho na querela metro/eléctrico na Boavista. Por mim, como já lhe disse, prioritária é a linha para Gondomar, onde se concentra tanta gente necessitada. Gondomar que já foi servida por uma extensa rede de eléctricos: - Rio Tinto, Venda Nova, Fânzeres, S. Pedro da Cova e S. Cosme. Rede levantada em prol do sacrossanto automóvel, como então era moda. Mistério para mim é porque, sendo o presidente daquele município também presidente da Metro-Porto, consegue do poder a que partidariamente está ligado o financiamento da Linha da Boavista e a de Gondomar ficou no papel...

Cordiais cumprimentos.
a) M. Gaspar Martins - PORTO
--
Nota de TAF: Infelizmente, por razões profissionais, não tenho agora disponibilidade de tempo para a resposta que este comentário mereceria. Direi só que independentemente da nossa opinião e da nossa vontade, esta situação não é sustentável. Ignorar isto é garantir que vamos ter problemas muito maiores num futuro próximo, e que quem vai ficar realmente prejudicado é quem menos tem.

De: TAF - "Exterminar os partidos?" 

Caro Alexandre

Concordando com muito do que foi escrito no post anterior, discordo de um aspecto. Não me parece que a solução para a falta de qualidade da Política no município (do executivo e da oposição) seja desprezar as ferramentas que a democracia nos proporcionou: os partidos. Se a situação chegou a este ponto foi porque a sociedade civil se furtou às suas responsabilidades de intervenção na cidade através dos partidos. Outras vias paralelas irão encontrar o mesmo fenómeno de desinteresse dos munícipes caso não se ataque a raíz do problema.

Quanto às próximas eleições autárquicas, já aqui escrevi a minha opinião. Partidos: entendam-se!

De: Alexandre Burmester - "«Pojectos» e... " 

"... «Pogramas»"

É sem dúvida necessário impormos outras formas de estar na governação, e de governar .
Outro dia, ouvi alguém dizer, que os políticos competentes afastaram-se porque perceberam que dadas as condicionantes económicas pouco podem fazer pelo País (Isto é que é, um verdadeiro espírito de Serviço público), e sobressaem por esse motivo estes "rapazes" dos aparelhos partidários, de 2ªs ou 3ªs escolhas, que já surgem na vida publica com "gravatas largas", e discursos cheios de adjectivos do tipo "efectivamente", "nomeadamente", "Pojectos" e "Pogramas".

Que sobra?
É fácil responder.
Basta perceber o interesse pela política e a consequente abstenção eleitoral.

Com tão pouco interesse, e com tanta falta de diálogo neste ambiente Partidário/Tribal, não estejamos à espera de qualquer milagre para o País e/ou igualmente para a cidade. Sabemos, e disso podemos ter a certeza serão necessários pactos de regime para os próximos anos. Serão estes senhores que irão fazer algum pacto?

Por si falam os últimos 30 anos de governação.

Para recente exemplo, serve este caso do Palácio do Freixo. Não é necessário ter conhecimento aprofundado do dossier, para perceber, que uma vez mais a Câmara não preparou o discurso (exerceu a prepotência), e a Oposição limitou-se a "chatear" (para impedir a Presidência de mostrar serviço).

Todos nós os cidadãos, fomos e estamos continuamente a ser gozados (E roubados nos investimentos públicos).
Quem tem razão? Suspeito que a Câmara, mas interessa?
Apenas o que interessa é tomar consciência que estamos mais uma vez a ser mal governados, a ser embrulhados, e continuamos o mesmo caminho de ir a lado nenhum (Apenas um pouco mais pobres).

Nas próximas eleições, irei uma vez mais exercer o direito de voto - o BRANCO (nunca me foi possível compactuar com este regime de comadres).

A solução para o Porto, não passará pelo Pacto de regime (porque nunca haverá), passará por uma candidatura independente, credível, e com um Projecto consistente.

Já uma vez aqui perguntei, e lá vai outra - Haverá por aí um CRISTO?

Alexandre Burmester, Arqto.

De: Alexandre Burmester - "Pronuncie-se..." 

"... quem tem obrigação"

Sobre o Projecto do Metro, na passagem da futura Linha da Boavista, pouco restará acrescentar. Foi já dito por muitas e variadas pessoas e de todos os sectores, com vasta argumentação, o que todos os que quiseram ouvir, já entenderam - não existem razões que obriguem a adopção desta solução, é forçada, e não vem sequer resolver as questões técnicas para as quais se propõe.

Os silêncios são perigosos, e a memória colectiva é curta. Um dia destes, passada que estará a tempestade, iremos silenciosamente assistir a um começo de obras, e temo que uma vez mais ninguém virá a público explicá-las.

Por este motivo, não irei repisar nos argumentos do tema, que já deu o que tinha a dar, mas chamar à atenção a todos, para a necessidade e a exigência de ouvir dos responsáveis do Metro e da Câmara, quais serão as suas conclusões, e respectivas opções.

Estes deverão ser os objectivos fundamentais dos episódios que se seguem.
Corremos assim o risco ou de implantarem à força o Metro, ou não requalificarem a Boavista.

Alexandre Burmester, Arqto.

De: TAF - "Jornais de quarta-feira" 

Grande destaque à "Tertúlia do Comercial" sobre o Metro na Boavista, especialmente n'O Comércio do Porto:
- As Tertúlias do Comercial
- Metro "Tem Obrigação" de Estudar Alternativas à Boavista
- E por Que Não Um Referendo?

Outro assunto em foco - a Pousada no Freixo:
- Pousada no Freixo foi reprovada
- PS e CDU Chumbam Pousada do Grupo Pestana no Palácio do Freixo - "Ou Ele Faz Birra..."
- Grupo Pestana Mantém Interesse na Pousada
- Pousada do Freixo chumbada por ser considerada mau negócio para o Porto
- Alfândega pode albergar Museu da Indústria mas Rio negoceia outras hipóteses

2005/02/01

De: F. Rocha Antunes - "Investimento privado" 

Meus Caros,

Continua a ser inexplicável a forma com se trata o investimento privado nesta cidade.

Andam todas as regiões da Europa a competir entre elas para atrair investimento de longo prazo, de qualidade, e nós continuamos a tratar as poucas oportunidades de investimento que aparecem como se de uma doença se tratasse.

Quais são as razões que levaram a oposição na Câmara a chumbar o projecto de parceria para exploração do Palácio do Freixo? Vamos ver com atenção:
  1. Está lá instalado um Museu da Ciência e da Indústria, com um espólio de mais de 700 peças.
  2. Está instalado na vizinhança um Museu da Imprensa.
  3. Não está assegurado o usufruto pela população do Palácio do Freixo
Desmontando, temos:
  1. Quantos espaços estão disponíveis na cidade do Porto para instalar um Museu da Ciência e da Indústria? É o único possível? Não há mais nenhum local, propriedade do Estado ou da Autarquia, que sirva para o efeito?
  2. O Museu da Imprensa sai assim tão prejudicado por vir a ter ao seu lado uma Pousada de Luxo? Em quê?
  3. Que ideia peregrina é esta de não estar assegurado o usufruto pela população do Palácio? Se fosse sede da Junta Metropolitana o espaço visitável seria maior do que se fosse uma Pousada? Que critério é este?
O que se perdeu:
  1. Hipótese de ter um equipamento hoteleiro de qualidade, que respeitava integralmente o património. Estamos a falar de uma Pousada, lembrem-se. Quantos edifícios e monumentos nacionais são o que são devido às Pousadas?
  2. Queremos uma cidade virada para o turismo, capaz de potenciar o nosso património e gerar riqueza para a cidade ou não?
  3. Queremos criar emprego qualificado ou vamos insistir em manter a hotelaria ao nível da “qualidade” que hoje temos na zona central da cidade?
O que não tem explicação:
  1. Rejeitar, com base neste tipo de argumentos, um investimento de qualidade
  2. Renovar a incapacidade colectiva de encarar positivamente a mudança
  3. Achar que um Museu (quantos dos leitores deste post alguma vez já lá foram? Há sequer registos da frequência?) que não tem qualquer história não pode mudar de sítio
Este registo quantificado das minhas razões resulta esquisito, mas é a consequência do esforço que estou a fazer para não ser pessimista e desatar a qualificar os comportamentos de quem impediu tal investimento.

É verdade que existe legitimidade dos representantes do povo de votarem como quiserem. Mas não há muito mais capacidade da cidade de aguentar decisões destas. Sob pena da inexorável desertificação económica atingir o ponto do não retorno.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Carlos Gilbert - "Pousada no Freixo" 

Tiago,

Queria chamar a atenção que hoje, no JN (ou no Público??), a ex-vereadora Manuela Melo dá a conhecer com pormenor o porquê do "chumbo" do PS ao projecto.

Abraço,
Carlos
--
Nota de TAF: É no Público, estive a ler agora na versão em papel pois não está online. O que Manuela Melo diz justificaria um esclarecimento da autarquia. Reparei agora que a notícia no site da CMP está mais completa do que há pouco, mas muito longe do suficiente. Não se pode dizer que a história esteja mal contada: a história não está contada...
PS: No Público - Chumbada proposta para transformar Palácio do Freixo em pousada

De: TAF - "O Palácio do Freixo" 

- Oposição chumba reconversão do Palácio do Freixo em Pousada de Portugal
Chamo também a atenção para os apontadores que referi na minha revista de imprensa de hoje.

Este assunto merecia um debate mais profundo aqui no blog por parte dos intervenientes no processo. Quem sabe se o problema não teria tido já uma solução caso os argumentos de todas as partes tivessem sido tornados públicos com a devida antecedência. ;-)
Lamentos a posteriori não adiantam nada.

De: Manuel Martins: "Um Metro de qualidade" 

Em complemento da sugestão de Cristina Santos, venho acrescentar outra. Não já as artísticas estações do Metro de Moscovo com que nos deslumbramos no “site” por ela indicado. Afinal, trata-se de um Metro pesado e, no Porto, temos um ligeiro. Não já uma rede de centenas de quilómetros do Metro de Moscovo, mas a tarifa única para toda a rede, sem os arrebiques de um “andante” que, na expressão de Mário Dorminski (JN de 28 Janeiro, erradamente atribuído ao Presidente do INESC-Porto), é preciso tirar um curso para o comprar... Quando andei a primeira vez no Metro de Moscovo, o bilhete único para toda a rede era de 5 copeques e há dezenas de anos que não sofria aumentos. Na altura, o rublo estava equiparado ao dólar americano, pelo que hoje equivaleria a menos de 5 cêntimos europeus.

Ignoro o que se passa na actualidade, mas não me surpreenderia se, com o espírito do “paga e não bufes” que a globalização trouxe em prejuízo de critérios de mobilidade e acessibilidade, os moscovitas suportem preços “não muito baratos”, para usar a expressão do Presidente Executivo do Metro-Porto. Parece ser essa a mentalidade lá dominante nos tempos correntes, a avaliar pelos donos repentinamente multimilionários de clubes de futebol...

a) M. Gaspar Martins - Porto
--
Nota de TAF: vale a pena lembrar isto abaixo.
- "O défice operacional da Carris, CP - Comboios de Portugal, Metropolitanos de Lisboa e Porto, STCP e TransTejo ascendeu a 175 milhões de euros em 2004."
- "Por resolver ficaria ainda a dívida das empresas, que significou 4620 milhões de euros em termos acumulados no ano passado (3,5 por cento do PIB). Prevê-se um custo remanescente associado à dívida de 105 a 170 milhões de euros para 2007."
Eu, como não sou multimilionário, prefiro pagar isto no meu bilhete de Metro (que só compro se quiser) e não nos meus impostos, que tenho sempre que pagar. ;-)
Assim como está, em que os erros de gestão acabam por ir parar ao IRS, IRC e IVA, quem mais sofre é quem menos pode fugir aos impostos: os trabalhadores dependentes e com menos rendimentos.


De: TAF - "A «Tertúlia do Comercial»" 

A tertúlia de ontem no Palácio da Bolsa, promovida pel’O Comércio do Porto e pela Associação Comercial do Porto, confirmou o que já se sabia: na prática já ninguém defende a linha de Metro na Boavista… Quem estuda o assunto acaba por se convencer de que as razões para não avançar com o projecto proposto pela Metro do Porto são demasiado fortes.

Ainda se ouvem algumas vozes, como a de Alcino Soutinho e a de Álvaro Costa, referirem a vantagem de usar o Metro como um pretexto para requalificar a Avenida, ou invocarem uma eventual futura extensão da linha a outras zonas da cidade (integrando-a finalmente com o resto da rede) para justificar uma mobilidade acrescida, ou ainda minimizando o impacto do tráfego automóvel que era obrigado a invadir as áreas residenciais da zona. Mas o problema que era suposto a Linha da Boavista resolver (a sobrecarga no troço Trindade – Senhora da Hora) afinal não é resolvido com esta solução e portanto lá se foi o único argumento sólido que restava!

Nos jornais hoje:

- Pousada no Freixo corre risco de ser chumbada
- Museu da Imprensa quer ver clarificado o projecto para o Freixo
- Museu da Ciência e Indústria condiciona Pousada do Freixo
- "Criador" do Museu Responsabiliza Manuela Melo
- Pousada no Palácio do Freixo nas Mãos de Rui Sá
- Pousada nas mãos de Rui Sá

- Plano das Antas continua sobre terrenos movediços
- Requerida em tribunal ilegalidade do Plano de Pormenor das Antas
- Soares da Costa pede 10 milhões à Câmara do Porto

- Construção da marina da Alfândega do Porto pode arrancar já em Abril deste ano
- Bairro do Vilar vai ter instalações para a prática de desporto adaptado
- Nasce em Abril o Primeiro Pavilhão Adaptado
- Rinque de Vilar remodelado
- Marina do Freixo voltou a abrir ao público
- Andante entra hoje em funcionamento nas linhas 1 e 22 da Gondomarense

2005/01/31

De: TAF - "Um Metro de qualidade" 

Sugestão da Cristina Santos:
http://www.beeflowers.com/Metro/-Startfiles-/index.htm
Para clicar nas estações.

Talvez sirva de inspiração para a Metro do Porto. :-)

De: Carlos Gilbert - "Reabilitação de fachadas" 

Fico admirado de não ter havido um único arquitecto que tenha pegado na pergunta que aqui deixei há dias sobre o aspecto de algumas (bastantes, infelizmente) avenidas portuenses com inúmeros prédios com fachadas "tipo pastilha", e se iremos ficar "ad eternum" com esses monstros a desfeiar-nos a cidade. Sei que é a reabilitação da Baixa que tem prioridade total, mas gostava de ver também este ponto debatido.
Entretanto, vi que no Campo Alegre há um desses prédios em obras de reabilitação (entre a Duvália e a esquina de Guerra Junqueiro). Vamos a ver com que aspecto final vai ficar.

C. Gilbert

De: Carlos Gilbert - "Tertúlia do Comercial" 

Tiago,

Uma vez que ninguém mais pergunta, pergunto eu: o que é que é suposto debater-se hoje em nova "Tertúlia" que não se tenha debatido no "Guarany"? Vai alguém de parte do "poder decisório", ou é só para se falar mais sobre tudo o que aqui já foi dito (e redito)? Faço a pergunta porque defendo a opinião de que os argumentos aqui apresentados têm tido bastante eco (pelo que tenho lido na imprensa, maioritariamente a favor do "eléctrico moderno" e contra o Metro) mas de que vale repetirem-se argumentos e pontos-de-vista, se não estiver ninguém "do lado de lá"?

Cumprimentos,
Carlos Gilbert

PS: Vem hoje interessante artigo no JN a defender o Metro na Circunvalação em detrimento da linha na Boavista...
--
Nota de TAF: Não sei pormenores sobre esta nova tertúlia. Presumo que seja uma oportunidade adicional para alargar o debate a quem eventualmente não se tenha ainda debruçado sobre o tema.

De: TAF - "Bons e maus exemplos" 

- Transparência no mercado: Quanto custou a casa do vizinho?
- Pobreza...
- Marina do Freixo com as portas fechadas para centenas de curiosos
- Requerida Ilegalidade do Plano de Pormenor das Antas - Cronologia

Hoje à noite a "Tertúlia do Comercial" é sobre o Metro na Boavista.

De: Paulo V. Araújo - "Árvores..." 

"... classificadas do Porto"

Saiu no passado dia 10 de Janeiro no Diário da República a classificação de interesse público de 238 árvores no Porto, agrupadas em 12 conjuntos. Até essa data só existiam no Porto quatro árvores classificadas. A maioria das propostas de classificação foi apresentada pela Campo Aberto em Janeiro de 2004, mas anteriormente o NDMALO também candidatara outras árvores que foram igualmente incluídas neste pacote.

Veja neste endereço a listagem e fotos das novas árvores de interesse público.
Pode ainda obter cópia electrónica do n.º do DR onde aparece a classificação.

Saudações,
Paulo Araújo

2005/01/30

De: José Patrício Martins - "Norte 2015" 

Caro Tiago,

O artigo de Luís Costa é bastante elucidativo acerca do nosso bate-papo sobre a regionalização.

Julgo que, mesmo nas condições actuais, é possível fazer melhor do que nos períodos anteriores e contrariar a perspectiva de que o "Norte 2015" "está condenado a ser mais uma oportunidade perdida". Para isso é necessário que o tal diagnóstico prospectivo regional, a concluir até Novembro, seja o resultado de um forum verdadeiramente participado por todos e não fechado dentro dos muros da CCDRN. Serão capazes de o fazer? De abrir a discussão de forma ampla, estimulante e participada? Esperemos que sim.

Um abraço do
Patrício Martins
--
Nota de TAF: Eu infelizmente não tive ainda tempo para escrever algo mais completo sobre a minha opinião. Continuo a achar que o Estado está a tentar fazer coisas que estão fora da sua capacidade de intervenção ou que, a meu ver, não fazem sentido numa sociedade de economia aberta.

De: TAF - "O que li na imprensa online" 

- Freixo dá mostras de estar a mexer
- Pousada custa 11 milhões
- Marina do Freixo inaugurada já a sonhar com aumento de área

- Linha Amarela do Metro: Prazos serão desta vez cumpridos
- Conselho de Administração para a Autoridade Metropolitana dos Transportes
- Área Metropolitana cresceu
- Novos municípios na Grande Área Metropolitana do Porto
- Nas 'asas' da Ryanair nem vale a pena chorar e Bagagem

- Jorge Sampaio elogia Fenianos nos 100 anos do clube portuense
- Que pena terem mudado os nomes de certas ruas
- Câmara do Porto Quer Requalificar Rua de Miguel Bombarda em 2005
- Apesar da "Crise no Negócio", Número de Galerias Não Pára de Crescer

A CCDRN:
- "Programas regionais devem ter mais peso que os nacionais"
- "Aposta dos próximos anos deve ser na inovação e qualificação"
- "Novas comunidades urbanas devem ter legitimação política"
- Norte 2015 - opinião de Luís Costa

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