2005/01/22

De: Carlos Gilbert - "O «Open Source Project», ..." 

"... parte II"

Quanto à proposta do Alexandre Burmester, venho acrescentar aqui umas quantas considerações que julgo estarem interligadas ao que propõe (que é o que muitos de nós temos vindo a defender): um "eléctrico" moderno na linha da Boavista. E gostava que a empresa MP lesse estas nossas ideias para ver se há a possibilidade de continuarmos o intercâmbio de ideias que se iniciou na "Tertúlia".

Se a proposta do referido "eléctrico" moderno vingasse, há que pensar na sua integração na rede de transportes globais da cidade, tal como outras personalidades o referem no artigo de hoje no "Público", e como aqui tenho escrito desde início. Há-que sentar todos os responsáveis a uma mesa e delinear-se um "plano global de transportes para a cidade do Porto", que definisse de uma vez por todas que tipo de transportes públicos em que linhas e em que artérias. É que não faz sentido ter-se uma única linha de "eléctrico" (na Boavista), mas sim restabelecer-se pelos menos as linhas existentes até à remodelação que os retirou da avenida: Rotunda da Boavista/Matosinhos, Rotunda/Infante e Infante/Matosinhos, às quais eu acrescentaria ainda Passeio Alegre/Carmo pela rua da Restauração acima. Com que tipo de composições? No fundo com o mesmo tipo das que sempre houve na cidade, só que em versão modernizada. Composições que pudessem circular nas ruas mais estreitas (como os "históricos" sempre conseguiram) mas oferecendo aos passageiros mais comodidade e maior velocidade. E esta solução já iria permitir a sua circulação no viaduto existente na zona poente do Parque da Cidade! Pelo menos podia começar-se por fazer circulá-los numa linha Infante/Matosinhos, como "teste". O investimento era suportável (meia dúzia de composições bastavam e era só ligar os carris que já existem para que a linha ficasse completa). Haverá algo que impeça que assim se proceda?

A este propósito, contudo um alerta: sei por gente cá de casa que tem havido grandes dificuldades para os eléctricos circularem na "linha do Infante" devido a estacionamento selvagem em cima da sua linha. De tal forma assim é que uma filha minha há dias foi reembolsada, junto com outros passageiros, porque teve de abandonar o "eléctrico" e prosseguir a pé até ao Infante devido a veículos estacionados na linha!! Quando é que há uma fiscalização eficaz por parte da PSP que tire de vez a vontade aos prevaricadores? Queixamo-nos de que Portugal é um país que cada vez mais se afasta dos parâmetros europeus, mas se continuarmos à espera que toda a gente aprenda por si só o que é "civismo", podemos "esperar sentados" (neste caso, "a pé"...). Mas por outro lado tal falta de civismo sistemática não pode servir de pretexto para que se pretenda implementar em todo o lado veículos de tracção eléctrica em "canais dedicados". A maioria da rede viária citadina não o comporta. Se há falta de civismo gritante, há-que combatê-la de forma eficaz, e não me venham com argumentos estafados de "caça à multa"!... A quem assim pense respondo com o célebre conceito de democracia, que é que esta acaba onde os direitos da comunidade são espezinhados; ou, por outras palavras, as liberdades democráticas são para quem faz por merecê-las. Desculpem este ligeiro desvio, mas é importante falarmos também nos motivos principais que ocasionam a lentidão dos transportes públicos na nossa cidade, quando têm de circular juntamente com os automóveis, o que no fundo é o que tem desmotivado a população a aderir de forma mais numerosa aos serviços que os STCP proporcionam e deixar os seus automóveis em casa (ou em locais mais longe do centro).

C. Gilbert

De: Alexandre Burmester - "Tolerância?" 

Parece que se instalou aqui de repente uma certa tolerância quanto ao Metro na Boavista.
O Carlos Gilbert, vem dizer que os raios das curvas dos trilhos no Castelo do Queijo, não comportam com estas composições, e o Patrício Martins, que aceita a solução do Metro, uma vez que será ele o único capaz de reordenar o transito e requalificar a Avenida.

Ambos tem razão.
Os raios de curvatura que estão executados, não seriam obviamente para estas composições, mas sim para um equipamento mais leve, melhor dimensionado, e à escala da estrutura urbana. Será que não o podemos ter? Terá que ser este metro, que já se provou não caber na Avenida, e que obriga ao derrube das árvores, às faixas de automóveis limitadas, e aos passeios demasiado estreitos? Terá??

A Avenida da Boavista está um caos, sobre todos os aspectos e já há demasiado tempo. Este caos não é só do transito que até se torna difícil de enumerar tantas são as situações insólitas e mal resolvidas - Ondas verdes inexistentes, excesso de sinais, linhas de bus dentro e fora dos corredores, estacionamentos caóticos, mas também dos seus espaços públicos e privados, e dos seus equipamentos urbanos, tais como os passeios, as paragens de autocarros, a falta de passadeiras, a falta de árvores, o caos arquitectónico das construções e dos seus usos, etc...

Mas principalmente o insólito da Avenida é a não resolução de muitas situações que se prolongam por tempos infinitos. Isto é obrigação do Metro? É preciso que seja este que o venha resolver?

Não devíamos confundir responsabilidades. A obrigação da reabilitação da avenida é da Câmara do Porto, e não do metro. (O Metro apenas poderá vir a fazer parte deste trabalho - a sua requalificação)

A teimosia de usar este equipamento que não cabe na avenida, e de não dá as curvas no Castelo do Queijo, tem, com já me cansei de dizer, uma razão - a indemnização à Imoloc.

Vamos ser tolerantes? Então proponho:
Uma vez que a Câmara não tem dinheiro, e o Metro se substitui (deve abundar por lá), para conseguir a reabilitação da avenida e introduzir um transporte moderno e mais eficaz, aceitaria a construção do viaduto no Parque da cidade, e do terminal nos terrenos "alheios", desde que alterassem o projecto de requalificação da avenida, e permitissem o convívio deste transporte com o espaço urbano.

Deixassem em paz os bairros residenciais.
Requalificassem o transito que nada tem a ver com as viragens à espanhola, ou à inglesa.
Que tratassem o espaço público, passeios, arborização, passadeiras, iluminação, etc...
Metessem um equipamento mais pequeno e leve, que coubesse no corredor central.

A gente fazia de conta que necessitava na mesma do viaduto; Que acreditava na substituição dos 60 autocarros/hora na Avenida (principalmente da Fonte da Moura para baixo); E na passagem dos 2.900 carros/hora no viaduto de Matosinhos (Na única faixa que existe).

Vamos ser tolerantes?

(Mas não ignorantes)

Alexandre Burmester

De: TAF - "Metro na Boavista: o debate público" 


Hoje o Público dá grande destaque ao projecto do Metro na Avenida da Boavista e à polémica que ele tem gerado. Sublinho que a questão não é tanto a existência de Metro em si (embora isso também possa não ser pacífico) na avenida, mas mais este projecto concreto apresentado pela Metro do Porto que lhe reserva o canal central de forma exclusiva, implicando alterações profundas ao trânsito, a construção de um novo viaduto no Parque da Cidade e expropriações de valor ainda desconhecido.

Tenha-se também em consideração a oportunidade de avançar imediatamente com este investimento, quando é consensual que há outros bem mais urgentes na cidade/região e para os quais ainda não estão garantidas as verbas necessárias.

Nesta ocasião convém lembrar as conclusões da tertúlia de há dias. Existem vários textos escritos no passado dia 16 e a minha própria contribuição na madrugada do dia 17. Além de tudo o resto que aqui se tem escrito, claro!

- Uma Obra Pouco Consensual
- E Porque Não no Campo Alegre?
- Noventa Milhões para Mudar a Avenida
- A Requalificação Urbana "à Boleia" do Metro
- Uma "Praça Pública Virtual"

De: José Patrício Martins - "Metro na Boavista. ..." 

"... Sou a favor!"

Caros amigos (bloguistas),

Tenho seguido com o maior interesse o debate sobre o Metro na Boavista. Conforme expus em apontamento anterior, nunca emiti uma opinião definitiva sobre o caso em apreço. Considerava ser necessário ouvir os argumentos dos responsáveis para poder ajuizar do que estava em jogo.
Por isso sugeri a realização de um debate público e assisti com o maior interesse à tertúlia no Guarany. Nem sempre ouvi bem as explicações da mesa - o espaço é deficiente para o efeito pretendido. Mas acho que entendi o essencial e, principalmente, fiquei sensibilizado com a disponibilidade e coragem demonstrada pelos responsáveis.

Passo a tecer algumas considerações a propósito.
A grande maioria das opiniões expressas é desfavorável ao projecto. No essencial, as opiniões consideram que a passagem do Metro na Avenida irá desclassificá-la.
Mas será isto verdade? Ou, se quisermos ser mais incisivos, haverá apenas desvantagens? Ou, melhor ainda, pesando vantagens e desvantagens, a balança pende para o lado desfavorável?
Do lado do "contra" (calma!, não estou a fazer um processo de intenções...), os argumentos são, no essencial, de que se está a criar uma "barreira" na Avenida, de que se irá perturbar a circulação automóvel, de que os cruzamentos "à espanhola" vão provocar uma intrusão mecânica em bairros sossegados. Do lado do "a favor", os argumentos apontam para vantagens nos transportes públicos e no ordenamento da circulação automóvel. Há, no entanto, um argumento comum contra: a travessia proposta para o Parque da Cidade. Argumento indiscutível!

E começo por aqui. A travessia com mais um viaduto sobre o Parque da Cidade é, em minha opinião, uma solução infeliz. Recordou-me uma solução proposta pela empresa que fez o primeiro estudo de traçado do Metro, nos idos de 90. Propunha o atravessamento do Douro pela construção de uma nova ponte encostada à de Luís I!!! Felizmente que houve o bom senso de pôr essa ideia de lado e o problema resolveu-se de acordo com o que actualmente está feito, passando o tráfego rodoviário para a nova travessia das Fontainhas.
Será que não há outra solução para resolver aquele problema? Para ir a Matosinhos é necessário descer ao Castelo do Queijo? (Em termos de procura é quase um quilómetro só de muros!...)

Na outra extremidade, troço superior da Avenida, a despeito das opiniões dos projectistas escolhidos, considero um erro não enterrar a linha. Desde a topografia até à eventual continuação da linha para o centro da Cidade (ou, até, de ligá-la à de Gaia-Arrábida), fazia todo o sentido ir para uma solução de enterramento. Argumentou-se com a necessidade de uma vala de 300 metros. A contrapartida oferecida é uma "barreira" de 1000 metros, precisamente na parte da Avenida em que os constrangimentos laterais são maiores! Onde, por exemplo, estaremos reduzidos a uns míseros passeios de 2,25 metros.

Se estes dois troços tivessem uma solução a contento, o problema da "barreira", das viragens à esquerda, dos cruzamentos "à espanhola" e das intrusões mecânicas, estariam reduzidos ao troço entre o Foco e Antunes Guimarães!...

E, aqui, entramos no cerne da questão: a passagem do Metro à superfície. Lamento contrariar as opiniões dominantes mas estou convicto de que a introdução do Metro à superfície é um factor de ordenamento do trafego motorizado, com efeitos largamente positivos na requalificação da Avenida da Boavista.

Os meus argumentos:
Há um outro argumento a favor e que ainda não vi apresentado. Esquecemo-nos frequentemente de que só uma parte minoritária da população tem acesso à auto-mobilidade. Ficam de fora os idosos, as crianças e os sectores sociais economicamente desfavorecidos que não têm acesso a veículo próprio. Eles estarão sempre dependentes dos transportes públicos, dos congestionamentos, das longas esperas, do calor asfixiante dos autocarros no verão e da impiedosa chuva no rigor dos invernos. Para estes sectores desfavorecidos um transporte como o Metro é uma benção!
Independentemente da sequência que a projectada linha venha a ter no futuro, uma coisa é certa: para já e com a sua construção e para quem viva na parte oriental da Cidade (Campanhã), talvez esta seja a possibilidade de poder desfrutar com alguma frequência desse oásis de paz que é o nosso Parque da Cidade... Neste sentido é um contributo para a coesão social da Cidade.

Em suma, sem descurar alguns impactos negativos e tendo em atenção o que atrás disse sobre as soluções nos troços extremos, sou de opinião de que, acrescentando as obras de requalificação prometidas, com este projecto a Avenida da Boavista será uma artéria mais amigável e agradável. Com a vantagem de a vermos requalificada dentro de um ano e não daqui a dez ou a vinte!

Cumprimentos a todos.
José Patrício Martins

De: Mário G. Fernandes - "Caro Alexandre" 

Caro Alexandre.

O texto exala claramente a crítica intemporal, mas tem um fundo, um contexto político e social que o tornou (e sempre o fará) inevitável: o início do esgotamento do "rotativismo". Em Oitocentos entre regeneradores e progressistas, agora entre outros dois partidos. Naturalmente, nenhum dos dois quererá falar sobre a reforma do sistema eleitoral durante a campanha, apesar de parecer uma questão vital. Em artigo recente sobre o assunto, no público, António Barreto defendeu a introdução dos círculos uninominais. Defendo o mesmo.
Ah. O Eça também escrevia bem e praticava a crítica social, mas noutro registo. Não escrevia assim, quem o fez foi o Ramalho Ortigão.

Mário G. Fernandes
--
PS: o que escrevi há pouco foi sem confirmar. Continuo sem saber se foi Eça quem escreveu o seu excerto já que não o possuo, mas recordei que de facto Eça escreveu nas Farpas do Ramalho, pode ser que sim. Desculpe se assim for.
De qualquer forma, o que me importa sublinhar é a questão dos círculos uninominais.

2005/01/21

De: Carlos Gilbert - "The Open Source project..." 

Resolvi dar a este texto um nome diferente do que seria normal, para ver se fujo à rotina que já se instalou a este respeito... é que ao ler o texto de Emílio de Azevedo Campos (mais um "tertuliano", se não me engano) venho aqui dizer a todos o seguinte:

Tive hoje de ir a Matosinhos e escolhi de propósito o trajecto pela parte marítima, pelo viaduto, e constatei (Prof. Oliveira Marques, corrija-me p.f. se estou enganado) que de facto o traçado dos trilhos não é exequível para o Metro pelo menos em dois pontos: para composições que desçam a Boavista e pretendam virar à direita, para o viaduto; e no sentido contrário, vindo de Matosinhos, saindo do viaduto para o lado do "Castelo do Queijo". O raio de curvatura é muito apertado nos dois casos, e estou em crer que só permitirá a circulação de composições de eixos simples (como a maior parte dos eléctricos "históricos") e não de composições dotadas de "bogeys" (eixos duplos acoplados) como é o caso do "Metro" e, já agora, de qualquer tipo de "eléctrico-rápido"!

Se eu estiver certo nesta análise, pergunto: quando se equacionou o dito viaduto e se decidiu que era para permitir também "veículos de transporte colectivo de tracção eléctrica" (estou a fazer a vontade ao Prof. Oliveira Marques ;-) ) em que tipo de composições se pensou na altura? Decerto que não no Metro que temos hoje a circular, pois não? E se o dito viaduto ficou mais caro precisamente para incluir as duas linhas de "veículo de tracção eléctrica" e agora não serve esse propósito, houve grosseiro "erro de cálculo", certo? Só uma pergunta final: não se apuram responsabilidades? Esbanja-se assim dinheiros públicos, para passados poucos anos se dizer candidamente "houve erro de lay-out, agora já não serve para o que se julgou iria ser feito"? De facto, na "Tertúlia" houve da parte dos dois responsáveis presentes uma grande ênfase em sublinhar "os erros que estão feitos, feitos estão, temos é de partir para o futuro". V. Exªs percebem onde quero chegar? Eu explico: se um dia pensarem em proibir na Boavista as já famosas "viragens à esquerda", experimentem agora, num ou noutro cruzamento onde isso possa ser feito sem grandes transtornos. Assim, se "der barraca", é fácil voltar atrás, sem grandes incómodos, e antes de toda a avenida estar requalificada com o pressuposto que a referida proibição é passível de ser implementada de cima a baixo. Já chega de projectos tipo "eu julgava que era possível, juro, e tenho pena de me ter enganado..."

C. Gilbert

PS: Antes que haja mal-entendidos, isto que escrevo não é de forma alguma para desqualificar o trabalho dos técnicos que se debruçaram sobre a exequibilidade da referida opção (de se proibir as viragens à esquerda), um dos quais esteve presente da "Tertúlia" e nos deu algumas explicações sobre como foram feitos os estudos. Só que vamos ser honestos: há inúmeros estudos que na teoria funcionam às mil maravilhas e depois na prática... é o que sabe.

De: Alexandre Burmester - "133 anos depois..." 

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»

Isto foi escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número d'As Farpas.
Será congénito?

Alexandre Burmester

De: F. Rocha Antunes - "Economia eventual" 

Meus Caros,

Há alguns amigos meus que defendem, com argumentos sólidos, que o País só avança com a criação de eventos que se imponham, pela sua força, à inércia instalada.

Os grandes argumentos a favor dessa economia puxada pela realização de eventos são simples:
O exemplo clássico é a Expo 98 e o exemplo mais recente o Euro 2004.

Trata-se assim de recorrer a “choques vitamínicos” para estimular uma economia incapaz de, por si só, gerar dinamismos geradores de crescimento.

É nessa perspectiva que, defendem, se devem apoiar todos os eventos que tenham algum impacto, desde as Olimpíadas Columbófilas às corridas de carros do próximo mês de Junho.

Eu, que não deixo de reconhecer os méritos desses argumentos, fico sempre com um ligeiro “amargo” de boca quando vejo que o enorme esforço que foi dispendido (escrevo isto no dia seguinte ao o Estado assumir os 100 milhões de euros da Casa da Música) não é incorporado como lição para os eventos seguintes. As enormes expectativas que eu tive no efeito de imitação posterior pelas câmaras municipais das lições positivas que resultaram da experiência da parque expo no licenciamento das obras foram goradas.

Lembro-me perfeitamente de, quando foi anunciada a Porto Capital Europeia da Cultura, de muitos se terem referido a esse evento como um desafio à capacidade empreendedora do Porto. Não sendo dos que alinham no coro de que tudo foi mau, acho que a nota final não foi boa. Do exame que foi à capacidade de gestão conseguimos, no máximo, um suficiente menos. Em termos da escala do meu tempo, um 9 que, por simpatia, acabou de ser promovido a 10 para assegurar, por um qualquer regulamento, uma passagem administrativa.

A revisão da matéria, a correcção do teste e sobretudo as conclusões sobre o que falhou e o que se deve aprender para que, na próxima vez, não se volte a tirar negativa, não foram feitos. A única coisa a que assistimos é a acusações mútuas de copianço.

Acho que os eventos têm uma importância decisiva na animação da economia. E se vierem, seja lá por que razão for, 200.000 pessoas à cidade, isso é sem dúvida bom. Agora, seria bom que se pudesse aprender mais alguma coisa. Por exemplo, como é importante agilizar os processos para que os eventos menos mediáticos mas mais sustentáveis que outros querem desenvolver possam beneficiar com as lições que os diferentes responsáveis deveriam tirar para o seu funcionamento no dia a dia.

Utilizando uma comparação automobilística, as corridas servem de teste a soluções limites que só fazem sentido económico para as marcas que nelas participam se depois forem capazes de incorporar nos carros normais o que aprenderam nas pistas e assim beneficiarem todos os consumidores dessa marca.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário

De: Cristina Santos - "Exposição..." 

"... aos candidatos políticos"

Caros amigos,

Nesta fase pré-eleitoral, acho que se mendigássemos a algum dos candidatos ao poder, um dinheiro e uma ajuda para obtermos linhas de metro subterrâneas que interligasse toda a Cidade, acho que éramos bem sucedidos.
Que acham de fazermos uma fundamentação com os objectivos que pretendíamos para a cidade em termos de mobilidade e apresentarmos aos candidatos, nomeadamente ao Sr. José Sócrates ou até ao Sr. Santana?
Para eles era bandeira politica e para nós investimento… devíamos aproveitar esta fase, a sério, existem probabilidades de o assunto tomar outras dimensões e obtermos mais investimento. Que acham?

De: Emílio Campos - "Linha da Boavista" 

Prezado Tiago Azevedo Fernandes,

Embora tardiamente as minhas sinceras felicitações pela iniciativa em realizar um encontro para discutir o interesse em que haja uma linha de Metro pela Av. da Boavista vinda de Matosinhos.

Quando o Prof. Oliveira Marques afirma que devem ser mais de 60 autocarros em cada sentido a percorrer a Avenida está a deturpar uma eventual verdade. Os tais 60 autocarros por hora (!) andam entre a Guerra Junqueira e Pinheiro Manso, Gomes da Costa e Antunes Guimarães.

Servem as milhares de pessoas que vivem em Ramalde, no Viso, nos vários bairros em Gomes da Costa, na Pasteleira, etc.etc. Para Matosinhos só segue a linha n.º19 com uma frequência de 4 por hora! Com o Metro naquela zona da Av. da Boavista os autocarros não têm por onde andar, não podem virar à esquerda e será o pandemónio que houve em tempos antes de em boa hora a C.M.P. ter criado o canal BUS entre Antunes Guimarães e Bessa Leite.

Uma alternativa para as pessoas que moram em Matosinhos seria um eléctrico rápido utilizando os muitos trilhos colocados quando da Porto 2001, que só precisam de ser unidos e que seguem actualmente, pela Foz, até ao Carmo ou até ao Infante.

Evidente que estou de acordo se isso for economicamente viável, a colocação ao centro da Av. da Boavista de um canal para eléctricos e autocarros, para já até à Rotunda da Boavista e mais tarde, quem sabe, até ao centro.

Gostaria de saber quando estará a circular o abaixo assinado contra o Metro de Superfície pela Av. da Boavista.

Os meus cumprimentos,
Emílio Herculano Costa de Azevedo Campos
ehcampos@eacampos.pt

De: Cristina Santos - "Circuito da Boavista" 

As referências à requalificação da Avenida proposta pela CMP estão sempre associadas à linha laranja do metro. A requalificação tanto quanto se sabe visa isso mesmo, recuperar o espaço destinado ao eléctrico, para circulação do metro, transplantar as árvores para passeios a efectuar em basalto, fazer uma casinha de chá na rotunda, aliás naquele jardim que fica no meio de engarrafamento circular, reorganizar cruzamentos e tanto quanto sei a requalificação resume-se a isso - à adaptação ao novo meio de transporte, aproveitando para realizar a pavimentação das vias e novos passeios.
Ora é exactamente contra alguns destes factores que os participantes deste blog, muito mais habilitados que eu, apresentam as suas sugestões e propostas, contra a linha laranja e não contra o circuito (uma actividade ocasional).

Portanto se a requalificação tem que estar terminada até Maio, pode ser para preparar uma melhor recepção à corrida, mas em especial destina-se aos preparativos para a instalação da linha laranja, caso esta venha a ser realizada à superfície e de acordo com os actuais projectos, ou seja, se eventualmente não vier a surgir nenhum estudo ou parecer, ou até movimento que impeça essa realização.

Infelizmente começa a ser rotina adiantar obras antes de se obterem os devidos pareceres, mas é normal, e penso que doravante os empreiteiros deviam ir iniciando as suas obras, acreditando nos seus projectos, fazendo slides, invocando poupanças e depois da obra a meio é que obtinham licenciamento definitivo.
Bem mas isso não impedia de verem posteriormente os seus investimentos embargados ou demolidos…. pela CMP.

Se todos concordassem com a proposta do metro, linha laranja, estas acções 3/1 eram até sinónimo de grande orientação, o mal é que o projecto desta linha não está bem justificado, nem fundamentado com os pareceres exigidos, portanto por muito que nos queiram fazer acreditar – ainda não é definitivo.

Mas que a corrida é um evento dignificante, é sem dúvida, era óptimo que a nossa cidade tivesse uma disposição urbana contínua e agradável para os visitantes.
Era bom que da panorâmica os nossos turistas avistassem um centro histórico uniforme em conservação, o mar, o edifício transparente com uma tribuna, a Rua de Costa Cabral e outras devidamente pavimentadas, as ruas iluminadas…
Estas iniciativas promovem a cidade, não podem ser contrapostas.
Quanto aos visitantes poderem espezinhar o parque da cidade, não vamos por aí, ainda no outro dia se aumentou a equipa de cantoneiros, os promotores do evento com certeza financiam a limpeza, de resto não temos no parque seres vivos raros ou espécies protegidas, não exageremos.

A corrida merece um voto a favor, a intenção até pode ser as eleições ou a imposição da linha laranja, mas quanto a esta última acima da CMP existem entidades nacionais hierarquicamente superiores, não existe razão para oposição aos 200Km/hora, de maneira nenhuma.

De: António Moreira - "Ainda as corridas" 

Caro Sr. Carlos Gilbert

Cito:"Não tenho nada a ver com a organização do evento que trouxe aqui para o blog, nem de forma directa, nem indirecta."
A minha preocupação tinha apenas a ver com o facto de algumas das minhas observações o puderem, eventualmente, melindrar :-)
Também continuo a entender que há muitas questões que mereciam análise mais profunda.
A ver se mais alguém contribui, ou se o assunto morre por aqui.

Saudações e obrigado

De: Carlos Gilbert - "Brincar às corridas..." 

Caro engº António Moreira,

Não tenho nada a ver com a organização do evento que trouxe aqui para o blog, nem de forma directa, nem indirecta. Se reparar no que escrevi, verá que manifestei de forma clara a minha grande surpresa quando tomei conhecimento da organização do mesmo... e as reticências que coloquei quanto a alguns aspectos.

Quanto ao que escreve: "Não referiu (não reparou?) que dizem também "Assim, nas zonas em que mais se justificar, o piso será re-asfaltado e os trilhos dos eléctricos retirados."……. Pergunto eu, o tal novo viaduto para o Metro, não terá nada a ver com isto?......", dir-lhe-ei: claro que reparei. O que terá de ser reasfaltado será mais do que certo o troço da rua da Vilarinha entre a igreja de Aldoar e a Circunvalação. Quanto aos trilhos do eléctrico, parece-me óbvio que os irão retirar, uma vez que a empresa MP já veio dizer publicamente que os que estão colocados no viaduto existente não servem... No que diz quanto à reabilitação da avenida até Maio, a pergunta que coloca parece-me pertinente, mas - como disse de início - não sei se serei eu a pessoa mais qualificada para lhe responder. Há aqui neste blog membros bem mais qualificados que eu (arquitectos, promotores imobiliários, o próprio T.A.F.) para lhe poder dar respostas mais concretas. Eu só lhe posso dar a minha opinião pessoal (que, repito, continua a ser de uma certa incredulidade...), mas gostava de não ser exclusivamente eu a dar-lhe resposta a este respeito.

Cumprimentos,
C. Gilbert

De: António Moreira - "Vamos brincar às corridas?" 

Caro Sr. Carlos Gilbert

Sou visitante assíduo do site que referiu razão pela qual já conhecia o seu nome.
Não sei se estará de alguma forma directa ou indirecta a colaborar com os organizadores ou promotores deste evento, por isso desde já peço desculpas se de alguma forma as minhas opiniões o venham, eventualmente, a melindrar.

Sou também um grande aficionado pela história do automobilismo (não exactamente do automobilismo dito "histórico" que refere) e por isso, se compreendo perfeitamente o seu entusiasmo quanto a este evento, gostaria que, como eu, tentasse dar um passo atrás, de forma a analisar este assunto, sem paixão.

O que se passou em Vila Real foi um evento turístico/comercial no qual, aproveitando a inauguração de um centro comercial, se realizou uma exposição e desfile de alguns carros antigos, alguns dos quais com história de alguma forma relacionada com o circuito de Vila Real, o lançamento de um livro sobre a história do circuito e umas sessões de autógrafos com pilotos (nacionais e estrangeiros) que tinham corrido no circuito.
Podia ter sido melhor organizado, mas enfim, também não tinha grandes pretensões.
Esse evento apenas provocou algumas horas de transtorno à população, que, estou convencido, agradeceu esta oportunidade de reviver por algumas horas a memória dos tantos fins-de-semana de "glamour" e boas corridas, que o avanço civilizacional inexoravelmente fez terminar. Não foi necessário efectuar quaisquer obras ou alterações nos percursos, pois não se tratava de corridas.
A cidade de Vila Real nada sofreu.

O que estes senhores pretendem fazer no Porto é algo de completamente diferente, querem fazer corridas de automóveis, dentro da nossa cidade !!!!

Sabe com certeza que o tipo de viaturas previsto permitirá atingir velocidades muito acima dos 200 kmh em diversos locais do circuito (nomeadamente Av. Da Boavista e Circunvalação)

Está de certeza tão (se não mesmo mais) consciente que, para se conseguir atingir os níveis mínimos de segurança, para pilotos e espectadores, indispensáveis à autorização por entidades federativas internacionais para a realização de competições automóveis, mesmo se "históricos", num traçado como o que se pretende utilizar implicará certamente muito mais do que "a montagem/desmontagem de "rails triplos ou muros em cimento de um metro de altura, vedação de rede de arame dos dois lados da pista, com 2,5m de altura e com cabos horizontais em aço... bem como barreiras de pneus em zonas estratégicas" que refere.

Não referiu (não reparou?) que dizem também "Assim, nas zonas em que mais se justificar, o piso será re-asfaltado e os trilhos dos eléctricos retirados."…….

Pergunto eu, o tal novo viaduto para o Metro, não terá nada a ver com isto?......

Não referiu, como a CMP também não refere, o que irá ser feito em relação a passeios (existem larguras mínimas de pista a respeitar) e relativamente às árvores da Av. da Boavista e, eventualmente da Circunvalação). Será que sendo por causa do Metro não se podem abater as árvores, mas se for para as corridas já se pode?

E o facto da CMP afirmar que o projecto de requalificação da Av. da Boavista ter que estar concluído até Maio, no que se refere à parte a utilizar nas corridas, ou seja entre a rotunda do Castelo do Queijo e a entrada nascente do Parque da Cidade?
Então isto não deve ser discutido?
Ou já está tudo decidido?
Repetindo as perguntas da minha intervenção anterior:

Que requalificação da Av. da Boavista é essa, que tem que estar pronta até Maio?
Já foi tudo discutido e decidido?
Já há projectos, já houve concursos públicos para adjudicação das obras?
E na Av. do Parque da Cidade, o que vai ser feito?
E na Rua da Vilarinha e na Circunvalação?
E já agora, será que dos tais 200 mil espectadores esperados (fonte CMP) alguns não irão contribuir para espezinhar o Parque da Cidade, ou será que, como é costume, "está tudo previsto"?
O que vai ser feito para proteger o Parque da Cidade?

Eu peço novamente desculpa, mas entendo que estes assuntos devem ser discutidos e parece-me que não o estão a ser….

Parece-me que muitas pessoas levadas por um entusiasmo ou paixão por "automobilismo histórico" (que em grande medida partilho) estão dispostas a "fechar os olhos" ao óbvio:

Trata-se de um evento que pouco ultrapassará uma mera iniciativa de campanha eleitoral para as próximas eleições autárquicas.

O facto de o actual presidente da CMP "gostar muito de corridas de automóveis desde pequenino" não justifica que venha "brincar com os carrinhos" para a Nossa Cidade.

A argumentação pretensamente histórica que tem vindo a ser utilizada revela, sobretudo, um grande desconhecimento (inúmeros exemplos se poderiam apresentar mas não é este o fórum adequado para tal).

A utilidade turística do evento é, em meu entender, mais do que discutível.

O pretensiosismo de eventuais comparações com o Circuito do Mónaco ou mesmo com os eventos realizados em Goodwood revelam apenas ignorância e provincianismo, senão pior.

Espero ter lançado mais achas para a fogueira.
Entendo que este assunto deve ser discutido, ainda há tempo mas já não é muito

Obrigado

De: TAF - "Sexta-feira" 

A propósito deste comentário do Francisco, ainda está online o fórum do PDM promovido em 2003 pela Câmara. Vale a pena ler os posts dele sobre os mecanismos de perequação. "A Baixa do Porto" surgiu quando a autarquia desistiu de "experiências de debate" e encerrou de vez esse fórum... Antes disso ainda houve uma troca engraçada de mensagens com Rui Rio num dia em que ele reservou algum tempo para responder a perguntas.

- Casa da Música: Festival de Abertura
- "O primeiro andamento de uma grande sinfonia"
- Dez dias repletos de música variada celebram abertura da Casa da Música
- Fundação e Cartaz de Abertura em Dia Cheio para a Casa da Música
- Estado assumiu passivo da Casa da Música
- Criada a Fundação da Casa da Música

- O Palácio do Freixo
- Palácio e museu acolhem pousada
- Villa Bessa: Reclamação ao PDM entregue ontem

- Andante já chegou a Valbom
- Autocarros da Gondomarense aderem ao Andante em Valbom
- Linhas da Trofa e da Póvoa com mais estacionamento junto às estações

- SRUs e RGEU - opinião de Manuel Correia Fernandes

2005/01/20

De: Carlos Gilbert - "Preocupações devido ao..." 

"... Circuito da Boavista"

Caro Engº António Moreira,

Vem levantar uma questão que nem sei se serei eu a pessoa mais indicada para lhe responder... Porque sou a 100% um "aficionado" do automobilismo dito "histórico"! A primeira prova de competição que vi na minha vida foi precisamente um dos «GP do Porto», aquele em que correu o von Trips e a Maria Teresa de Filippis, tinha eu 10 anos... Depois, a partir de 1966, tornei-me "viciado" em provas de automobilismo, e o resultado poderá ver no seguinte site: http://sportscargt.com.sapo.pt/index.htm , no sub-capítulo "GT & P". Por conseguinte, quando soube que ia haver uma reedição do "Circuito da Boavista", primeiro nem quis acreditar! Pareceu-me algo de impossível de concretizar... Mas, depois do que vimos em Vila Real (sim, também lá estive...), comecei a acreditar que iria ser possível incluir a nossa cidade do Porto no circuito europeu de competições de automóveis históricos. Com uma característica: o Porto tem o seu antigo circuito intacto mais ou menos a 90%! E é sabido como são hoje-em-dia raros os circuitos citadinos de outrora!

É evidente que um projecto desta envergadura vai causar incómodos a todos os que vivem na zona do circuito, sobretudo quando passados tantos anos se perdeu a "tradição" das corridas aqui no Porto. E é também credível que se pergunte se corridas "a sério" serão exequíveis, como pergunta, e se desfiles mais ou menos "em ritmo de competição" não poderiam ser suficientes. Claro que me tenho questionado tudo isto desde que tomei conhecimento do projecto, sobretudo como se vai fazer passar os bólides pela estreita rua da Vilarinha, e como irá ser a montagem/desmontagem de "rails triplos ou muros em cimento de um metro de altura, vedação de rede de arame dos dois lados da pista, com 2,5m de altura e com cabos horizontais em aço... bem como barreiras de pneus em zonas estratégicas", como vem descrito na revista "Porto sempre" nº7, pág. 13 (da C.M.P.), pois se no Mónaco a cidade está habituada a este "circo" todos os anos (por ocasião do "Grand Prix" de F1, e uma semana antes pelo "GP de F1 Históricos"), aqui no Porto a coisa é bem diferente...

Do ponto-de-vista turístico, o evento promete enorme sucesso. Se houver por trás disto uma estratégia de fazer doravante incluir a nossa cidade todos os anos (ou de dois em dois) nos eventos anuais de "Grand Prix" históricos, é de saudar. Por parte de quem gostar de automobilismo, claro. Vamos a ver como a cidade em si responde à ideia...

C. Gilbert

De: F. Rocha Antunes - "Último dia" 

(Actualizado com apontadores)

Meus Caros,

Para não pensarem que os velhos hábitos morrem depressa, cá venho eu, no último dia do prazo da terceira discussão pública do PDM do Porto falar sobre o assunto.

Como acho que sobre este assunto já está dito o essencial, vou apenas referir algumas das alterações que se verificaram entre a anterior versão do Regulamento e da actual, para além das já conhecidas e públicas (capacidade de construção atribuída pela Assembleia Municipal aos terrenos do Boavista (esta nossa capacidade inventiva não tem mesmo limites) e a desclassificação do Bairro da Fábrica da Areosa).

A primeira é a introdução de um novo e importante ponto no preâmbulo do Regulamento, no Capítulo IV, que diz que, “para facilitar a execução do Plano e regular o mercado de terrenos, o Município deve constituir reservas de solo.”

Se a primeira parte da intenção ainda passa, isto é, para facilitar a execução do Plano, por ser necessário para a execução dos mecanismos de perequação que a lei obriga, já a segunda parte, a de regular o mercado de terrenos, é uma intenção que não tem qualquer cabimento. A Câmara do Porto, como qualquer câmara, já dispõe de mecanismos mais do que suficientes para intervir no valor dos terrenos, e por essa via no mercado dos mesmos. Esta ideia de constituir reservas de solo com essa intenção terá que vir a ser muito melhor explicada.

Depois, são feitas uma série de alterações que se destinaram a permitir que, nomeadamente na zona histórica, o regulamento seja exequível. Boa ideia.

Verificou-se uma clarificação e simplificação na definição das áreas verdes, e uma distinção nova entre as áreas com interesse urbanístico e arquitectónico e os imóveis de interesse patrimonial. Ficou melhor arrumado.

Na parte da definição dos sistemas de transporte e de mobilidade há uma redefinição, mais exaustiva desta vez, da Rede Ferroviária Ultraligeira (o eléctrico que ninguém quer, digo eu) a implantar na cidade. Houve também uns acertos nas definições das condições em que a criação de diferentes tipos de estacionamento é obrigatória.

Na definição do SIM – sistema que vai dar direitos de construção transferíveis a quem investir na Baixa há uma clarificação do que é a protecção dos direitos dos residentes (isto aplica-se especialmente nas operações de reabilitação) em que se regula que deverá ser afecto um rácio mínimo de 10% a habitação a custos controladas nas unidades mais carenciadas. Se não for aplicado indiscriminadamente, ou seja, se não for imposto aonde já não havia residentes, parece-me bem.

Também importante é a introdução de uma nova alínea no artigo em que se define o âmbito dos critérios de perequação, tornado evidente uma obrigação que a Lei já impunha que é a de que todos os planos municipais que se vierem definir terão, eles também, que prever mecanismos de perequação. (sobre este palavrão já aqui escrevi alguma coisas. Se o Tiago fora capaz de localizar os post’s não era pior...)

No seguimento disso, criam-se as excepções aos índices médios de utilização e de cedência média para as duas UOPG’s dos dois grandes parques, o Ocidental (ou da Cidade) e o Oriental. Perfeitamente adequado, dado predominar o verde.

São feitos alguns acertos na definição das UOPG’s (Unidades Operativas de Planeamento e Gestão – no fundo, bocados da cidade que serão sujeitos a operações urbanísticas próprias, dada a sua relevância ou dimensão):
Por fim clarifica-se a necessidade de sujeição a prévia discussão pública as operações de loteamento, para além das já previstas no Regulamento Municipal. Aqui fica, de forma mais ou menos telegráfica, o resumo do trabalho que aqui sempre fazemos quando um PDM é revisto. Se alguém quiser ver a lista completa das alterações ao texto do regulamento, aqui vai junto o respectivo ficheiro.

Francisco Rocha Antunes
Promotor imobiliário
--
Nota de TAF: Os posts sobre a perequação não foram aqui no blog, mas sim no fórum da Câmara que o antecedeu e ainda está online neste endereço. Já acrescentei o link directo acima também.

De: António Moreira - "Grande Prémio do Porto..." 

"... - Vamos brincar às corridas, ou ?"

Exmos Senhores

Tomei conhecimento deste Blog apenas há dias, pesquisando sobre Metro na Boavista.
Li um grande número de opiniões aqui expressas (não todas) e, no geral, fiquei muito satisfeito com o grau de correcção com que as opiniões são expressas bem como com o nível de fundamentação que a maioria dos intervenientes demonstra.
É assim um bocado assustador escrever aqui, pela primeira vez, ainda por cima consciente da minha falta de preparação quanto às matérias aqui debatidas, não tendo qualquer formação em áreas de arquitectura, urbanismo, jurídicas ou outras relevantes a uma eficaz fundamentação das minhas opiniões, pelo que peço desde já desculpa.
Tenho isso sim, como todos os que aqui contribuem, uma grande preocupação quanto ao que se faz, não faz ou pode fazer à nossa cidade, ou seja, fundamentalmente à nossa qualidade de vida enquanto cidadãos do Porto.
Tenho também, como penso que todos os que aqui opinam, a consciência que é já tempo de os cidadãos intervirem activamente, nem que seja opinando, como forma de tentar criar alguma consciência aos que detêm o poder, que esse poder conquistado legitimamente (?) nas urnas eleitorais, não pode nem deve ser absoluto, não pode nem deve ser impune.
Sendo morador da zona afectada, positiva e/ou negativamente, pela construção, ou não, da linha de Metro da Boavista, tenho sentimentos divididos quanto a esse projecto, ou seja, anseio pelas suas vantagens, receio pelas suas consequências, não vou assim entrar, por agora, nesse debate, dado que em nada contribuiria para ele.

Gostaria isso sim de abrir um outro debate, talvez relacionado, que, estranhamente tem estado alheado destas discussões, o projectado Grande Prémio do Porto, a realizar já em Julho.

Então como é?

As obras e alterações necessárias à realização deste evento não são objecto de discussão?

Vão se retirar apenas alguns paralelos e trilhos do eléctrico (na Rotunda do Castelo do Queijo, Praça Cidade de Salvador e Viaduto do Parque da Cidade) ou vai-se já aproveitar para abater as árvores da Av. da Boavista que assim o assunto já fica adiantado?

Que requalificação da Av. da Boavista é essa, que tem que estar pronta até Maio?
Já foi tudo discutido e decidido?
Já há projectos, já houve concursos públicos para adjudicação das obras?
E na Av. do Parque da Cidade, o que vai ser feito?
E na Rua da Vilarinha e na Circunvalação?

Eu faço estas perguntas realmente porque não sei, se calhar até está tudo certo…. Mas, por favor, se alguém souber, esclareça, se mais alguém estiver preocupado então acho que vale a pena discutir, que o tempo já é pouco.
E já agora, será que dos tais 200 mil espectadores esperados (fonte CMP) alguns não irão contribuir para espezinhar o Parque da Cidade, ou será que, como é costume, "está tudo previsto"?

Peço desculpa se este assunto não é de interesse, mas Eu até gosto imenso de automóveis, principalmente clássicos, fui, em Outubro passado a Vila Real, assistir ao "revival" onde apenas houve desfile das viaturas, pelo que resta do circuito original. O trânsito foi cortado umas horas, mas não foi cometido nenhum atentado contra a Cidade.

Estaria de acordo que o mesmo fosse feito no Porto, o que até permitiria utilizar o traçado verdadeiro do Circuito da Boavista em vez de inventar uma alternativa à volta do Parque da Cidade.
Agora corridas dentro da cidade? Com as obras e adaptações que terão que ser feitas para que se possam realizar as corridas de acordo com os critérios de segurança exigíveis para tal?

As vossas opiniões por favor.

Melhores cumprimentos
António Moreira (blimpe@gmail.com)
Engenheiro

De: TAF - "Ainda a «Griffe»" 

Retomando a opinião de Alexandre Burmester sobre o "Urbanismo de Griffe", aproveito para lembrar o problema da dimensão das equipas de trabalho nacionais.

Em Portugal há o hábito generalizado de considerar que conseguimos fazer tudo com recursos muito limitados. Porque somos bons quando queremos, por causa da velha tradição de que nos conseguimos desenrascar como ninguém (será uma questão genética, provavelmente...), etc., etc. Por isso, quando temos problemas urbanísticos complicados ou polémicos recorremos a Siza Vieira ou Souto Moura, arquitectos de merecido prestígio mundial, a quem é confiada a missão impossível de salvar a situação, de preferência depressa. E o mal é que pelos vistos eles aceitam a tarefa...

Mas será que as suas equipas têm a capacidade de resposta adequada à envergadura e diversidade dos projectos que assumem? Quando vemos as verdadeiras "fábricas de arquitectura" de Norman Foster ou Renzo Piano, com centenas de colaboradores e uma impressionante rede de parcerias especializadas, estaremos a falar de algo minimamente comparável aos gabinetes das nossas vedetas nacionais? É que se os problemas são complexos é preciso ter recursos para os resolver e "know-how acumulado na casa" que minimize erros! Depois o barato sai muito caro... Eu vejo gabinetes portugueses fazerem construção de raíz e recuperações, museus, estádios de futebol, Metros, habitação, escritórios, planeamento urbanístico, tudo um pouco... E aparentemente com pouca gente. Sou eu que estou mal informado?

Mas apesar de tudo o problema principal ainda reside no cliente: sem objectivos claros e uma especificação sensata, não há equipa de profissionais que faça milagres.

De: TAF - "Pedido à Metro do Porto" 

Será possível disponibilizarem uma planta do Porto com as linhas de Metro desenhadas em cima? Era útil para percebermos melhor tudo isto, pois o esquema disponível online não é suficiente. Obrigado desde já.

De: Carlos Gilbert - "Narciso Miranda..." 

"... e o Metro da Boavista"

Na edição de hoje do JN (pág. 26), o edil de Matosinhos manifesta-se negativamente sobre a recente "Tertúlia" que tivemos sobre este assunto, e cito: "acusando os "opositores" do projecto de terem uma visão "redutora" e "paroquial" sobre um assunto que deve ser olhado numa "perspectiva metropolitana". O autarca lembra que a linha é muito importante para a ligação Leça da Palmeira, Matosinhos e Porto e, posteriormente para Gondomar. Aliàs, frisou, "a linha passou a chamar-se Matosinhos-Boavista por alguma razão". Além do mais, a referida linha é necessária para "retirar clientes de Matosinhos da Senhora da Hora", disse, referindo-se ao previsível estrangulamento que poderá ocorrer no troço Senhora da Hora com o encontro de quatro linhas do metro".

Se bem que tenha em mente o recente conselho de F. Rocha Antunes (para nos refrearmos e não começarmos a teclar logo que algo nos venha à ideia) não posso de deixar um comentário deste calibre passar sem resposta (o tal contraditório...). Pois, Senhor Narciso Miranda, como aqui já ficou dito, será mesmo credível que os passageiros da zona matosinhense, tendo à sua escolha duas linhas para a Baixa portuense, uma directa via Senhora da Hora e outra bem mais longa, via Av. da Boavista e tendo de utilizar um túnel pedonal de mais de duzentos metros para retomar uma composição vinda da Senhora da Hora, optem por esta última hipótese? V. Exª, permita a pergunta de alguém com "visão paroquial" (a expressão é sua...), pesou bem as suas palavras antes de as proferir? Por acaso reparou que a maioria dos críticos da "linha da Boavista" centram as suas objecções no facto de esta ser planeada para o Metro, preferindo antes uma versão de "eléctrico-rápido"? Tal como agora a tutela re-equaciona a opção para as composições para circularem na "linha da Póvoa" e se passa (tardiamente, mas vá lá...) para o "tram-train", não será permitido a diversos cidadãos colocarem dúvidas sobre projectos que irão custar dezenas de milhões de Euros? Saberá V. Exª o que significa a sugestão de se pensar no futuro do "Metro do Porto" como se de um "código de open-source" se tratasse? Talvez seja linguagem demasiado "paroquiana", quem sabe?

Tendo este simples cidadão que subscreve o presente texto começado a pensar no metro no Grande Porto logo que o Dr. Fernando Gomes começou a tornar públicas as suas ideias, e tendo tido diversos textos de opinião publicados ao longo de vários anos no "Público" (um dos quais a rebater a estranha ideia de V. Exª de pretender fazer passar por Matosinhos a linha para o aeroporto!) deixe-me dizer o que seria uma hipótese passível de ser equacionada:

Ligar-se Matosinhos-Sul via Boavista à Rotunda, mas com composições mais ligeiras que o Metro (como aqui já sugerido por diversos membros do blog, e igualmente proposto pelo "grupo de cidadãos" liderado pelo Dr. Macedo Pinto), passar o traçado para o sub-solo na subida da Fonte da Moura ou, devido ao desnivelamento da VCI, na subida para a zona do Bessa e fazê-lo terminar - nesta primeira fase - num grande "interface" a construir na zona da antiga estação da CP da Boavista. Desta partiria um dia a linha (de Metro) ligando às Devezas e a outras zonas de Gaia, bem como outra - subterrânea também- com destino à Baixa do Porto, mas passando pelas zonas da Cedofeita, Largo dos Leões, Praça D. Filipa de Lencastre, Praça D. João I, Praça dos Poveiros, Campo 24 de Agosto e Av. Fernão de Magalhães até à Areosa. Haveria problemas diversos a resolver, como a passagem por baixo do "túnel da rua de Ceuta" e pelas linhas já existente, na zona da Av. dos Aliados bem como no Campo 24 de Agosto, mas isto seria uma verdadeira linha estruturante no sentido poente-nascente que iria servir um dia centenas de milhares de habitantes e com uma vantagem de monta: iria permitir o cruzamento com as outras linhas já existentes, como referido acima. Fica a sugestão e descanse V. Exª que se a sua preocupação é a saturação da linha de Metro entre a Senhora da Hora e a Trindade, tal não tem passado de forma alguma despercebido aos membros deste blog.

C. Gilbert

De: Carlos Gilbert : "Linhas de Metro" 

Várias vezes tem sido referida aqui a necessidade de uma linha de metro pela rua do Campo Alegre fora, inclusivé houve quem sugerisse a ligação desta hipotética linha a Matosinhos-Sul/Brito Capelo. Os promotores destas sugestões estão a pensar em linhas à superfície ou no sub-solo? Se for à superfície, a rua do Campo Alegre não suporta linhas de tracção eléctrica (a não ser que se banisse a 100% o restante tráfego, o que é utópico), pelo sub-solo creio que se coloca de novo a questão do financiamento e da rentabilidade custo vs. benefício.

Eu não sei se há estudos globais de mobilidade e de fluxos na zona do Grande Porto, mas os números de que a MP já dispõe quanto a validações diárias mostram claramente que o Metro é uma opção mais que necessária. O Prof. Oliveira Marques referiu inclusivé na Tertúlia que a (tão discutida) linha da Boavista poderia servir de espinha-dorsal a uma futura linha transversal Poente/Nascente, o que o esquema ora publicado na homepage do MP vem em parte sublinhar. A dúvida que o Prof. Oliveira Marques deixou no ar é de que mesmo ele (e por consequência o organismo que tutela) não têm uma ideia clara sobre o que fazer no futuro. Da minha parte isto não é crítica (poderia clamar-se contra uma eventual "ausência de estratégia"...), entendi antes este comentário como uma abertura do nº 1 do MP em "ambiente de tertúlia" e como tal deve ser saudado. Mas, seguindo o seu raciocínio, uma linha do género que sugere têm forçosamente de ser executada no sub-solo! E quanto à eterna questão do custo vs. benefício quero deixar claro que é errado colocarem-se fasquias a um, dois ou três anos de distância para se atingirem as ditas "velocidade de cruzeiro" de um projecto destes. O Metro do Porto vai, em certos casos, levar vários anos a criar os indispensáveis hábitos nas pessoas, e quero chamar à atenção dos interessados que isto pode tornar-se na famosa questão da "pescada de rabo na boca": para receber luz verde para ser executada, determinada linha tem de provar no papel a sua rentabilidade; mas para ser rentável, tem primeiro de existir e fazer as pessoas aderir ao projecto...

C. Gilbert

De: Assunção Costa Lima - "Um pouco de História..." 

"... não faz mal - Torre de Pedro Sem"

Para todos, mas especialmente para "S.O.S. Carregal (II)"

A torre medieval que se encontra diante do antigo Palácio de Cristal é conhecida documentalmente desde o séc. XV e ainda hoje é chamada de Torre de Pedro Sem. A história diz que essa torre pertencia aos sucessores de Pêro do Sem, fidalgo de origem provavelmente aragonesa, doutor de leis, jurisconsulto e chanceler-mor de D. Afonso IV, no século XIV. De descendência em descendencia passou para um ramo dos Brandões. Dª. Eugénia Maria Brandão de Mello, 3.ª marquesa e 4.ª condessa de Terena, casou com o seu tio, D. Filipe Holstein, 1.º e único marquês de Monfalim. Morrendo sem descendência, doaram a torre e o palacete construído ao lado às suas sobrinhas que, por sua vez, os venderam à Mitra do Porto.

Há porém uma lenda que narra que no século XVI existia um indivíduo, de nome Pedro Sem que vivia no seu Palácio da Torre. Mercador rico mas sem títulos de nobreza, possuía muitas naus na Índia. Era usurário, emprestando dinheiro a juros elevados, fazendo fortuna à custa da desgraça alheia, enquanto vivia rodeado de luxo. Frustrado por não ter títulos de nobreza conseguiu casamento com uma jovem da nobreza, em troca do perdão das dívidas de seu pai. A festa de casamento durou vários dias e nessa fase as naus de Pedro Sem, carregadas de especiarias e outros bens preciosos aproximaram-se da barra do Douro. Acompanhado pelos seus convidados Pedro Sem subiu à torre e desafiou Deus, dizendo que nem o Criador o poderia fazer pobre. O dia estava limpo, o céu azul, mas, nesse momento desabou uma grande tempestade. Perante os olhos do arrogante Pedro Sem e dos seus convidados as naus naufragaram, e a torre foi atingida por um raio que a incendiou e destruiu todos os bens do mercador. Arruinado, Pedro Sem passou a pedir esmola nas ruas da cidade, lamentando-se a quem passava: "Dê uma esmola a Pedro Sem, que já teve e agora não tem..."

A Torre é, frequentemente e de forma errada, designada Torre da Marca. Esta era uma outra torre situada nos terrenos hoje ocupados pelo Palácio de Cristal. Era uma alta torre de cantaria, que servia de baliza de navegação aos mareantes. Construída em 1542, para substituir um pinheiro que, antes, desempenhara idênticas funções, a Torre da Marca foi derrubada, durante o Cerco do Porto, pelo bombardeio das tropas miguelistas.

A designação de Casa da Torre da Marca para o palacete propriedade da Diocese junto à Torre de Pedro Sem, designação esta que provem de ter sido construído, no século XVIII, no campo ou largo da Torre da Marca, associada com a inexistência da verdadeira Torre da Marca gerou a confusão, levando a Torre do Pedro Sem a ser conhecida por Torre da Marca.

Assunção Costa Lima

De: Cristina Santos - "Portistas ..." 

"... vivem em casas velhas ... mas apoiam o FCP"

Já sei que não devo abordar temas, que estão ainda em fase de decisão, muito menos quando são políticos, desportivos e financeiros.
Mas também não posso deixar de considerar relevante para a Cidade a discussão destes assuntos. Este post não pretende lançar o debate, mas sim dar conta da posição dos Portuenses nesta fase do campeonato. Trata-se simplesmente de um crónica social.

Os últimos acontecimentos levantam suspeitas sobre a eventual gestão danosa dos recursos financeiros da nossa Autarquia, protagonizados neste caso, pelo Eng.º Cardoso, então presidente da Câmara pelo Partido socialista, em favor da nossa maior entidade o F.C.P..

Para os portuenses trata-se de uma situação completamente normal. Pelas tascas da nossa Cidade a opinião pública defende que esse tipo de gestão aconteceu em todas as Câmaras do país aquando do europeu de futebol.
Como já é habito, o caso é configurado como uma perseguição ao FCP e aos seus apoiantes. É de todo irrelevante que tenha existido, qualquer tipo de defraudamento, permuta, concepção ou quem é o acusado.

Importante é que se trata de um perseguição ao FCP e ao Engº Nuno Cardoso apoiante do FCP.
Nunca se ouve dizer que o caso pode ser falso, mas ouve-se com frequência, que o caso é normal, é nacional, é completamente aceitável.
Afinal o que são uns milhares de Euros investidos no lucro da SAD portista, nada absolutamente nada, qual é a anormalidade da situação, nenhuma, absolutamente nenhuma.

É exactamente esta última posição que me deixa perplexa, então se consideram o caso verídico, como se podem alienar ao ponto de considera-lo normal, justo e correcto?
Se o eventual beneficiário não fosse o nosso prestigiado FCP, ou antes a sua SAD, será que os portuenses mantinham a mesma opinião?
Se o protagonista fosse Dr. Rui Rio a opinião e o desinteresse mantinha-se?

Enfim, o que considero é que se o universo de eleitores «das tascas» votar, Rui Rio não terá a mínima hipótese, não interessa aos portuenses a sua gestão ou até mesmo o candidato da oposição, importante para os portuenses é a defesa da honra e garantia do patrocínio à SAD do FCP.

Com este universo de eleitores, estão doravante todos os edil´s do Porto incentivados a beneficiar o FCP, entidade riquíssima, nem que isso signifique a ruptura das finanças da autarquia.

Por isto e não existindo solução aparente, atrevo-me a sugerir ao F.C.Porto, que em sinal de agraciamento aos Portuenses das nossas tascas, que tão arduamente defendem a sua opulência financeira, que tenha pena e contribua financeiramente para a conservação das casas onde essa maioria reside, que pense que esses apoiantes se esgotam no transito e portanto contribua com uma ajudinha para o metro, que promova umas actividades desportivas para idosos e crianças sem cobrar ás freguesias, tudo o que o FCP entender como bom para o progresso da nossa cidade… nós os portuenses parece que aceitamos.

Cristina Santos

De: A. Pinto Moreira - "Metro na Boavista" 

Compreendo as razões de se insistir com a colocação da nova linha de metro. Ela nasce essencialmente de um erro de palmatória da estruturação inicial da rede. A construir-se uma nova linha pela zona ocidental da cidade pode efectivamente aproveitar-se o canal existente na Av. da Boavista, no entanto esta linha deverá inflectir logo que possível para o eixo do Campo Alegre, zona incomparavelmente com mais potencial de serviço que a parte superior da Av. da Boavista.

Esta nova linha deve ter como prioridade servir o polo universitário existente ao longo do Campo Alegre, assim como, e não menos prioritário, captar uma percentagem significativa de pessoas nas entradas da cidade quer pelo denominado nó do Campo Alegre, quer do nó de Bessa Leite. Com o metro nesta via fica facilitada a continuidade da linha para servir outra infraestrutura essencial que é o Hospital de Santo António.

Para quem se opôe terminantemente à colocação do metro na Av. da Boavista fica a alternativa, válida para tudo o que referi anteriormente, de aproveitar o pretexto da construção desta linha para se avançar definitivamente com a construção da Av. Nun' Alvares, que deve ligar o inicio da Av. da Boavista à Praça do Império e que se encontra estudada à dezenas de anos, projectando-a de raíz para a utilização do metro.

António Pinto Moreira
antoniopinto.moreira@em.edpproducao.edp.pt

De: TAF - "O que se escreve hoje" 

-- Já há informação sobre a Linha da Boavista com origem na Metro do Porto (obrigado André Valente).
- Metro na Boavista motiva abaixo-assinado - mais informação aqui.

- O Bairro da Fábrica da Areosa
- Câmara do Porto aceitou mediar negociações no bairro da Fábrica
- Vila Bessa - Ameaça de recurso aos tribunais
- Ryanair - Londres “ao preço da chuva”
- "Febre" dos voos baratos aterrou em Pedras Rubras
- Porto-Londres: contas
- Solução para o TGV sem contestação no Norte - "sem contestação"?...
- Palácio do Freixo e Antiga Fábrica de Moagens Acolhem Pousada de Luxo

Não irei comentar este caso. É um problema de saúde mental que deve ser tratado com respeito:
- Cardoso envolve Aguiar-Branco
- Cardoso ataca Rui Rio e ministro da Justiça
- Nuno Cardoso afirma que o processo foi politizado
- Cardoso diz que processo está "politizado" e atira culpas para Rui Rio e Aguiar Branco
- Nuno Cardoso Lança Suspeitas Sobre Ministro da Justiça
- Negócio Aprovado com Sete Votos a Favor e Duas Abstenções - Cronologia
- Ministério Público Investiga Vários Empreendimentos Urbanísticos do Porto
PS: O Nortadas tem uma preocupação semelhante. Não é de espantar. A blogosfera está solidária com quem atravessa momentos difíceis.

De: Miguel Monteiro - "As regras do jogo" 

Caro TAF,

Vejo que o ultimo post que coloquei, foi criticado e que vc sentiu necessidade de se defender e muito bem.
Primeiro, longe de mim causar-lhe qualquer embaraço.
Segundo, não sabia que havia regras, que não fossem as da vida social que limitassem os post's colocados.
Terceiro, o meu post é, acredite, completamente apolitico. É me irrelevante quem conduza em termos politicos, os nossos destinos urbanos.
Quarto, a imbirrância não é pessoal.
O problema não é o Rui Rio. O problema não é o Rui Rio ser do PSD ou o Rui Rio não gostar do FC Porto.
Que o Rui Rio é o homem honesto e trabalhador não tenho a minina duvida. Mas isso é a obrigação. Isso não pode ser estatuto. Isso não pode justificar a falta de ideias e de rumo que demonstrou durante todo este mandato. Quantos exemplos eu poderia enunciar, mas basta ler o seu blog para os conhecer quase todos.
O problema, o verdadeiro problema é o que o Rui Rio durante quatro anos parou a nossa cidade. O problema é que não acredito que ele possa ser agora a locomotiva que não foi.
Quero lá saber se ganha o PS, o PSD ou mesmo se o meu colega Rui Sá vai para presidente. O que eu quero é que os partidos se sintam obrigados a ter tino na escolhas que façam para a nossa cidade. E, acredite, acho que esse devia ser uma das grandes missões do seu blog. Fazer com que os partidos saibam que estamos atentos ás suas escolhas e que não vamos permitir nada menos do que os melhores para a nossa cidade.
Precisamos urgentemente de um grande presidente da Câmara Municipal do Porto.
Para acabar não posso deixar de lhe fazer notar, que se começa a notar que alguns já não se exprimem tão á vontade como o fizeram numa fase mais inicial do mandato do Rio. O prestigio deste blog, a certeza de ser lido pelo poder e as eleições á porta, estou seguro serão algumas das razões compreensiveis para essas limitações.
Concluindo, deixo-lhe o desafio de pedir aos seus bloguistas que indiquem nomes para presidente da Câmara Municipal do Porto.
Mais importante que o programa neste momento é quem o vai executar.

Um grande abraço, de quem muito o admira pelo grande contributo que está a dar ao Porto.

PS - Compreenderei naturalmente que não publique este mail.
--
Nota de TAF: Caro Miguel Monteiro - As regras deste blog são basicamente as que expliquei no primeiro post. O blog é meu e não é meu. É meu porque é meu; não é meu porque vive da participação de todos. Por isso é também seu. Eu assumo um papel de "gestor de informação e comunicação" usando o blog como ferramenta. Cabe-me estar à altura do desafio que a mim próprio coloquei: criar as condições para que se debata a cidade de forma eficaz, para que se vejam resultados da troca de ideias que aqui se dá. Um abraço!


2005/01/19

De: André Valente - "Metro do Porto - ..." 

"... Projecto da Linha da Boavista"

Viva,
Já está no site da metro do porto o PDF com o projecto da linha da boavista.

Saudações,
André Valente (a.valente@gmail.com)

De: José Pedro Lima - "S.O.S. Carregal (II)" 

Extraordinariamente esclarecedores os posts de Rocha Antunes sobre o Túnel de Ceuta que aproveito para agradecer, quer pelo conteúdo, nomeadamente a referências às áreas de sob jurisdição do IPPAR, quer pela forma clara como aborda a questão.

Pelo que percebi há três alternativas à saída do túnel todas elas em frente de edifícios sob jurisdição do IPPAR:

i) O Hospital de St António
ii) O Museu Soares dos reis
iii) A Torre de Pedro-sem (não sabia ser este o nome, confesso).
Provavelmente o mais bonito dos três.

Ou seja todas as soluções apontadas até agora podem ter parecer negativo do IPPAR pela mesma razão que esta teve. Poderá haver algo que nos falha por não conhecermos o teor do parecer mas a conclusão de F. Rocha Antunes segundo a qual o IPPAR não pode "empurrar o problema para fora da sua área de protecção" parece correctíssima. Como correcta (talvez um pouco conservadora) parece ser também a estimativa de que o problema devia ter sido levantado há ano e meio atrás!

A partir de agora resta-nos esperar para ver quanto tempo mais esta situação se vai arrastar. A coisa promete, e à medida que passa o tempo mais evidente se tornará a forma apaixonada como a coisa será discutida, ao contrário do que propõe, provavelmente com razão, Carlos Gilbert. É que a paciência tem limites e como é evidente ninguém na zona tem paciência para discutir onde o túnel vai sair depois de 6 anos de obras. Por incrível que pareça esta discussão seria para ter - imagine-se - no século passado!

Eu não defendo aqui uma posição "contra o IPPAR a favor da CMP" ou "a favor da CMP e contra o IPPAR". Tal como disse anteriormente neste processo não há inocentes. Mantenho que é a obrigação (não é nenhum favor que fazem) das partes envolvidas resolverem esta questão com a máxima urgência.

PS: hoje foi um dia de boa colheita no blog. Interessantíssimo o post da Cristina Santos, gostava de ver respondidas as perguntas que ela faz!

Jose Pedro Lima
pclima@gmail.com

De: Assunção Costa Lima - "Túnel..." 

"... Ceuta-Carregal/D. Manuel II"

Foi já no passado dia 3 de Dezembro que tive uma experiência interessante. Um vizinho da minha rua (Clemente Menéres) contactou-me para me dizer que pelas 19 horas desse mesmo dia iria haver uma reunião com a Empresa de Gestão de Obras Públicas, no Palácio dos Carrancas, cujo tema seria o Túnel Ceuta-Carregal. Como Carregalense lá fui. A hora causava-me transtorno. Mas fiz uma forcinha e lá fui.

Umas três a quatro dezenas de pessoas, praticamente todos comerciantes da zona. Apresentou-se o Presidente do C.A. da Empresa, cumprimentou a audiência e apresentou um Dr. (ao longo da reunião soube que era jurista) que faria a exposição. Outros técnicos (engº, técnicos da fiscalização, representante da empresa adjudicante estavam também presentes). Iniciou-se a exposição.

Incisivo o Dr. lá começou por tecer os maiores encómios à empresa Camarária e à obra já feita. Impressionante e com grande rigor financeiro e nos prazos. Onde é que eu já vi isto. Será que foi no post de Alberto Lima? A impressionante coincidência de discurso deixa-me curiosa. Será norma ou mera coincidência? Assalta-me a memória os idos dos anos setenta, os anos do PREC e do discurso repetitivo do controlo operário e das nacionalizações... Gira esta associação!... Lá fomos informados que estávamos ali para ver todos os problemas causados pela obra, para responder ou anotar todas as questões para equacionamento / resposta posterior. Uma atitude, informou-nos o Dr. completamente nova, nunca vista, de grande diálogo com os cidadãos. Estaríamos ali o tempo que fosse preciso mas tudo seria esclarecido/anotado. Que a obra ia causar problemas isso era um dado adquirido. A obra estava ali, já estava iniciada, era aquela e isso não estava em discussão. O que ali se avaliaria era o incómodo provocado durante a execução e as consequências posteriores. Vai haver alterações à circulação rodoviária e ao estacionamento, vai haver barulho nocturno, vai haver detonações, etc. etc. etc.. Mas o certo é que a obra acaba em Abril (prudente o Dr. não disse o ano...). Ser-nos iam dados os contactos todos para em qualquer altura podermos recorrer à Empresa. Iriam intervir no Jardim e na sua envolvente, mas tudo no maior respeito pelos cidadãos e de forma a reduzir ao mínimo dos mínimos todas as perturbações, nomeadamente aos Carregalenses. Ia haver detonações? Seriam desagradáveis mas a vibração que produziriam seria como passar um autocarro... De seguida uma apresentação em slides, gerida por computador, com imagens dos trabalhos e da situação final. Pareceu-me PowerPoint, mas com muito pouca definição. Era confuso. A mancha de côr escolhida não era a melhor. Enfim minudências técnicas...

Passou-se às perguntas. Por filas, todas de seguida, para depois serem respondidas por junto e de atacado. Eu estava na segunda fila. Três comerciantes da primeira fila levantaram questões. Uma grande preocupação com o estacionamento e com as cargas e descargas, não só durante a obra mas principalmente na fase definitiva. É natural. Esse é o seu ganha-pão. Perguntou um comerciante de uma conhecida casa de restauração porque tinham escolhido o mês de Dezembro para começar a obra e dificultar o acesso aos estabelecimentos. Afinal o mês de Dezembro, o mês do Natal, era para eles e para o comércio em geral o melhor mês. Fui ouvindo. De certeza que ia haver boas respostas para as questões levantadas. Pois se todo o sistema se desenvolvia agora em diálogo, privilegiando o bem estar dos cidadãos e o futuro da Baixa. Estava descansada... Chegou a minha vez. Como há já mais de uma semana que os passeios e parte da via da Rua Clemente Menéres, no troço entre a Calçada do Carregal e o Beco do Paço tinham sido levantados, escavados, as caixas de saneamento estavam abertas, as caixas de outros serviço estavam desniveladas, nalguns casos seguramente mais de 10 cm, não fora construída qualquer passagem para os peões que, para cruzarem a zona, faziam um autentico percurso de cross de alto gabarito, pois se na sexta feira anterior pelas nove da noite me tinha atolado na poça de lama e água formada no gaveto da travessa do Carregal com a Rua Clemente Menéres, pois se eu tinha mandado várias e-mails para a Câmara a pedir providencias e tudo estava na mesma, pois se eu tinha abordado os operários que trabalhavam na obra para lhes dizer da necessidade de proteger a passagem de peões e tinha sido praticamente escorraçada, lá tive de dizer ao Dr. que aquela do respeito pelos cidadãos estava bem clara e que, pelo menos para mim, a credibilidade dele era zero. A evidencia estava ali. Quanto às detonações eu tenho grande experiência já que vivo no Carregal e trabalho em Ceuta e sofri todas as detonações da primeira fase do Túnel. Essa de comparar a vibração com a passagem de um autocarro nem ao diabo lembra. Fiz um convite ao Dr.: Tenho um quarto vazio em minha casa, pode vir viver para lá para aprender, pela via experimental a diferença. Afinal vai haver autocarros a passar na rua e detonações. Ofereci-lhe uma oportunidade de aprendizagem. O sorriso do Dr. começou a amarelecer... Não aceitou a oferta. E o Jardim, perguntei? (ai a minha paixão por aquele Jardim..) O Dr. esclareceu logo. Afinal só vão fazer os passeios. A requalificação do Jardim não se inclui nesta fase da obra. Fiquei esclarecida: afinal esta obra só estupora o Jardim. Não fiquei sequer segura de que não lhe cortam um bocado... perguntei pela futura localização do quiosque, quer durante a obra quer na situação final.

Pretendi apresentar a minha solidariedade ao comerciante que levantara a questão da data escolhida para o início da obra. Afinal era o mesmo que tinham feito aos comerciantes da Rua do Carmo quando na alta do verão, quanto os seus já tão martirizados negócios poderiam ter algum alento com o Euro 2004 e o S. João esburacaram ruas e passeios e espetaram-lhe com uma rede à frente das portas que quase não permitia passar. O Dr. ficou incomodado. Não estávamos ali para solidariedades. Passou à terceira fila mas prometeu que eu poderia depois pôr o resto das questões. (As questões da solidariedade parece-me que só se devem colocar quando milhares de quilómetros nos separam da desgraça. Solidariedade a menos de 500m: essa não que eu não deixo.)

As questões sucederam-se, ali se perguntou pela localização quer temporária quer definitiva da paragem do autocarro, pelo futuro das árvores que bordejam a Rua D. Manuel II, pela localização dos contendores de recolha de lixo, uma clínica instalada no edifício Cristal Palace colocou a questão dos prejuízos directos e indirectos que a obra e seus condicionalismos poderiam causar. O Museu Soares dos Reis pôs ênfase no problema do estacionamento e das cargas e descargas de obras de arte. Aliás a questão mais repetitivamente se pôs foi a do estacionamento e das cargas e descargas. Pareceu-me natural: pois se o auditório era esmagadoramente constituído por comerciantes esse parâmetro é decisivo para a sua sobrevivência. Passou-se às respostas. De novo os slides. Algumas explicações mais detalhadas sobre as questões já explicadas na apresentação. Quanto a questões não incluídas nessa apresentação a resposta era nula. Ou não tinham sido ainda consideradas ou não estavam ali presentes os serviços correspondentes para responder. Como iriam funcionar depois e durante a obra os transportes colectivos: não estavam os STCP. Como iria ser a recolha de lixo e onde seriam colocados os contendores depois e durante a obra: não estava o ambiente. E assim sucessivamente. Uma coisa era certa: a obra era aquela, exactamente como a apresentavam, sem por ou tirar uma vírgula, os timings eram aqueles, sem por ou tirar um minuto. Perturbava os residentes e utentes da zona? Prejudicava, de forma que se afigurava irremediável, os comerciantes? Desvalorizava o imobiliário edificado? O bem público, a maravilhosa mais valia para a cidade (provavelmente só comparável, quer em valor quer em autoria, à dos jardins suspensos mandados construir pelo rei Nabucodonosor da Babilónia) vale tudo... Seguidamente o Dr. quis dar por encerrada a reunião. Afinal já estava tudo respondido. Protestei: no início tinha-me garantido que teria mais tempo de intervenção. Lá me deixou colocar mais algumas questões, lá deu mais algumas respostas, iguais às anteriores, igualmente definitivas ou evasivas, mas sempre a deixar claro a magnificência da obra, o rigor financeiro único e a magnífica nova forma de diálogo com os cidadãos. Um dos presentes, há muitos e muitos anos comerciante da zona, protestou: pois se não dava resposta concreta às questões específicas levantadas, se não admitia qualquer alteração ao plano e timings da obra, a reunião era pura demagogia. Querem revitalizar a Baixa e tiram-lhe todas as condições. O Dr. irritou-se. Perdeu a compostura, dirigiu-se quase aos berros ao cidadão, tocou as raias da indelicadeza. Afinal ele estava ali, já passava da hora de jantar, sacrificava-se e diziam-lhe que era demagógico e não trazia respostas concretas. A ele, que se dispusera a falar a uns quaisquer Carregalenses diziam que era demagógico... Oh sacrilégio a merecer a mais severa penitencia. A reunião deu sinais de aquecer. Alguns presentes exaltaram-se, outros deitaram água na fervura. O Dr. pediu desculpa pela exaltação. Acabou com a reunião. Afinal sempre não estávamos ali o tempo que fosse preciso.

Passado mais de um mês sobre esta reunião podem já avaliar-se os seus efeitos. A obra de alteração dos passeios prossegue, as passagens para peões nessa zona são indescritíveis, é necessária uma permanente pressão sobre o encarregado da obra para que condições mínimas sejam facultadas. O abastecimento de energia é por vezes interrompido, não há qualquer possibilidade de estacionar uma viatura junto a casa nem mesmo que para retirar um doente ou alguém com dificuldades motoras, os comerciantes vêm o acesso aos seus estabelecimentos praticamente inviabilizado, os engarrafamentos de transito são permanentes. É angustiante ver ambulâncias tentar aceder ao H.G.S.A. encalhadas no trânsito tempos infinitos. As máquinas trabalham na mesma área onde circulam peões, em dias de chuva (felizmente, para este caso tem sido poucos) a lama acumula-se. e acumula-se também o lixo já que é com enormíssima dificuldade que os serviços competentes conseguem fazer a recolha. Mas os Carregalenses vivem felizes: conscientes que o seu sofrimento é uma contribuição para a grande obra, aplaudem os buracos, os engarrafamentos, as sirenes desesperadas das ambulâncias, o lixo, e, quando há dias caí por ter tropeçado num dos colectores que se encontra desnivelado, apenas me ocorreu um sentimento de gratidão: tivera a oportunidade única de um contributo extraordinário para a grande obra. Estraguei a roupa: qual é o problema: os saldos estão aí. Seguramente os Carregalenses só lamentam que a obra venha a terminar e que assim não possam aumentar o seu crédito de sacrifícios.

E não é que agora um bendito parecer do IPPAR pretende inviabilizar a obra! Inacreditável. Mas lá vem a Câmara do Porto sanar a situação: pois se o IPPAR já errara ao permitir a abertura do túnel junto ao edifício do HGSA e ao permitir a construção de um edifício espelhado de fronte ao Palácio dos Carrancas então que erre outra vez. Isso é imperativo que isto de asneira é obrigação e faz doutrina. E ainda por cima o IPPAR teve a lata de divulgar o parecer junto da Comunicação Social. Valha-nos Deus: os Carregalenses ao saberem disto podem deixar de fazer sacrifícios e exigir junto da Câmara ser ressarcidos dos créditos sacrificienciais já acumulados. Mas esperem Carregalenses: a Câmara tomou medidas e apresentou já o pedido de reapreciação do processo pela Direcção Nacional do IPPAR. Solidário, o Dr. Presidente do Conselho de Administração do H.G.S.A. emite douto comunicado insurgindo-se com o parecer do IPPAR. Congratulando-se com a decisão de fazer prolongar a saída do túnel até à Rua de D. Manuel II, à porta do Museu Soares dos Reis, alega "Aquela saída não prejudica em nada o museu ou a rua, que até tem uma série de atentados anteriores que o IPPAR nunca se lembrou de impedir" (o sublinhado é meu). Este sim: ora aqui está um cidadão de mão cheia, daqueles que realmente sabem que asneira faz doutrina. Cá por mim acho que ele deve ir já para Presidente do IPPAR. Comparada com o atentado urbanístico constituído pela ampliação das instalações do H.G.S.A. a abertura do Túnel junto dessas instalações é apenas um atentadinho... Na reunião Camarária sugeriu-se o prolongamento do Túnel até ao Palácio de Cristal. Cá por mim eu prolongava-o era até Lisboa: assim sempre se descongestionava a auto-estrada e, se calhar, dispensava-se o TGV...

A inacreditável situação gerada pela construção do túnel Ceuta-Carregal já só se aguenta com ironia e desperta sentimentos de compaixão. Compaixão pela forma atabalhoada como a Cidade (e o País) vêm sendo governados, onde interesses esparsos parecem sobrepor-se ao bem geral, onde a Lei da Nação parece ser letra morta prevalecendo a lei da selva, onde o cidadão continua a ser o grande esquecido e o grande sofredor. Como é dito no "S.O.S. CARREGAL!" o Tiago gosta de propostas: eu quero propor que se atulhe o túnel e que com ele se atulhe toda a pequenez mental de gestores, técnicos, empreiteiros, interesseiros, palanfreiros, políticos, opinion makers e afins tanto mal fazem a esta cidade e ao País.

Assunção Costa Lima

De: Cristina Santos - "Túnel de Ceuta IPPAR" 

Em relação ao IPPAR e ao túnel de Ceuta, o Francisco tem razão, mas também é legítimo e pode acontecer que o processo seja reanalisado.

Pode ter sucedido, à luz de que algumas vezes acontece com as obras particulares em áreas protegidas, que o parecer inicial se tenha mostrado favorável por uma ou outra razão, que não vou aqui debater até porque não são conhecidos publicamente os parâmetros controversos (ou não) que o IPPAR usa na avaliação dos seus processos.
O mesmo parecer favoravel pode posteriormente ter sido rebatido, por qualquer entidade ou particular, que obriga o IPPAR a reanalisar o processo de acordo com normas específicas ou critérios que tenham utilizado em casos semelhantes.

Ou seja pode ter existido recurso ao deferimento anterior, seja esse deferimento inicial escrito ou verbal, mas que em qualquer dos casos permitiu o início das obras.
Esse recurso obrigatoriamente conduz a reavaliação do caso, por uma equipa diferente e em algumas circunstâncias hierarquicamente superior.
É legitimo contestar a disparidade que existe de parecer para parecer, no que diz respeito ao IPPAR.
Obviamente que se existem entidades ou particulares que denunciam que o IPPAR não fez uma correcta aplicação das normas, nestes casos o processo tem de ser revisto e as consequências resultam, na correcção do deferimento.

Claro que o responsável do projecto embora tivesse um parecer mais ou menos positivo, sabia de antemão que isto poderia acontecer.

Por exemplo um particular pode obter um parecer insinuativamente favorável, dadas as circunstâncias e ocasião, ou seja um parecer de excepção, e mais tarde esse parecer pode ser rebatido por um qualquer vizinho, e nessa altura tudo se altera e obtêm realmente um parecer legal, escrito, mas negativo.

É tal norma do vamos a ver se passa, umas vezes passa, outras não... nos particulares dada a rigidez até aceito, (cada um puxa a sua brasa), agora as entidades publicas têm que dar o exemplo no cumprimento das normas, mesmo que estas sejam completamente desfavoráveis ao desenvolvimento da Cidade.

De: Carlos Gilbert - "Ana Barbosa" 

Ana Barbosa:
«Ou seja, por todas estas razões e outras mais não percebo esta revolta, sem nexo, sobre o metro na Boavista. A única explicação que encontro é o prazer de certas individualidades e Orgãos de Comunicação Social poderem criar controvérsias e instabilidades políticas.»

Peço licença aos restantes membros habituais deste blog e ao TAF para poder tomar posição perante as acusações graves que esta senhora nos faz (e que pode servir para futuros casos semelhantes):

1. Quando se entra num debate, o mínimo que se deve fazer é estudar primeiro o mesmo nas suas diversas vertentes, ou seja, as opiniões pró e contra. Entrar "de chancas" com afirmações como "revolta sem nexo" e "prazer de certas individualidades e órgãos da C.S. poderem criar controvérsias e instabilidades políticas" é polémico e - em minha opinião - insultuoso. Porquê? Porque se se der ao trabalho de ler as inúmeras opiniões expressas neste blog (pró e contra) elas foram sempre devidamente fundamentadas, apresentando-se inclusivé alternativas concretas. Tanto assim é que a própria Câmara nos endereçou um convite para um debate público, onde esteve presente nada menos que o Presidente da "Metro do Porto", Prof. Oliveira Marques, secundado pelo Dr. Paulo Morais, vereador da CMP para o Urbanismo. Para quem alegadamente promove "revoltas sem nexo" convenhamos que é um tanto estranho, minha senhora!

2. Os motivos de tanta polémica à volta do projecto "Metro na Boavista" estão devidamente explicados em pormenor neste blog, como já lhe afirmou o nosso moderador. Faça o favor de se informar, tem contribuições que chegue para, querendo, formar uma opinião sobre o assunto. Verá que há perguntas concretas sobre dúvidas fundamentadas, e também há propostas para alternativas. Portanto, nada que se coadune com "criar controvérsias e instabilidades políticas". Creio não ser necessário ir mais longe na resposta às suas afirmações.

Cumprimentos,
C. Gilbert

De: Ana Barbosa - "Metro na Boavista" 

Metro, porque não?

Não compreendo o motivo de indignação gerado à volta do metro da Boavista.

Hoje, qual foi o meu espanto ao folhear os jornais e aperceber-me que existem movimentos contra a construção do mesmo.Tantos anos a culpar e a massacrar o governo pela falha da não existência da área metropolitana do Porto, para na altura em que, de facto, alguém ou algum poder político leva avante a ideia, por todos nós “exigida”, ser criticado e o projecto apontado como erro.

Não é preciso ser dotado de garndes capacidades para compreender as vantagens da implantação do metro na Boavista, senão vejamos:
  1. Melhor facilidade de deslocação. Ou seja evita o aglomerar de trânsito e falhas nas acessibilidades.
  2. Trata-se de um meio de transporte rápido, eficaz, seguro e nada poluente.
  3. Reduz o número de veículos automóveis e ciclomotores na estrada.
  4. A nível estético tem melhor presença, mais modernizada, que os antigos eléctricos ou autocarros.
  5. O conforto e comodidade são inquestionáveis, quem experimentou sabe.
  6. O preço, reconheço que, ainda é um pouco elevado, até porque estamos num períodod inicial e de experimentação. Embora já compense a qualquer pessoa que necessita de usar passe dos STCP.
Ou seja, por todas estas razões e outras mais não percebo esta revolta, sem nexo, sobre o metro na Boavista. A única explicação que encontro é o prazer de certas individualidades e Orgãos de Comunicação Social poderem criar controvérsias e instabilidades políticas.

Ana Barbosa
anabarbosa201@hotmail.com
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Nota de TAF: Vejo que é recém-chegada ao debate. Permita-me aconselhar a leitura deste meu comentário com a minha opinião e de vários outros posts no dia 16, após a tertúlia. Estamos de boa fé, a favor ou contra, acredite. :-)


De: F. Rocha Antunes - "Imperativos legais..."